domingo, 6 de março de 2011

Análise ao debate sobre o Sporting

Do debate realizado ontem na SIC-Notícias sobre o Sporting o que primeiro me apraz registar é que não gostei do modelo. Longos monólogos em televisão são cansativos e o ter lá colocado candidatos que se calhar nem chegam ao fim dificulta o debate que seria mais vivo se tivesse havido maior interactividade.

Nota muito negativa e algo inconcebível para algo que pudemos observar todos. Então Godinho Lopes leva um I-PAD para estúdio, durante todo o debate está a receber contributos e auxílios de como deve responder e a SIC consente?

E os outros candidatos não aproveitaram aquilo para de imediato o atacar com a falta de naturalidade das suas respostas, previamente formatadas? Estão a ver o que seria noutros debates, outros candidatos estarem a ser ao minuto ajudados pelo seu staff e apoiantes?

Vamos agora caso-a-caso por ordem alfabética.

Abrantes Mendes - Esteve bem. Mas qual é o sportinguista que não gosta de o ouvir falar? Memória das nossas vitórias e do nosso ecletismo, agarrou bem uma boa ideia de Pedro Baltazar do Sporting ter râguebi e ténis e outras modalidades ditas modernas. Ponderado, foi buscar bem a sua entrevista de 1999 onde diz que o projecto Roquette é «um fracasso total». O ex-presidente da assembleia-geral de Jorge Gonçalves é um bom e respeitável sportinguista, mas neste momento está fora da decisão.

Bruno Carvalho - Tenho dito desde o início que tenho tido simpatia pelas propostas e pela postura deste candidato. Falta-lhe traquejo, passado profissional e a notoriedade que foi o seu lapso comunicacional quando lançou a candidatura. Ontem, esteve bem. Se o debate fosse na rádio era um KO total pois tem excelente colocação de voz. Na televisão tem tiques dispensáveis e passa por arrogante quando parece saber mais do que todos os outros. Tentou o confronto com Godinho Lopes, mas ficou marcado quando esse num truque se enganou no seu nome. Vamos ver a reacção dos adeptos quando esta semana apresentar um fundo de investidores "russos".

Dias Ferreira - é o que tem mais traquejo em televisão, foi mais calmo do que é costume. Partiu com o trunfo frank Rijkaard mas baralhou-se várias vezes nas questões financeiras e perdeu a calma com Boal. Não sei se chegará ao fim. Várias vezes se disse candidato e depois integra outras listas. Não ponho em causa o seu sportinguismo mas eu não sou muito adepto de o ver na cadeira do leão.

Godinho Lopes - o mais trabalhado profissionalmente em termos de comunicação. Godinho Lopes não é aquilo que aparenta. Fala como se fosse o único que sabe os problemas do clube e isso é grave, pois significa que membros da sua lista não estão a disponibilizar - como foi dito - o que é solicitado aos candidatos que têm direito a conhecer o estado do clube. Godinho Lopes é o «pai do fosso», Agostinho Abade destruiu completamente a sua imagem em entrevista ao Record e Dias Ferreira e Boal descredibilizaram por completo a sua solução para o futebol. É o candidato que parte como favorito, mas ontem não esteve mal nem bem. Limitou-se a debitar o que lhe ensinaram (bem a agência que o trabalha) e que ficava bem ao ouvido dos sócios.

Pedro Baltazar - É o que tem a melhor lista, mais talento e "know-how" incorporado mas ontem foi uma desilusão. Logo o erro dos óculos no início, que depois tirou. Esteve bem na parte da financeira que tem na ponta da língua, mas faltou-lhe alma e paixão. Os clubes de futebol vivem-se com emoção, Baltazar foi demasiado técnico ontem e faltaram-lhe as setas que chegam ao coração do universo leonino. A sua ligeira gaguez pode ser ultrapassada, basta ver o "Discurso do Rei" para se perceber como um Rei gago foi tão importante pela sua solidez para o povo inglês atravessar e vencer uma guerra. Mas gostei de o ouvir dizer «ecletismo só com equipas ganhadoras» e que o futebol será da sua responsabilidade directa, é assim que tem de ser.

Zeferino Boal - Nem devia lá ter estado.

Estamos ainda no início desta campanha, mas noto que só dois candidatos têm listas apresentadas: Godinho Lopes e Pedro Baltazar. Quero ver quem terá o trunfo João Rocha. Já o disse, quem o tiver terá meio caminho andado para a vitória.

E no futuro tem de ser claro o caminho entre mudança, que só Pedro Baltazar e Bruno Carvalho representam, e continuidade, na cara de Godinho Lopes. O Sporting não está em momento de se excitar com promessas de milhões nem com páraquedistas salvadores da pátria. O Sporting precisa de gestão, de saber valorizar a Marca, de voltar a animar os sócios e de integrar o seu património vivo.

A escolha é entre o «pai do fosso», não só do fosso do estádio mas do fosso que alguns geraram contra a maioria do universo leonino que é um clube popular, pois se assim não fosse nunca seria grande e universal; e a mudança credível e sem loucuras. mantenho que a junção de candidaturas entre Pedro Baltazar e Bruno Carvalho seria interessante neste momento.

E deixo uma reflexão para meditarem: nunca vi João Vale e Azevedo perder um debate.

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