quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A entrevista de Godinho Lopes e uma sugestão construtiva

Como habitualmente, tento ser justo nos meus comentários. Sobre a entrevista de Godinho Lopes, ontem, a Fátima Campos Ferreira farei duas análises: a técnica e a de sportinguista.

Tecnicamente, foi num momento certo, numa fase muito conturbada do clube, algo que o presidente reconheceu ser natural pois houve muita especulação, decorrente da indefinição sobre o treinador e modelo a seguir. Godinho Lopes foi treinado, bastava ver certos pormenores, mas muitas vezes saiu da pré-agenda definida pela agência de comunicação que o acompanha, por força da contundência da entrevistadora.

 Mas, globalmente, foi eficaz, sobretudo para muita gente que se encontrava desmotivada e desolada com o seu consulado, não sendo uma grande entrevista pois houve várias cambalhotas e revoluções que para os mais atentos chegam a chocar. Estancou muitas perdas de confiança da parte dos adeptos e associados. Tem de rever uma postura, mas puramente de técnica de comunicação, algo que a maior parte das pessoas não está habilitada para comentar, pois nunca trabalharam em comunicação: quando aguarda as perguntas, não se chegue para trás na cadeira e olhe de cima para baixo, pois é um misto de sobranceria e desconfiança. A comunicação não é apenas evidências e factos, tem variáveis que derivam da linguagem corporal e do campo do subliminar, mas isto é crítica construtiva e pode melhorar.

Agora, vamos à análise dos temas que mais interessam aos sportinguistas:

Regime presidencialista - Foi uma das novidades da noite. Quantas vezes. e há quanto tempo,  aqui escrevi para os que acompanham o meu blog regularmente, que o Sporting «precisa de um modelo presidencialista à João Rocha»? Godinho muda a sua maneira de dirigir o clube, isso é positivo. Mas tem dois problemas: 1- Não nos podemos esquecer que o projecto que foi sufragado em eleições não era este, apresentou um elenco de "estrelas" que já foi embora e demorou ano e meio a perceber uma evidência; 2- Não basta falar em «regime presidencialista», pois para termos esse regime temos de ter um líder, uma pessoa com essas características inatas e não sei, pela percepção que dá, que GL as tenha.

Fracasso no modelo do futebol profissional- Assumiu o fracasso na gestão do futebol profissional, quando tantas vezes muitos escreveram que havia dois Sportings: O clube e o da SAD, dois quintais que funcionavam desligados, logo, não funcionavam bem. GL inverte esta opção, assumindo o futebol. Tem um problema: não percebe nada de futebol e quem escolheu para a SAD e futebol também não (já darei sugestão construtiva sobre este tema).

O ADN da formação - Todos já sabemos que é a nossa jóia da coroa. GL diz agora que será essa a prioridade. Porém, em ano e meio comprou 24 jogadores e foram gastos 60 milhões de euros. Quem paga a irresponsabilidade desta opção? Sem esquecer que já muitos passes de jovens jogadores não pertencem ao Sporting mas a fundos sem rosto.

O treinador- Reconheceu que Scolari era o seu treinador, algo que já tinha escrito e era verdadeiro. Não chegou a acordo porque exigiu 2 a 3 milhões de garantias para assinar, esqueceu-se de dizer isso. Anunciou o Franky Vercauteren, que foi o único que aceitou assinar até ao final da época, pois Freitas deixou outro treinador contratado para a próxima e por isso não veio Ernesto Valverde, que não aceitou a duração do contrato. Mas a partir deste momento, Vercauteren, é o melhor treinador do mundo, porque é nosso, e temos de apoiar.

Investidores- Como ontem escrevi, infelizmente, não há investidores. Por isso deixaram de ser prioridade. GL referiu-se a muitos dos opinion-makers na imprensa e televisão que falam do Sporting e que prejudicam a vinda de investidores. Devia estar a referir-se a Rui Paulo Figueiredo que falou de gestão catastrófica de 70 milhões da SAD, em Almoçageme, e veio nos jornais, de João Pedro Varandas que vê um microfone e excita-se (ambos da sua direcção e que terá de mandar calar), e adiversos elementos da AG, do Conselho Leonino e ex-presidentes que todos os dias falam. Mas também não se pode esquecer que um mês para apresentar treinador leva a uma situação de indefinição que nenhum investidor deseja.

Por último, já vai longo, uma sugestão construtiva: para a SAD e futebol, GL que vai assumir a pasta, escolheu 3 pessoas sem vivência, conhecimento e percepção do que é  mundo do futebol. Como ontem referi, de Borges Rodrigues não falo, pois não conheço, mas não é do futebol; Silva e Costa, mais um elemento da Maçonaria, é um nome impronunciável, estão na SAD. Para director do futebol, é assim que está no site do clube, escolheu o Paulo Farinha Alves. GL ontem retrocedeu, depois das críticas justas que constatou serem verdadeiras, e referiu que ele não vai ficar com o futebol, mas sim «em questões de organização e contratos». Ora, nestas duas vertentes, o Paulo é competente pois é um magnífico advogado. Sendo assim, falta um homem de confiança para o futebol, que conheça o mercado, agentes, jogadores e organização.

O Sporting tem nos seus quadros a solução ideal para o futebol, e que muitos dizem que foi o melhor profissional que entrou nesta gestão de GL, nos seus quadros. O Paulo Menezes, director de scouting internacional, para lá de sportinguista, tem toda a competência nesta área, sempre fez o trabalho de campo de Carlos Freitas, conhece de trás para a frente o mercado de jogadores e agentes FIFA, não se deixa enganar por amadores, é muito discreto, quase não fala, conhece os activos do clube. Não o digo só por ser amigo dele há 20 anos, é porque é mesmo bom. Tem detectado jogadores importantes, conhece a gestão e organização dos melhores clubes do mundo, conhece os tempos de comunicação, pois foi jornalista e editor de dois jornais, e trabalha com profissionalismo e paixão pelo clube. Basta GL falar com ele, aqui fica a minha sugestão construtiva, mais uma, desta vez para o futebol.

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