sábado, 6 de outubro de 2012

O assassínio de Sá Pinto e os eternos responsáveis

É com muita mágoa que vejo partir o Sá Pinto. O ano passado foi um psicólogo fantástico da nação leonina, mas este ano precisávamos de um treinador. E temos de reconhecer que ele não foi um bom treinador. Nisto é apenas ele o culpado.

Mas ele só foi treinador da equipa principal porque alguém o escolheu. Num momento difícil, direcção e estrutura da SAD usaram-no para salvar a pele, agora assassinaram-no sem pudor.

O treinador sentia-se sozinho e desprotegido desde o jogo com o Basileia, ninguém da direcção nem da SAD o defendeu publicamente. E naquele sábado, antes do jogo com o Gil Vicente, com três capas de desportivos onde se mostrava que havia um grande plantel e o Sá Pinto é que era mau, dizimaram-no.

Nunca neste espaço pedi demissões nem eleições antecipadas. E não o vou fazer. Mas é tempo dos responsáveis fazerem uma auto-reflexão. Godinho Lopes é o presidente que nos últimos anos menos oposição tem sofrido, menos barulho tem sentido, como o prova a última Assembleia Geral.

Os problemas do Sporting têm estado dentro do Sporting. É com tristeza que eu e muitos milhões de adeptos anónimos vêem isso acontecer. Quem mina o Sporting é quem gere mal e está lá dentro, quem é fonte de jornais e está lá dentro, quem delapida o património e a alma sportinguista e está lá dentro. É assim há 20 anos.

O problema do Sporting é um problema de liderança. Godinho Lopes é um homem trabalhador, dizem-no e eu acredito. Mas na auto-reflexão que terá de fazer é averiguar se tem jeito para ser presidente do meu clube. Pode ter muito boa vontade, mas não é um líder e não percebe nada de futebol e isso é um equívoco inultrapassável.

Vamos para o terceiro treinador em ano e meio. Vamos para duas gestões ruinosas na SAD, houve investimento, mas não há resultados. E sobretudo a auto-estima dos adeptos está em baixa. O Sporting é muito grande e muito sentido por milhões de adeptos, que não o gostam de ver fragilizado e sem alma. Precisamos de ambição, de mão forte mas democrática.

O mal do Sporting não são os treinadores, esses, são o elo mais fraco. É a incapacidade de liderança que tem marcado os últimos anos e a falta de visão global de marca e clube. Nós os adeptos estamos sempre com o nosso clube do coração disponíveis para apoiar, mas precisamos de melhores dirigentes. Que pena tenho que o sr. João Rocha já esteja em idade avançada.

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