quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sporting: o treinador do presidente vs. o treinador da SAD

Ontem, logo pela fresca, escrevi no meu mural no facebook assim: «Acordei, vi a imprensa e estou descansado. O Sporting já tem 54 treinadores...». Tem sido um bailado de todos os nomes possíveis e imaginários. Mas na sexta-feira, no meu twitter, escrevi: «Co Adriaanse ou Ernesto Valverde», o segundo nem sequer tinha ainda sido falado, começou a ser depois disso.

Não sei ainda quem será o treinador. O que sei é que em ano e meio vamos para o terceiro treinador e esta direcção e estrutura do futebol não podem falhar de novo. Por isso, apesar de não perceber nada de futebol, Godinho Lopes está mais em cima da decisão, que será tomada pelos homens em quem confia. Logo, há da direcção um desejo e da SAD outra maneira de ver o assunto

Co Adriaanse era uma hipótese forte e foi contactado, mas dizem-me que está doente e não tem condições. Assim, o treinador desejado pela direcção era Luis Filipe Scolari. A título pessoal não julgo que fosse uma boa solução. Se tivéssemos um plantel mais velho, talvez fosse. Mas Scolari está numa fase da vida em que não ensina nada a ninguém (e temos muitos jovens que sabem jogar à bola, mas ainda não sabem jogar futebol), é caro e nos últimos clubes por onde passou foi um desastre (Chelsea despedido e no Palmeiras ficou 9 pontos abaixo da linha de água quando saiu).

Scolari seria uma mera decisão política, de sobrevivência, seria uma espécie de Sá Pinto sem sportinguismo, seria ele a carregar o clube como o Ricardo o fez na temporada passada. É duro, austero, mas teimoso e pouco versátil. Para um presidente que não é líder, Scolari daria jeito. Mas tecnicamente deixa muito a desejar e não é neste momento opção.

Do lado da SAD, outra visão e conhecimento mais profundo do futebol. A solução para treinador tem de ter em conta o plantel que temos e tem de ter um perfil ambicioso e de crescimento. Luis Enrique e Ernesto Valverde seriam as opções mais prováveis. 

O primeiro conhece o trabalho de formação, com a escola do Barcelona, mas a sua primeira experiência como técnico principal, na Roma, foi um desastre. Ernesto Valverde é um bom, respeitado e ambicioso treinador. Começou no Atlético de Bilbau, um clube que muito vive da sua cantera, até porque não utiliza estrangeiros, brilhou com o Espanhol e ganhou 3 campeonatos gregos no Olympiacos, onde é adorado e onde deu 5 a 1 ao Benfica numa competição europeia, e isso é um bom currículo.

Valverde não é um treinador de perfil alto e muita gente não o conhece. Mas muita gente também não conhecia Boloni e foi campeão e muita gente não conhecia Mirko Jozic e foi dos treinadores que melhor futebol exibiu em Alvalade. Valverde fala baixo, calmamente, tem bom balneário e resolve os problemas olhos nos olhos, algo que quem anda no futebol gosta. E é adepto de futebol ofensivo e de espectáculo, coisa que desde Peseiro não vejo em Alvalade.

Agora, tudo depende das negociações. Sendo que ano e meio de contrato com bons prémios por objectivos alcançados é o que está em cima da mesa e nunca contratos longos como vi alguns escrever. Esperemos que haja uma boa escolha e um bom treinador, que apoiaremos sempre. E não folclore nem segundas opções. O Sporting já não pode falhar mais.

PS: todos os treinadores quando são despedidos têm direito legal às suas indemnizações. O Sporting neste momento paga a Domingos (que foi mal tratado) e a Sá Pinto (que saiu desamparado mas é sportinguista). Paulo Bento saiu (também mal tratado), mas não aceitou um cêntimo mais depois do último dia em que deu treino. É nestes gestos nobres que se vê o carácter dos homens, desculpem que vos diga.



 




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