sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A minha carta para o Sporting

Tenho acompanhado ao longe o processo eleitoral no Sporting. Apesar de diversos convites, não integrarei qualquer lista nem tenho tempo para trabalhar no Sporting, como sempre disse, por falta de disponibilidade profissional.

Ao longe, vejo um bailado de uma série de nomes que só neste final de semana julgo que clarificarão as suas intenções, ficando assim nítida a arena desta disputa eleitoral. Tem havido agora poucas ideias, pouco pensamento estratégico para os desígnios do Sporting no futuro. Por isso, deixo aqui como contributo um conjunto de ideias que, se as acharem válidas, quem quiser que as aproveite pois o que me interessa é um Sporting forte, com garra e de que todos nos orgulhemos.

FALAR VERDADE - Acabou o tempo das promessas miríficas. Treinadores de sonho, estrelas emergentes e cadentes. Ao longo dos últimos anos enganaram-se os sócios, Os próximos tempos serão de contenção, de rigor, aproveitando a cantera e tentando limpar o passivo. Com coragem dizer que o Sporting Clube de Portugal é o maior e melhor clube português mas que vai lutar por fazer o melhor possível face à situação económica encontrada.

AUDITORIA DE GESTÃO - Aqui escrevi a seu tempo sobre a responsabilização e criminalização de todos os que prejudicaram o Sporting. Gestão danosa, negociatas, devem ser claramente punidas e em alguns casos devem expulsar-se de sócios quem fez mal ao clube e quem se aproveitou dele para a sua vida pessoal.

UM PRESIDENTE LÍDER - Desde João Rocha que nunca mais tivemos uma liderança pujante, um presidente carismático. É tempo de haver esse tipo de liderança, de agregação de todos os adeptos e de combate contra os rivais e poderes podres do futebol. Nunca alinhar em alianças que só beneficiam os rivais, destruir a bipolarização artificial que os media têm construído para interesse de carnide e das antas.

MAIS PROFISSIONALISMO, MENOS VICES, MELHORES DIRECTORES- A equipa terá de ser mais curta, mais coesa, mas especialmente, e esta é a minha ideia há muito tempo, os vice-presidentes devem funcionar como uma espécie de "board-advisor" do presidente. Sem pelouros directos, apenas como agentes de fiscalização sobre os directores das diversas áreas do Sporting, que devem ser recrutados do mercado (de preferência sportinguistas) e pagando o que é possível e não salários astronómicos como hoje se passa no Sporting. Para ser claro, dando um exemplo: para quê um vice das modalidades e um director das modalidades? Na minha ideia, são os directores que devem gerir o dia-a-dia submetidos a vigilância no cumprimento dos objectivos traçados anualmente. Isso aumentaria o profissionalismo e melhoraria objectivos e dinâmica de trabalho.

ESTRATÉGIA A LONGO PRAZO PARA O SPORTING - O Sporting deve pensar a longo prazo e não apenas tentar sobreviver. Devemos esclarecer bem o que queremos para o clube nos próximos 20 anos. Nos primeiros três ter uma gestão racional, para depois de limparmos a situação financeira podermos dizer somos candidatos ao título e queremos estar sempre na Champions. Aposta na formação, mas de maneira integrada e tranquila e não a queimar miúdos como se tem passado nesta época.

RELAÇÃO COM A BANCA - O Sporting precisa da colaboração da banca, mas não é seu servo. É a banca que tem de negociar com o Sporting e o clube não deve andar atrás, como marioneta, dos interesses da banca.

INVESTIDORES- No curto prazo, o Sporting precisa da entrada de dinheiro fresco. E os candidatos devem ser claros quanto à solução financeira para o clube, garantindo, e seria o melhor caminho, que o Sporting nunca perderá a sua identidade e nem a maioria na SAD.

COMUNICAÇÃO E MARKETING - é algo em que o Sporting tem sido uma vítima ao longo do tempo. O Sporting mantém todo o interesse nos media, mas tem sido constantemente desrespeitado e humilhado, perdeu a sua influência e ainda não encontrou uma figura que forte que se mexa ao nível das administrações das empresas de media que tenha poder e imponha respeito. Por outro lado, os presidentes têm sido débeis comunicadores e tem-lhes faltado o melhor aconselhamento nesta área. No marketing devemos ser mais criativos, mais inovadores e proporcionar melhores produtos, pois a Loja Verde é uma pobre montra do e para o universo leonino.

CANAL SPORTING- é algo que me parece vital para a Marca Sporting, mas ao contrário do caminho seguido, o clube não tem condições financeiras para a construção de um canal de raíz. Logo, deve ser aproveitado um canal já existente onde colocaremos os nossoa conteúdos e as nossas transmissões. Sei que o Económico TV estaria interessado nesta parceria, e neste caminho que devemos apostar.

ECLECTISMO E PAVILHÃO - Todos temos saudades do pavilhão ao lado do nosso estádio. Odivelas é uma solução de recurso, mas se houver possibilidades, devemos defender a construção de um novo pavilhão. É o eclectismo que nos faz grandes, é o eclectismo que nos tornou o segundo maior clube do mundo em títulos. Devemos manter a aposta mas com rigorosa gestão e com objectivos claros de ganhar ainda mais.

EXTINÇÃO DO CONSELHO LEONINO - Quando foi criado e na sua ideia inicial era uma boa ideia. Hoje, é uma feira de vaidades, onde pessoas mantêm a sua existência coladas ao nome do Sporting. Não faz sentido agora, deve ser apresentada proposta pelo novo presidente da sua extinção na próxima AG.

E acima de tudo, para lá da verdade, o Sporting precisa de carácter, honestidade, mais sportinguismo. Gente para servir o Sporting e que não se sirva do Sporting.

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