quarta-feira, 29 de maio de 2013

O que se passa mesmo entre LFVieira e Jorge Jesus

Por não ser adepto desta colectividade, talvez esteja mais à vontade para escrever o que verdadeiramente se passa entre Luis Filipe Vieira e Jorge Jesus. Um processo que se arrasta na arena mediática desde domingo, em que o treinador tem vindo a ser dizimado e o presidente - mais uma vez com os amigos da imprensa - a ser poupado. Luis Filipe Vieira não fala, o que é significativo das suas hesitações, porque João Gabriel ainda não escreveu nada, isso é óbvio neste momento.

O que se passa é simples. O Benfica teve uma época desastrosa na sua recta final, ultrapassando o record de "quases" de José peseiro. Responsável no terreno Jorge Jesus. Principal responsável Luis Filipe Vieira que escolheu treinador e estrutura a seu belo prazer.

E se no ano passado se ufanou das vitórias nos campeonatos em diversas modalidades, hoje tem de assumir ele, e não assume, o colapso. Para mim é óbvio que quando se ganha em qualquer situação, empresa ou clube, ganha o presidente. Quando se perde, perde também o presidente. É essa a responsabilização, é essa a força de um líder. Nos bons e nos maus momentos.

Jorge Jesus fez futebol espectáculo, valorizou jogadores, teve montra toda a época. E, naturalmente, os benfiquistas estavam satisfeitos. Mas Vieira não soube renovar a tempo e uma coisa são palavras e intenções, outra, são contratos. A seguir ao Marítimo, Vieira fez juras de amor, mas não casou.

Depois, veio Estoril e Porto. E aqui, se Vieira fosse um líder, teria aprendido com o líder do Norte que é a sua assombração todas as noites, que um líder dá sinais fortes, dá confiança. E, sendo assim, antes da final com o Chelsea, no dia antes, para moralizar os jogadores e grupo de trabalho, que estavam de joelhos após as Antas, mostrava o contrato, sentava-se ao lado de Jesus e anunciava-o como treinador para as próximas épocas. Não o fez pois não tinha qualquer contrato nem é um líder.

E maior a desilusão da Taça. Aqui, a equipa mostrou enorme fragilidade mental, face à qualidade que demonstrou toda a época em termos técnicos. Os jogadores estavam cansados e fragilizados psiquicamente. Aqui, começa a grande contestação a Jorge Jesus. E as tais juras de amor de Vieira hesitaram.

Com o teatro desta semana, o que se vê é que mais uma vez Vieira foge ele próprio das críticas, deixando afundar um treinador. Agora, para lá dos sinais de fraca liderança e de uma estrutura débil, onde se sobrepôs por iniciativa do presidente um pavão chamado António Carraça, apagando-se a figura que eu muito respeito de Rui Costa, surge o medo.

É que antes deste colapso, se Jorge Jesus se fosse embora era um traidor e ficaria marcado para os adeptos desta colectividade. E aqui para lá de um convite que recebeu, em Outubro de 2012, do Sporting, em sua casa (algo que desenvolverei noutra altura), é sabido que Pinto da Costa espera como o gato que olha guloso para a gaiola com um pássaro, pela saída de Jorge jesus para o contratar.

Vieira não sabe o que fazer. Se ficar Jesus, à primeira derrota é assobiado e o ónus do fracasso será só seu e a sua presidência terá forte oposição. Se sair, tem medo de o perder para o FC Porto, onde com uma estrutura forte, Jesus pode ganhar tudo aquilo que perdeu na Luz, o que seria a suprema ironia e gozo de Pinto da Costa.

Jesus, apesar de dizer que quer ficar, quer sair. Já perdeu o coração dos adeptos e será sempre visto de soslaio por quem não lhe perdoa a perda da "tripleta", tal como a maioria dos sportinguistas não perdoa a Peseiro a perda de campeonato e UEFA.

Para terminar, Vieira dá sintomas de titubear numa fase que será decisiva para a sua história. Por este caminho, não passará de um rodapé na história desse clube.

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