segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A entrevista de Antero Henrique ao Jogo

Eu gosto de reconhecer o valor das pessoas e o talento de quem o tem. No Benfica, destaco Domingos Soares Oliveira, no FC Porto, como expoente máximo da sua organização - e aqui ninguém pode criticar - que é um modelo de profissionalismo e de rigor na sua estrutura, o Antero Henrique.

Ao dar entrevista numa semana de clássico, isso poderia ser entendido como uma forma de acicatar rivalidade e condicionar psicologicamente. Mas, sobre o Sporting, o silêncio. daí que retiro que esta entrevista tinha 3 focos, saliento o ponto 3:

1- Reforçar o seu perfil, de reconhecido prestígio internacional - relembro a excelente entrevista de promoção da máquina do FC Porto a um media francês que é uma lição de saber fazer - pois já foi dado como reforço de outros clubes com uma dimensão mais elevada. E o posicionamento do seu clube como potenciador de talento, formador de campeões e que tem  sucesso como objectivo: «A nossa prioridade é o sucesso desportivo. Não vamos deixar de ter a melhor equipa por querermos ter a melhor formação», diz defendendo-se da única área onde um clube em Portugal, o Sporting, lhes é superior - e isso ele terá de reconhecer - há muitas décadas.

2- Esmagamento do Benfica. E aqui o que diz é totalmente verdade e é arrasador: «o Benfica, nos últimos 5 anos, teve contas negativas. Tem acumulado prejuízos consecutivamente. Em termos desportivos, o Benfica teve na época passada um ano completamente em branco que nós, no FC Porto, já nem nos lembramos de ter. Onde é que isto está a ser dito? Está a ser maquilhado. (...) Se outros promovem o virtual, o que é que nós temos a ver com isso?». O Benfica de Vieira, nos últimos anos e também o tenho realçado com gosto, é, sem dúvida, o maior embuste mediático em Portugal.

3- Apesar de afirmar que a sucessão de Pinto da Costa é um tema que «só interessa aos nossos adversários». O que se nota é a marcação de terreno, especialmente a outra figura que aparece como putativo sucessor: Fernando Gomes, o actual presidente da Federação Portuguesa de Futebol e isso vê-se em dois momentos:
- Quando responde ao ataque de FG á falta de formação do Benfica e Porto: «Vindo de FG até é estranho, porque a modalidade dele era o basquetebol e aí 60 a 80% dos jogadores podem ser estrangeiros». E ainda acrescenta: «nós clubes, temos é de manter a competitividade. Se for com jogadores portugueses, óptimo». Mas não é por qualquer iniciativa da FPF que isso acontecerá.
- Depois: «não aproveitamos o melhor jogador do mundo, o melhor treinador do mundo, o melhor árbitro do mundo». Uma crítica velada a quem tem de promover o melhor do nosso futebol, o melhor da nossa Marca no desporto, a FPF.

Uma entrevista para se ler com atenção e um perfil em crescimento para acompanhar, o do Antero Henrique. Na viragem para um Porto vencedor esteve um homem, o Mestre, José Maria Pedroto. Pinto da Costa aprendeu tudo com ele e estruturou e modernizou o FC Porto. E o seu melhor sucessor é o que não mudar a máquina e o que aprendeu mais com Pinto da Costa: Antero Henrique. A sucessão segue dentro de momentos.

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