quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sobre a auditoria de gestão do Sporting

Este post será mais longo, mas será importante para que não se esqueçam diversos temas que deverão ser analisados pela empresa escolhida para a auditoria e para os quais os sócios do Sporting deverão estar atentos.

Sempre fui crítico de uma auditoria de branqueamento realizada por Godinho Lopes. Entendi na altura, em 2012, que o Sporting para matar os seus fantasmas precisava de uma auditoria de gestão que responsabilizasse, criminalizasse (se possível) e expulsasse quem prejudicou e se valeu dos cargos que desempenhou no Sporting.

Portanto, como sportinguista estou satisfeito que o presidente Bruno Carvalho tenha dado início a um trabalho que servirá para serenar os espíritos da nação leonina. É um trabalho difícil que peca por não envolver a gestão de Sousa Cintra, onde começou o ataque ao património do Sporting.

A empresa escolhida foi a Mazars, que fez um magnífico trabalho na detecção de vários crimes que aconteceram no BPN. No universo das consultoras em Portugal, poucas seriam as que não teriam ligações a diversas personalidades que passaram pelo Sporting. No caso de Mazars há algumas ligações que deixam dúvidas a Ricciardi (em Angola), uma forte amizade do seu presidente a Soares Franco e trabalhos realizados com Godinho Lopes.

Porém, em primeiro lugar, acredito que a Mazars pretenderá fazer um trabalho credível e isento, pois o seu bom trabalho servirá para a sua promoção comercial; depois, tenho confiança que os actuais corpos sociais não permitirão qualquer branqueamento desta empresa que está obrigada a apresentar, quase mensalmente, relatórios sobre o trabalho realizado; por último, os sócios do Sporting estão atentos e se houver qualquer tentativa de poupar crimes no Sporting cairão forte e feio sobre os "partners" da empresa de auditoria. Agora vamos aos temas que não poderão deixar de aparecer na auditoria:

- Na gestão desportiva, onde muito trabalho está já feito, ver negócios ruinosos, comissões e quem as recebeu. Na parte da gestão deixo vários tópicos.

- Construção do Estádio. Derrapagens financeiras, alteração do projecto inicial, ligações de quem o construiu a empresas envolvidas e aos cargos que ocupavam no Sporting, comissões de obras e até de elevadores do estádio. Será um manancial de histórias.

- venda dos terrenos do antigo estádio. Ligações de Godinho Lopes ao senhor Van Veggel da MDC, empresa que os comprou. E como um indivíduo chamado Diogo Gaspar Ferreira (o qual já defendi que devia ser expulso de sócio do Sporting) que trabalhava no Sporting na altura, esteve envolvido na venda dos terrenos do clube e depois de os vender foi exactamente para administrador da empresa, MDC, que os comprou

- Quanto é que o Sporting gastou em gráficas e se havia um elemento dos corpos sociais do Sporting, falo de Silva e Costa, na administração de uma empresa de gráficas e se havia ligações nessas compras.

- Venda do Alvaláxia deixo duas dúvidas para os sportinguistas reflectirem. O Sporting teve durante décadas a chamada "nata da finança" nas suas equipas directivas. Pois bem: 1- então a "nata da finança" enquanto tivemos o Alvaláxia, para lá dos cinemas, nunca conseguiu arranjar uma loja-âncora para aquele espaço comercial e 3 meses depois da venda já lá estava, como está, uma cadeia de supermercados? Então e os grandes contactos da "nata da finança"?; 2- Ninguém da "nata da finança" anteviu que a ZON agora tem a sua sede onde era o edifício do bingo do Sporting? Onde acham que os milhares de funcionários que ali trabalham naquele edifício de vidro podem ir agora ao ginásio? Ao Holmes Place do Sporting. Se tiverem problemas de saúde vão à clínica da CUF no estádio e aonde vão almoçar muitos? provavelmente aos restaurantes do Alvaláxia. Então a "nata da finança" não percebeu isto? O que ganhou o Sporting? Nada. Obrigado "nata da finança", mas o Sporting saiu prejudicado destas negociatas, todos são responsáveis, especialmente, Filipe Soares Franco que foi quem vendeu tudo no complexo Alvaláxia.

- O projecto Roquette criou quase 20 empresas. José Roquette, mais um da "nata da finança" que fez a maior parte dos seus negócios não com o seu dinheiro mas à conta de créditos bancários, criou empresas que muitos sportinguistas nunca chegaram a saber para que serviram ou qual o seu objecto social. Mas foram essas empresas que pagavam salários faraónicos a amigos e demais figuras da "nata da finança" que levaram a prejuízos consolidados e que aumentaram para centenas de milhões o passivo do Sporting. A auditoria deve apurar que trabalhos fizeram essas empresas, salários e gastos chorudos realizados e quem foram as figuras que receberam esses salários.

Haverá com certeza outros tópicos a analisar, mas fica o meu contributo com estes temas que considero fundamentais que sejam analisados na auditoria que a boa hora foi iniciada.

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