terça-feira, 25 de março de 2014

Um ano de Bruno de Carvalho

Bruno de Carvalho foi eleito presidente do Sporting há um ano. Muita coisa mudou. Há muitos anos que não sentíamos tão vivo o Sportinguismo. A sua presidência uniu e deu força aos adeptos, e silenciou muitas aves raras que, por tudo e por nada, apareciam na comunicação social a falar e muitos deles com graves responsabilidades em muito do mal que o Sporting passou.

O Bruno de Carvalho está a dar os seus primeiros passos num dos cargos mais difíceis de Portugal. Ser presidente do Sporting é uma honra, é uma paixão para quem é verdadeiramente sportinguista, mas todos sabemos que, apesar de no nosso ADN estar o ecletismo, um clube que tem como mola fundamental o futebol muitas vezes depende da irracionalidade de uma bola que bate na trave.

Mas este primeiro ano de Bruno de Carvalho, a meu ver, tem sido bastante positivo. O clube está com mais alma, está mais combativo, despertou da modorra dos camarotes para a paixão das bancadas e nas ruas sente-se mais orgulho, mais alegria. Voltamos a ter ambição, mas uma ambição centrada numa gestão sensata e racional. Com menos tem-se construído mais e isso é abonatório desta presidência.

O estilo de Bruno de Carvalho tem sido o de um presidente-adepto. Há quem critique essa postura, mas julgo que o tempo e a maturidade do lugar poderá melhorar alguns excessos que tenha cometido. Porque nas críticas legítimas que alguns sportinguistas fazem, baseiam-se em vícios de estilo, de forma. Excessos de linguagem, excessos de exposição. Julgo que a experiência ajudará a aparar esses «pecados», quando os houve.

Mas é a diferença entre forma e substância. Porque nas críticas se fala do estilo, da forma, mas pouco da substância. E o que digo/respondo a algumas pessoas amigas sobre o que acho deste ano baseia-se na substância: «o que farias de diferente no lugar do Bruno?».

É que se estive na primeira linha contra Godinho Lopes porque dia-a-dia se via o desastre de uma gestão, dia-a-dia conseguia apontar uma decisão errada, em termos da substância desta administração pouco tenho a apontar. Está tudo impecável? Com certeza que não. Mas não vejo gestão danosa e julgo que as pessoas são bem intencionadas.

Onde podem melhorar? Eu aponto: muita atenção à formação para não ficarmos atrás dos rivais e cuidado com o bailado de empresários que circula em volta da Academia; melhorar a área comercial, a crise já não é desculpa para a falta de resultados;  melhorar a comunicação, pois se temos um presidente que por condições inatas é um excelente comunicador, a comunicação do Sporting nas suas diversas valências é frágil e falha inúmeras vezes; a auditoria prometida e realizada não pode deixar as culpas solteiras e já aqui apontei vários temas dos quais exijo esclarecimentos; e quando se tem uma linha de rumo, ela é para ser seguida e não estar á mercê de conversas nas redes sociais que têm apenas o valor que têm. Mas isto são críticas/sugestões construtivas.

Portanto, julgo que o primeiro ano é positivo. Gestão sensata e racional (não esqueço a competência do Carlos Vieira); as questões financeiras que estavam na agenda diária mediática do clube desapareceram; no futebol estamos a construir uma equipa com tostões, mas com um treinador muito competente e de quem sempre gostei e que por cá deve continuar muitos anos, Leonardo Jardim; nas modalidades estamos com garra (muito mérito no andebol, mas não esqueço que vem do ano anterior) e prepara-se já a próxima época atempadamente; o ecletismo continua vivo e com mais modalidades; mas, sobretudo, reforço a ideia da alegria, que até se sente nas crianças sportinguistas, o orgulho leonino que voltou, a garra, a ambição. O Sporting deixou de ser o coitadinho todos os dias açoitado por notícias de questões financeiras que lhe tolhiam os movimentos e voltou a ser o grande clube que sempre foi, ambicioso e que está disponível para todos os combates. Esta é a postura que todos os adeptos sportinguistas gostam.

E não o escrevo na óptica da comparação com Godinho Lopes. Pois estaria a desprestigiar Bruno de Carvalho comparando-o com uma página negra da história do nosso clube. É positivo por si só, pela sua acção, pelo gosto que tem em ser presidente do seu clube do coração, a sua cadeira de sonho.

O Sporting é um clube de gente livre. Ao contrário de outras colectividades não gostamos de ditaduras. Estamos sempre disponíveis para apoiar com paixão, mas os Sportinguistas estão atentos, têm opinião e querem o melhor para o Sporting. Os homens passam, o clube fica. E nós estamos sempre aqui.

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