terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Algumas notas sobre a CPI do BES

Neste post escreverei algumas coisas que ainda não foram comentadas sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES que tem sido um circo mediático com estratégias diversas e um foco de atenção dos portugueses

- Ricardo Salgado (RS) fez-se acompanhar por um jovem advogado, filho de Proença de Carvalho, que se limitava a ligar-lhe e a desligar-lhe o microfone e lhe sussurrava repetindo as perguntas a que não tinha respondido. José Maria Ricciardi (JMR) levou um grande advogado da velha guarda, Pedro Reis, que o aconselhava e muitas vezes lhe acrescentava nas respostas, e também uma assessora de imprensa competente, a Nadia Novais, que acompanhava ao minuto o que nos on-lines e nas redes sociais estava a acontecer. RS assentou a sua preparação no próprio, julgando que o seu poder que já não existe bastava. Um erro de cálculo. JMR foi mais ajudado e vê-se que ouve conselhos apesar de ser mais sanguíneo.

- Logo nas declarações iniciais se percebeu a diferença entre Michael Corleone e Sonny Corleone. Isto é, a frieza e racionalidade de RS versus o sangue quente e a explosividade de JMR.

- Incompetências múltiplas é o grande balanço que se pode fazer já desta CPI, incluindo do Banco de Portugal. E quando logo nesse dia escrevi no meu twitter que a melhor de todos os deputados era uma miúda de 28 anos, a Mariana Mortágua, jovem, intuitiva, mas ainda sem muito conhecimento da vida e das sombras do poder, o que dizer então dos restantes deputados.

- Claro que o contabilista desempenha aqui a mesma função do mordomo nos romances policiais clássicos. Este era sempre o culpado. Ou uma clara forma de não limpar nada, mas varrer para debaixo do tapete.

- Passou incólume durante esta CPI as ligações de dois homens, para já, ao Sporting. JMR e Sikander Sattar (da KPMG) que puseram e dispuseram durante muitos anos no clube. Aliás, quando JMR disse que quando soube de determinados assuntos, nomeadamente más práticas com que não podia compactuar, de imediato comunicou ao Banco de Portugal, ninguém lhe perguntou então porque é que nunca se revoltou e comunicou as más práticas que aconteceram no Sporting. É que na banca, JMR não era o Dono Disto Tudo, enquanto no Sporting, ele julgava-se, e era, o Dono Disto Tudo no clube e até numas férias na neve entendeu ainda estar a receber pessoas para escolher um presidente para o Sporting.

- O lado dramático, risível diria melhor, foi assistir ao número de pessoas que beijaram a mão a RS durante décadas, que receberam dinheiro dele, que fizeram negócios com ele, que viajaram às suas custas, que se curvavam perante o seu poder e que de repente já se esqueceram.

- Por último, uma grande frase do Manuel Carvalho, no Público: «Não se protegem reputações com histórias da Carochinha ou com fantasias que exasperam quem as ouve». 

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