quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014 - o meu balanço em diversas áreas

O ano de 2014 para os portugueses foi um ano sem história. Os casos BES e Sócrates tornaram-se uma montra da justicialização crescente e da queda de um sistema de poder que durou décadas. O bom exemplo dessa mudança de paradigma, a sucessão de Jardim nos últimos dias do ano na Madeira.
Deixo o que achei melhor em 2014 na minha opinião:

Personalidade Mundial: Papa Francisco
Personalidade nacional: António Costa
Melhor ministro: Paulo Macedo
Melhor líder: Francisco Lacerda (CTT)
Políticos jovens a acompanhar: Mariana Mortágua (BE), Duarte Marques (PSD), Sérgio Azevedo (PSD, Graça Fonseca (PS)
O que não gostei: a crescente justicialização da sociedade portuguesa. Uma coisa é a Justiça que é nobre, outra, são os justiceiros

Literatura

Biografia: "Winston Churchill - Uma Vida", Martin Gilbert, Bertrand Editora
Ensaio - "Massa e Poder", Elias Canetti, Cavalo de Ferro
Romance - "O Filho", Phillippe Meyer, Bertrand Editora
Português - "O Segredo do Hidroavião", Fernando Sobral, Parsífal
O que não gostei (mas compreendo): a crescente ocupação das livrarias portuguesas com culinária e erotismo de vão de escada para domésticas.

Cinema

Obediência (Craig Zobel), A Emigrante (James Gray), A Grande Beleza (Paolo Sorrentino), Viva a Liberdade (Roberto Andó), Under the Skin (Jonathan Glazer), Em Parte Incerta (David Fincher), Filomena (Stephen Frears), Locke (Steven Knight)
Duas notas: Ainda não vi o "Boyhood" do Richard Linklater e queria deixar uma sugestão ao Público que mude de críticos de cinema pois estragam o excelente suplemento cultural

Séries

Novas: True Detective, The Knick, The Affair (absolutamente geniais)
Continuaram e algumas terminaram: Boardwalk Empire, The Newsroom, House of Cards, Good Wife, Hannibal
Nota: Para quando Portugal a apostar na criação de um núcleo de séries como deve ser?

Música

Evento: Lisb //ON - Jardim Sonoro
Melhor ao Vivo: Dam Funk
CD Internacional - Neneh Cherry
Português: Capicua
Revelação: Hélder Russo, "Soul machine", editora Groovement
Nota: Ouvi muito deep house e comprei poucos cd`s.

Desporto

Atletas: Cristiano Ronaldo, Rui Costa, Marcos Freitas
Treinadores: Jorge Jesus, Leonardo Jardim, Nuno Dias (Futsal)
Dirigente: Pedro Miguel Moura (Ténis de Mesa)
Programa Desportivo na TV: Moeda ao Ar (Económico TV, desculpem mas gosto do meu programa) e o do Carlos Daniel na RTP-I
Melhor comentador Tv: Carlos Daniel
Melhor analista na imprensa: Nuno Santos e Bruno Prata (ambos no Record)
Duas notas: a passagem negativa de João Manha pelo Record e a manutenção de Rui Oliveira e Costa na televisão

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Os 20 que mais gosto de acompanhar no Facebook

Por ordem alfabética

Alda Magalhães Telles
Barbara Baldaia
Carlos Reis
Eurico de Barros
Francisco da Silva
Inês Maria Meneses
Isilda Sanches
João Villalobos
José de Pina
Luis Paixão Martins
Manuel Rocha
Miguel Somsen (MC Somsen)
Nuno Roby Amorim
Nuno Rogeiro
Nuno Santos
Paulo Ferrero
Paulo Querido
Raquel Costa (A Gaja)
Raquel Marinho
Ricardo Saló

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Personalidades da comunicação 2014: António Cunha Vaz e Luis Paixão Martins

Sou amigo dos dois. E gosto muito de ambos. Estilos diferentes, mas não incompatíveis. É sabido da sua rivalidade e dão-se horrivelmente. Mas não deviam, para bem do nosso sector de Conselho de Comunicação.

São as duas grandes personalidades da comunicação em Portugal, donos das maiores agências de comunicação do País e têm algo que é o fundamental neste sector: influência. Porque nenhum cliente em comunicação contrata criatividade nem outras valências e há muitos que continuam em busca do bezerro de ouro, mas nunca terão influência.

São ambos guerreiros. Mas todos os líderes são guerreiros, são é melhores estrategas que os simples guerreiros. O António tem no seu sangue o melhor do networking, o Luis tem no seu sangue o melhor da comunicação. Por isso, se se juntassem as duas personalidades teriam a personalidade perfeita. Mas não há perfeição e o mundo é belo porque é imperfeito. Mas quero dizer com isto que, juntos (sem casamentos empresariais), seriam mais fortes e a nossa indústria também.

Do trabalho do António este ano destaco os CTT, a FPF e Champions League e Altice. No último caso, recordo o seu estilo de combate ao escrever um artigo no Público a defender o seu cliente com transparência e clareza. Mas guardo também uma bela entrevista que deu ao Luis Osório na RTP2, de longe a sua melhor, ele que por vezes erra em algumas entrevistas que dá, como o próprio reconhece. E continua com a mesma boa energia e boa disposição que conheço desde 1995, ele que ainda foi meu administrador de uma revista que criei e dirigi entre 1998 e 2001.

Mas quando menciono o trabalho dele, logicamente que na sua equipa tem bons profissionais. Este ano, estão ou estiveram na CV&Associados, o David Damião, o Telmo Carrapa, a Susana Monteiro, o Miguel Morgado, o João Villalobos, a Carlota Burnay, o Ricardo Salvo, David Soromenho ou o José Pedro Abrantes. Uma equipa grande que o tem ajudado.

Do trabalho do Luis, apesar dele dizer que está cada vez mais fora e a gozar a vida, e tendo hoje em dia a sua estrutura a direcção de clientes e equipas por parte da Catarina Vasconcelos e a área de gestão do grupo LPM nas mãos do João Paixão, o que é certo é que o Luis não dorme. Parece aqueles jogadores que andam adormecidos e de repente num passe de mágica fazem toda a diferença ou marcam golos. E continua com a curiosidade intelectual que todas as grandes mentes têm. E julgo também que não deixou de mandar mails, logo cedo quando acorda, por volta das 6 da manhã. Por isso, reforma é só quando um homem quiser.

Destaco este ano, a gestão reputacional e mediática de Isabel dos Santos, o BES (quando era bom), Nike e BMW (curiosamente o carro que mais cresceu em Portugal no último ano). E do seu estilo guardo duas memórias em 2014: o regresso dos seus pensamentos sobre comunicação no blog a Teoria do Q e a guerra, o tal lado guerreiro, que acompanho com curiosidade com o "activista" Rafael Marques. Sim, activista, como aparece mencionado em vários jornais e a quem a Justiça portuguesa mudou os fundamentos do seu processo, como se as regras dos jogos mudassem depois do apito inicial do árbitro à medida de quem mete os processos.

Na estrutura global da LPM, estão ou estiveram em 2014 a Maria Garcia Luis, o João Paulo Velez, a Sandra Silva, o Paulo Padrão, Isabel Carriço, o Hermínio Santos, a Joana Machado, o Gonçalo Vilela Santos, a Patrícia Afonso, o Pedro Rio ou a Carla Bulhões que têm desenvolvido bom trabalho.

O sector de Conselho em Comunicação teve um ano razoável, mais de sobrevivência do que de crescimento. Mas muita gente continua sem conhecer a importância do nosso trabalho, a mais valia para o robustecimento de marcas, instituições, empresas, pessoas, que todos os dias com profissionalismo realizamos.

Comunicação é vida, a vida é comunicação, é uma frase minha que aporta a importância que os consultores de comunicação têm com o seu conhecimento na sociedade actual. O nosso sector tem uma associação que não existe. Chama-se APECOM mas não tem notoriedade nem representatividade, e nem todos estão ali representados nem são associados, logo, não tem credibilidade. É tempo de repensar, de reforçar e mudar a área associativa do sector de Conselho em Counicação. E isso só poderá ser construído com a participação e contributo das duas maiores agências: a LPM e a Cunha Vaz & Associados.

dando os parabéns aos dois pelo trabalho em 2014, o meu desejo para 2015 é que, como Obama e Castro que desbloquearam o relacionamento Estados Unidos/Cuba, o António e o Luis conversem. Que mantenham os seus interesses geopolíticos, a sua rivalidade no mercado, mas devem convergir em termos de reforço e promoção da nossa actividade. Todos teremos a ganhar com isso.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Algumas notas sobre a CPI do BES

Neste post escreverei algumas coisas que ainda não foram comentadas sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES que tem sido um circo mediático com estratégias diversas e um foco de atenção dos portugueses

- Ricardo Salgado (RS) fez-se acompanhar por um jovem advogado, filho de Proença de Carvalho, que se limitava a ligar-lhe e a desligar-lhe o microfone e lhe sussurrava repetindo as perguntas a que não tinha respondido. José Maria Ricciardi (JMR) levou um grande advogado da velha guarda, Pedro Reis, que o aconselhava e muitas vezes lhe acrescentava nas respostas, e também uma assessora de imprensa competente, a Nadia Novais, que acompanhava ao minuto o que nos on-lines e nas redes sociais estava a acontecer. RS assentou a sua preparação no próprio, julgando que o seu poder que já não existe bastava. Um erro de cálculo. JMR foi mais ajudado e vê-se que ouve conselhos apesar de ser mais sanguíneo.

- Logo nas declarações iniciais se percebeu a diferença entre Michael Corleone e Sonny Corleone. Isto é, a frieza e racionalidade de RS versus o sangue quente e a explosividade de JMR.

- Incompetências múltiplas é o grande balanço que se pode fazer já desta CPI, incluindo do Banco de Portugal. E quando logo nesse dia escrevi no meu twitter que a melhor de todos os deputados era uma miúda de 28 anos, a Mariana Mortágua, jovem, intuitiva, mas ainda sem muito conhecimento da vida e das sombras do poder, o que dizer então dos restantes deputados.

- Claro que o contabilista desempenha aqui a mesma função do mordomo nos romances policiais clássicos. Este era sempre o culpado. Ou uma clara forma de não limpar nada, mas varrer para debaixo do tapete.

- Passou incólume durante esta CPI as ligações de dois homens, para já, ao Sporting. JMR e Sikander Sattar (da KPMG) que puseram e dispuseram durante muitos anos no clube. Aliás, quando JMR disse que quando soube de determinados assuntos, nomeadamente más práticas com que não podia compactuar, de imediato comunicou ao Banco de Portugal, ninguém lhe perguntou então porque é que nunca se revoltou e comunicou as más práticas que aconteceram no Sporting. É que na banca, JMR não era o Dono Disto Tudo, enquanto no Sporting, ele julgava-se, e era, o Dono Disto Tudo no clube e até numas férias na neve entendeu ainda estar a receber pessoas para escolher um presidente para o Sporting.

- O lado dramático, risível diria melhor, foi assistir ao número de pessoas que beijaram a mão a RS durante décadas, que receberam dinheiro dele, que fizeram negócios com ele, que viajaram às suas custas, que se curvavam perante o seu poder e que de repente já se esqueceram.

- Por último, uma grande frase do Manuel Carvalho, no Público: «Não se protegem reputações com histórias da Carochinha ou com fantasias que exasperam quem as ouve». 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

José Sócrates e "The Newsroom"

«Eles não têm coragem de me prender», terá dito José Sócrates apanhado numa escuta. Para quem vê a terceira temporada de "The Newsroom", criada pelo Aaron Sorkin, viu a estrela do canal Will McAvoy (Jeff Daniels), antes de ser preso a dizer o seguinte: «afinal não sou tão estrela de TV como julgava».

domingo, 14 de dezembro de 2014

As estrelas no seu próprio mundo

«No facebook, no twitter, somos estrelas das nossas páginas. Fazemos selfies, somos o nosso próprio paparazzo. Quando é que uma pessoa normal teve esse tipo de poder? Nunca, até agora»

David Cronenberg, em entrevista ao Expresso

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Sugestões para a semana

Livros

"Debaixo do Vulcão", Malcolm Lowry, Relógio d`Àgua, 347 páginas. Se me impusessem a escolha de dez livros para levar para uma ilha, este era um deles. E como em tempos de Natal há mais tempo, dêem a vós próprios o gosto de lerem uma obra marcante. Uma descida aos infernos numa sinfonia poética.

"Contos", Thomas Mann, Bertrand Editora, 294 pág. Um dos grandes escritores da história da literatura, cada palavra uma reflexão sobre a vida e os seus conflitos. Esta é a edição que junta alguns dos seus melhores contos.

"A Estátua Assassina", Louise Penny, Relógio d`Água, 312 pág. Se há escritora que me surpreendeu nos últimos tempos no campo dos policiais, foi esta autora canadiana. Menos dura, menos cortante, mais dedutiva e rica nos diálogos do que os autores nórdicos. Neste caso, o seu inspector Gamache dá mais passos no sentido de ser o verdadeiro sucessor de Hércule Poirot.

Cinema

Em casa, a estreia em televisão no TVC2 de "a Grande Beleza", de Paolo Sorrentino, com mais uma genial interpretação do seu actor-fetiche, Tony Servillo. Terça, 22h. E na quinta também no TVC2, espreitem às 22h, um pequeno grande filme: "Obediência", de Craig Zobel, fita independente que ganhou vários prémios, um pesadelo que nasce num restaurante de "fast-food". Dois magníficos filmes.
A comprar, deixo a sugestão de a bom preço terem a oportunidade de comprar 3 filmes do grande Billy Wilder: "Primeira Página", com uma dupla de actores sensacionais, Jack Lemmon e Walter Matthau; "O farrapo humano", melhor filme e realizador de 1945 premiado com os respectivos Óscares, com um enorme Ray Milland totalmente dependente do álcool e que só é salvo com o amor de uma mulher; e por último, um dos meus preferidos de sempre "Double Indemnity- Pagos a Dobrar", um dos mais míticos "film noir" de Hollywood, com Barbara Stanwyck a dar cabo da cabeça de um agente de seguros para darem um golpe do baú e o instinto que dá sinais no estômago ao mítico Edward G. Robinson que não se deixa enganar.

Séries

A acompanhar as estreias da semana, Librarians e The Intruder, e a continuar fascinado com a última temporada do Boardwalk Empire, e a história dos primórdios de Nucky Thompson.

Documentários

Na terça, 19.50h, duas horas com a história da emergência dos potentados económicos dos Emiratos.  Na quarta, à 1.35, "François Truffaut - Uma autobiografia", onde o grande realizador francês expõe as suas obsessões, a sua vida, a sua inspiração.

Música

Comprei muito poucos cd`s este ano, o que recomendo é o último que adquiri da Mary J. Blige, "London Sessions", onde ela se cruza com os Disclosure e outros artistas britãnicos.

Restaurante

Há muito poucos restaurantes em Lisboa onde o cenário é o verde e não há mais nenhum onde para se lá chegar tenhamos a oportunidade de ver cavalos. Por isso, recomendo o Jockey, no hipódromo do Campo Grande, que para lá do cenário e da qualidade de vida que oferece, tem uma cozinha fantástica, um atendimento com o chefe de sala, o Rafael, que é dos melhores de Lisboa e uma oferta de vinhos variada. E é um restaurante discreto, o que é um dos sinónimos da qualidade.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Conselho a políticos

Em 1922, Winston Churchill foi derrotado e não eleito para o Parlamento. «Ele pensava que o seu mundo tinha chegado ao fim» e partiu seis meses de Inglaterra. Nessa altura, Margot a mulher de Lord Asquith escreveu-lhe o seguinte conselho:

«Deixe-se estar; não foaça nada em política, continue a escrever e a pintar durante todo o tempo; não se junte aos seus antigos colegas que estão a fazer prodigiosas figuras de burros em todos os aspectos. Conserve amigos em cada porto - não perca nenhum. Os navios piratas são inúteis em tempo de paz. O seu couraçado está de momento fora de acção, mas se tiver a paciência de um Disraeli, com o seu notável temperamento, espírito brilhante e natureza bondosa, não vingativa, antevejo-lhe ainda um grande futuro».

Martin Gilbert, "Winston Churchill - Uma Vida"

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O sexismo e a miss Bumbum

Há pouco tempo no El Pais, a actriz Jennifer Garner queixava-se do sexismo de Hollywood. Menos papeis e menos importância para as mulheres a partir de determinada idade em que a beleza vai perdendo o seu fulgor.

E dizia que agora já podia comer pizza à vontade, pois não tem de preocupar-se com posar em roupa interior como muitas vezes aparecia na série "Alias" (A Vingadora, em Portugal), que a popularizou.

Casada com Ben Affleck, ambos estiveram numa daquelas sessões em que durante uma hora, com intervalos de quatro minutos, as pessoas lhes podem colocar questões. A ela, toda a gente lhe perguntava como «consegue gerir trabalho e família». A ele, a pergunta mais colocada foi sobre «as mamas da actriz Emily Ratajkowski» (que contracena com ele num pequeno papel "Em Parte Incerta»).

Ontem, ficou a saber-se que Andressa Urach, de quem jornais portugueses fizeram capas e capas com ela, a Miss Bumbum, está internada e muito mal num hospital por causa de uma das múltiplas operações que fez para melhorar o corpo. O seu caso é um exemplo preventivo para muitas miúdas que sonham com o vazio lado da fama.
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Porque a beleza é efémera, o talento é eterno. É isso que indústrias como a moda e Hollywood ainda não perceberam. E estes dois casos são uma lição.