segunda-feira, 20 de julho de 2015

Os investimentos do BES de Miguel Sousa Tavares

Não vou falar de dinheiro. Considero mesquinho e medíocre comentar o dinheiro dos outros. Deve-se comentar o dinheiro de alguns quando há corrupção, quando há aproveitamento de lugares públicos para enriquecimento que alguns nunca teriam se não tivessem passado pela política.

Agora, tendo com certeza muitos defeitos - uns gostam mais, outros gostam menos porque é uma personalidade vincada - Miguel Sousa Tavares é um homem sério, com uma longa carreira e tal como qualquer português tem direito de ter e investir o seu dinheiro onde quiser. Aqui o problema - e depois darei uma sugestão - é outro.

Um jornal publicou que MST era um investidor de papel comercial do GES. O comentador rapidamente desmentiu os investimentos. Na sexta, o mesmo jornal mostra extractos que confirmam milhões de investimento. E MST respondeu que nunca tinha dado ordens à sua gestora para esses montantes saírem da sua conta pessoal.

Ora, aqui temos o problema. O primeiro é que podia estar a mentir, e assim a sua credibilidade estaria posta em causa. Mas face à veemência do desmentido ficamos com a sensação de que alguém mexeu nas suas contas e levou o seu dinheiro para papel que hoje não tem valor nenhum.

Assim sendo, MST é mais um dos milhares de lesados pelo BES, pelos seus administradores e depois pelas suas equipas de retalho que deram ordens para que nos balcões muita gente, menos esclarecida e com muito menos contactos e informação do que MST, fosse enganada - como mostra o movimento de lesados do BES - e perdesse as poupanças de uma vida.

Por isso, sendo Miguel Sousa Tavares um polemista de grande categoria, sugiro - apesar da sua ligação familiar a Ricardo Salgado - que dê voz, que dê força a tanta gente como ele que foi enganada e espoliada pelo BES. Porque esse movimento de lesados tendo como chefe-de-fila Miguel Sousa Tavares ganharia ainda maior credibilidade. Porque razão já a têm.

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