quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O impostor Marcelo Rebelo de Sousa

Estou a ler um livro brilhante e que recomendo chamado "O Impostor", de Javier Cercas (edição Assírio & Alvim). Nele, o autor espanhol retrata a vida de Enric Marco. E quem era este senhor? Um senhor catalão que enganou políticos, jornalistas e, inclusive, uma Nação.

Desmascarado em 2005, depois de ter feito uma vida como sobrevivente dos campos nazis e ter liderado a associação espanhola dos sobreviventes, depois de ter recebido condecorações, dado entrevistas e conferências, «É preciso ser um génio para enganar toda a gente durante quase trinta anos, incluindo família, amigos».

Lembrei-me de Marcelo Rebelo de Sousa. Não por este ter alguma vez dito que era um sobrevivente dos campos de concentração, mas porque em quinze anos, quinze, de televisão (13 de TVI) enganou tanta gente e mais tarde ou mais cedo lhe vai cair a máscara.

No seu snobismo intelectual, deleitou-se a promover livros que nem lia, elogiou pessoas das quais tem profundo asco, passou por homem do povo mas tem horror ao povo, parece que gosta do contacto com as multidões mas se descobríssemos que tem umas luvas (como Eduard Balladur tinha) para não se "sujar" era capaz de não ser mentira, até mudou de clube, ele que nunca ligou a "futebóis" nem percebe nada disso, mas que descobriu aos 50 anos que era do Sporting... de Braga. Clube que não choca ninguém e não é politicamente incorrecto e assim não desagrada às rivalidades existentes. promotor dos banhos diários no Guincho, como sempre disse, depois de ter sido gozado com isso, passou a tomar banho de mar em frente ao hotel Baía, onde mais pessoas o podem ver e pelo menos não é levado pelos bravos mares do Guincho.

Mas acima de tudo, foi na construção de cenários políticos e na desconstrução de várias personalidades da política que Marcelo moldou a sua reputação. Os elogios na televisão à manicure Mariquinhas e ao sr. Jacinto de Ermesinde eram só para disfarçar e para ele construir a aura de tipo porreiro. Que não é. Marcelo é o escorpião da lenda da rã e do escorpião. Há-de sempre picar, isso corre-lhe no sangue, é essa a sua alma.

Por isso, é pelo menos de sorrir que ele que erigiu cenários e demoliu outros, por tudo e por nada, sem contemplações, maquiavelicamente semeando as pedras da sua ambição, agora, já como candidato presidencial não diga nada. O que diria hoje o comentador Marcelo Rebelo de Sousa do político Marcelo Rebelo de Sousa? Chamar-lhe-ia cobarde, prisioneiro do politicamente correcto, candidato pífio, vazio de ideias e, de certeza, no próximo domingo o comentador Marcelo estaria a exigir ao candidato Marcelo que se pronunciasse claramente se o Marcelo presidente daria ou não posse a um Governo de esquerda.

Pois é Marcelo, pois é portugueses. Marcelo, não se esqueçam, é o escorpião da lenda da rã e do escorpião. Pica-se a ele próprio, envenena-se com o seu próprio veneno que distribuiu ao longo dos anos. Marcelo, para lá de um escorpião, é um impostor.

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