segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Prestidigitador António Costa

Era com o título deste post que o El Pais no seu caderno "Ideas" traçou o perfil de António Costa. Sendo um jornal mais perto da área da esquerda democrática, o seu retrato foi pincelado de cores simpáticas. E uma parte estava assim escrita:

«De como em 50 dias passou de estar na rua a ocupar o palácio de São Bento, é assunto excepcional ao alcance só de gente com super poderes ou de mestres do malabarismo, que é o caso. (...) Costa sentou-se à mesa com os comunistas depois de 40 anos de inimizade, deu abraços em Bruxelas e os Merrill Lynch do mundo também compraram o seu filme».

Só um político mestre nos puzzles, como é um dos seus hobbies, e na arte das negociações e compromissos, como dita o seu passado, conseguiria esta proeza. Mas conseguiu-o.

domingo, 29 de novembro de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"O Impostor", Javier Cercas, Assirio & Alvim, 469 páginas. Um grande livro sobre um homem que enganou um País, a imprensa e o povo. Uma enorme construção sobre um embuste.

"J", Howard Jacobson, Bertrand, 339 pág. Candidato ao Man Booker Prize. Uma história de amor num lugar onde a memória colectiva desapareceu.

"O fantasma", Jo Nesbo, D. Quixote, 510 pág. O regresso do grande mago dos policiais da actualidade. Harry Hole a brilhar numa escrita cortante e que agarra do princípio ao fim.

Cinema

Na sala recomendo "Os Profissionais da Crise", "Our Brand is Crisis" no original, recomendável para quem trabalha em comunicação política sobre uma história verídica passada numa campanha eleitoral na Bolívia. Com Sandra Bullock
Em casa, recomendo na quarta, no ARTE, a partir das 19.55h, dois filmes de fritz Lang, "M" e "Ministry of fear"

Séries

Para assinalar a estreia da última temporada, da cada vez mais cansativa "Revenge" e a segunda temporada de "Como Defender um Assassino".

Documentário

amanhã, no Arte, 21.25h, uma biografia de Woody Allen

Restaurante

Para quem gosta de comida indiana, "Tamarind", na Rua da Glória. Simpatia e boa oferta gastronómica.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Costa ganhou agora Governo de esquerda sem BE e PCP

Cavaco Silva indigitou António Costa, que depois de ter perdido nas urnas é, para já, repito, para já, o grande vencedor deste processo. E venceu os incautos pela surpresa, mas só mesmo os incautos.

Quem conhece Costa, sabe que ele tem a capacidade de criar alianças e compromissos, negociar e ungir acordos de gabinete. Desde os seus tempos de associação de estudantes em Direito, passando pelo Governo minoritário de António Guterres e, sobretudo, pela Câmara de Lisboa onde meteu no bolso Helena Roseta e Bloco de Esquerda, e silenciou o PCP. 

Não sei que Governo teremos, não sei se será brilhante, e, mais importante, não sei quanto tempo durará. Mas é um Governo histórico pelo processo em que é criado, pelos apoios de incidência parlamentar com Bloco e PCP.

Tenho a convicção que este Governo seria mais sólido se tivesse na sua equipa elementos dos partidos que o apoiam. Assim, teremos o BE e PCP a brilhar com o que é popular, mas no que será duro e impopular podem dizer que não são responsáveis porque não estão no Governo.

Vamos ver o que isto vai dar, não sei se a generalidade dos portugueses está contente com o que se passou. Veremos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O impostor Marcelo Rebelo de Sousa

Estou a ler um livro brilhante e que recomendo chamado "O Impostor", de Javier Cercas (edição Assírio & Alvim). Nele, o autor espanhol retrata a vida de Enric Marco. E quem era este senhor? Um senhor catalão que enganou políticos, jornalistas e, inclusive, uma Nação.

Desmascarado em 2005, depois de ter feito uma vida como sobrevivente dos campos nazis e ter liderado a associação espanhola dos sobreviventes, depois de ter recebido condecorações, dado entrevistas e conferências, «É preciso ser um génio para enganar toda a gente durante quase trinta anos, incluindo família, amigos».

Lembrei-me de Marcelo Rebelo de Sousa. Não por este ter alguma vez dito que era um sobrevivente dos campos de concentração, mas porque em quinze anos, quinze, de televisão (13 de TVI) enganou tanta gente e mais tarde ou mais cedo lhe vai cair a máscara.

No seu snobismo intelectual, deleitou-se a promover livros que nem lia, elogiou pessoas das quais tem profundo asco, passou por homem do povo mas tem horror ao povo, parece que gosta do contacto com as multidões mas se descobríssemos que tem umas luvas (como Eduard Balladur tinha) para não se "sujar" era capaz de não ser mentira, até mudou de clube, ele que nunca ligou a "futebóis" nem percebe nada disso, mas que descobriu aos 50 anos que era do Sporting... de Braga. Clube que não choca ninguém e não é politicamente incorrecto e assim não desagrada às rivalidades existentes. promotor dos banhos diários no Guincho, como sempre disse, depois de ter sido gozado com isso, passou a tomar banho de mar em frente ao hotel Baía, onde mais pessoas o podem ver e pelo menos não é levado pelos bravos mares do Guincho.

Mas acima de tudo, foi na construção de cenários políticos e na desconstrução de várias personalidades da política que Marcelo moldou a sua reputação. Os elogios na televisão à manicure Mariquinhas e ao sr. Jacinto de Ermesinde eram só para disfarçar e para ele construir a aura de tipo porreiro. Que não é. Marcelo é o escorpião da lenda da rã e do escorpião. Há-de sempre picar, isso corre-lhe no sangue, é essa a sua alma.

Por isso, é pelo menos de sorrir que ele que erigiu cenários e demoliu outros, por tudo e por nada, sem contemplações, maquiavelicamente semeando as pedras da sua ambição, agora, já como candidato presidencial não diga nada. O que diria hoje o comentador Marcelo Rebelo de Sousa do político Marcelo Rebelo de Sousa? Chamar-lhe-ia cobarde, prisioneiro do politicamente correcto, candidato pífio, vazio de ideias e, de certeza, no próximo domingo o comentador Marcelo estaria a exigir ao candidato Marcelo que se pronunciasse claramente se o Marcelo presidente daria ou não posse a um Governo de esquerda.

Pois é Marcelo, pois é portugueses. Marcelo, não se esqueçam, é o escorpião da lenda da rã e do escorpião. Pica-se a ele próprio, envenena-se com o seu próprio veneno que distribuiu ao longo dos anos. Marcelo, para lá de um escorpião, é um impostor.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

James Bond: 007-Spectre

Em primeiro lugar eu sou um fanático de James Bond, já os vi todos, e várias vezes. É uma personagem eterna na história do cinema. Já os houve bons, menos bons e maus. Mas há um antes e depois de Daniel Craig.

Por isso, em segundo lugar, para a história de James Bond, têm de se colocar os quatro filmes protagonizados por Craig quase à parte e é simples de os catalogar:

Skyfall - genial
Casino Royale - muito bom
Spectre - Bom
Quantum of Solace - fraco

Para quem guarda na memória os tempos míticos do Bond sedutor, elegante e divertido, de Sean Connery, Roger Moore e Pierce Brosnan (Timothy Dalton não o meto nesta galeria, e George Lazemby que deu a cara ao excelente "Ao Serviço de Sua Majestade" - boa parte rodado entre Estoril e Guincho e com uma das mais carismáticas "Bond Girls", Diana Rigg, a Ema Peel da série "Os Vingadores - só o interpretou uma vez), logo a partir do primeiro minuto de Casino Royale se percebeu que o Bond de Craig é um homem real, um bocado bruto, mas com sentimentos.

Este é um Bond com uma densidade psicológica, com história, com memória, que se tenta libertar dos seus demónios e neste "007-Spectre" é um ponto final no regresso ás suas origens que se tinha iniciado em Skyfall.

De resto estão lá todos os ingredientes da saga, muita acção, a sequência inicial no México é espectacular, viagens pelo mundo, há deserto, há paisagem urbana, há neve (só faltou mar), bons diálogos, neste até com algum humor. Há uma Bond girl que todos gostávamos que aparecesse mais, Monica Belucci, e há a bonita Lea Seydoux.

O vilão é um espectáculo à parte, Christoph Waltz é mestre neste tipo de actuação, mas ainda na semana passada conversava com um grande crítico de cinema, dos da velha guarda, o Nuno Henrique Luz, e ambos dizíamos que que se fosse o Mads Mikkelsen, o vilão das lágrimas de sangue de Casino Royale, a coisa ainda seria mais perversa.

Depois, julgo que todos concordamos que esta canção de Sam Smith é candidata a uma das piores de sempre de James Bond. porém, esqueçam a canção e ouçam com atenção a banda sonora original. Criação de um dos maiores compositores de Hollywood e que guardo três parcerias com este realizador Sam Mendes, "American Beauty", "Road to Perdition" e "Revolucionary Road", Thomas Newman, aliás eu estou a ouvi-la enquanto escrevo estas linhas, é uma partitura genial e que em muitos momentos agarra o filme.

Eu gostei deste Bond, mas não é um dos melhores. Deste quarteto de Daniel Craig, guardo já na memória quatro coisas: o próprio Craig em três deles, o talento de Sam Mendes na realização dos dois últimos filmes, um vilão de alto quilate para a extensa galeria, Mads Mikkelsen em Casino Royale, e uma Bond Girl para a história delas também do mesmo: Vesper Lynd, a magnífica Eva Green.

Venha o próximo que a expectativa mantém-se com, como se dizia neste filme, «License to kill or not to kill».

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domingo, 15 de novembro de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"O Jantar", Herman Koch, Alfaguara, 303 páginas. Livro sensação, repleto de humor negro, sorrateiramente violento, ritmo constante, Amesterdão em cenário, um jantar que parecia aborrecido mas normal. E depois...

"Asterix- O Papiro de César, Conrad e ferri, Asa, 48 pág. Um excelente álbum do pequeno gaulês nesta nova aventura. A mais ligada à comunicação, á manipulação, à informação, mas a continuar a encantar.

Cinema

No sábado , quase à mesma hora, na RTP2 e TVC1 dois belos filmes: "O fim do Outono", de yasujiro Ozu e. "Mr. Turner", de Mike Leigh.
Nas salas chamo a atenção para "Our Brand is Crisis" (Os Profissionais da crise), baseado numa história verídica numa campanha eleitoral na Bolívia, muito recomendável para consultores de comunicação que navegam pelas águas da comunicação política.

Séries

A estreia de destaque desta semana é "The Player", no AXN, terça, 22.15h. Chamo ainda a atenção para uma soberba série que passa no TVSeries, "Mr. Robot", às sextas.

Restaurante

"Nogueira`s", ao lado da antiga Kapital, na Avenida 24 de Julho, um restaurante com bom ambiente, carne de eleição (mas não só) e um serviço esmerado. E ainda a receber-nos a minha simpática amiga Catarina Almeida. Jantei lá ontem e gostei.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Teresa Guilherme, Moniz e A Quinta dos anormais

Hoje, quando abri os jornais, reparei que há uma guerra entre dois grandes profissionais de televisão, com percursos marcantes e que figurarão na história da indústria televisiva portuguesa: José Eduardo Moniz e Teresa Guilherme.

Pensei que a acrimónia entre ambos fosse motivada pelo momento que atravessamos, por cada um ter optado por apoiar os diferentes blocos de centro-direita e de esquerda, por um gostar mais de Costa, outro de Passos, por não concordarem com a espera que Cavaco Silva impôs para a escolha de novo Governo.

Mas não, a disputa é sobre o programa A Quinta dos anormais.. Porque esse reality-show, que é uma porcaria como qualquer outro, tem audiências medíocres. Ainda perderem tempo com notícias sobre o mesmo e chatearem-se pessoas por causa disso é algo que nos dias de hoje, entre pessoas com responsabilidades, não faz sentido.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Helmut Schmidt e a crise portuguesa

No meio da crise política em que vivemos, passou quase despercebida, na terça, a morte de Helmut Scmidt, que juntamente com Willy Brandt e, ainda mais no passado, Konrad Adenauer, constitui a Santíssima Trindade dos grandes chanceleres alemães do pós-guerra.

Morreu aos 96 anos, nunca deixou de fumar, era frontal e inúmeras vezes polémico. Compreendeu a essência da NATO e marcou a pujança de uma Alemanha influente e respeitada. Era um grande líder, daqueles que são feitos de um carácter que hoje já praticamente não existe.

É dele a máxima de que «quem quiser um objectivo distante tem que dar muitos passos curtos». Portugal e os seus políticos têm, para seu benefício, de olhar, e estudar, para os grandes líderes, para as personagens que punham o bem público acima dos seus interesses pessoais, para as personalidades que se libertavam dos ditames do politicamnete correcto.

Os verdadeiros líderes escrevem a História, condicionam e mudam o destino, não se deixam submergir por ele. Como ele dizia, «é preciso ter vontade. E cigarros».

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Brincadeiras perigosas

Um Governo foi escolhido e tomou posse. Cavaco Silva tomou a opção natural e habitual na história constitucional portuguesa, indigitando o Primeiro-Ministro oriundo da força mais votada. Ao mesmo tempo, e num golpe de asa ainda sem contornos nítidos sobre o futuro, António Costa negociava à esquerda uma alternativa de Governo, saída do resultado eleitoral mas que não foi apresentada aos portugueses nas urnas.

Com este cenário, a percepção criada é que este novo Governo de Passos Coelho dura muito pouco e que virá um outro em poucos dias. Porém, continuamos sem saber, e depois do que disse, se o Presidente da República lhe dará posse ou entrará numa busca de outra solução alternativa.

Acresce a isto que hoje lemos que o PS pode celebrar dois acordos de Governo, um com o BE e outro com o PCP, mas continuamos sem saber se serão apenas de incidência parlamentar ou se a esquerda mais radical irá indicar nomes para esse novo Executivo.

Nestes três parágrafos anteriores, asséptico e sem tomar qualquer posição porque sou independente, dei nota dos jogos florais que se praticam na política portuguesa. Não referi em nenhum momento os interesses do País. Porque hoje a nossa terra é palco de jogos de xadrez, de preocupações próprias pelo poder, o nosso futuro segue dentro de momentos porque, para já, estamos a ser o joguete de brincadeiras perigosas.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Calvão da Silva

Não sei se este Governo vai durar muito, todos duvidamos, mas para o anedotário nacional já deixa legado. Bastou o novo ministro da Administração Interna ir visitar as marcas deixadas pela enxurrada no Algarve.

Conheço Calvão da Silva desde que surgiu no Parlamento, em 1995, sempre me dei bem com ele. Passaram 20 anos e retrocedeu. O seu discurso perante os jornalistas é completamente ridículo, não é deste tempo e parece que é saído de um regime teocrático. Se é esta a marca deste Governo, mais valia estar quieto.