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quarta-feira, 30 de maio de 2012

A namorada do Ricardo Costa do Expresso

Um director do Expresso tem boas fontes, conhece muita gente. Ricardo Costa é um bom director e o melhor analista político português. É inteligente, é arguto, tem boa energia e bom humor, conheço-o há muitos anos era assim que faria o retrato dele.

Leio através do Expresso que o grande especialista em clipping amador, Jorge Silva Carvalho tinha um relatório de 16 páginas sobre ele. Mais um nome a constar neste caso das secretas que mistura oportunismo, "chica-espertice" e amadorismo.

Relatório sobre o Ricardo Costa onde constam a sua vida pessoal e os seus contactos e ligações. Provavelmente, o amador do clipping, Jorge Silva Carvalho, é um "voyeur". Fanático do Marco e da Marta, da Liliana Aguiar e do Lourenço, o "tigrão da Bobadela", tudo personagens saídos desse clímax da espionagem popular chamado "Big Brother".

Assim, esse amador do clipping talvez tivesse curiosidade em saber se o Ricardo tinha namoradas giras. O meu humor serve para com acidez criticar veementemente estas práticas "pidescas", de tentar obter pontos fracos para depois obter vantagens. Esta criatura devia ser expurgada de vez e o Estado português devia processá-lo pelo mau nome e má reputação que está a trazer para os serviços secretos, que devem ser secretos e não para uso pessoal ou empresarial.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Uma aberração chamada Big Brother

Texto de Luis Fernando Veríssimo sobre o Big Brother Brasil que reproduzo com a devida vénia:

«Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.
Luis Fernando Veríssimo
É cronista e escritor brasileiro

Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , ·visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.»

domingo, 3 de outubro de 2010

A casa dos segredos

Estreia-se hoje na TVI a "Casa dos Segredos", que marca o regresso dos "reality shows" à televisão portuguesa.

Júlia Pinheiro estará à frente do programa que pretende esmagar os "Ídolos" da SIC e condicionar a "Operação Triunfo" da RTP. Com uma certeza: a TVI vai ocupar outra vez o 1º lugar este ano nas audiências, não depende deste programa para isso.

Há dez anos o "Big Brother" marcou a viragem e a galgada da TVI no coração dos portugueses, depois ancorada numa máquina de produção de novelas que tem sustentado a sua liderança.

E com o BB deu azo a que inúmeros portugueses quisessem alcançar os 15 minutos de fama das sociedades do espectáculo modernas. Dessa leva toda, ficaram na memória o sexo ao vivo de Marta e Marco, o pontapá do mesmo, o gosto pela tropa do Telmo, as misérias de Zé Maria e a beleza da Liliana Aguiar a única que ganhou alguma coisa com aquilo.

Mas ficou o retrato de um Portugal de uma juventude com poucos valores a não ser a fama, de grunhos que maltratam a língua portuguesa e de histórias de vida sem interesse nenhum.

Adivinha-se com este programa o mesmo e as revistas cor-de-rosa a explorarem estas tristes vidas que anseiam por aparecer no universo mediático.

Como escrevia Mario vargas Llosa há uns tempos, num dos seus magníficos artigos no El Pais, «uma ambição crescente impulsiona cada vez mais gente a actuar de modo que lhe permita escapar do anonimato e aceder a essa efémera popularidade típica dos bobos da corte, os que são bons na arte de entreter, são aplaudidos e recebem umas moedas, e são esquecidos para sempre». E foram mais de 50 mil candidatos a esta Casa dos Segredos.

No Brasil, a Globo já vai no Big Brother 10 onde se retiram as beldades para ser capa da Playboy e onde milhões de brasileiros gastam em chamadas para escolher os que mais gostam.

Para mim os reality shows para lá de me darem o conhecimento do país real, são um estudo sobre a natureza humana, sobre as tácticas de sobrevivência, sobre as alianças e os amores e ódios entre concorrentes. São um estudo da vida, eu, hoje à noite, como milhões de portugueses, vou espreitar.