Fernando Ulrich é um banqueiro pouco convencional. Em vez do silêncio que é o código de honra dos grandes banqueiros, tem uma atracção ou vertigem do disparate quando tem um microfone à frente.
Para quem não sabe, Ulrich foi jornalista e acha assim que está preparado para dizer o que lhe apetece. Pois bem, como já expliquei no passado nem todos os jornalistas dão bons especialistas de comunicação, nem todos os consultores de comunicação dariam bons jornalistas.
Ulrich pelas suas diversas declarações desastradas, tem sido o campeão das crises reputacionais derivadas de erros de comunicação na banca portuguesa, o BPI já pagou várias vezes os seus erros. Quem não se lembra do «ai aguenta, aguenta»? Por isso, não é a melhor pessoa para analisar a comunicação dos outros, sobretudo em tempos difíceis por onde, aliás, o seu BPI já passou com enormes tempestades também, mas a memória é curta.
Ulrich, num momento difícil para a banca portuguesa tem o dever de recato, não contribuir para assustar sem razão as pessoas. O líder do BPI está a tempo de mostrar se quer ser um banqueiro, um ex-jornalista ou um simples abutre.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Campeonato já começa mal
No domingo passado deu-se o início do campeonato de futebol com o sorteio do mesmo organizado pela Liga. Começou logo mal pois nem metade da sala estava cheia, mostrando o alheamento dos clubes para esta entidade envolta em casos polémicos e com um presidente que nem do seu condomínio seria eleito administrador.
Depois, um caso menor mas no mínimo ridículo: a escolha de Jorge Cadete para Provedor do adepto. Coisa que ninguém sabe que existia, nem o que realiza por sinal. Julgo que o próprio Cadete ainda hoje desconhece o papel que lhe cabe, apesar de ter aceite o lugar.
Hoje, como algumas pessoas do futebol já comentavam, temos conhecimento que não há patrocinadores nem orçamento. Algo que decorre da gestão bizarra, sem rei nem roque, sem resultados e colocando em causa o futuro financeiro da Liga como foi notório por altura da apresentação do último relatório e contas.
A continuar assim com este presidente, a Liga terá uma temporada demasiado agitada, o que não interessa nada para o futebol português que precisa de alguma tranquilidade.
Depois, um caso menor mas no mínimo ridículo: a escolha de Jorge Cadete para Provedor do adepto. Coisa que ninguém sabe que existia, nem o que realiza por sinal. Julgo que o próprio Cadete ainda hoje desconhece o papel que lhe cabe, apesar de ter aceite o lugar.
Hoje, como algumas pessoas do futebol já comentavam, temos conhecimento que não há patrocinadores nem orçamento. Algo que decorre da gestão bizarra, sem rei nem roque, sem resultados e colocando em causa o futuro financeiro da Liga como foi notório por altura da apresentação do último relatório e contas.
A continuar assim com este presidente, a Liga terá uma temporada demasiado agitada, o que não interessa nada para o futebol português que precisa de alguma tranquilidade.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Os homens do futebol e a comunicação
Muitos ex-jogadores de futebol costumam criticar que sejam outros intervenientes a fazer comentário e análise sobre o mesmo. Dizem que são eles os que mais sabem do fenómeno porque o praticaram, os outros são teóricos. Vamos agarrar nesta sua óptica de observação, apesar de eu entender que tal como o marketing é demasiado importante para ser deixados nas mãos dos marqueteiros, o futebol também não deve ser apenas entregue aos "futeboleiros".
Pois bem, ontem no rescaldo do Brasil-Alemanha, na Sport Tv, vi e ouvi dois homens do futebol que respeito, o Carlos Manuel e o Pedro Henriques, e ainda outro homem que não é do futebol mas acha que é poeta dele, Luis freitas Lobo, a comentarem e a analisarem a comunicação de Scolari.
Exacto, não analisavam só o plano de jogo e as tácticas, mas sim a conferência de imprensa do seleccionador brasileiro, a sua comunicação. Posto isto e na sequência do que os homens do futebol dizem sobre os outros no seu campo de actuação, cabe-me a mim agora perguntar: onde é que estes senhores trabalharam em comunicação para analisarem esta ciência que muitos amadores acham fácil e onde todos têm opinião que entendem certa? Onde é que trabalharam antes na área da comunicação para debitarem sobre a mesma? Pois é. A incongruência é como a mentira: é coxa.
Pois bem, ontem no rescaldo do Brasil-Alemanha, na Sport Tv, vi e ouvi dois homens do futebol que respeito, o Carlos Manuel e o Pedro Henriques, e ainda outro homem que não é do futebol mas acha que é poeta dele, Luis freitas Lobo, a comentarem e a analisarem a comunicação de Scolari.
Exacto, não analisavam só o plano de jogo e as tácticas, mas sim a conferência de imprensa do seleccionador brasileiro, a sua comunicação. Posto isto e na sequência do que os homens do futebol dizem sobre os outros no seu campo de actuação, cabe-me a mim agora perguntar: onde é que estes senhores trabalharam em comunicação para analisarem esta ciência que muitos amadores acham fácil e onde todos têm opinião que entendem certa? Onde é que trabalharam antes na área da comunicação para debitarem sobre a mesma? Pois é. A incongruência é como a mentira: é coxa.
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terça-feira, 8 de julho de 2014
António Costa: a unanimidade é burra
Já dizia o Nelson Rodrigues que «toda a unanimidade é burra». António Costa tem os seus méritos, é um político astuto e tem o "killer instinct" dos líderes. Mas que obra tem para apresentar?
No Governo não me lembro de nada, na câmara de Loures imaginou a corrida de um burro com um carro de luxo, em Lisboa (tem algumas coisas positivas), mas há sete anos a comandar a cidade e nota-se uma ausência de visão estratégica da cidade, nunca a cidade esteve tão suja e mal cuidada, prostitui-se Lisboa a qualquer marca que pague uns tostões, o Marquês e Avenida da Liberdade são marcas de água de um disparate colossal, reabilitação urbana é zero, crateras por todo o lado.
No entanto, conseguiu ser ungido pela imprensa. Pessoa, na "Mensagem", escreveria que ele é o «nada que é tudo», como o fez a D. Sebastião. Ontem, 600 personalidades da Cultura decidiram apoiá-lo. os mesmos que já estiveram em todos os lados da barricada desde que cheirasse a poder, comendas e alvíssaras.
Esta unanimidade em torno de Costa é perniciosa e a sua responsabilidade torna-se maior. E o problema é que até agora nada disse de novo e duvido que tenha alguma receita de sucesso para o País. Porque primeiro gostava que Lisboa não continuasse à deriva.
No Governo não me lembro de nada, na câmara de Loures imaginou a corrida de um burro com um carro de luxo, em Lisboa (tem algumas coisas positivas), mas há sete anos a comandar a cidade e nota-se uma ausência de visão estratégica da cidade, nunca a cidade esteve tão suja e mal cuidada, prostitui-se Lisboa a qualquer marca que pague uns tostões, o Marquês e Avenida da Liberdade são marcas de água de um disparate colossal, reabilitação urbana é zero, crateras por todo o lado.
No entanto, conseguiu ser ungido pela imprensa. Pessoa, na "Mensagem", escreveria que ele é o «nada que é tudo», como o fez a D. Sebastião. Ontem, 600 personalidades da Cultura decidiram apoiá-lo. os mesmos que já estiveram em todos os lados da barricada desde que cheirasse a poder, comendas e alvíssaras.
Esta unanimidade em torno de Costa é perniciosa e a sua responsabilidade torna-se maior. E o problema é que até agora nada disse de novo e duvido que tenha alguma receita de sucesso para o País. Porque primeiro gostava que Lisboa não continuasse à deriva.
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segunda-feira, 7 de julho de 2014
O Portugal que faz rir
Dois exemplos do miserabilismo português, por certo os leitores terão dezenas de outros mais:
1- Li que dezenas de pessoas, hoje, em Belém, esperavam para ver os reis de Espanha. Tenho a certeza que nenhum espanhol teria interesse em ver um Rei português e muito menos um Presidente como Cavaco Silva.
2- De manhã uma reunião numa empresa. Demora na recepção que me estava a atrasar a reunião e eu gosto de chegar a horas. Ligo para com quem me ia encontrar e explico que estava lá em baixo mas a recepcionista nunca mais acabava os formalismos. Ao que a senhora, jovem, me interrompe e diz: «não sou recepcionista, sou assistente de marketing». Ao que respondo, «mas isto não é uma recepção e a senhora não trabalha aqui?». Ela: «sim, mas não sou recepcionista sou assistente de marketing».
Dois casos em que não é preciso humoristas para me fazerem rir e sintomáticos da pobreza de espírito e do Portugal das aparências.
1- Li que dezenas de pessoas, hoje, em Belém, esperavam para ver os reis de Espanha. Tenho a certeza que nenhum espanhol teria interesse em ver um Rei português e muito menos um Presidente como Cavaco Silva.
2- De manhã uma reunião numa empresa. Demora na recepção que me estava a atrasar a reunião e eu gosto de chegar a horas. Ligo para com quem me ia encontrar e explico que estava lá em baixo mas a recepcionista nunca mais acabava os formalismos. Ao que a senhora, jovem, me interrompe e diz: «não sou recepcionista, sou assistente de marketing». Ao que respondo, «mas isto não é uma recepção e a senhora não trabalha aqui?». Ela: «sim, mas não sou recepcionista sou assistente de marketing».
Dois casos em que não é preciso humoristas para me fazerem rir e sintomáticos da pobreza de espírito e do Portugal das aparências.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
A velocidade e a alma da Europa
Qualquer cidadão europeu não se sente ainda europeu. Primeiro, está a sua nacionalidade. O espaço europeu nunca foi encarado como um estado de pertença comum, apesar de todos os esforços de sedimentar essa ideia.
Países pequenos e periféricos como o nosso, olham a Europa como algo distante, controlada pela Alemanha, que nos manda uns dinheiros e pouco mais. Quando há crises ainda não se manifesta uma resposta da UE, uma estratégia comunitária.
A Europa é um continente onde não há europeus, mas apenas cidadãos de cada vez mais países. A mudança de visão deste "statu quo" é uma das ideias de Itália que assume a presidência europeia no próximo semestre.
Ainda há poucos dias, o novo fenómeno da esquerda e líder italiano, Matteo Renzi, dizia que «a Europa de hoje é aborrecimento e não tem alma». Nunca a teve. Ele que se assume um homem da «geração Erasmus» defende que a base da criação e fortalecimento desta alma europeia é este programa que possibilita a estudantes continuarem a vida académica fora dos seus países de origem.
Renzi é um líder dinâmico, talvez o primeiro líder europeu da geração marcada pelas redes sociais. Tem vontade de andar, de construir coisas e a um ritmo acelerado.
Há exactamente duas semanas, o embaixador de Itália foi o orador convidado do International Club of Portugal. Perguntei-lhe se a «Europa estava preparada para o ritmo e dinamismo de Renzi». Ele respondeu: «julgo que nem Itália nem a Europa estão preparadas para o seu ritmo». Essa é a interrogação para o próximo semestre: conseguirá Renzi ser o motor dessa mudança e marcar a liderança europeia?
Países pequenos e periféricos como o nosso, olham a Europa como algo distante, controlada pela Alemanha, que nos manda uns dinheiros e pouco mais. Quando há crises ainda não se manifesta uma resposta da UE, uma estratégia comunitária.
A Europa é um continente onde não há europeus, mas apenas cidadãos de cada vez mais países. A mudança de visão deste "statu quo" é uma das ideias de Itália que assume a presidência europeia no próximo semestre.
Ainda há poucos dias, o novo fenómeno da esquerda e líder italiano, Matteo Renzi, dizia que «a Europa de hoje é aborrecimento e não tem alma». Nunca a teve. Ele que se assume um homem da «geração Erasmus» defende que a base da criação e fortalecimento desta alma europeia é este programa que possibilita a estudantes continuarem a vida académica fora dos seus países de origem.
Renzi é um líder dinâmico, talvez o primeiro líder europeu da geração marcada pelas redes sociais. Tem vontade de andar, de construir coisas e a um ritmo acelerado.
Há exactamente duas semanas, o embaixador de Itália foi o orador convidado do International Club of Portugal. Perguntei-lhe se a «Europa estava preparada para o ritmo e dinamismo de Renzi». Ele respondeu: «julgo que nem Itália nem a Europa estão preparadas para o seu ritmo». Essa é a interrogação para o próximo semestre: conseguirá Renzi ser o motor dessa mudança e marcar a liderança europeia?
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Sophia no Panteão
O Panteão Nacional deve ser para quem marca a sociedade portuguesa em diversas áreas. Os critérios, por vezes, são pouco compreensíveis, mas o que importa é que lá estejam quem dignifique a Pátria e a nossa língua que é o maior património da nossa cultura.
Sophia de Mello Breyner Andresen estar no Panteão é daquelas escolhas que não levanta ondas, porque é marcante. Porque como ela disse: "A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda".
Sophia de Mello Breyner Andresen estar no Panteão é daquelas escolhas que não levanta ondas, porque é marcante. Porque como ela disse: "A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda".
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