segunda-feira, 27 de junho de 2016

Sugestões para a semana

Livros

"O Ruído do Tempo", Julian Barnes, Quetzal, 193 pág. Um dos que leio neste momento e é, provavelmente, um dos melhores do ano. Sobre a Arte e o Poder, a relação entre Chostakovich e Estaline. Bem escrito e com uma ironia marcante,

"Génio", Harold Bloom, Temas & Debates, 902 pág. Esta é uma obra sublime, convém ir lendo página a página, com carinho com medo que o livro acabe. Um tratado sobre literatura e os grandes escritores.

Cinema

Recomendo-vos o "Asas", de Larisa Shepitko, em várias sessões no Nimas esta quarta. É um dos melhores presentes nesta mostra dos grandes mestres do cinema russo. Realizado num tempo em que houve um pequeno espaço para sonhar na URSS, no tempo de Khrushchev.
Em televisão, e ainda há pouco estava nas salas, o último do françois Ozon, no TV Cine 2 na sexta 22h. Sobre este filme que já vi, registei todos os críticos que lhe deram nota 2. É que daqui a 20 anos os mesmos que lhe atribuíram essa nota vão passar a dizer que é um grande filme, vão por mim.
Recomendo o ciclo do Roberto Rosselini que começou na semana passada com o "Amor", às terças no TVC2, e durante toda a semana cerca de 9 filmes do John Carpenter no TVC 4

Séries

A estreia da segunda temporada de Marco Polo, no Netflix. Mais do que a história, a produção e mise-en-scéne é fabulosa.

Documentários/Debate

Eu que sou assinante da Globo Internacional, para lá do charme e humor com classe do programa do Jô Soares, há um programa de debate de grande qualidade que passam os anos e continua bom, é o Manhattan Connection. Passa ás terças.

Restaurante

 Para umas tapas seguidas de boa diversão e bom ambiente espreitem o Lagar do Cais, na Rua de São Paulo. Não é barato mas é um sítio agradável.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Sugestões para a semana

Livros

"Chega de Saudade", Ruy Castro, Tinta da China, 492 páginas. Um dos livros que leio neste momento, uma edição recente e magnífica. Ruy Castro tem inúmeras obras de eleição sobre a sociedade e personalidades brasileiras. Aqui é a origem da Bossa Nova, um livro riquíssimo recheado de grandes figuras: Vinícius, Jobim, João Gilberto, Nara Leão, Ronaldo Boscoli, Roberto Menescal, Carlinhos Lyra. Uma delícia de construção, tão sonora e elegante como a música que estes génios criaram. Imperdível.

"Augusto", Adrian Goldsworthy, Esfera dos Livros, 582 pág. Para quem gosta de história este é um dos livros a não perder, É História mesmo, não é ficção histórica, pois o autor é um especialista. Não é tão bom como os seus outros dos quais já dei nota, "Júlio César" e "Generais Romanos", mas Augusto é uma personalidade fascinante, ele é que consolidou o império romano na companhia da sua mulher, a maquiavélica Lívia, e por isso são as bases da nossa civilização que inundam este livro.

"A Amiga Genial", Elena ferrante, Relógio d`Água, 264 pág. Este é apenas o primeiro volume que dá o nome a esta tetralogia de Nápoles a qual já li na íntegra. Já tinha recomendado e tirado frases para as redes sociais, é uma obra fabulosa de quem domina todas as técnicas do romance. É fascinante acompanhar a vida de Elena e Lila e toda uma galeria de personagens que se entrelaçam connosco,

Cinema

Dos mestres do cinema russo, no Nimas, esta semana dois filmes inéditos nas salas portuguesas: "O Tio Vânia" e "Siberíada", ambos de Andrei Konchalovsky. Mas de todo o ciclo que tem passado desde Abril, e que praticamente já vi todo, deixo-vos os que considero indispensáveis: para lá de todos os Eiseistein, vejam mesmo o "Ivan, o Terrível" nesta cópia restaurada que é genial, recomendo "O Homem da Câmara de filmar", de dzigo Vertov; "A Casa na Praça Trubnaia", de Boris Barnet, e dois que nunca tinham passado em Portugal: "Asas" e "Ascensão" de Larisa Shepitko
Na Cinemateca, esta semana recomendo o ciclo de Orson Welles e na continuação da mostra da  obra de Vincente Minnelli, "Lust for Life"  (A Vida Apaixonada de Van Gogh) e sobretudo "Cobweb" (Paixões sem freio). E Minnelli, passada toda a sua carreira inicial ligada a musicais, tem filmes geniais dos quais destaco três que vi neste ciclo: "The Clock" (um dos mais belos da história do cinema), "Undercurrent" e "Madame Bovary" com uma das mulheres mais belas de Hollywood, Jennifer Jones, num papel magistral.

Séries

Esta é uma altura em que os principais canais se resguardam para a rentrée e assim as estreias são poucas. Por isso destaco, no Netflix, "Bloodline"(1ª e 2ª temporada), uma séria nota 5, como uma série deve ser, de guião, de personagens marcantes e, neste caso, com grandes actores. Ali verão Sissy Spacek, Sam Shepard, Kyle Chandler (formidável) e depois, na 1ª temporada, Ben Mendelson com um papel que é uma das personagens mais mal formadas que já vi. Mau, sem escrúpulos, marcante; e a quarta temporada de "Orange is the New Black" que se estreia esta semana e as anteriores são sensacionais.

Documentários

George Martin, o produtor dos Beatles diz: «Um produtor tem de ter tacto e saber lidar com um artista». No Odisseia, às quartas, Soundbreaking. Sobre música, mas sobretudo com os produtores que marcaram a história da música em diferentes áreas; Quincy Jones, George Martin, Jay-Z, Phil Spector, tantos outros.
No Netflix há uma série que é quase documentário e hei-de escrever mais detalhadamente sobre ela pois adorei a 1ª temporada. Chama-se "Chef`s Table". Mas é muito mais do que uma série sobre gastronomia, uma realização perfeita e atractiva, vários pontos do mundo com imagens maravilhosas. A ver.

Restaurante

Eu gosto muito da Camponesa em Santa Catarina. Excelente cozinha, quanto a vinhos deixem o dono recomendar e o ambiente é excelente. Não é barato, mas não é nenhum assalto ás carteiras e é bem ali no meio de tudo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

"2.59" de jornalismo de qualidade

Jornalismo bom e jornalismo moderno é o que o Expresso Diário laçou com o "2.59", o tempo em que um tema da actualidade é bem explicado por jornalistas credíveis. Aliando a informação, a notícia e a análise, ao vídeo, criando um conteúdo apetecível com interesse e de qualidade. Num tempo em que o jornalismo português passa por uma enorme crise, é de saudar este oásis. De parabéns o Pedro Santos Guerreiro e o Ricardo Costa, e naturalmente, o Expresso.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A revolução de Bernie Sanders e a Lady Macbeth

Em 2008, a juventude estava com Barack Obama. Em 2016 a juventude está com Bernie Sanders. Ele não é um candidato, é uma moda. É "cool" votar nele.

Bernie é o candidato mais improvável de todos. Antes das primárias, as pessoas já se esqueceram, ele aparecia com menos 60 por cento de apoio do que Hillary Clinton. Tem 74 anos, tem muitos anos de política, mas parece um tornado contra os grandes poderes americanos: Washington, Wall Street e os 1% dos milionários americanos.

Bernie fala em «socialismo» sem pudores - palavra diabolizada nos EUA há décadas -, menciona «revolução» sem medos - palavra assustadora na América - mas promete pôr os bancos e os ricos a pagar e a ajudar a classe média, como já foram ajudados por ela. Promete educação e saúde quase de borla para todos e não tem problemas em admitir mais impostos.

Quando o vejo, lembro-me do antigo ex-líder trabalhista inglês, Michael foot, que já me parecia fora de tempo naquela época. Mas ambos são genuínos, valor esse que os eleitores prezam na actualidade. Não sei se Bernie aguenta uma campanha longa, mas sei que já superou em doadores a campanha de Obama. E doadores de 20 e 50 dólares, isso dá um balanço e energia contagiantes, dá onda, dá como dizem os americanos o "momentum".

Sobre Hillary, há muitos anos atrás chamei-a de "Lady Macbeth". a mulher que encarnou a perfídia pelo poder escrita pelo autor que ao longo dos tempos melhor percebeu a natureza humana: Shakespeare. Hillary é uma mulher preparada, inteligente, mas gosta muito mais do poder do que o marido Bill, um grande presidente americano.

Hillary tem grandes características de liderança mas, apenas e só, as pessoas não gostam dela, melhor, não confiam nela. Hillary é a candidata que tem tudo para ganhar mas que nas estrelas está escrito que nunca será líder dos Estados Unidos. A derrota no New Hampshire é colossal, um estado onde tinha ganho a Obama em 2008.

Hillary, mesmo assim, tem estrutura, tem partido, tem Hollywood e notáveis com ela, mas Bernie tem paixão, está em ascensão e tem menor índice de rejeição. Será uma grande campanha até à Convenção Democrata.

PS: Sobre os Republicanos escrevo amanhã. Mas como "teaser" posso já dizer que considero muito mais temível para o mundo um fanatizado Ted Cruz que um especialista em "reality shows" como Donald Trump. Mas também será uma corrida sensacional de analisar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Amar Portugal

Com as presidenciais de domingo acaba um ciclo de actos eleitorais. Em Belém e São Bento estão dois novos protagonistas. Agora é tempo de trabalhar, de tentar tornar Portugal melhor, puxar o máximo por nós, credibilizar a vida política, tornar o nosso País mais optimista, dar-lhe outro rumo.

O que lhes peço, a Marcelo Rebelo de Sousa e a António Costa, é quase o mesmo que o grande realizador Ettore Scola, que partiu há uma semana, disse numa das suas últimas entrevistas, como conselho aos jovens realizadores italianos:

«Esqueçam a autobiografia, que é um bicho feio; amem a Itália, não poderão fazer bons filmes se não amarem a Itália». Eles não poderão ser bons políticos se não amarem Portugal. É o que lhes peço: amem Portugal.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A marmita de Marcelo

A três dias das presidenciais, só há um resultado possível: a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa logo na primeira volta. Qualquer outro resultado é uma derrota colossal de um homem que não precisou de  fazer campanha e nada disse de importante ou essencial.

Marcelo, que dispara análises e comentários mais rápido do que a própria sombra, vestiu o papel de morto um mês e nem precisava de mais. É que teve uma campanha montada durante 15 anos em comentário no "prime-time" das televisões. Não há nenhum "case-study" da sua campanha, se o houver é apenas a prova que a televisão pode vender um sabonete e eleger um presidente como em tempos disse Emídio Rangel. Só que no caso, em vez da SIC foi a TVI onde passou mais de uma década a elogiar a manicure Clotilde e a fazer referências simpáticas a pessoas e a livros que nunca leu.

Marcelo é um homem inteligente, ninguém duvida, e a melhor prova é como enganou os portugueses construindo a imagem de tipo porreiro que tanto jeito lhe dava. Tal como encenou aos 50 anos que era do Braga, para não ter de dizer, que era do Sporting ou do Benfica para não hostilizar as massas do futebol, agora o seu grande facto é o mito de que almoça de uma marmita.

Os que foram alunos dele - é o meu caso - sabem que, para lá de ele ser um bom professor, ele conseguia chegar com uma hora de atraso às aulas a assobiar ou a cantarolar mas nunca o viram de marmita na mão, A marmita é apenas o seu dom de imbecilizar as pessoas que acreditam nesta tanga perversamente simpática. É um dom que ele tem. Tem a capacidade de ciciar como as serpentes para dar a mordida final.

Como escrevi uma vez, ele não é a simpática rã que dá boleia ao escorpião para atravessar o rio. Ele é o escorpião. Vestiu-se apenas de rã há 15 anos nas televisões e o povo comeu. Pobre povo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A mulher de Sampaio da Nóvoa

Não conheço Sampaio da Nóvoa nem a mulher dele de lado nenhum. Não sou seu apoiante, nem de nenhum candidato, e estou-me marimbando para esta medíocre campanha eleitoral (deixo o meu "statement").

Mas há coisas que tenho pena que os portugueses engulam sem pensar. Que sejam manipulados sem perceber e odeio hipocrisias. Hoje, um dos temas do dia é se Sampaio da Nóvoa ainda está casado ou não. Como se isso interessasse ao país real, ao país que trabalha, ao país que estuda, ao país que lê. No entanto, nas redes sociais vai viva a partilha sobre este disparate que não interessa a ninguém e discute-se.

Ninguém percebe, enquanto contribui para o barulho, que ao mencionar o caso da mulher de Sampaio da Nóvoa passa mais uma semana e não aparece a primeira-dama de Marcelo Rebelo de Sousa. Por causa desta hipocrisia sou obrigado a perguntar:

1. Marcelo tem a mesma namorada, Rita, ou não?

2. Se sim, e a resposta deve ser sim, por que é que ainda a senhora não apareceu na campanha?

3. Não apareceu porque não o apoia?

4. Não apareceu porque está em casa a preparar-lhe a marmita?

5. Não apareceu porque está ainda a tratar de resolver o assunto dos espoliados do BES onde ela era cargo de topo?

6. Onde anda então a namorada de Marcelo, vive com ele?

Estas seis perguntas também não têm interesse nenhum, eu sei. mas acabem lá com a hipocrisia.