segunda-feira, 23 de abril de 2018

Sugestões para a semana


Livros

“Sul profundo”, Paul Theroux, Quetzal, 536 páginas. O livro saiu na semana passada, li no fim-de-semana, e o autor, dos quais conheço todos os anteriores títulos editados em Portugal, é na minha óptica o melhor escritor de viagens vivo. Desta vez, decide passar pelo sul dos Estados Unidos da América, «onde o passado nunca morre». Na sua escrita não se recortam apenas lugares, mas sim a geografia das pessoas que vai encontrando e que lhe permitem retratar todos os lugares.

“Solaris”, Stanislaw lem, Antígona, 255 pág. Pela primeira vez, traduzido directamente do polaco, é apresentado aos portugueses um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica e que esteve na génese de dois filmes com o mesmo nome, um, uma obra-prima, o “Solaris” de Andrei Tarkovsky, e outro de Steven Soderbergh. Não é um livro simples porque é quase um tratado de filosofia, a incapacidade dos humanos lidarem com o desconhecido.

“Era uma vez um talento”, Dalila Pinto de Almeida, Vida Económica, 139 pág. Recomendo algo completamente diferente, um livro de uma mulher que trabalha há 25 anos em Consultoria Organizacional, especializada em Executive Search e Coaching para Executivos, áreas extraordinariamente importantes e por vezes pouco utilizadas por quem as devia usar e ouvir quem sabe, como é o caso da Dalila. O livro é muito interessante e é sobre como as empresas devem atrair e reter os talentos que as fazem crescer. Deixo ao cuidado também dos senhores jornalistas que lêem estas sugestões pois dará uma excelente entrevista.

Cinema

No Netflix recomendo o soberbo “Aniquilação”, de Alex Garland. Estreou-se com um filme magistral, “Ex-Machina” e agora vem uma fita que o tempo tornará como um filme de culto para os amantes de ficção científica.

Em sala, começa na quinta o Indie Lisboa e o destaque é uma retrospectiva sobre a obra de Jacques Rozier. Recomendo, na Cinemateca, na sexta o seu retrato de Jean Vigo.

Séries

Estreias da semana, e é sobre isso que sugiro aqui, no Netflix recomendo “O Alienista” (mas não é para toda a família), a estreia da 2ª temporada de Westworld no TVSéries e a estreia daqui a pouco de Deep state na fox. Na RTP2 a 3ª temporada de “Herança” na quarta. Horários podem consultar nas grelhas das vossas boxes.

Restaurante

Por motivos profissionais almocei duas vezes num restaurante de boas gentes de Vila Real na Amadora. Chama-se Cozinha Lusa, grandes vitualhas portuguesas, serviço simpático e preços em conta.

domingo, 15 de abril de 2018

terça-feira, 3 de abril de 2018

Sugestões para a semana


Livros

“Pátria”, fernando aramburu, D. Quixote, 716 paginas. Li este livro em espanhol quando ele por lá saiu. É absolutamente genial, vendeu mais de 700 mil em Espanha e a crítica é burra se não o considerar um dos melhores do ano. Duas famílias, no tempo da ETA, no País Basco. Uma que sofre pela morte, outra que sofre porque matou. Um mosaico extraordinário de personagens, uma construção fabulosa de narrativa. Podem fazer um favor a vocês e leiam-no.

“Confissão de um assassino”, Joseph Roth, Cavalo de ferro, 141 pág. Outra obra magistral agora publicada, escrita no início do século XX, um tratado sobre a natureza humana e a sua relação com o Mal. Soberbo.

“O nervo ótico”, Maria gaínza, D. Quixote, 167 pág. O livro que mais me surpreendeu neste primeiro trimestre. Tem uma coisa que me incomoda que é o título escrito ao sabor do novo acordo ortográfico o que lhe amputa um P a óptico. Esta escritora argentina mistura arte, sensibilidade e uma narrativa cuidada. Excelente.

Cinema

Na televisão, no TVC1, sábado e domingo, têm às 21.30 h dois grandes filmes: “Paterson”, de Jim Jarmusch e “A Cidade perdida de Z”, de James Gray. No TVC2, a partir desta quinta às 22h, terão um ciclo dedicado a Glen  ford e arranca logo da melhor maneira com o sublime “Corrupção”, de fritz lang. Começa amanhã a festa do cinema italiano e o realizador deste ano em destaque, na Cinemateca, será Marco ferreri. Não sou particular devoto da sua obra, mas há dois filmes que irei ver.

Séries

As estreias desta semana são de grande qualidade. Daqui a pouco o AMC estreia a muito elogiada pela crítica “The Terror”, produzida por Ridley Scott. Na sexta, no Netflix, a segunda parte do fenómeno e formidável “Casa de papel”. Nesse dia na fox crime, a última temporada, a 6ª, de “The Americans” e no TVS, no sábado, arranca a terceira temporada de uma série que adoro: “Billions”.

Documentário

Hoje, na RTP2, perto da meia-noite, Umberto Eco na sua casa e na sua biblioteca. Um dos pensadores mais importantes do século XX.

Restaurante

Um japonês muito tranquilo e de qualidade, o Nómada, entre a 5 de Outubro e a Avenida da República. Peças de fusão criativas e um bocado fora do habitual dos japoneses.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Sugestões para a semana

Livros

"Mulheres", Eduardo Galeano, Antígona, 227 páginas. A editora Antigona está a fazer verdadeiro serviço público ao dar à estampa toda a obra do excepcional escritor uruguaio, Eduardo Galeano. Tenho estado a deliciar-me com "Mulheres". 

"A Carne", Rosa Montero, Porto Editora, 187 pág. Magnífico livro da escritora espanhola, sobre o envelhecimento e a necessidade de amar. Uma mulher de culta de 60 anos que recorre a um gigolo de 32. Leiam.

"A menina silenciosa", Hjorth & Rosenfeldt, Suma, 559 pág. Mais um livro para a saga de policial nórdico do peculiar Sebastian Bergman. Um dos melhores policiais editados no ano passado, do qual recomendo que leiam os 3 livros anteriores pois a evolução dos personagens e das suas relações é importante para o desenrolar da acção.

Cinema

Em casa, sugiro amanhã por volta das 23h, na RTP2, o meu filme preferido (juntamente com "Morangos Silvestres") de Ingmar Bergman, "A Máscara" (Persona).
Na Cinemateca sugiro terça às 18h, no pequeno ciclo sobre a história dos formatos dos écrans, "Rancho Notorious" de fritz lang.

Séries

Escondida na noite de sexta, e sem grande promoção, a fox exibe a 7a temporada de Homeland (Segurança Nacional), às 22.15H.
Para os mais nostálgicos, e fãs da mais carismática personagem feminina, Emma Peel (Diana Rigg), de televisão, recomendo a estreia na RTP memória na sexta às 23h da 5a temporada da mítica série Vingadores

Documentários

Na terça, ás 11.30h, na RTP2, deixem a gravar "Empatia" que vale a pena ver. Também na terça, na RTP2, às 23,30, espreitem um documentário sobre Gauguin, «Á procura dos paraísos perdidos».
No TVC2, às 22h, terça, David Lynch- A vida arte sobre a carreira do grande realizador.

Restaurante

Na rua de São filipe nery, ao Rato, está um conceito chamado Lob. Tem as melhores sandes de lavagante. Não é barato como imaginam, mas é fora do comum.    

Congresso do PSD

No congresso do PSD uma das coisas mais engraçadas é ver indivíduos subirem ao púlpito ("olhos nos olhos", como eles gostam de salientar como se fossem uns tipos muito corajosos) e dizerem que "com toda a franqueza", "com honestidade", "vão fazer tudo para apoiar o nosso companheiro", que "lhe desejam o mesmo que desejariam para si próprios", "que me tem ao seu lado como um humilde soldado", quando na sombra já pagaram a um amolador para afiar os seus punhais porque no momento certo vão assaltar a jugular do líder que agora "olhos nos olhos" dizem apoiar. Já os conheço à distância, tenho muitos anos disto e conheço a história de Roma.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

A vitória da CMTV

O meu artigo desta semana no ECO que pode ler aqui.

A imagem da justiça

A Procuradoria Geral da República tem estado como o Dum Dum, contra moscas e mosquitos. Se havia alguma dúvida sobre a independência de Joana Marques Vidal, eu não as tinha, tudo fica dissipado com as suas “blietzkriegs” contra os poderes políticos, económicos e, o não menos poderoso, futebol. Ontem, foi a vistosa Operação Lex, mas outras se vêm somando no currículo de uma mulher sem medo de enfrentar os que mais podem.
Quando a Justiça é cega e independente está a fazer o seu trabalho. E assim ganham as sociedades democráticas que sentem que todos são escrutinados. Porém, todos sabemos que muitas operações mediáticas do Ministério Público não têm tido a mesma eficácia no que toca ao termo dos processos e culpabilização dos alegados criminosos que já foram julgados pelo júri constituído pela opinião pública. E é aqui que a imagem da Justiça vem falhando.
Não chega anunciar operações acompanhadas de meios de comunicação social, pois se os tribunais não são céleres no juízo das acusações, ficam a pairar um manto de dúvidas sobre as pessoas que têm a sua reputação atingida. E estaria na altura de se discutir abertamente, e se calhar com novos critérios, a questão do Segredo de Justiça. Não é crível que jornalistas estejam à porta de casa ou em aeroportos atrás de polícias ou funcionários judiciais por acaso. Alguém os avisou e isso é uma violação do Segredo de Justiça e quem provavelmente viola são os senhores da PJ ou do Ministério Público, que não enganem as pessoas.
Logo, e como me dizia uma pessoa que muito estimo, há uma enorme confusão na relação do sistema de justiça com o sistema mediático, em que é notória uma sobre-instrumentalização dos meios de comunicação social que se colocam ao serviço do Ministério Público. E julgo que é tempo de pôr termo a este espectáculo degradante de se matarem reputações com títulos de jornais que mais tarde não levam a acusação nenhuma. É a imagem da Justiça que está em jogo e também a dos media.
Claro que a imprensa tem e confia nas suas fontes e nada é mais seguro do que ela ser avisada por aqueles que lançam uma operação. Mas haverá um dia em que a comunidade se irá interrogar se as manchetes de jornais e abertura de telejornais bastarão, quando depois ninguém é acusado e sentenciado. Assim, temos que para lá da manifestação de independência do poder judicial, tem havido um excesso de fogo-de-artifício que dá jeito a muita gente mas que depois não serve para nada. E de folclores estão os portugueses fartos. Há bandidos, criminosos e gatunos? Que sejam punidos severamente pelas leis da República, é isso que todos desejamos, espectáculos circenses, só no circo. E está tudo do lado da Justiça.
Publicado no ECO