segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

2013 - o balanço, os melhores e o melhor que se fez

O ano de 2013 para os portugueses foi um ano difícil, sem história. Marcado por vários episódios menores, como os "briefings", por figuras menores - miss swap, Machete, Maçães, entre outros.

Foi um ano em que batemos no fundo, mais abaixo é difícil ir, em que se perderam valores e não se reconquistou a esperança. Foi um ano de desilusão com a classe política, com a nazi máquina fiscal, com a lentidão da Justiça e ainda terminámos com a capital dominada pelo lixo, melhor retrato era impossível. Posto isto ficam os melhores de 2013:

Personalidade do ano: Ramalho Eanes
Melhor ministro: Paulo Macedo
Melhor líder: Rui Nabeiro
Melhor desportista: Cristiano Ronaldo e Rui Costa (ciclismo)
Melhor empreendedor: Álvaro Covões (com a sua vertente cultural)

Melhores Filmes: A Caça (Thomas Vinterberg), Lore (Cate Shortland)
Melhores Livros: Alfabetos (Claudio Magris), Agosto (Rubem Fonseca), O Tango da Velha Guarda (Arturo Perez Reverte)
Melhor Álbum: Yeezus (Kanye West)
Melhores séries lançadas em 2013: House of Cards, Hannibal, The Americans

domingo, 22 de dezembro de 2013

Sugestões para o Natal

Livros

"Vai, Brasil", Alexandra Lucas Coelho, Tinta da China, 314 páginas. Uma descoberta do Brasil real, diálogos, memórias e trabalhos da jornalista portuguesa no País que a acolheu.

""História da Minha Vida II", Giacomo Casanova, Divina Comédia, 539 pág. O segundo volume das memórias do homem que passou para a história como libertino, mas era muito mais que isso, sobretudo, um homem do mundo.

"Gente Independente", Halldor Laxness, Cavalo de Ferro, 556 pág. O livro que é um monumento. Pouco conhecido mas uma das grandes obras da literatura deste Nobel de nacionalidade islandesa

"O Boneco de Neve", Jo Nesbo, D. Quixote, 466 pág. Um dos nomes de proa do policial nórdico. Duro, ríspida a sua escrita, mas de imparável leitura.

"A Fraude de Ícaro", Seth Godin, Gestão Plus, 212 pág. De agradável leitura esta pequena pérola de um dos gurus do marketing.

Cinema

Caixa de Aleksandr Sokurov da sua tetralogia do poder que contém Moloch, Taurus, O Sol e Fausto (a única película anteriormente comercializada em Portugal). Imperdível. E a 29 euros.

Mais duas caixas com ainda melhor preço na FNAC, cerca de 15,99 euros. A de Jean Renoir que contém Esta Terra é minha, A Semente do Ódio, French Can Can, Elena e os Homens e um dos grandes filmes da história do cinema: A Regra do Jogo.
A outra caixa com este preço é a de Max Ophuls que traz: Carta de uma Desconhecida, A Cilada da Ambição, Madame de..., e Lola Montés.

Séries

Em estreia na FOX no início do ano aparece "Os Seguidores" (The Following). Boa série, Kevin Bacon fantástico, o líder da seita que protagonizava "O Filantropo" é um bocado canastrão mas tem bom ritmo e agarra.

Para presente de Natal sugiro as 3 temporadas já editadas de Boardwalk Empire (a 4a está a dar no AXN Black e é excelente).

Restaurantes

Filipe, em Sesimbra, no largo principal que é bom para fugir um bocado de Lisboa, peixe sempre fresco; aqui em Lisboa é de aproveitar o menú para portugueses do Lisboa à Noite no Bairro Alto

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

As 10 pessoas que mais gosto de ler no facebook

Os nomes que escolho estão todos relacionados com a área de comunicação, jornalismo, televisão e marketing. A ordem é aleatória.

Alda Magalhães Telles

Francisco da Silva

Nuno Roby Amorim

José de Pina

Luis Paixão Martins

Carlos Vaz Marques

Maria Água Dias

Nuno Rogeiro

Raquel Marinho

Eurico de Barros

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Figuras da Comunicação 2013: Paulo Padrão e Paulo Campos Costa

O Paulo Padrão porque apesar de ter um ano ultra-conturbado com guerras internas no BES, processos judiciais das suas principais figuras, mantém a aura do poder do banco do qual comanda a sua comunicação.

Mesmo quando criticam o silenciamento de algumas notícias internacionais sobre o BES ou quando é pouco conhecida a actividade da entidade supervisora sobre o banco, isso revela bem o seu poder e da sua equipa e de quem com ele colabora

Este 2014 será um ano em que o BES continuará na berlinda, cabe-lhe a ele fazer a gestão cuidada da imagem e reputação da entidade em que trabalha. O BES precisa de sair do tsunami noticioso, necessita de tranquilidade para manter a confiança dos seus clientes e a força da sua marca.

O Paulo Campos Costa escolho porque tenho também estima por ele e pelas suas qualidades profissionais. Sabemos todos que pagamos mais na nossa conta de electricidade do que devemos, logo, a EDP é uma empresa que suscita críticas.

Ao longo do tempo, primeiro com um fantástico trabalho de rebranding, depois com a activação de marca e eventos que patrocina tem mantido a EDP com uma das marcas mais poderosas de Portugal e o Paulo tem bastante poder.

Este ano critiquei bastante António Mexia. Não por falta de qualidades de liderança, que as tem, mas por um excesso de voluntarismo em intervenções que marcaram negativamente a imagem da empresa. Primeiro na área política, onde não se deve expor pois tem accionistas chineses, depois no futebol onde teve a infelicidade de associar um crescimento do PIB a uma vitória do Benfica no campeonato, tendo com isso despertado o ódio dos adeptos do Sporting e, sobretudo, do Porto.

O Paulo Campos Costa, em magnífica entrevista à Briefing, disse uma das frases do ano e que representa muito do que se passa em Portugal: «falta quem diga, sai da frente que eu faço». Para o ano tem muito que fazer e sugeria que aconselhasse António Mexia a pedir desculpa pela infeliz frase que teve. Pois é bom em comunicação pedir desculpa quando se comete um erro. 

Quando CR7 e Messi se juntam para salvar o mundo

Muto engraçado o video da Samsung, que pode ver aqui,  que junta várias grandes estrelas do futebol mundial.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O meu "dream team" de 2013

Este ano escolho apenas uma equipa de onze elementos de agências de comunicação, a ordem é aleatória, mas feliz das empresas que contem com estes elementos e ainda menciono três excepções relacionadas directamente com o sector e que merecem o meu destaque:

Telmo Carrapa (CV&A), Renata Pinto (GCI), Sandra Silva (LPM), Inês Saraiva (Lift), Ema Brito (Special One), João Villalobos (CV&A), Monica Mendes Coelho (Parceiros), João Reis (Lift)., Alexandre Guerra (Santa Casa) Patrícia Afonso (LPM), José Pedro Abrantes (CV&A).

Depois, destaco a Joana Machado (LPM) na variável de estratégia, projectos e new business; Rui Oliveira Marques (Meios & Publicidade), o melhor jornalista da área dos media e o mais conhecedor do sector de Conselho em Comunicação; Maria Garcia Luis (NewsEngage), a construir publicações e agregadores foi dos destaques do ano de todo o meu sector.

E tantos outros colegas que fizeram excelente trabalho também. A eles, sobretudo aos que não menciono e aos que desconheço, e a quem dediquei o ano de 2012, desejo que continuem a fazer o que gostam. A todos vós um Bom Natal e um fantástico ano de 2014.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Uma "geração de viciados"

Lido no DN: «Um estudo realizado pela empresa de Neuromarketing Labs concluiu que os aficcionados de séries sentem os mesmos sintomas de dependência que os viciados em drogas

Produtos televisivos como The Walking Dead, Breaking Bad, A Teoria do Big Bang ou Guerra dos Tronos podem criar síntomas físicos de adição como suores, pulsação acelerada e descida da temperatura corporal.
O relatório da Neuromarketing Labs assegura que, quando um espectador está a assistir a uma dessas séries, o corpo segrega uma conjunto de hormonas que têm ainda um efeito "calmante". Isto porque, revela o mesmo estudo, o cérebro humano é masoquista, na medida em que prefere as séries que despertam emoções mais fortes - sejam elas positivas ou negativas - e por isso mesmo precisa de algo que contraponha de imediato esse efeito».

Portanto, ou Hollywood volta a fazer cinema de qualidade ou as séries continuarão a fazer uma "geração de viciados", pois é hoje o que as pessoas mais seguem, segundo este estudo.
 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Eleições Primárias: o tema que crescerá no PS

Muito lentamente, muito devagarinho, muito discretamente, alguém tem plantado na imprensa o tema das primárias antes de eleições legislativas e abertas não só aos militantes mas também a simpatizantes.

Ontem o Público escrevia no subtítulo da notícia: «apesar de ser uma tendência europeia, os partidos portugueses afastam, para já, qualquer discussão sobre o alargamento das eleições internas». O jornal diário vai ainda mais longe e menciona, e é verdade, que na Europa são os partidos de esquerda que têm desenvolvido essa prática.

O gato escondido com rabo de fora destas informações, é que muitos no PS ainda acreditam que, pouco tempo antes das legislativas, umas primárias possam entregar o partido a outro candidato que surja como um potencial vencedor mais substantivo.

Por isso António José Seguro, para lá do seu caminho de construção de cavalo vencedor, ainda tem de estar atento internamente a quem lhe morde os calcanhares e a quem está interessado em semear estas notícias sobre primárias.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O futuro da Europa

«Creio que a Europa está em grandes dificuldades, que um Estado europeu é um objectivo muito longínquo, mas creio que é preciso começar a dar pequenos passos concretos que possam conduzir lentamente sem choques para não provocar reacções negativas, a transferir certos aspectos da soberania dos Estados para um Estado europeu. Temos a impressão de que a União Europeia está paralisada pela burocracia»

Claudio Magris, em entrevista à Ler

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A Bola, Record e Jogo - análise da sua estratégia

Uma análise ao que se passa actualmente na imprensa desportiva, a sua postura e as suas estratégias para um futuro próximo.

O Jogo - É um jornal moderado, tenta uma linha de racionalidade com todos os clubes, evitando quezílias. Tem uma direcção actual pouco marcante e o facto evidente disso é que muita gente não sabe quem é o seu director.
Os seus próximos passos serão melhor conhecidos a partir de Janeiro, fruto da entrada de novos accionistas, António Mosquito (angolano) e Luis Montez (muito experiente e inovador na rádio). Mas, apesar do seu centro de vendas ser o Norte, auguro que nos próximos tempos irá, a partir de Lisboa, apostar mais no Sporting, será a sua aposta, será o FCPorto de Lisboa. E não estranhava nada que mudasse a sua direcção e a mudasse para sul.

Record- Na sua história e estratégia, tentou sempre estar mais próximo do Sporting, contrabalançando a influência do Benfica na Bola.
Mudou de direcção há poucos meses, reforçou-se com António Tadeia, uma das pessoas que mais gosto de ler e ouvir falar de futebol (ontem a sua crónica sobre Jesus e Eriksson era notável), precisa de mudar cronistas que não trazem leitores (Pedro Adão e Silva e José António Saraiva) e tem de rever a última página que é espaço perdido. Dou a sugestão construtiva de na última ter um perfil (algo que os jornais fazem pouco e tem muita leitura), uma história de vida, de um dos desportistas em destaque do dia.
Mas para director fez uma escolha polémica, não discuto os seus méritos, mas como leitor tenho o direito de questionar as suas opções. João Querido Manha virou a agulha para a Luz e hoje o Record alinhou com o Benfica. São várias manchetes a puxar pelo "impuxável", a capa de ontem fez-me lembrar o Jornal do Benfica de há uns anos atrás. E a novela da posição do Sporting no campeonato é ridícula. Não sei se vai roubar leitores à Bola, mas arrisca-se a perder muitos leitores do Sporting e no Porto não entra.

A Bola - tem o perfil mais institucional de todos os desportivos, é uma Marca reconhecida e com força no universo da nossa diáspora e é aí que já estão a jogar. Tradicionalmente, sempre esteve perto do Benfica, mas vendo a reviravolta editorial do Record, optaram por namorar o Sporting e tratá-lo bem (magnífica promoção da organização internacional leonina do futsal) com boa informação e promoção, abriram canais com o Porto e vão morder os jornais rivais.
Estão a consolidar a Bola Tv e vão apostar mais nas transmissões de modalidades amadoras e na oferta para Iphone, Ipad e outras plataformas verão em breve como estão muito à frente da concorrência onde também já andam na audiência dos jornais on-line.
É uma estratégia de manter Benfica, conquistar audiências no Sporting e entrar devagar no Porto. Estão a jogar melhor que os adversários e a linha editorial está racional e coerente para esta jogada.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O exercício do jornalismo e as redes sociais

Ser jornalista é uma profissão nobre. O jornalismo é um exercício fundamental para a sanidade e transparência das sociedades democráticas.

Vive hoje um problema na imprensa. Menos leitores, menos receitas publicitárias, redacções mais curtas e mais jovens porque são mais baratas. Faltam cabelos brancos no jornalismo actual.

Por outro lado, as telecomunicações, a internet e as redes sociais possibilitaram que todos possam expressar livremente as suas opiniões, cada pessoa pode fazer notícia, mas não é um jornalista.

É no jornalismo que deve ser feita a triagem entre o que é importante para a comunidade, apresentando todos os lados da notícia de forma racional, coerente e profissional.

Agora, cabe à comunicação social perceber que muitas das tendências são construídas por líderes de opinião que têm mais leitura nas redes sociais do que muitos "opinion makers" que escrevem no papel ou falam nas televisões.

O jornalismo tem de conviver com as redes sociais e até aproveitar e promover-se com o melhor delas, falta ainda essa visão a quem comanda os media.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

As Marcas e as pessoas

«Hoje em dia, todos os produtos têm de ser medidos pelas respostas humanas que têm. É muito fácil comprar produtos. É muito difícil falar com seres humanos superinformados e superinvestidos sobre e num mesmo aparelho.. Não é só uma questão de achar: a qualidade do serviço é que determina a qualidade do produto que comprámos»

Miguel Esteves Cardoso, Público, 29.11.13

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Um País que não investe na ciência e na cultura

Leio aqui no Público a queda do investimento português na Ciência. E já sabemos do desinvestimento na Cultura. É um erro crasso, estratégico, pois estes são dois pilares que podem ser diferenciadores de Portugal e do nosso talento. São sinais mais confrangedores e preocupantes do que qualquer vinda cá do careca da troika.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O problema do Benfica é Vieira e não Jesus

Sou sportinguista como todos sabem, mas acompanho a realidade do desporto no geral. Respeito todos os adeptos, sejam quais forem as suas preferências clubísticas, pois são eles que pagam salários dos jogadores, são eles que são determinantes para as Marcas patrocinarem os clubes, são eles que vivem com paixão os bons e os maus momentos das suas agremiações.

No Sporting, felizmente, este ano estamos mais unidos, com esperança, mas sem euforias, e com um discurso de racionalidade que é importante no futebol. No Norte, assistimos ao pior Porto dos últimos anos e Paulo Fonseca, de dia para dia, faz ver que a opção de Antero Henrique, que queria Leonardo Jardim no Dragão, era a mais certa (também felizmente está em Alvalade).

No Benfica assiste-se a algo de curioso: Jorge Jesus é um grande treinador, mas tem um feitio complicado e perdeu a autoridade com o que se passou com Cardozo. É contra ele que se manifestam os adeptos, pois são muitas temporadas sentadas naquele banco e com poucos títulos e este ano com um futebol também sofrível e a qualidade do seu futebol era um dos seus trunfos que restava.

Mas será que é Jesus o principal responsável? Deixo uma reflexão: O Benfica precisa de Luis Filipe Vieira ou será antes Luis Filipe Vieira que, neste momento, precisa mais do Benfica? Onde estaria Luis Filipe Vieira se não fosse presidente do Benfica?

Vieira está há muitos anos à frente do Benfica. Teve um importante papel na ressureição do clube e da Marca, mas o tempo vai provando que o seu tempo já passou. tantos anos e ainda não percebeu o futebol e são labirínticas ou inexistentes as suas estruturas de apoio ao futebol. Bateu o record de endividamento dos clubes, bateu também o record de Taças Lucílio Baptista (e mais nada) e na semana passada surgiu num lamentável processo de 17 milhões do BPN que são todos os portugueses que vão pagar.

Jorge Jesus pode fazer mais. Luis Filipe Vieira não pode fazer mais, simplesmente, porque não sabe.

Do "You tube" para a televisão

Em Espanha o canal 2 da TVE vai lançar hoje um programa chamado "Festa Suprema". Será diário e trará «o humor e a cultura alternativa« do "you tube" para a televisão. O objectivo é captar o público mais jovem.

Aquele que foge dos canais generalistas e se refugia no cabo ou em outras plataformas, especialmente, as redes sociais. Algo que em Portugal ainda não se percebeu e os canais generalistas estão sem criatividade para inovar.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A crise reputacional da Pepsi

Já vários colegas do meu sector se solidarizaram com os profissionais que em Portugal estão a gerir esta crise da Pepsi e a sua reputação, também o faço pois será muito difícil dar a volta.

O seu único aliado será o tempo, o esquecimento. Pois a voracidade do tempo mediático actual, a rapidez com que circulam notícias e desaparecem no horizonte é muito maior que em tempos idos.

Todo o mal do mundo nestes dias é da Pepsi. Como brinquei ontem «Rui Machete, Margarida Rebelo Pinto e João César das Neves bebem Pepsi». mas também o Governo, Mário Soares e outras figuras bebem Pepsi e até o Zé Castelo Branco caiu quando era pequeno num caldeirão de Pepsi.

Mas, efectivamente, só assim é porque a Pepsi fez uma campanha ridícula pela qual pediu desculpas. É a tal coisa: não se pedem desculpas, evitam-se.

JFK

Foi há 50 anos em Dallas. Alguém, ninguém sabe ainda muito bem quem, apesar das inúmeras especulações e teorias da conspiração, disparou sobre o maior ícone que habitou a Casa Branca.

Tantas décadas passadas e tanto fascínio continua a despertar. A sua imagem marcou a comunicação política, a sua família marcou gerações nas revistas sociais. Fez discursos brilhantes e tinha um carisma impressionante.

Mas o que é certo é que tinha um lado obscuro e que durante a sua presidência permaneceu ocultado. Da sua liderança, que foi curta, o legado em termos políticos é um vácuo, mas deixou uma galeria fantástica de palavras ditas (como diria Mário Viegas) e de fotos inolvidáveis.

John Kennedy perdurará na história como um mito. Ficando a aura, e a dúvida, do que poderia ter feito. Como dizia Pessoa na "Mensagem": «O mito é o nada que é tudo».

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O Deus Cristiano Ronaldo e a boa gestão da FPF

Quem tem Cristiano Ronaldo tem tudo. Foi graças a ele que estamos no Brasil. Sem ele, éramos vulgares. Paulo Bento nunca foi, para mim, um grande treinador mas tenho respeito pelo seu carácter e merece ser feliz.

À portuguesa, é o nosso fado lusitano, só no último jogo, depois de algum sofrimento, conseguimos o apuramento. Cristiano Ronaldo é o melhor jogador português de todos os tempos. É atleta excepcional, um talento único, um profissional exemplar, de entrega total nos jogos e nos treinos, e um ícone universal. É um Deus.

A Bola de Ouro este ano tem de ser dele, a FPF tem de se movimentar e acompanhar o movimento que o Real Madrid já está a fazer, basta ver a "Marca" nos últimos tempos. Mas a FPF já o está a fazer e tudo se iniciou com aquele magnífico vídeo a preto e branco, mostrando o lado humano de CR7 enquanto se ouviam os dislates de Blatter.

E quero dar outra nota: apesar de algum descontentamento popular com as escolhas do seleccionador e com a preponderância de Jorge Mendes, o que é um facto é que as organizações da FPF com a selecção têm sido um sucesso, basta ver os estádios cheios, com muito público que habitualmente não vai aos estádios ver a equipa A ou B.

E nestas duas finais houve preparação cirúrgica, poucos repararam que nenhum jogador falou entre os dois jogos com a Suécia e Paulo Bento tinha a lição estudada nas conferências de imprensa. E com a ida ao Brasil, naturalmente, os cofres enchem-se mais.

É tempo da FPF passar a sabedoria com que tem gerido a selecção para outras vertentes do futebol nativo. E, face ao desastre da gestão da Liga, de Mário Figueiredo, ter um papel mais activo no espectáculo do futebol que bem precisa pois é uma vergonha ter estádios às moscas, ter clubes sem receitas a alterarem a verdade desportiva e uma arbitragem degradante. É tempo de outra intervenção da FPF não só na selecção, mas também no futebol português.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O valor da marca Bárbara Guimarães

Todas as estações têm uma imagem mais forte no entretenimento, um rosto mais conhecido e que tem um enorme valor de marca. Na RTP é a Catarina Furtado, na SIC é a Bárbara Guimarães, na TVI é hoje Cristina Ferreira.

Com essa visibilidade, muitas marcas se querem associar a essas figuras valendo-se da sua reputação, do seu valor, da sua beleza, da sua popularidade. A marca Bárbara Guimarães foi afectada pelo divórcio público e por uma série de temas polémicos que foram lançados pelo seu ex-marido.

Por certo que as marcas que a ela se associaram fizeram o seu diagnóstico e prepararam um dossier de crise, pois é de uma crise reputacional que falamos.

Devem as marcas abandonar os seus contratos com ela? Bárbara, pessoalmente, geriu bem a crise. Emitiu um comunicado oficial e remeteu-se ao silêncio, evitando a exposição que a iria desgastar.

Neste momento, e ainda nem tudo foi contado, as marcas não devem cortar os seus contratos. A sua imagem continua boa e nos próximos tempos vai ter uma bateria de comunicação positiva da qual a SIC se irá encarregar.

Bárbara, está escudada pelo seu canal e será a cara das galas do programa que domina o "prime-time" de domingo, as horas que valem ouro, e será bem promovida. Logo, as marcas ganharão com esta associação. A reputação dela foi abalada, mas para já com esta manobra comunicacional irá ultrapassar o problema.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O que Carrilho deveria ter feito

Como tive o cuidado de escrever aqui no blog sobre este mediático divórcio à vista de todos, «nem Bárbara Guimarães é a Madre Teresa de Calcutá, nem Manuel Maria Carrilho é Gandhi».

Não os conheço pessoalmente, mas confesso que não tenho nenhuma simpatia por Carrilho e considero-o um pusilânime. Passado este registo de interesses, fica a minha visão de como o ex-ministro da Cultura podia ganhar este caso em termos comunicacionais.

Em primeiro lugar, era difícil ganhar. Pois Carrilho não é uma personalidade simpática e gera bastantes anticorpos, logo, o resultado deste embate é que ele foi vítima de uma vingança da sociedade contra ele.

Bárbara Guimarães geriu bem a crise, emitiu um comunicado oficial e depois remeteu-se ao silêncio. Por seu lado, Carrilho num estado quase tresloucado foi vítima da sua incontinência verbal que o levou a dar entrevistas e a fazer declarações todos os dias e a todos os meios. Foi violenta a forma como expôs a mãe dos seus filhos e os avós deles.

Podia ter toda a razão do seu lado, pode ter perdido a calma por ter sido afastado do contacto com as crianças e também por outros factores que ainda não são conhecidos, mas irão ser, porém, a forma como se expôs e ligou a ventoinha fez com que toda a face negativa deste mediático divórcio fosse ele. Como é que ele podia ter ganho mediaticamente este combate?

Bastava ter negociado com os meios que falaria, mas sempre sem ser citado, aparecendo como "fonte próxima" ou "amigo de carrilho". Contaria possíveis problemas da ex-companheira, contaria o défice de atenção com os filhos, abordaria o tema de uma terceira pessoa (se for o caso) e relembrava como Bárbara robusteceu o seu perfil ao casar com ele, passando de cara bonita a mulher com interesses culturais.

Passaria a imagem de fragilizado, triste, indo à porta de sua casa para ver os filhos (como o fez) e uma semana depois dava uma entrevista emocional e emocionada ao CMTV a chorar, como deu. Seria o marido fragilizado, ultrapassado, bom pai, de quem as pessoas poderiam ter pena. Porque "everyone loves a scrappy underdog».

Carrilho perdeu o controlo emocional, não se aconselhou, limitou-se a ligar a ventoinha e mediaticamente foi aniquilado. Nas conversas que manteve com vários amigos do PS, e a quem contou as suas mágoas, contou toda a verdade. Parte dela ainda não é sabida, mas o tempo irá fazer as pessoas conhecerem o filme todo. Nem Bárbara Guimarães é a Madre Teresa de Calcutá e muito menos Carrilho é Gandhi. Mas ele perdeu esta batalha na comunicação.



António Guterres

Por causa de um livro sobre António Guterres, do meu amigo Adelino Cunha, muitos observadores entenderam que se podiam ver sinais de uma possível candidatura presidencial do ex-líder do PS.

Desde que abandonou o "pântano", sinto que Guterres está feliz na sua missão humanitária internacional. Julgo que estará bem posicionado em termos europeus para a liderança da ONU e seria um cargo de muito prestígio que ele mereceria por inteiro. ´Belém não está nos seus horizontes.

Mas quero deixar bem expresso que, apesar de muitos erros cometidos enquanto foi primeiro-ministro, tenho muita simpatia por ele. É um homem de grande categoria pessoal e intelectual. Do melhor que passou pela política portuguesa.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Atenção ao que se passa em França

François Hollande foi eleito como um político anti-espectáculo. Um homem comum face ao histrionismo patenteado por Nicolas Sarkozy. O seu cinzentismo já dava sinais de que a França não voltaria a ter a liderança de outrora.

O problema é que a impopularidade de Hollande atingiu níveis históricos, é vaiado, o país não ata nem desata, a sua liderança é inexistente, fala-se de remodelação urgente para alterar o rumo, tem contestação nas ruas com o movimento dos "barretes vermelhos" e a ameaça da extrema-direita cresce diariamente.

A França é fundamental para uma Europa forte. O problema é que esta Europa tem muita Alemanha e pouca França. A crise endémica que assola a alma dos franceses está à beira do abismo e de uma ruptura grave. É preciso dar atenção ao que ali se passa.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Rui Machete é um burro

Quando Rui Machete foi nomeado ministro, critiquei fortemente a escolha. Mas ainda houve quem o defendesse. A cada dia que passa, aos olhos de toda a gente, esta indigente criatura prova que é um burro. E ainda é mais burro por não ter a vergonha e a dignidade de pedir a exoneração do cargo.

Machete é o exemplo do Bloco Central dos interesses que nos desnorteou durante anos. É uma daquelas carreiras feitas nos silêncios que, quando são obrigados a abrir a boca, nada têm a dizer a não ser o vácuo ou a estupidez.

Para lá das mentiras, repito, mentiras, e esquecimentos com o BPN, para lá da sua presidência da FLAD medíocre e onde arranjou empregos para amigos, filhos e genros de amigos, e que a própria embaixada americana denunciou, Machete é uma daquelas "sumidades" portuguesas que é um zero à esquerda.

Pobre País com criaturas destas a julgarem que são elites e a ocuparem cargos de serviço público. Se não sai pelo seu pé, que haja coragem e liderança para correr com ele do Governo.

A imagem do BES

O BES é o meu primeiro banco e continua a ser. Um banco deve ser uma instituição sólida, segura, de confiança, porque é uma estrutura fiduciária e a fidúcia vem do latim "fidere" que significa confiar.

Muito trabalho tem tido o Paulo Padrão e as equipas que o acompanham, tanto no marketing como na comunicação. E tem sido um bom trabalho, pois apesar das inúmeras histórias, casos, "golpes de Estado" (nos termos citados pelo Jornal de Negócios) e quezílias familiares, a imagem da instituição continua forte.

Costumo dizer que há 3 coisas que não têm preço: a nossa saúde, o nosso tempo e a nossa reputação. No caso de um banco, a sua reputação é o seu maior bem, o seu maior valor. A reputação do BES é simples de descrever: é a instituição mais poderosa do País.

Uma reputação que durou anos a tecer, na sombra, onde o verdadeiro poder e influência se movimentam. Apesar de inúmeros ataques, a sua marca é essa: BES é poder.

O desafio para a sua marca, nos próximos tempos, será combater os que se movimentam na arena mediática com ambições de sucessão a Ricardo Salgado (que desde uma entrevista a Miguel Sousa Tavares no programa "20 anos, 20 nomes", criou a imagem de solidez, recato e confiança que deve ter um banqueiro - nota, deviam recuperar essa entrevista) e trazer o BES para as águas tranquilas sem notícias negativas. Eu, como cliente, agradeço.

domingo, 10 de novembro de 2013

Sugestões para a semana

Livros

"O amor de uma boa mulher", Alice Munro, Relógio D`Água, 256 páginas. Nunca tinha lido nada da última vencedora do prémio Nobel. Era uma extraordinária contista afirmaram. Neste livro comprovei como pequenas histórias, passadas no Canadá, sobre mulheres a fizeram merecer o prémio.

"O ecrã global", Gilles Lipovetsky, Jean Serroy, Edições 70, 304 pág. Edição velhinha mas sempre actual sobre como a presença global de ecrãs não deve perturbar mas sim abrir novos caminhos para a cultura.

Cinema

Recomendo visionamento no Sundance Channel de um filme pouco conhecido, de James Foley, " Glengarry Glen Ross", com Al Pacino e Jack Lemmon. Um extraordinário filme sobre a ganância do capitalismo. passa na sexta-feira às 22 horas.

Séries

Quem ainda não viu "The Americans", não sabe o que está a perder. É do pequeno ecrã que saem as obras-primas da produção americana. Do cinema já não espero nada que me encante vindo de Hollywood.

Documentários

Hoje à noite, no National Geographic, "Sete dias que criaram um presidente", documentário sobre 7 momentos que marcaram a liderança e a imagem de JFK.

Terça-feira, 2.35, no Sundance Channel "Biggie and Tupac". Sobre as figuras de Notorius Big e Tupac, a rivalidade entre o Hip-hop e o rap.

Restaurante

Café Central na Golegã. Bifes à Central, com molho de mostarda, uma pena que ninguém os faça assim em Lisboa.

Magnífica campanha contra o cancro

A ideia de numa campanha contra o cancro apresentar uma Mona Lisa careca é genial. «Uma fundação italiana lançou uma campanha com o slogan: "Um tumor muda a sua vida, não o seu valor». A notícia e imagem são do DN, pode ver aqui.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Álvaro Covões volta a animar Museu de Arte Antiga

«A Primeira Exposição do Museu do Prado em Portugal. “RUBENS, BRUEGHEL, LORRAIN. A PAISAGEM NÓRDICA DO MUSEU DO PRADO” estará patente no Museu Nacional de Arte Antiga de 3 de dezembro de 2013 a 30 de março de 2014, e irá expor 57 pinturas dos grandes mestres da paisagem do século XVII».

É assim que a empresa Everything is New, de Álvaro Covões, anuncia mais um evento marcante para a cultura em Portugal, depois do sucesso que foi a exposição de Joana Vasconcelos. A cultura é uma das maiores alavancas do turismo e prova de uma sociedade civilizada.

É bom que promotores independentes façam aquilo em que o Governo está a desinvestir por falta de visão e por falta de cultura. O Álvaro está de parabéns.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A moradia de Maria Luis Albuquerque e como iludiu os portugueses

Há um pecado mortal que eu não tenho: é o da inveja. Que todos façam a vida que desejam, que ganhem o dinheiro que quiserem, desde que não me chateiem e não sejam mentirosos.

Esta introdução vem a propósito desta notícia de hoje no Diário Económico que revela os investimentos e património dos ministros deste Governo.

Como estarão lembrados, a miss Swap, Maria Luis Albuquerque, deu uma entrevista para melhorar a sua imagem a José Gomes Ferreira. Nela, revelou que não tinha poupanças (algo que já era sabido, pois era o que estava na sua declaração de rendimentos). Até aqui, parece, tudo bem.

O mais grave foi ela vitimizar-se e assumir que era uma portuguesa que também estava a ser afectada pela crise como todos os outros portugueses, vestindo uma veste de "coitadinha" que nada tem a ver com ela e criando a ilusão que a crise toca a todos.

Nessa altura disse que era uma hipocrisia, porque uma coisa é receber 500 euros por mês e sofrer com a crise e tentar sobreviver como acontece a tantas famílias portuguesas, outra é não ter poupanças porque não quer e tem outra opção de vida como é o caso da ministra.

Nessa altura também, no meu mural no facebook, desafiei os jornalistas para irem fotografar a casa da ministra. Como revela a notícia do DE e cito-a: «Não mentiu quando disse que não tinha poupanças. Na declaração ao Constitucional há apenas registo de uma moradia em São Pedro do Estoril e um empréstimo para construção, contraído na CGD, no valor de 440 mil euros a abater até 2047. Em 2012, o último ano fora do Executivo, ganhou 64 mil euros».

A ilusão e a hipocrisia têm perna curta. Tenho pena que os jornalistas não tivessem feito o seu trabalho e desmascarassem a hipocrisia de uma ministra que não tem nada de "coitadinha".

domingo, 3 de novembro de 2013

A meditação e a ambição

«Os homens verdadeiramente grandes da história universal, ou souberam meditar, ou encontraram, sem se dar conta, a via que leva aonde nos conduz a meditação. Os outros, mesmo os mais dotados e vigorosos, acabaram por soçobrar e ser vencidos porque a sua tarefa ou os seus sonhos ambiciosos se apoderaram deles e os possuíram a tal ponto que perderam a capacidade de se desprenderem da actualidade e dela se distanciarem»

Hermann Hesse, "O Jogo das Contas de Vidro"

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Cristiano Ronaldo e Blatter

O presidente da FIFA é o que os brasileiros chamariam de "cartola", aqueles indivíduos que mandam no futebol, que fazem parte das cúpulas das organizações que comandam este desporto amado por milhões. Tratam do negócio do futebol e mais nada.

Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do mundo da actualidade, um dos melhores de sempre, é um bom filho e amigo dos seus irmãos, é um atleta fora-de-série, exemplar de aplicação no jogo e nos treinos. É um ícone universal e é por causa dele, e de outros, que os "cartolas" negoceiam contratos de patrocinadores e de televisão.

São os grandes craques que os adeptos de futebol querem ver, são os grandes craques que as Marcas querem usar para vender os seus produtos. Blatter cometeu um erro monumental ao gozar com Cristiano Ronaldo e o seu pedido de desculpas é ainda mais ridículo. Numa organização normal teria de ser demitido pois as suas declarações podem influenciar muita coisa: prémios, arbitragens internacionais, etc.

Estiveram bem os portugueses que reagiram e também a FPF, o Real Madrid e o Sporting Clube de Portugal que formou o atleta e o tem como sócio 100 mil. Já o Governo devia estar a tratar da crise e não a meter-se no futebol que não tem nada de ser politizado.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Os animais domésticos de Assunção Cristas

Ontem era manchete e um dos temas mais falados nas redes sociais, a possibilidade de Assunção Cristas legislar sobre a quantidade de cães e gatos que as pessoas podem ter em casa. Era ridícula a iniciativa e como eu escrevi ontem devia ser um sintoma de depressão pós-parto.

Hoje, Cristas anuncia que deixa cair essa limitação de animais domésticos: «Ministra garante que lei que iria limitar número de cães e gatos por apartamento "não é uma prioridade", apenas em estudo técnico. "Não gastei um minuto a olhar para isso», diz ao Expresso.

Foi um disparate total ou um daqueles temas para desfocar as atenções numa altura importante do Orçamento de Estado. Ou como também ontem escrevi por aqui, a diferença entre a previsibilidade e a imprevisibilidade de um Governo. O Governo tornou-se imprevisível pelo disparate contra si próprio.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A previsibilidade e a imprevisibilidade de um Governo

Governar é decidir, tomar medidas, mas é também dar sinais a quem governa, o povo, e aos mercados internacionais. Não são só as medidas, as reformas, que fazem um Governo, são também muitas outras coisas que lhe conferem estabilidade, credibilidade.

Governar é tentar ser o mais previsível possível. É ter um rumo definido, falar a uma só voz, serenar os ânimos e dar confiança. Os factores imprevisíveis devem ser exógenos ao Governo.

O grande problema deste Executivo de Pedro Passos Coelho é que quase todos os dias diz uma coisa e depois faz outra, não se nota claramente uma linha e parece que está sempre na praça pública a falar com ele próprio. Tornou-se imprevisível, sendo o próprio Governo o maior foco de imprevisibilidade.

Ora, isso não transmite segurança, estabilidade, confiança. Parece uma orquestra desgarrada, sem maestro, a tocar de improviso e, às vezes, com muito pouco talento dos seus solistas.

Como neste Governo, como é sabido, de comunicação se sabe pouco e não trabalham com especialistas na área, relembro-lhes a máxima sempre presente na "war room" de Karl Rove: "Prever muito, improvisar pouco". É essa a diferença entre a previsibilidade de um bom Governo e a imprevisibilidade de um mau.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Para encerrar o assunto Bárbara Guimarães/Carrilho

Nem a Bárbara Guimarães é a Madre Teresa de Calcutá nem Manuel Maria Carrilho é Gandhi. Estão a ser vítimas da exposição mediática em que transformaram a vida deles em que até para irem votar, como vi eu, no liceu Filipa de Lencastre, organizavam as coisas para que alguém os fotografasse.

Tem sido um espectáculo deprimente, do mais baixo e vil que tenho assistido em Portugal, particularmente, da parte de Manuel Maria Carrilho que parece sofrer de incontinência verbal, esquecendo que tem dois filhos pequenos, que vão sofrer por tudo o que se está a passar.

Aliás, Carrilho ao tentar à força entrar em casa, acompanhado de seguranças como foi exibido, sob o pretexto de ver as crianças às 23h, tendo uma delas 3 anos, só as assustou.

Carrilho hoje ataca de novo, Bárbara põe um processo de difamação por uma entrevista que o marido concedeu ontem ao DN. Como passou quase despercebida, escrevo aqui o que ele disse, que é de uma gravidade sem defesa possível:

- «A meu ver a origem desta loucura toda é o álcool»
-«Acha que aquilo é que é vida, aquilo é que é a alegria da vida, que a casa devia ser garrafas de uma ponta à outra, cheia de gente a entrar e a sair»
-«Há um ano que a única coisa em que a Bárbara pensa são os 40 anos. Ela não conseguiu suportar a idade. Foi por um lado a parte da depressão com o álcool e o resto com silicones, botoxs, estrias e 50 comprimidos, para aí, que ela toma por dia»
- «Deixou de comer e passou a beber»
- «Quando fui para Paris tínhamos combinado passar fim-de-semana romântico no Hotel Design. E ela disse-me: `só tens que me prometer uma coisa. É que te emborrachas comigo»
- «A Bárbara alcoolizada chocava com paredes, caiu na minha quinta, numa sebe de 5 metros. Há muitas auto-agressões de uma bêbeda»

Isto foi dito por Carrilho, ontem, ao DN. É do mais baixo que já vi na minha vida. E este cavalheiro foi promovido como o Jack Lang português, foi ministro da Cultura e embaixador na UNESCO. É a todos os títulos deplorável o afã com que fala para a imprensa sobre a mãe dos seus filhos.

E na mesma entrevista afirma: «tão reservado fui como agora serei locuaz». Pois, Manuel Maria Carrilho ligou a ventoinha, mas se tivesse um pingo de vergonha e se se preocupasse com os seus filhos resolvia as coisas em silêncio, em bastidores, em tribunal e não na praça pública.

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domingo, 27 de outubro de 2013

Um clássico muito interessante

Nunca são fáceis as idas do Sporting ao Porto e, na maior parte das vezes nos últimos anos, nunca o meu clube vai a morder os calcanhares a quem se habituou a ter terreno livre.

O Porto é, naturalmente, favorito. Está à frente, joga em casa, gasta milhões em aquisições de jogadores e salários. O Sporting está num processo evolutivo, após uma reestruturação financeira e mudança de mentalidade. Jogamos com o que temos, com racionalidade, queremos fazer o melhor possível, com ambição mas com a cabeça no lugar.

Porém, este é o pior Porto dos últimos anos em termos de futebol jogado, o plantel está mais fraco e tacticamente a equipa tem tido uma mudança que ainda não caiu no goto dos seus próprios adeptos. Paulo Fonseca, apesar de estar na frente do campeonato, não encanta e está sob pressão.

Por outro lado, o Sporting está mentalmente forte, está solto em campo, a energia é contagiante e mobiliza os adeptos. Leonardo Jardim é, até agora, o melhor treinador do nosso campeonato. Tenho um bom "feeling" para o jogo e pontuar no Dragão será positivo.

Digo isto não por falta de ambição, pois gostava de ganhar, mas porque tudo o que envolve o jogo será complicado. Nem temo tanto pelo árbitro, pois se forem ver, dos 5 árbitros apontados à profissionalização, Artur Soares Dias foi o que até agora prejudicou menos o Sporting. Porém, a pressão sobre ele será enorme e vamos ver a sua estaleca para este desafio.

Mas houve alguma conversa à mais que reforçará a hostilidade e o ódio de quem recebe o Sporting. Irmos de consciência tranquila é bom, de peito feito e a semear quezílias nem sempre é positivo se não sabemos que objectivo atingir.

Agora, o ambiente vai ser pesado, não me admirava que aparecesse um Guarda Abel, para a equipa e para os adeptos que a vão apoiar. Espero que as claques dêem espectáculo, regressem felizes com o resultado e em segurança. Mas tenho bom "feeling" para o resultado, vamos a eles.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Como se abate o presidente da Liga de Futebol

Mário Figueiredo ganhou as eleições para a Liga de Futebol Profissional, sobretudo, com o apoio dos clubes mais pequenos. Prometeu-lhes coisas e venceu com surpresa.

Passado pouco tempo, começou numa cruzada contra Joaquim Oliveira. Esqueceu-se que muitos dos clubes mais humildes estão gratos a Joaquim Oliveira que muitas vezes os livrou de muitos problemas financeiros e tem uma ligação pessoal e de amizade com muitos presidentes.

Nessa altura, uma pessoa conhecida e muito conhecedora do mundo do futebol, com ligações a Mário Figueiredo, perguntou-me o que é que eu achava que ia acontecer, sendo eu apenas um observador atento deste fenómeno. Respondi:

«O Mário Figueiredo ou se cala ou "abatem-no"».

Pouco tempo depois, iniciou-se o movimento de muitos dos que o apoiaram se afastarem dele, deixando-o a falar sozinho, sem apoios. Hoje leio na primeira página da Bola: «movimento de clubes para afastar o presidente». Natural, como referi na altura. Joaquim Oliveira ganhou outra vez.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Reabertura do caso Maddie

É um processo que se arrasta há demasiado tempo, é um bom instrumento de "spin" para abafar outros assuntos da agenda mediática e é um dos grandes embustes do qual ouvimos há muito.

Há tantas crianças desaparecidas no mundo, tantas crianças que são traficadas e escravizadas, mas parece que só esta criança, especificamente, mobiliza a atenção de alguns poderes.

Considero uma vergonha estes avanços e recuos - agora o Ministério Público vai reabrir este processo - lançam-se uns retratos-robot para capas de jornais sensacionalistas e aqueles pais que me parecem pessoas extremamente frias voltam à ribalta.

Todos viram este espectáculo que se tornou um circo, todos têm na sua opinião uma visão do caso e todos têm também a suspeita do que aconteceu. A minha é idêntica à da maioria dos portugueses, mas não a quero dizer.

O Governo inglês e a Scotland Yard envolveram-se fortemente, se calhar, como nunca o fizeram antes com outra criança, porque um assessor dos pais fez parte da equipa de comunicação de Downing Street.

Este caso é cansativo, tem barbas, engana quem quer, mas mantém-se à tona da água. É a todos os títulos vergonhoso o tempo que com ele os media perdem, mas vende. É esse o segredo do renovado interesse.

Mourinho na intimidade ou uma dose de liderança

Num mercado editorial da imprensa em recessão, saúdo sempre novas publicações. Comprei a nova revista de futebol a "Quatro Quatro Dois" que traz como tema de capa "Mourinho na intimidade.

«Eu sou um mestre de nada», arranca assim. «Para se ser um treinador de topo é necessário ter um pouco de tudo. Se formos um excelente motivador mas não percebermos o jogo, não chegamos ao topo. Se formos um grande estratega mas não conseguirmos criar empatia com os jogadores, não conseguimos fazer nada. Se não soubermos treinar ou não tivermos uma metodologia que ajude os jogadores a melhorarem, também não nos safamos».

E acrescenta: «tal como cada jogador tem um dom, um treinador de topo também precisa de o ter, algo que esteja dentro de si, mas eu não me preocupo em descobrir qual é o meu».. Sábias palavras que resumem talento e liderança.

Por isso, a liderança, em todas as áreas da vida profissional, passa por o que atrás foi dito ao qual acrescento uma frase do prof. Abel Salazar: «um médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe».

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Lisboa para cruzeiros

Lia esta notícia do OJE sobre o crescimento dos cruzeiros em Lisboa. É muito positivo para a cidade, é o nosso petróleo, o turismo. Que o continuem a aproveitar e a promover as nossas cidades e terras. É bom sinal se o Governo não intervir demais e só aparecer nas cerimónias públicas.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A entrevista de Antero Henrique ao Jogo

Eu gosto de reconhecer o valor das pessoas e o talento de quem o tem. No Benfica, destaco Domingos Soares Oliveira, no FC Porto, como expoente máximo da sua organização - e aqui ninguém pode criticar - que é um modelo de profissionalismo e de rigor na sua estrutura, o Antero Henrique.

Ao dar entrevista numa semana de clássico, isso poderia ser entendido como uma forma de acicatar rivalidade e condicionar psicologicamente. Mas, sobre o Sporting, o silêncio. daí que retiro que esta entrevista tinha 3 focos, saliento o ponto 3:

1- Reforçar o seu perfil, de reconhecido prestígio internacional - relembro a excelente entrevista de promoção da máquina do FC Porto a um media francês que é uma lição de saber fazer - pois já foi dado como reforço de outros clubes com uma dimensão mais elevada. E o posicionamento do seu clube como potenciador de talento, formador de campeões e que tem  sucesso como objectivo: «A nossa prioridade é o sucesso desportivo. Não vamos deixar de ter a melhor equipa por querermos ter a melhor formação», diz defendendo-se da única área onde um clube em Portugal, o Sporting, lhes é superior - e isso ele terá de reconhecer - há muitas décadas.

2- Esmagamento do Benfica. E aqui o que diz é totalmente verdade e é arrasador: «o Benfica, nos últimos 5 anos, teve contas negativas. Tem acumulado prejuízos consecutivamente. Em termos desportivos, o Benfica teve na época passada um ano completamente em branco que nós, no FC Porto, já nem nos lembramos de ter. Onde é que isto está a ser dito? Está a ser maquilhado. (...) Se outros promovem o virtual, o que é que nós temos a ver com isso?». O Benfica de Vieira, nos últimos anos e também o tenho realçado com gosto, é, sem dúvida, o maior embuste mediático em Portugal.

3- Apesar de afirmar que a sucessão de Pinto da Costa é um tema que «só interessa aos nossos adversários». O que se nota é a marcação de terreno, especialmente a outra figura que aparece como putativo sucessor: Fernando Gomes, o actual presidente da Federação Portuguesa de Futebol e isso vê-se em dois momentos:
- Quando responde ao ataque de FG á falta de formação do Benfica e Porto: «Vindo de FG até é estranho, porque a modalidade dele era o basquetebol e aí 60 a 80% dos jogadores podem ser estrangeiros». E ainda acrescenta: «nós clubes, temos é de manter a competitividade. Se for com jogadores portugueses, óptimo». Mas não é por qualquer iniciativa da FPF que isso acontecerá.
- Depois: «não aproveitamos o melhor jogador do mundo, o melhor treinador do mundo, o melhor árbitro do mundo». Uma crítica velada a quem tem de promover o melhor do nosso futebol, o melhor da nossa Marca no desporto, a FPF.

Uma entrevista para se ler com atenção e um perfil em crescimento para acompanhar, o do Antero Henrique. Na viragem para um Porto vencedor esteve um homem, o Mestre, José Maria Pedroto. Pinto da Costa aprendeu tudo com ele e estruturou e modernizou o FC Porto. E o seu melhor sucessor é o que não mudar a máquina e o que aprendeu mais com Pinto da Costa: Antero Henrique. A sucessão segue dentro de momentos.

Todos os dias "Jornal de Angola"

Todos os dias agora temos de aturar as notícias baseadas no que o "Jornal de Angola" escreve, ainda por cima os editoriais nem são assinados.

É um bocadinho cansativo que andemos nesta troca de recados em páginas de jornais e que não se resolvam, sem ninguém de joelhos, a bem, as relações entre dois países que devem ter uma relação biunívoca como já escrevi. O resto é espuma.

sábado, 19 de outubro de 2013

A entrevista de José Sócrates ao Expresso

1- Bom gancho do Expresso na entrevista e bom trabalho de comunicação e marketing durante toda a semana para aguçar apetite dos leitores.

2- Quer se queira quer não, José Sócrates é uma personalidade carismática, de ruptura, como ele próprio diz de perfil pouco redondo. Muita gente o odeia e ainda muitos gostam dele, por isso a entrevista bem promovida despertava o interesse.

3- A entrevista não é em pergunta/resposta, é em texto corrido. Nele, Clara Ferreira Alves escreve assim: «Humilde é um adjectivo difícil de aplicar a José Sócrates». E é verdade, mas ter ego não é mau e como Sócrates diz: «nada choca mais com o meu mundo mental do que a cultura católica, da falsa humildade». Por isso, mantém a mesma postura altiva de sempre.

4- Espremendo a entrevista, não é nada de especial. Episódios vários, citações de filosofia política, retratos da vida de um homem em Paris, vingança com insultos a outras personalidades das quais não gosta e promoção do seu livro sobre a tortura.

5- Diverti-me com a entrevista, está dentro da filosofia "light" da Revista do Expresso, foi a espuma dos dias desta semana.

O milagre de Fátima

O título deste post é da revista Notícias TV - que é a melhor do mercado sobre televisão - do DN. A Fátima deste milagre é Fátima Campos Ferreira.

A reportagem vem a propósito dos 11 anos de existência  do programa Prós e Contras da RTP e como diz a jornalista, «este programa é uma marca forte, uma âncora do serviço público». E é.

Nenhum canal generalista tem este formato de debate aberto, com múltiplas personalidades, com ilustres ou menos ilustres, mas que no momento certo debatem os temas que afligem a Nação. Isso é serviço público, é a missão da RTP e rompe com o "cliché" das novelas e programas de imbecis em canal aberto.

Mérito da Fátima Campos Ferreira que com o tempo se tornou uma das caras de proa da RTP. Alguns a criticam por excesso de teatralização ou até na escolha dos convidados ou das assistências, mas hoje vivemos numa sociedade aberta em que as opiniões são publicadas por qualquer um nas redes sociais.

Posso dizer o que eu acho sobre ela, mas não a conheço bem e analiso pelos meus "feelings" que vêm da experiência de muitos anos de jornalismo e comunicação. Se calhar, como dizem os americanos, não é uma "natural". Mas mais importante do que ter um dom e desperdiça-lo, é construir uma carreira a pulso, com trabalho, com esforço e abnegação.

A Fátima Campos Ferreira é uma "self made woman" da televisão, merece o reconhecimento pelo seu trabalho e é uma figura incontornável da televisão portuguesa. Que ela e o "Prós e Contras" continuem por muitos anos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Rui Machete e a diplomacia de pantufas

Costumo dizer que os melhores guerreiros são os melhores diplomatas. Se assim é, como é que Rui Machete, que fez a vida nas sombras e nos silêncios, pode ser um bom diplomata e contornar este problema com Angola, se a coisa mais agressiva que fez na vida foi calçar as pantufas?

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Portugal-Angola: uma relação posta em causa por incompetência

Falamos a mesma língua. Portugal investe em Angola, muito. Angola investe em Portugal, muito. Somos um mercado biunívoco. José Eduardo dos Santos anunciar, segundo a Lusa, no discurso do Estado da Nação o rompimento da parceria estratégica com Portugal é grave. Muito grave.

Não vamos saber como ficam as coisas num momento crítico para Portugal que precisa do investimento angolano, bem como precisa do País africano para fomentar negócios e exportação. Houve inépcia total de Portugal neste relacionamento, sobretudo porque muitas vezes se rebaixou e humilhou, como foi manifesto o caso do pedido de desculpas de Rui Machete que só acicatou ânimos e não revelou qualquer bom senso para a função.

Portugal e Angola precisam de estadistas. No nosso caso, temos na nossa diplomacia uma figura frágil, o pior do Bloco Central que governa Portugal há décadas e que, manifestamente, não tem capital político, humano, competência e sensibilidade para repor as relações Portugal/Angola no patamar que merecem.

Esta é a mais grave crise diplomática que Portugal atravessa desde há muitos anos e Machete não é homem para esta crise. Muitos portugueses vivem em Angola, bem integrados na comunidade. Muito dinheiro português está ali investido, muitas empresas dependem como pão para a boca daquele mercado.

Portugal foi colonizador mas já não é. Portugal tem a sua história, a sua honra, mas Angola é um Estado de legítimo direito como nós. Faz parte do nosso universo cultural, da nossa área de influência e é um País-irmão. É assim que as relações têm de ser. Ninguém tem de estar de joelhos. Portugal e Angola precisam um do outro. Mas Portugal precisa de estadistas. E não tem.

Um Governo de um ministro

Este Governo comete demasiados erros. Ainda ontem falava da irritação de Paulo Portas que esteve bem no domingo a explicar uma medida que a equipa das Finanças tinha passado estupidamente para os jornais, por vingançazinha mas, sobretudo, com inépcia e incompetência.

Todos os ministros já erraram. Por exemplo, Miguel Macedo tem passado entre os pingos da chuva sem se pronunciar sobre a agressão de um treinador a um elemento da PSP, força policial que tutela. Será que é aceitável para um ministro que se agrida, como a queixa da PSP reconhece, um polícia?

Mas passando à frente, de todo o elenco governativo destaco um ministro, Paulo Macedo. O que tem actuado melhor, o que tem neste momento a melhor reputação junto dos portugueses - e gerindo um sector muito difícil - e que como leio hoje no CM não teve pejo em arrasar a equipa das Finanças. É nele que o Governo tem de apostar para ser a sua cara e mais nada.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A fraqueza da Miss Swap e a diferença para Gaspar

Eu não tenho nenhumas saudades de Vitor Gaspar, mas é evidente que a Miss Swap, Maria Luis Albuquerque, é uma pálida caricatura de uma caricatura.

Quando havia assuntos de Finanças, a arena era de Gaspar, todos baixavam a bola. Foi assim que Passos decidiu ao torná-lo a segunda figura mais importante do Governo, mais importante do que Portas. Entretanto, Gaspar bateu com a porta, cansado da sua própria incompetência e de todos os seus diagnósticos e soluções erradas.

A Miss Swap, como se augurava, é um erro de casting, fragilizadíssima pelos casos que lhe deram nome, remeteu-se ao silêncio durante mais de um mês por alturas de Agosto, por causa de um secretário de Estado escolhido e demitido por responsabilidade dela.

Ontem, numa declaração muito importante para milhares de portugueses, sobre assuntos de Finanças, falou Paulo Portas. E falou bem. Primeiro, resolvendo e esclarecendo o susto para milhares de pessoas que foi provocado por uma fuga de informação para o Expresso, saída da equipa da Miss Swap. Segundo, ao seu lado direito estava a ministra das Finanças. Pois bem, a senhora não tugiu nem mugiu. Com Gaspar nunca seria assim, foi só a prova da fraqueza de que eu faço título do meu post.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Passos e Seguro com os calcanhares mordidos

Já sabemos que do PS será António Costa que andará todos os dias a morder os calcanhares a António José Seguro. No PSD, a sombra negra, pelo que leio nas entrelinhas desta notícia, chama-se Rui Rio. Agora, a cada acto falhado, os microfones vão procurar estes dois protagonistas.

Tudo sobre a questão Machete/Angola

Basta ler este artigo do Pedro Santos Guerreiro.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Uma pergunta com sentido à RTP

A RTP1 tem The Following (uma das melhores séries do ano passado nos EUA) e, nem anunciou, no "late-night". A RTP2 tem a 5ª temporada do Mentalista, apresentou a última de Fringe e à terça-feira passa a 6ª temporada de Mad Men. Sem marketing do que é bom, como é que querem ter audiências?

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Até o Governo está farto de Rui Machete

Rui Machete, enquanto esteve protegido na FLAD imensos anos e com a embaixada americana a elaborar relatórios negativos sobre ele, foi acumulando prebendas, avenças e lugares em diversas instituições.

Esteve no BPN, como também noutros bancos, mas fez de conta que não se lembrava. Machete é igual a tantos outros do Bloco Central que acumularam alvíssaras das empresas que apostavam neles para terem a porta aberta para fazerem negócios com o Estado.

Para além da mais que evidente falta de talento para o cargo que escolheram para ele, são cansativos para os portugueses os seus "casos de esquecimento constantes", a sua cara de enjoado como se estivesse a fazer um favor em ser ministro.

Espero que seja a última vez que vá ao Parlamento, está marcado para hoje às 16h, e se tivesse um pingo de vergonha nem lá ia. É que os portugueses não gostam dele e até os seus colegas de Governo estão fartos dele.

Pedro Passos Coelho só tem vergonha de o demitir porque o escolheu há muito pouco tempo e seria mostrado à evidência mais um erro de "casting". Por isso, que saia pela surra pelo seu próprio pé, a mesma surra que usou toda a vida para somar alvíssaras.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Porque Sesimbra foi a autarquia com maior abstenção

Conheço bem duas terras como a palma da minha mão: Lisboa, onde nasci e vivo, e Sesimbra, onde passei férias desde os sete anos de idade e aonde os meus pais têm casa de Verão.

Li no Público de hoje uma reportagem sobre Sesimbra, motivada por ter sido o concelho que apresentou maior índice de abstenção do País. Eu sobre o facto quero dizer umas coisas:

- Os sesimbrenses estão cansados de ver a sua terra a perder importância, a perder empregos, a perder identidade. Sesimbra já não é o que era e, em muitos casos, piorou, nomeadamente, na indescritível avalanche de cimento e betão que todos os autarcas permitiram que inundasse a terra.

- Sesimbra tem um charme muito próprio e todas as condições para agradar a quem a visita. É bonita por natureza e abençoada por ser uma terra calma, come-se bem, tem vistas magníficas. Quem por ali passa e vive mais do que um dia tem sempre saudades dessa calmaria que a invade.

- Mas este ano vários restaurantes fecharam, até o meu preferido, o Tony. Há zonas quase despovoadas de actividade comercial - veja-se o antigo largo da GNR - e se no Verão ainda há vida, no Inverno a povoação está quase deserta.

- Não responsabilizo partidos, responsabilizo pessoas. Sesimbra, desde o 25 de Abril, nunca teve um grande presidente de câmara. Nunca teve uma personalidade que empurrasse o concelho e lhe desse visibilidade. Sesimbra foi-se despovoando e ao mesmo tempo adormecendo. Nunca estimulou a atractividade e mediatizou o potencial que tem. E isso são opções políticas.

- Logo, as pessoas cansadas pela crise, com o desemprego, com a falta de oportunidades e com a falta de carisma e empatia dos candidatos ficam em casa em dia de votos. Não se mobilizam porque, para lá dos factores nacionais, não sentem a paixão dos candidatos e não confiam que eles sejam agentes da mudança que o concelho precisa.

- Este texto que escrevo é apenas uma impressão de um lisboeta que adora Sesimbra. Não tenho receitas para inverter a situação, mas falta visão estratégica global, falta audácia, falta marketing. Não ponho em causa o amor pela terra de quem a governa, mas parece que adormeceram também, estão sem força vital para dar a volta e Sesimbra vai perdendo a sua alma e a sua identidade. E era tão fácil fazer um bocadinho mais e melhor.

domingo, 6 de outubro de 2013

Sugestões para a semana (18-2013)

Livros

"Coração tão branco", Javier Marias, Alfaguara, 340 páginas. Um dos melhores escritores espanhóis da actualidade, para lá de me deliciar com as suas crónicas na última página da revista do El Pais de domingo, cada livro dele me encanta, comecei a lê-lo hoje e vou continuar.

"Lugares Escuros", Gillian Flynn, Bertrand, 411 pág. Foi um fenómeno com "Em parte incerta" e regressa agora com o mesmo domínio do trhiller.

"Lobo das Estepes", Hermann Hesse, D. Quixote, 266 pág. Uma reedição de um dos melhores livros deste Nobel da literatura. Um dos livros que mais me marcou e contribuiu para uma decisão que mudou a minha vida lá pelos anos 90 do século passado. É um livro genial que recomendo.

Cinema

"Cosmopolis", David Cronemberg. O livro de De Lillo é magnífico, o filme passou um bocado despercebibo e merece um novo olhar.

"À procura de Sugar Man"Malik Bendjelloul. Um brilhante e muito premiado filme/documentário sobre uma lenda da música Sixto Rodriguez.

Séries

Esta semana para quem gosta é um luxo. A FOX estreia Agents of SHIELD, Elementar (que já vi no TVSéries e que lá vai estrear a segunda temporada), Homeland 3a temporada, para a semana vêm The Americans e a 4a temporada de Walking Dead.
A Fox Life estreia a 3a de Scandal, a TVSéries Masters of Sex, e o AXN Black para a semana traz a 4a temporada de Boardwalk Empire., o AXN White estreou a 2a da Doutora no Alabama que é muito divertida e tem a Rachel Bilson e ainda recomendo no Sundance Channel uma série de sua produção que se chama Rectify e dá ao domingo às 18.30h que é genial.

Restaurante

Zapata, ali no fim da Calçada do Combro com a Poiais de S. Bento. restaurante familiar com um menú muito variado, recomendo as gambas à guilho e os filetes de polvo com açorda que me encheram as medidas nesta sexta-feira.

sábado, 5 de outubro de 2013

Quando se esgota a paciência com Jorge Jesus

Sempre se soube que quando se esgota a paciência da direcção do Benfica com um treinador, os sinais evidentes são publicados no jornal A Bola.

Por isso, quando José Manuel Delgado, ontem, escreveu na última página desse jornal que «Jorge Jesus tem uma prova de fogo. Precisa de ganhar e, sobretudo, precisa de mostrar ao mundo que continua a ter condições para dar a volta por cima e tirar o grupo de jogadores que Luis Filipe Vieira lhe confiou da depressão em que está mergulhado». Este é o sinal. Depois, como é tradicional, as fontes próximas do treinador defendem-se e foi assim:

«Jesus não se demite e só sai com indemnização de 6,8 milhões», acrescentando: «Jorge Jesus não irá pedir a demissão do cargo de treinador do Benfica, mesmo no caso de derrota amanhã à noite, no Estoril. A ideia foi transmitida ontem ao DN por fontes próximas do técnico de 59 anos, que tem a plena certeza de que irá conseguir reverter o momento negativo por que a equipa atravessa», diz o DN.

Assim se percebe que Vieira e Jesus estão a ver quem é que sai melhor deste filme e passaram para uma medição de forças em bastidores, com avisos, ameaças, golpes e «contra-golpes». É uma constatação, não comento, só me divirto a assistir a este espectáculo.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O trabalho que dá ser jornalista e procurar a verdade

Passa no TVSéries a segunda temporada de "The Newsroom", de Aaron Sorkin. O autor tal como idealizou um presidente perfeito e um staff de eleição em "West Wing", agora apresenta a sua visão ideal de uma equipa de produção de conteúdos de um canal televisivo.

Se a primeira temporada achei um bocadinho desequilibrada com grandes episódios e outros fraquinhos, esta segunda temporada considero-a mais próxima do brilhantismo. Nela está sempre presente uma pretensa história de uma operação de resgate das forças militares americanas em que pela primeira vez são utilizadas armas químicas.

Por ser polémica e fruto de informações prestadas a um jornalista pouco conhecido dos colegas, levanta dúvidas. Por isso, é visível o trabalho de reforço da história da primeira fonte, a procura de outras que a credibilizem, as discussões da equipa até haver a decisão de a emitir.

E o jornalismo é assim. Ao contrário do que muitos pensam, dá muito trabalho encontrar a verdade, criar uma boa história sem lacunas que a descredibilizem. No caso, a ambição de um jornalista leva-o a inventar a notícia, o que é descoberto. Depois disso é um problema para o canal, pois, quando assim é, as pessoas perdem a confiança no pivot e na equipa informativa. É difícil reconquistar a confiança e a credibilidade perdida, vamos ver nos próximos episódios como será.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A cegueira do Governo e do PSD

Os resultados das últimas autárquicas foram muito claros. O PSD teve o seu pior resultado de sempre e perdeu a força motriz dos grandes centros urbanos nos dois maiores distritos. Não tem Lisboa, Amadora, Loures, Sintra, Oeiras, a sul; e Porto, Gaia, Matosinhos, Gondomar, Valongo, a norte.

É uma grande derrota e que não se desculpem com independentes trânsfugas do partido, pois isso não aconteceu em várias destas cidades, apesar do directório partidário ter culpas no cartório ao apostar em candidatos que não eram os melhores para cada cidade.

Por isso, vejo com legitimidade reforçada o Paulo Cunha, presidente da distrital de Braga que obteve a grande vitória da noite com o Ricardo Rio e ganhando pessoalmente Vila Nova de Famalicão e que é um valor a acompanhar, quando pede que o PSD veja os sinais da noite eleitoral. E ainda não percebi por que é que as distritais de Lisboa e Porto ainda não se demitiram depois de um massacre total nos resultados e pela falta de categoria dos seus dirigentes. E aqui se vê a cegueira do PSD.

Por outro lado, é muito mais difícil o Governo ter força sem o controlo dos grandes centros urbanos, a sua capacidade de reformar é muito mais limitada, o risco de contestação é muito maior. Um Governo que não percebe os sinais evidentes e diz que mantém o seu caminho sem parar para pensar está cego.

Cabe ao PSD e ao Governo regenerar-se. Ver bem que tipo de gente é que integra ambos e precisa de uma revisão programática e no campo das ideias. No último caso, Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, em vez de perderem tempo com "briefings", deviam meter mãos à obra e municiar partido e Governo de outras ideias.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Balanço das Autárquicas

Ontem fui comentando no meu mural as incidências autárquicas, mas agora estamos em melhores condições de ver o filme de uma maneira global.

- Maior vitória de sempre do PS em autárquicas, vitória inquestionável de António José Seguro.

- Maior derrota e muito mais grave que a de Guterres em 2001, que o levou a abandonar o Governo, do PSD.

- PCP cresce e merece crescer ganhando Loures, Beja e Évora, e CDS também. O Bloco prova que é um partido de forte implantação nas redacções de jornais, mas ao qual os portugueses não atribuem qualquer credibilidade e foi dizimado.

-Rui Moreira foi um dos ganhadores da noite porque ganhou a segunda cidade mais importante e é um verdadeiro independente e não um daqueles trânsfugas de partidos, ressabiados por não terem sido escolhidos pelas direcções nacionais. E é importante que haja mais independentes como ele daqui a 4 anos.

-Depois registo uma derrota total dos directórios partidários, daquela gente que vive da política e não conhece o país real que escolhe o candidato que mais gosta e não o que é imposto pelos partidos.

-Grande contestação nos centros urbanos ao PSD. Dizimado em Lisboa, Porto, Oeiras, Gaia, Matosinhos, Gondomar, Loures, Amadora, mantendo vitórias em bastiões normais. E sem as grandes cidades e centros urbanos não há reformas, não há força para governar.

-No PSD dou o mérito a 4 homens: Ricardo Gonçalves (Santarém), Álvaro Amaro (Guarda), Ribau Esteves (Aveiro) e especialmente ao Ricardo Rio, com grande vitória em Braga.

-Na Madeira é claro o fim de ciclo de Alberto João Jardim, com o seu pior resultado de sempre.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O rei e o peão

«No fim do jogo, o rei e o peão voltarão à mesma caixa»

Provérbio italiano

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Lisboa teve uma campanha miserável e merecia melhor

É lamentável que a campanha autárquica em Lisboa esteja a acabar e a melhor oposição foi a de cidadãos anónimos nas redes sociais. Nada se discutiu, não vi uma ideia nova nem uma crítica contundente. É triste. 

Costa está há seis anos à frente da edilidade e, para lá turismo - cada vez mais autónomo da câmara -, tivemos uma mão cheia de nada. Mas citando João Soares, numa famosa frase do passado, parece que António Costa «tem mel». É um ungido pelos media que tiraram Lisboa da agenda como era da sua conveniência.

António Costa fez esta campanha na passadeira vermelha, sem críticas, sem o dedo na ferida de uma cidade que nunca esteve tão suja, obras que não fazem sentido, reabilitação urbana ZERO, brincadeiras no Marquês e Avenida de Liberdade que foram uma desgraça, promessas assumidas e não respeitadas.

Parecia que o bloco central dos interesses quer que  a Câmara Municipal de Lisboa fique assim. É lamentável como lisboeta que nenhum candidato desse nas vistas pelas críticas nem por propostas construtivas. Daqui a 4 anos, está escrito nas estrelas, algo vai ser diferente. Tem de ser.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Perguntas que têm de ser feitas sobre Jesus a Miguel Macedo

O senhor ministro Miguel Macedo sabe que já passaram mais de 12 horas sobre os inacreditáveis acontecimentos no estádio do Vitória de Guimarães. No Governo, os senhores têm clipping e se lêem o que eu escrevo no meu blog, por certo já viram as imagens do treinador Jorge Jesus a agredir um polícia.

Senhor ministro da Administração Interna, dr. Miguel Macedo, o senhor cobardemente vai manter-se em silêncio?

O senhor ministro vai condenar ou não o que um cidadão português fez contra um agente da autoridade, violando gravemente o nosso direito penal?

O treinador da colectividade encarnada é inimputável? Faz o que quer e lhe apetece?

Se não condenar publicamente e se não se empenhar para que a lei penalize um crime contra a polícia o senhor ministro está a abrir um precedente para que qualquer cidadão possa impunemente agredir um qualquer agente da autoridade.

É muito grave dr. Miguel Macedo que o Governo esteja aflito e calado com o que se passou porque tem umas eleições à porta. mas dos ministros nós esperamos tomada de decisões, firmes e justas, e o que se passou está à vista de todos são factos evidentes.

Se o senhor ministro nada disser e nada fizer, qualquer português é livre de agredir um polícia sem que por isso seja penalizado. É lamentável, é uma vergonha, mas ainda maior será a vergonha se o Governo não se empenhar e tomar posição e a Justiça não penalizar.

domingo, 22 de setembro de 2013

Sugestões para a semana (16-2013)

Livros

"Viagem por África", paul Theroux, Quetzal, 566 páginas. Deram-me imenso prazer este Verão o livro que cito e o "Comboio Fantasma para o Oriente" do melhor autor de viagens da actualidade. Nesta obra vai percorrer do Cairo para a Cidade do Cabo. «As notícias que nos chegam de África são sempre más. Ao ouvi-las, eu ficava com vontade de lá ir...».

"Nome de Toureiro", Luis Sepúlveda, Porto editora, 184 pág. Não é um dos melhores dele, mas é um escritor muito agradável de se ler. Aqui uma narrativa atrás de umas moedas de ouro que desapareceu da prisão de Spandau durante o nazismo. O título é motivado por uma personagem, Belmonte, que foi um dos mestres da tauromaquia.

"Unha com Carne", Elmore Leonard, Teorema, 295 pág. Com a morte deste autor conhecido pelas suas tramas policiais e pelos diálogos que poucos conseguiram, a reedição de vários dos seus livros.

Cinema

"Os amantes passageiros", Pedro Almodôvar. O seu último filme finalmente com edição em DVD depois de um atraso de dois meses. Almodôvar é um cineasta brilhante com uma obra muito consistente. Mas este não é dos que fica para a sua galeria de honra. Mas é um Almodôvar.

"Estação Termini", Vittorio de Sica. Um dos grandes mestres do cinema italiano aqui com o privilégio de rodar com Montgomery Cliff e Jennifer Jones na estação de Roma.

Séries

Recomendo "Secret State", com Gabriel Byrne no papel de primeiro-ministro inglês, sobre os poderes ocultos que influenciam a política e a força moral de os enfrentar. Dá no Sundance channel aos domingos..

Documentário

"Convention", Sundance Channel, segunda-feira às 14.20h. Os bastidores da Convenção Democrata de 2008 que entronizou Barack Obama como candidato à Casa Branca.

Restaurante

Entre Copos, ali escondido atrás do Campo Pequeno, experimentem o peixe de qualidade e os peixinhos da horta como entrada. É dos restaurantes mais desconhecidos que mais gente conhecida da política, futebol e negócios tem por metro quadrado.
"Convention"

O azar de António Mexia

Eu tenho simpatia por António Mexia, mas isso não quer dizer que não me chateiem algumas vezes as suas intervenções. Já disse mais do que uma vez que tem condições inatas de liderança e se me perguntassem, como já me perguntaram, quem é que eu via como bom candidato à câmara de Lisboa, apontava o seu nome, como disse quando me perguntaram.

O problema de António Mexia é que nas coisas que se referem a política e a outros assuntos da sociedade civil está mal aconselhado e não basta ter um batalhão de ex-jornalistas à sua volta, pois como já expliquei nem todos os ex-jornalistas dão especialistas em comunicação e nem todos os especialistas em comunicação dariam bons jornalistas.

Depois tem outro problema: rdeia-se de uma elite pseudo intelectual que devia aproveitar agora para ir ao Nimas conhecer o Yasujiro Ozu, pois não conheceu antes, tal como não conhece Antonioni, Mizoguchi, Tarkovski, no cinema, e na literatura não sabe quem é Pamuk, Hesse, Broch, entre outros.

Apesar da entrevista que ontem deu ao Dinheiro Vivo do DN, onde tentou aligeirar as coisas, de há uns tempos para cá, Mexia tem tido algum azar nas suas intervenções que provam a falta de especialistas em comunicação a trabalhar com ele. Quando falou do PIB sobre a colectividade da qual é adepto, irritou o universo sportinguista e o portista. Depois a notícia do JNegócios sobre a fábrica que não vem, que ele ontem classificou que era um "best-effort" e hoje vejo aqui Jerónimo de Sousa a malhar nele.

O que eu aconselho é que em tempos de nuvens negras, devemos sair debaixo delas. Algum recato em vez de se tentarem aligeirar as intervenções anteriores. E como já expliquei uma vez: às vezes é melhor pedir desculpa pelo erro. Isso em comunicação é positivo e ninguém ainda lhe disse isso.

sábado, 21 de setembro de 2013

A marca de Kanye West

Eu gosto do Kanye West e ontem li no Ipsilon que ele ia recorrer a Peter Saville, um dos grandes designers gráficos da história da música e com diversas passagens pela moda., para lhe criar uma identidade gráfica.

«Estamos à procura de escrever Kanye West. Ele disse-me: tu és o meu Cassandre. Acho que quer um YSL», diz Saville. Referia-se a Adolphe Mouron Cassandre, o homem que criou uma das identidades gráficas mais reconhecidas no mundo, a da casa Yves Saint-Laurent, símbolo de "glamour", moda, luxo.

A identidade gráfica é o núcleo fulcral de uma marca, a forma de a reconhecermos em todo o lado, sendo mais ou menos estilizada consoante o caso. Quando uma grande estrela tem este cuidado de procurar a sua identidade para lá da qualidade da sua música, ainda por cima com um mestre, temos homem.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

As mãos de Merkel e o dedo do meio espetado

O SPD não tem um líder forte desde Gerhard Schroeder e o actual era pouco conhecido mundialmente até ao momento que fez capa de uma publicação com o dedo do meio espetado. Foi a morte do artista, apesar de já se prever a vitória da CDU.

A comunicação política, após o erro do adversário, num belo outdoor que pode ver aqui, de Angela Merkel fixou-se nas mãos dela. Dando a ideia de serenidade, de não trocar o certo pelo incerto, Na comunicação política a crise gera oportunidades e a CDU aproveitou magnificamente.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Orelhas de burro para Nuno Crato

Ao decretar o fim do inglês obrigatório no 1º ciclo, mas mantendo exames no 9º ano, Nuno Crato favorece os mais ricos, os que têm mais possibilidades de frequentar outros institutos não públicos.

Mas a medida é estúpida e é um contra-senso. Portugal precisa de internacionalizar mais as suas marcas, melhorar ainda mais a exportação, fomentar o seu "networking". Ora, o inglês é quase uma língua universal e agora o ministro faz retroceder os nossos jovens.

Noutros tempos, quando um aluno se portava mal, era chamado ao pé do quadro e punham-lhe orelhas de burro. É o que Crato merece.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Lomba sabe de tudo

Ontem fiquei com a confirmação daquilo que suspeitava e temia no Governo. O Pedro Lomba nunca fez nada na vida, escreveu nuns blogs e na última página do Público, mas...

- é especialista em comunicação (viu-se pelos briefings)

- é especialista na área política (vê-se ao dizer que não sabia que cada ministério é como um Governo)

- é especialista em chaminés (mas acha que são nas caves)

- é especialista em cinema (mas nunca viu Luchino Visconti, Antonioni e acha que Ozu e Mizoguchi são sushi-men)

- é especialista em futebol (mas acha que os Pescadores da Costa da Caparica, que eu muito respeito, jogam melhor que o Borussia de Dortmund)

- é especialista em baratas (mas gosta mais das que voam, por uma questão de simpatia)

O mais grave, é que quando sair do Governo vai para televisões e jornais opinar sobre tudo e todos e é apenas um vácuo. Felizmente, as redes sociais não vão perdoar qualquer opinião deste indivíduo sobre quem quer que seja, pois é um especialista em tudo que não sabe nada.

A marca principal da entrevista de Bruno de Carvalho

Pelo que já tive ocasião de ver, o universo leonino gostou bastante da entrevista de ontem à Sport Tv do presidente do Sporting. Ontem, ainda antes do final, escrevi no meu mural do Facebook: «grande entrevista de Bruno de Carvalho. Tudo bem explicadinho e muito bons soundbytes».

Eu não acredito na perfeição, tudo tem possível evolução e capacidade de melhorar, por isso há algumas arestas técnicas a limar, de resto foi claro nas explicações que deu, sentiu-se a sua paixão pelo cargo que desempenha e pelo seu clube, não caiu nas ratoeiras de cair no deslumbramento com o bom momento que a equipa atravessa, deu novidades e não teve medo de possíveis hostilidades no Dragão, pois isso reforça-nos.

Mas o que quero realçar é a marca principal que se retira desta entrevista. Bruno de Carvalho, já o sabíamos enquanto candidato, vemos agora como presidente, é um grande comunicador. Aguentaria 4 horas de entrevista se fosse preciso sem problemas, por talento próprio e sem qualquer media-training que não precisa. 

Ao contrário de outros tempos - em que muitos nem falar sabiam ou tinham de recorrer ao iPad para saberem o que tinham de dizer - e há muito tempo que isso não acontecia, o Sporting tem um presidente que sabe o que está a dizer, não diz disparates, tem uma estratégia definida, tem um estilo próprio, envolto numa capacidade de proximidade com sócios e adeptos e com um discurso emocional de paixão. Em suma, vários pontos que caracterizam um grande comunicador.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A quem mais se mente no mundo

«Os Africanos, menos estimados do que nunca, parecem-me ser as pessoas do mundo a quem mais se mente - são manipulados pelos próprios governos, queimados pelos especialistas estrangeiros,, iludidos pelas instituições de solidariedade e enganados em tudo. Qualquer chefe africano era um ladrão, mas os evangélicos roubaram ao povo a inocência e as organizações não-governamentais deram-lhe falsas esperanças, o que ainda é pior»

Paul Theroux, em "Viagem por África", edição Quetzal

As "injustiças" da lei de limitação de mandatos

É claro como a água que há um enorme descrédito da classe política, uma falta de confiança dos cidadãos com aqueles que os representam. É um fenómeno que ainda mais se acentua em tempos de crise.

A lei de limitação de mandatos que marcou esta campanha autárquica é positiva ou negativa? Julgo que os legisladores a têm de tornar mais exacta para evitar estas guerrilhas com a justiça no futuro, mas entendo que é positiva.

Pela transparência, para evitar vícios e rotinas, para renovar em todos os concelhos as caras que os governam. Mas também se deve fazer notar que nem todos os autarcas são maus, bem pelo contrário, e muitos deles saem com popularidade elevada, com muito trabalho realizado e mais por fazer.

Dou dois casos exemplares, e de diferentes partidos, fora das disputas mediáticas, e outros haveria, mas estes conheço melhor. Armindo Costa, em Vila Nova de Famalicão, e Jorge Martins, em Gavião, são dois casos como referi. No caso deles, se perguntassem aos seus conterrâneos, provavelmente, gostaria a maioria que eles continuassem. São as "injustiças" da limitação de mandatos.

domingo, 15 de setembro de 2013

A "Hola" e a "Caras" na televisão

Li hoje no DN que a revista "Hola", a espanhola mais conhecida do mundo, vai apostar num canal de televisão. Ao mesmo, tempo a nossa "Caras" também salta em exclusivo para os assinantes da ZON até ao final do ano.

A "Hola", que deve ser a revista estrangeira que mais vende em Portugal há muitos anos, é editada em 26 versões diferentes e tem leitores semanais na casa dos 15 milhões espalhados pelo mundo.

Foi uma escola para as revistas "cor-de-rosa" com o seu acompanhamento da realeza, toureiros e muitas outras celebridades. A vida precisa de um bocadinho de "glamour" e a "Hola" sempre soube dar esse toque de sofisticação.

Ambas as revistas saltarem para as televisões é um passo natural, pois têm leitores fieis e é um passo importante para diversificar as suas receitas e crescer em termos de impacto público.

3 factos sobre a entrevista de Luis Duque à Bola TV

Em primeiro lugar, deixo aqui a entrevista de Luis Duque para quem não a viu, que envolve também Fernando Seara. Depois, 3 factos:

1- Em hora e meia ficamos a ver o amadorismo de uma gestão, a falta de liderança de Godinho Lopes´- que «ouvia toda a gente e até adversários de outros clubes - e sentimos de chapa a mediocridade de dois anos perdidos que levaram o Sporting ao abismo.

2- Luis Duque fala de «investidores e consultores de investidores» que influenciavam as decisões no futebol. Aqui não pôs nomes, mas eu vou pôr: Sikhander Sattar e seu filho que mandavam nomes de jogadores, influenciados, mais do que pela «playstation» como diz Duque, pelo championship manager. E conto um caso: no último mercado de inverno precisava-se de um avançado. E o perfil traçado foi Soudani, do Vitória de Guimarães, um bom jogador e dentro das nossas possibilidades, e com tudo já tratado com Júlio Mendes, presidente do Vitória. Mas não, o Cornelius e o Altidore é que eram, mas estes irresponsáveis não percebiam nada deste mercado nem o preço que estes dois jogadores custavam. Mas foi assim, o sr. Sikhander punha e dispunha.

3- Durante a entrevista, Fernando Seara assume que dentro de poucos dias vai poder falar à vontade. Isto passou despercebido nos meios políticos mas é uma declaração de derrota antes das eleições em Lisboa.

sábado, 14 de setembro de 2013

7 títulos que fazem falta no universo mediático

Deixo sete títulos que fazem falta à imprensa e a tornariam nos dias de hoje muito melhor. Seis já existiram, o último podia aparecer.

- "O Independente", marcou uma época e deixou muitas saudades.

- "Os Donos da Bola", grande programa desportivo da SIC criado pelo Jorge Schnitzer.

- «Tal & Qual", jornal por onde passaram grandes jornalistas e fazia grande reportagem

- «Grande Reportagem», grande revista de Barata Feyo e depois de Miguel Sousa Tavares

- Uma revista de política, algo que não existe hoje em dia, e faz falta. Lembro duas: a "Política Moderna", da qual eu fui criador e director, e a "Atlântico" do Paulo Pinto de Mascarenhas.

- "K", revista fabulosa, com textos e entrevistas de qualidade, e de muito bom gosto.

~E para quando o "Huffington Post" português?

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O défice do PS nas autárquicas

Em 2001, o PSD venceu as eleições autárquicas conquistando uma série de câmaras de uma maneira inesperada. Nessa noite, falando no «pântano», António Guterres deixou de ser Primeiro-Ministro.

Em 2013, há uns meses atrás, a maior parte dos observadores entendia que era possível ao PS ter uma noite épica no dia 29 e o PSD uma hecatombe. Porque a contestação social era imensa, a crise agudizava-se e Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Vitor Gaspar eram os rostos de todo o descontentamento que provocaria um voto de protesto massificado contra PSD/CDS nas eleições. Aliás, nunca Guterres, em 2001, teve contestação semelhante e manifestações públicas como o actual Governo viveu.

Neste mês, as percepções mudaram e até de muitos candidatos do PSD que andaram meses a esconder o símbolo do seu partido, a evitar serem vistos com Passos e que agora já o convidam para acções de campanha. Do lado do PS, a sensação que se baixaram expectativas e que a maré de contestação nacional não está, neste momento, tão agudizada.

O actual défice de confiança do PS deve-se a um factor: em 2001, a percepção das pessoas já dizia que Durão Barroso seria Primeiro-Ministro a seguir. Hoje, ainda não foi criada a percepção de que António José Seguro se seguirá a Passos e os estudos de opinião demonstram-no. Para uma viragem a nível nacional, o PS e o seu líder precisavam de estar mais fortes. E neste momento não estão.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A fama

«A fama gera o mais perverso dos mal entendidos»

Jorge Luis Borges

Raptaram a ministra das Finanças?

Mais de um mês - desde que o secretário de Estado escolhido pela miss Swap apresentou a demissão por causa dos mesmos - sem que Portugal tenha ouvido uma palavra de Maria Luis Albuquerque.

Esconderam-na, raptaram-na, o que é verdade é que nunca mais ninguém lhe ouviu a voz, ninguém sabe o que vai fazer, quais as suas ideias (se tem alguma ) para o dito novo ciclo.

É legítimo isso acontecer? É. O Governo deve conhecer os seus calcanhares de Aquiles e deve protegê-los. É bom para o País? Diz muito sobre a política que temos, mas desde que o Governo não governe e não diga asneiras, os portugueses passam melhor.

É o que está a acontecer: esta mistura de prolongamento de Verão com inexistência de Governo e miss Swap está a narcotizar os portugueses que parece que deixaram de sentir a crise. Mas já agora: se raptaram a Miss Swap, pelo menos que avisem a polícia para ver se a senhora está bem.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O exemplo da Noruega

A direita venceu as eleições legislativas, mas não é o resultado que me interessa. O importante salientar é que os noruegueses não estavam desagrados com o anterior primeiro-ministro, Jens Stoltenberg, que sai de cena com o país bem governado, com um superior nível de vida, a taxa de desemprego é praticamente inexistente e a economia apresenta números de excelência.

A Noruega tem petróleo, é um facto mas tem um bom Governo. E sobretudo, é isso que saliento, uma sociedade que satisfeita com a sua governação entende, com maturidade, que importa renovar o poder para que não se criem maus hábitos e rotinas que levem à corrupção. E se correr mal, mudam. É simples a democracia.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Obama é um anjo, Putin uma besta. Mas...

A Barack Obama, sem nada ter feito por isso, deram-lhe um Nobel da Paz. Tem sido um fraco presidente, mas todo o mundo se rendeu à sua oratória de teleponto e às técnicas da mesma de qualquer tele-evangelista.

Vladimir Putin é uma besta. Posa de tronco nú, convive com a corrupção dos oligarcas russos, é um ex-urso feroz oriundo do KGB, é odiado pelo mundo.

Mas...neste conflito da Síria, Obama quis a guerra qualquer custo, contra a opinião dos americanos e até dos Republicanos que nunca renegam uma intervenção militar, contra a opinião de toda opinião pública mundial. Há uma semana que anunciava a intervenção e já tinha a cartilha da preparação mediática construída, para avançar contra Assad sem saber muito bem o que ia dar no dia seguinte um novo conflito.

A "besta", aliada tradicional do regime sírio, por essa aliança, sempre recusou uma intervenção militar, mas sugeriu e avançou para uma negociação diplomática que obrigaria a Síria a entregar todo o seu arsenal químico. Até pode ser uma manobra dilatória, mas há dias em que as bestas viram anjos e vice-versa.

Umas autárquicas nacionais e sem interesse local

A imprensa nunca ligou muito e leio por aqui que as televisões não vão fazer cobertura da campanha autárquica, acompanhando apenas os líderes partidários.

Para lá das limitações da própria lei eleitoral, que é demasiado restritiva, o que se sente é que a leitura e os resultados vão resultar de factores nacionais e pouco do trabalho de campanha local, algo que sempre o disse desde o início.

Tudo resultará dos factores de contestação, ou não, ao Governo. Em 2001, o PSD virou o País com uma vitória autárquica que afastou Guterres. Mas nessa altura, a crise portuguesa não era a que vivemos e a contestação não era tão elevada.

Se assim é, o PS tem obrigação de obter um mesmo resultado como o que o PSD alcançou em 2001. Se assim não for, é porque afinal os portugueses não estavam tão descontentes com o Governo como se pensava. E não podemos esquecer a abstenção, que será o verdadeiro sinal de contestação, neste caso, mais aos políticos do que ao Governo.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A cada um a sua "Moby Dick"

Há pouco tempo li sobre a crescente revisitação de um grande clássico da literatura: "Moby Dick", de Herman Melville.

A baleia branca que motivava a perseguição do capitão Ahab em páginas de uma escrita tenaz e avassaladora, não era mais do que uma metáfora sobre as nossas pulsões internas, os nossos dilemas existenciais, os nossos pesadelos, as nossas zonas negras.

Cada um tem direito à sua "Moby Dick" por isso é um livro eterno, uma metáfora que se prolongará pelos tempos, a nossa necessidade de apaziguar e serenar o nosso ser, a nossa consciência.

As deformações do jornalismo

«O jornalismo, que para mim foi muito útil, sofre agora uma deformação monstruosa: o "amarelismo". A obsessão pelo escândalo converteu-se numa forma mais de entreter que de informar. De entreter através do espectacular, do chamativo, do escandaloso e, muitas vezes, se não têm informações com essas características, fabricam-se. Há gente que vive disso e que goza com isso, mas eu creio que isso é uma depravação do jornalismo do nosso tempo».

Mario Vargas Llosa, ontem em entrevista à revista do El Mundo

domingo, 8 de setembro de 2013

Sugestões para a semana (16-2013)

Livros

"História da minha vida", Giacomo Casanova, Divina Comédia, 582 páginas. É o primeiro volume, o segundo sai no final de Setembro, das memórias de Casanova. Uma tradução fantástica de Pedro Tamen dos escritos de um homem que passou para a história como sedutor, mas era muito mais do que isso. Imperdível.

"As Mulheres dos Césares", Annelise Freisenbruch, Texto Editora, 518 pág. Acabei de o ler na segunda-feira com imenso gosto. Leio muito sobre Roma e este livro é inovador pelo perfil e história das principais mulheres do poder da capital do mundo antigo. Lívia, Agripina, Messalina, Domícia, entre outras, andam por aqui. Mulheres perversas outras castas, mas com marca indelével na história.

"Acqua Toffana", Patrícia Melo, Quetzal, 164 pág. Gosto muito desta escritora brasileira que segue as linhas da linguagem de Rubem Fonseca. A obra dela, que eu já li praticamente toda está agora a ser reeditada, e, se não a conhecem, recomendo.

Cinema

Nas salas recomendo que tomem contacto com a prodigiosa obra de Yasujiro Ozu que chega pela primeira vez ao circuito comercial. Está "Viagem a Tóquio" e "O Gosto do Saquê", que são duas das suas obras-primas.

A bom preço podem comprar um clássico de David Lean, "A Filha de Ryan"com Robert Mitchum e sarah Miles. Um drama intenso com uma fotografia sensacional passado na Irlanda.

Documentário

Recomendo vivamente, amanhã ás 9.45h, no Sundance Channel, "Mandelson the real PM?". Um documentário sobre o Príncipe das Trevas da política inglesa, Peter Mandelson, articulador da Terceira Via, e um dos maiores "king-makers" da política. E tem tiradas do próprio absolutamente geniais.

Séries

A 7a temporada de Dexter que passa a horas decentes na Fox e que é a sua penúltima, de uma das melhores personagens da ficção televisiva americana.

No Sundance Channel estreia-se hoje "Secret State", com Gabriel Byrne, passa-se nos meandros da política e estou curioso.

Restaurante

Esta semana jantei na segunda e na sexta no "Primavera", do sr. Rafael, no Bairro Alto. Continua grande cozinha com a simpatia de sempre.

As "surpresas" de Pedro Lomba

«Surpreendeu-me os ministérios funcionarem como mini-Governos», diz hoje, ao Público, Pedro Lomba. Pois é assim o país real da política e a generalidade dos portugueses, julgo, que a compreende.

Estranho é que quem escreva em blogues e na imprensa não o saiba. Pois é, mas quem diz isto foi um dos autores dos briefings porque julgava que percebia alguma coisa de comunicação e foi o deboche que foi, e foi a secretário de Estado desconhecendo o básico da política e, já agora, também desconhecendo o país real. Mas estamos em Portugal, é normal.

sábado, 7 de setembro de 2013

A saída de cena de Miyazaki e Yasujiro Ozu

Durante o festival de Veneza, o mestre do cinema de animação Hayao Miyazaki anunciou que vai deixar de realizar aqueles filmes que conseguem encantar todas as gerações.

Foi com a "A Viagem de Chihiro" que obteve o reconhecimento público do seu talento genial. Com a animação conseguia construir histórias fantásticas que não eram só para crianças. Em redor dele construiu uma indústria que muito raramente não dá películas de qualidade. O seu legado é eterno.

Nesta semana, também, pela primeira vez em termos comerciais, Portugal poderá ver dois dos melhores filmes de um dos mestres japoneses, Yasujiro Ozu: "Viagem a Tóquio" e "O Gosto do Saquê». Estes dois portentosos filmes de um esteta, com uma técnica peculiar de realização que levou Wim Wenders a realizar um documentário com ele, estavam já numa caixa, que eu tenho, e que estava à venda na FNAC que incluía ainda "Primavera Tardia", "Ervas Flutuantes", "Outono Tardio" e "Bons Dias". Quem não o conheça, que vá espreitar.

A gestão negra no Sporting e o salário de Bruno de Carvalho

Os números que já circulam do Relatório e Contas do Sporting SAD estimulam apenas a evidência que houve má gestão e falta de rigor com a situação que o clube já passava.

Contratou-se por catálogo jogadores, que muitos deles foram uma tormenta e um cabo de trabalhos, pagaram-se prémios injustificados e afundou-se o Sporting em salários perfeitamente fora da realidade das receitas que obtínhamos.

Os resultados da passagem de Godinho Lopes pelo Sporting foram um pesadelo e uma catástrofe. O clube esteve à beira do fim, ali colocado por gente que julgo que pouco amor têm pelo clube. Habitualmente, esquecemo-nos dos sonhos e dos pesadelos. Mas este convém que fique registado para memória futura, como uma página negra que nunca mais pode voltar a acontecer.

Sobre o salário anunciado de Bruno Carvalho deixo as seguintes notas:

1- acho bem que seja remunerado e ele sempre o disse que seria em campanha.
2- salário justo e atento à realidade do Sporting e do País.
3-Ganhará menos que o Presidente da República, acho que esse deve ser o nível em que devem ser balizados os salários em Portugal (nas empresas cada uma delas paga o que entender, refiro-me ao universo das empresas públicas e Estado).
4- Com este salário - e excluindo os activos que andam dentro dos patamares estabelecidos - nenhum director sectorial do Sporting poderá ter salários acima do presidente, isso significa que acabaram os salários pornográficos que eram pagos a quadros directivos do SCP.
É balizar a partir do salário do presidente, acho bem.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O TC e as eleições autárquicas: só em Portugal...

«O Tribunal Constitucional já decidiu sobre a Lei de Limitação de Mandatos. O limite é apenas territorial, pelo que os candidatos com três ou mais mandatos autárquicos podem concorrer a outro município», entre aspas porque é retirado da notícia do Público.

Estas autárquicas não estão a cativar ninguém, os media estão pouco interessados e as pessoas ainda menos. Durante meses o único acompanhamento mediático era dado às questões que envolviam o TC na limitação de mandatos e na limitação, ou não, de autarcas se recandidatarem noutros municípios.

Primeiro, a lei foi mal feita e mais uma vez o Parlamento tem de aprender a fazer melhor, porque era pouco explícita. Depois, é ridículo que durante meses se tenha andado neste folclore em que mais uma vez o TC é parceiro de dança. Meses e meses para se chegar uma conclusão que era fácil de tirar, se quisessem que fosse fácil.

Portugal está refém de anomalias, de decisões sem sentido, de protagonistas que não podem ser protagonistas. Os portugueses assistem a este espectáculo e só podem entender como entretenimento. E é lamentável que o TC e a política se tornem, única e exclusivamente, entretenimento. Pois cada vez menos são levados a sério.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Investir na Cultura

A Holanda, país com a nossa dimensão, investiu 375 milhões de euros na renovação do Rijksmuseum, o museu nacional deles. Por ali andam obras de Vermeer e Rembrandt entre outros.

Como o Público deu à estampa, o impacto deste investimento, só até ao final de 2013, é de 235 milhões de retorno. Um museu é um sinónimo de prestígio e de atravtividade, é um sintoma de desenvolvimento de uma sociedade a aposta e visão estratégica na cultura.

Em Portugal desapareceu uma política de Cultura, até se tirou prestígio político à sua gestão. Olha-se para a cultura com a visão de um amanuense, de um contabilista de vão de escada que pretende apenas poupar no seu fomento e manutenção e ninguém liga à capacidade de reforço de oferta turística da indústria cultural.

A pobreza de espírito é um sinal de uma sociedade medíocre. Que os responsáveis vejam este caso da Holanda e o caso do desenvolvimento da indústria cultural islandesa, da qual também já dei nota, para verem o potencial que Portugal tem nesta área. O problema é que a política portuguesa é um feudo de incultos. E é muito difícil ultrapassar isso.