quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A "Terapia" da RTP

Tive ontem o privilégio de assistir no Teatro Tivoli à ante-estreia da nova grande aposta da RTP. Chama-se "Terapia" Mas sobretudo, para lá da qualidade da mesma, tenho de enaltecer a verdadeira grande aposta do canal público que é a virtude da criação, sem tabus, de um núcleo consistente de séries.

Escrevi assim aqui no meu blog em 21 de Abril de 2015: « Virgilio Castelo foi o homem escolhido pela nova administração da RTP para liderar o departamento de ficção e pensar o que se deve produzir. Continuo pessoalmente a entender que a RTP deve ser muito mais do que uma cópia dos privados e deve inovar, exactamente, na ficção.
Não só com séries históricas, mas imprimindo um dinamismo na produção nacional que a leve a uma consistente qualidade e conseguindo-a exportar. Por isso é no filão das séries, que hoje agarram muito mais um público esclarecido e jovem, que a RTP deve entrar». (deixo aqui o texto então escrito até porque contém uma sugestão para produção).

Enquanto espectador vejo com muita simpatia esta opção. Enquanto agente do mercado mediático que temos, e numa altura que a imprensa portuguesa vê cortes e situações dramáticas no I, Sol, Público, Diário Económico e onde as televisões também não fogem a reduções impostas pela míngua do mercado publicitário, é um farol de esperança esta aposta.

Mais uma vez a RTP pode ser a mola da indústria televisiva portuguesa, assim se mantenha esta opção pela qualidade. Um dia, há muitos anos atrás mas na nossa galáxia, ninguém acreditaria que os portugueses pudessem criar novelas de qualidade, ao nível das brasileiras. E surgiu a Vila Faia.

Algumas décadas depois, hoje temos a certeza que os portugueses fazem telenovelas de qualidade, com excelentes produções e que já as exportam. Desejo sinceramente que possamos em breve exportar as nossas séries. E estas, como ontem salientaram bem o Gonçalo Reis, o Daniel Deusdado e o Nuno Artur Silva, têm como base de sucesso o guião e os actores.

E nesta "Terapia", para lá da qualidade da produção da SP de António Parente que é cinema puro em televisão, vão ter uma grande história e grandes actores. O primeiro episódio tem Virgilio Castelo, a âncora da série, com nuances extraordinárias e a proporcionar à sua colega de cena, Soraia Chaves, um excepcional desempenho. E ainda lá anda a classe de muitos anos da Ana Zanatti. Mas todo o restante elenco que descobrirão nos episódios seguintes é do melhor que Portugal tem.

Desejo boa sorte á RTP, que não se assustem com audiências, que não se assustem com comentários de redes sociais que não interessam a ninguém. Que sigam este rumo consistente, a qualidade trará o sucesso,

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O lado Paulo Portas de Luis Filipe Vieira

«Se no futuro podemos voltar a ter os jogos na Sport Tv? Acho que não é possível os jogos regressarem à Olivedesportos. Este projeto da Benfica TV é irreversível»
Luís Filipe Vieira em 27 de Maio de 2015, no site 'Mais Futebol (agradeço a lembrança do Mário Rui)

Agora troquem a palavra «irreversível» dita por Vieira e coloquem a famosa palavra «irrevogável» dita por Paulo Portas. É a mesma coisa. Para o ano os jogos do Benfica dão na NOS (que detém 50% da Sport TV) e no canal de Joaquim Oliveira. Paulo Portas também voltou ao Governo, para quem não se lembra da história.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A "Caras" de António Costa

O primeiro momento comunicacional de um novo Primeiro-Ministro marca uma maneira de encarar o poder e também a sua relação momentânea com o povo. António Costa optou por uma produção com a "Caras", a revista de maior reputação do segmento cor-de-rosa e que lhe deu honras de capa, o que é natural.

Porquê a Caras?  Perguntaram muitas centenas de pessoas nas redes sociais, porque não noutra publicação ou media? No meu entender por dois motivos:

1- António Costa não ganhou eleições, não há nenhuma onda de simpatia com ele, o processo que o ungiu a PM deixou muitos portugueses de pulga atrás da orelha. Assim, Costa optou por um momento para tentar ganhar empatia com a sua família junto das famílias portuguesas, e, especialmente, das mulheres. Em vez de uma mensagem política, de uma entrevista recheada de números, Costa escolheu tentar conquistar o coração e não podia ter escolhido melhor meio. Se o conseguiu, isso tão cedo não se consegue descortinar.

2- Diz-me a experiência pessoal que esta época do Natal é boa para os políticos fazerem primeiras páginas familiares em revistas "del corazon" e há edições especiais, inclusive da Caras. O impacto em banca é bom e é uma maneira de entrarem nas casas dos portugueses. E da parte deles a recepção é sempre melhor nesta altura de paz e concórdia do que possivelmente noutras épocas do ano.

Porém, há um factor que hoje em dia condiciona muito as manobras clássicas de comunicação política, como é o caso desta produção de António Costa: são as redes sociais. O impacto em banca, como já mencionei, é poderoso, mas a sua repercussão nas redes pode dividir tropas. Os que apoiam o Governo gostam os que agora passaram à oposição reputam esta operação de caricata. É neste limbo de notoriedade e reputação, comunicação política clássica versus. comunicação digital que todas as manobras devem ser pensadas e os políticos ainda não compreendem bem as redes sociais.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Prestidigitador António Costa

Era com o título deste post que o El Pais no seu caderno "Ideas" traçou o perfil de António Costa. Sendo um jornal mais perto da área da esquerda democrática, o seu retrato foi pincelado de cores simpáticas. E uma parte estava assim escrita:

«De como em 50 dias passou de estar na rua a ocupar o palácio de São Bento, é assunto excepcional ao alcance só de gente com super poderes ou de mestres do malabarismo, que é o caso. (...) Costa sentou-se à mesa com os comunistas depois de 40 anos de inimizade, deu abraços em Bruxelas e os Merrill Lynch do mundo também compraram o seu filme».

Só um político mestre nos puzzles, como é um dos seus hobbies, e na arte das negociações e compromissos, como dita o seu passado, conseguiria esta proeza. Mas conseguiu-o.

domingo, 29 de novembro de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"O Impostor", Javier Cercas, Assirio & Alvim, 469 páginas. Um grande livro sobre um homem que enganou um País, a imprensa e o povo. Uma enorme construção sobre um embuste.

"J", Howard Jacobson, Bertrand, 339 pág. Candidato ao Man Booker Prize. Uma história de amor num lugar onde a memória colectiva desapareceu.

"O fantasma", Jo Nesbo, D. Quixote, 510 pág. O regresso do grande mago dos policiais da actualidade. Harry Hole a brilhar numa escrita cortante e que agarra do princípio ao fim.

Cinema

Na sala recomendo "Os Profissionais da Crise", "Our Brand is Crisis" no original, recomendável para quem trabalha em comunicação política sobre uma história verídica passada numa campanha eleitoral na Bolívia. Com Sandra Bullock
Em casa, recomendo na quarta, no ARTE, a partir das 19.55h, dois filmes de fritz Lang, "M" e "Ministry of fear"

Séries

Para assinalar a estreia da última temporada, da cada vez mais cansativa "Revenge" e a segunda temporada de "Como Defender um Assassino".

Documentário

amanhã, no Arte, 21.25h, uma biografia de Woody Allen

Restaurante

Para quem gosta de comida indiana, "Tamarind", na Rua da Glória. Simpatia e boa oferta gastronómica.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Costa ganhou agora Governo de esquerda sem BE e PCP

Cavaco Silva indigitou António Costa, que depois de ter perdido nas urnas é, para já, repito, para já, o grande vencedor deste processo. E venceu os incautos pela surpresa, mas só mesmo os incautos.

Quem conhece Costa, sabe que ele tem a capacidade de criar alianças e compromissos, negociar e ungir acordos de gabinete. Desde os seus tempos de associação de estudantes em Direito, passando pelo Governo minoritário de António Guterres e, sobretudo, pela Câmara de Lisboa onde meteu no bolso Helena Roseta e Bloco de Esquerda, e silenciou o PCP. 

Não sei que Governo teremos, não sei se será brilhante, e, mais importante, não sei quanto tempo durará. Mas é um Governo histórico pelo processo em que é criado, pelos apoios de incidência parlamentar com Bloco e PCP.

Tenho a convicção que este Governo seria mais sólido se tivesse na sua equipa elementos dos partidos que o apoiam. Assim, teremos o BE e PCP a brilhar com o que é popular, mas no que será duro e impopular podem dizer que não são responsáveis porque não estão no Governo.

Vamos ver o que isto vai dar, não sei se a generalidade dos portugueses está contente com o que se passou. Veremos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O impostor Marcelo Rebelo de Sousa

Estou a ler um livro brilhante e que recomendo chamado "O Impostor", de Javier Cercas (edição Assírio & Alvim). Nele, o autor espanhol retrata a vida de Enric Marco. E quem era este senhor? Um senhor catalão que enganou políticos, jornalistas e, inclusive, uma Nação.

Desmascarado em 2005, depois de ter feito uma vida como sobrevivente dos campos nazis e ter liderado a associação espanhola dos sobreviventes, depois de ter recebido condecorações, dado entrevistas e conferências, «É preciso ser um génio para enganar toda a gente durante quase trinta anos, incluindo família, amigos».

Lembrei-me de Marcelo Rebelo de Sousa. Não por este ter alguma vez dito que era um sobrevivente dos campos de concentração, mas porque em quinze anos, quinze, de televisão (13 de TVI) enganou tanta gente e mais tarde ou mais cedo lhe vai cair a máscara.

No seu snobismo intelectual, deleitou-se a promover livros que nem lia, elogiou pessoas das quais tem profundo asco, passou por homem do povo mas tem horror ao povo, parece que gosta do contacto com as multidões mas se descobríssemos que tem umas luvas (como Eduard Balladur tinha) para não se "sujar" era capaz de não ser mentira, até mudou de clube, ele que nunca ligou a "futebóis" nem percebe nada disso, mas que descobriu aos 50 anos que era do Sporting... de Braga. Clube que não choca ninguém e não é politicamente incorrecto e assim não desagrada às rivalidades existentes. promotor dos banhos diários no Guincho, como sempre disse, depois de ter sido gozado com isso, passou a tomar banho de mar em frente ao hotel Baía, onde mais pessoas o podem ver e pelo menos não é levado pelos bravos mares do Guincho.

Mas acima de tudo, foi na construção de cenários políticos e na desconstrução de várias personalidades da política que Marcelo moldou a sua reputação. Os elogios na televisão à manicure Mariquinhas e ao sr. Jacinto de Ermesinde eram só para disfarçar e para ele construir a aura de tipo porreiro. Que não é. Marcelo é o escorpião da lenda da rã e do escorpião. Há-de sempre picar, isso corre-lhe no sangue, é essa a sua alma.

Por isso, é pelo menos de sorrir que ele que erigiu cenários e demoliu outros, por tudo e por nada, sem contemplações, maquiavelicamente semeando as pedras da sua ambição, agora, já como candidato presidencial não diga nada. O que diria hoje o comentador Marcelo Rebelo de Sousa do político Marcelo Rebelo de Sousa? Chamar-lhe-ia cobarde, prisioneiro do politicamente correcto, candidato pífio, vazio de ideias e, de certeza, no próximo domingo o comentador Marcelo estaria a exigir ao candidato Marcelo que se pronunciasse claramente se o Marcelo presidente daria ou não posse a um Governo de esquerda.

Pois é Marcelo, pois é portugueses. Marcelo, não se esqueçam, é o escorpião da lenda da rã e do escorpião. Pica-se a ele próprio, envenena-se com o seu próprio veneno que distribuiu ao longo dos anos. Marcelo, para lá de um escorpião, é um impostor.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

James Bond: 007-Spectre

Em primeiro lugar eu sou um fanático de James Bond, já os vi todos, e várias vezes. É uma personagem eterna na história do cinema. Já os houve bons, menos bons e maus. Mas há um antes e depois de Daniel Craig.

Por isso, em segundo lugar, para a história de James Bond, têm de se colocar os quatro filmes protagonizados por Craig quase à parte e é simples de os catalogar:

Skyfall - genial
Casino Royale - muito bom
Spectre - Bom
Quantum of Solace - fraco

Para quem guarda na memória os tempos míticos do Bond sedutor, elegante e divertido, de Sean Connery, Roger Moore e Pierce Brosnan (Timothy Dalton não o meto nesta galeria, e George Lazemby que deu a cara ao excelente "Ao Serviço de Sua Majestade" - boa parte rodado entre Estoril e Guincho e com uma das mais carismáticas "Bond Girls", Diana Rigg, a Ema Peel da série "Os Vingadores - só o interpretou uma vez), logo a partir do primeiro minuto de Casino Royale se percebeu que o Bond de Craig é um homem real, um bocado bruto, mas com sentimentos.

Este é um Bond com uma densidade psicológica, com história, com memória, que se tenta libertar dos seus demónios e neste "007-Spectre" é um ponto final no regresso ás suas origens que se tinha iniciado em Skyfall.

De resto estão lá todos os ingredientes da saga, muita acção, a sequência inicial no México é espectacular, viagens pelo mundo, há deserto, há paisagem urbana, há neve (só faltou mar), bons diálogos, neste até com algum humor. Há uma Bond girl que todos gostávamos que aparecesse mais, Monica Belucci, e há a bonita Lea Seydoux.

O vilão é um espectáculo à parte, Christoph Waltz é mestre neste tipo de actuação, mas ainda na semana passada conversava com um grande crítico de cinema, dos da velha guarda, o Nuno Henrique Luz, e ambos dizíamos que que se fosse o Mads Mikkelsen, o vilão das lágrimas de sangue de Casino Royale, a coisa ainda seria mais perversa.

Depois, julgo que todos concordamos que esta canção de Sam Smith é candidata a uma das piores de sempre de James Bond. porém, esqueçam a canção e ouçam com atenção a banda sonora original. Criação de um dos maiores compositores de Hollywood e que guardo três parcerias com este realizador Sam Mendes, "American Beauty", "Road to Perdition" e "Revolucionary Road", Thomas Newman, aliás eu estou a ouvi-la enquanto escrevo estas linhas, é uma partitura genial e que em muitos momentos agarra o filme.

Eu gostei deste Bond, mas não é um dos melhores. Deste quarteto de Daniel Craig, guardo já na memória quatro coisas: o próprio Craig em três deles, o talento de Sam Mendes na realização dos dois últimos filmes, um vilão de alto quilate para a extensa galeria, Mads Mikkelsen em Casino Royale, e uma Bond Girl para a história delas também do mesmo: Vesper Lynd, a magnífica Eva Green.

Venha o próximo que a expectativa mantém-se com, como se dizia neste filme, «License to kill or not to kill».

      ,

domingo, 15 de novembro de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"O Jantar", Herman Koch, Alfaguara, 303 páginas. Livro sensação, repleto de humor negro, sorrateiramente violento, ritmo constante, Amesterdão em cenário, um jantar que parecia aborrecido mas normal. E depois...

"Asterix- O Papiro de César, Conrad e ferri, Asa, 48 pág. Um excelente álbum do pequeno gaulês nesta nova aventura. A mais ligada à comunicação, á manipulação, à informação, mas a continuar a encantar.

Cinema

No sábado , quase à mesma hora, na RTP2 e TVC1 dois belos filmes: "O fim do Outono", de yasujiro Ozu e. "Mr. Turner", de Mike Leigh.
Nas salas chamo a atenção para "Our Brand is Crisis" (Os Profissionais da crise), baseado numa história verídica numa campanha eleitoral na Bolívia, muito recomendável para consultores de comunicação que navegam pelas águas da comunicação política.

Séries

A estreia de destaque desta semana é "The Player", no AXN, terça, 22.15h. Chamo ainda a atenção para uma soberba série que passa no TVSeries, "Mr. Robot", às sextas.

Restaurante

"Nogueira`s", ao lado da antiga Kapital, na Avenida 24 de Julho, um restaurante com bom ambiente, carne de eleição (mas não só) e um serviço esmerado. E ainda a receber-nos a minha simpática amiga Catarina Almeida. Jantei lá ontem e gostei.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Teresa Guilherme, Moniz e A Quinta dos anormais

Hoje, quando abri os jornais, reparei que há uma guerra entre dois grandes profissionais de televisão, com percursos marcantes e que figurarão na história da indústria televisiva portuguesa: José Eduardo Moniz e Teresa Guilherme.

Pensei que a acrimónia entre ambos fosse motivada pelo momento que atravessamos, por cada um ter optado por apoiar os diferentes blocos de centro-direita e de esquerda, por um gostar mais de Costa, outro de Passos, por não concordarem com a espera que Cavaco Silva impôs para a escolha de novo Governo.

Mas não, a disputa é sobre o programa A Quinta dos anormais.. Porque esse reality-show, que é uma porcaria como qualquer outro, tem audiências medíocres. Ainda perderem tempo com notícias sobre o mesmo e chatearem-se pessoas por causa disso é algo que nos dias de hoje, entre pessoas com responsabilidades, não faz sentido.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Helmut Schmidt e a crise portuguesa

No meio da crise política em que vivemos, passou quase despercebida, na terça, a morte de Helmut Scmidt, que juntamente com Willy Brandt e, ainda mais no passado, Konrad Adenauer, constitui a Santíssima Trindade dos grandes chanceleres alemães do pós-guerra.

Morreu aos 96 anos, nunca deixou de fumar, era frontal e inúmeras vezes polémico. Compreendeu a essência da NATO e marcou a pujança de uma Alemanha influente e respeitada. Era um grande líder, daqueles que são feitos de um carácter que hoje já praticamente não existe.

É dele a máxima de que «quem quiser um objectivo distante tem que dar muitos passos curtos». Portugal e os seus políticos têm, para seu benefício, de olhar, e estudar, para os grandes líderes, para as personagens que punham o bem público acima dos seus interesses pessoais, para as personalidades que se libertavam dos ditames do politicamnete correcto.

Os verdadeiros líderes escrevem a História, condicionam e mudam o destino, não se deixam submergir por ele. Como ele dizia, «é preciso ter vontade. E cigarros».

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Brincadeiras perigosas

Um Governo foi escolhido e tomou posse. Cavaco Silva tomou a opção natural e habitual na história constitucional portuguesa, indigitando o Primeiro-Ministro oriundo da força mais votada. Ao mesmo tempo, e num golpe de asa ainda sem contornos nítidos sobre o futuro, António Costa negociava à esquerda uma alternativa de Governo, saída do resultado eleitoral mas que não foi apresentada aos portugueses nas urnas.

Com este cenário, a percepção criada é que este novo Governo de Passos Coelho dura muito pouco e que virá um outro em poucos dias. Porém, continuamos sem saber, e depois do que disse, se o Presidente da República lhe dará posse ou entrará numa busca de outra solução alternativa.

Acresce a isto que hoje lemos que o PS pode celebrar dois acordos de Governo, um com o BE e outro com o PCP, mas continuamos sem saber se serão apenas de incidência parlamentar ou se a esquerda mais radical irá indicar nomes para esse novo Executivo.

Nestes três parágrafos anteriores, asséptico e sem tomar qualquer posição porque sou independente, dei nota dos jogos florais que se praticam na política portuguesa. Não referi em nenhum momento os interesses do País. Porque hoje a nossa terra é palco de jogos de xadrez, de preocupações próprias pelo poder, o nosso futuro segue dentro de momentos porque, para já, estamos a ser o joguete de brincadeiras perigosas.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Calvão da Silva

Não sei se este Governo vai durar muito, todos duvidamos, mas para o anedotário nacional já deixa legado. Bastou o novo ministro da Administração Interna ir visitar as marcas deixadas pela enxurrada no Algarve.

Conheço Calvão da Silva desde que surgiu no Parlamento, em 1995, sempre me dei bem com ele. Passaram 20 anos e retrocedeu. O seu discurso perante os jornalistas é completamente ridículo, não é deste tempo e parece que é saído de um regime teocrático. Se é esta a marca deste Governo, mais valia estar quieto.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A maior operação de comunicação do ano

Eu, como milhões em todo o mundo, aguardo com enorme expectativa o sétimo episódio da saga que acompanhamos há 40 anos: «Star Wars: O Despertar da Força»

Mas para lá do novo filme de J. J. Abrams, criador de "Lost" e homem que recuperou com grande sucesso e qualidade outra saga da nossa infância, "Star Trek", para o cinema, há outra variável que sigo com interesse.

É que esta é a maior operação de comunicação do ano, conduzida com a sabedoria de um Jedi e impiedosamente eficaz como se tivesse mão de Darth Vader. A máquina promocional da Walt Disney e da empresa de George Lucas, o visionário criador, a escolherem os tempos e os momentos, como agora a estreia do maior trailer com mais de dois minutos no canal desportivo ESPN, no intervalo do jogo de futebol americano entre os New York Giants e os Philadelphia Eagles.

O retorno dos laços empáticos com as três principais personagens dos capítulos IV, V e VI que reaparecem, com os mesmos actores, Luke, Leia e Han, a criação de emoções, a gestão das novidades e de novos personagens tem sido uma operação sensacional. Só espero a magia e o fascínio de Star Wars a partir de dia 17 de dezembro.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Os dois homens mais calados de Portugal

Neste momento há dois homens que estão calados que nem ratos e não deviam. Os homens de Estado não devem tentar passar entre os pingos da chuva sem se molharem, devem fazer ouvir a sua voz quando se cria a confusão ou quando o Estado português está em causa. Quem são esses homens?

1- Cavaco Silva - parece que se enterrou de pantufas e debaixo da mantinha no Possolo. Tarda em esclarecer o que vai fazer, deu rédea solta a este impasse, que leva a que muitos pareçam que estão de dois lados extremados de uma qualquer barricada. A situação política anda à solta e a presença do Presidente da República não se faz sentir. Não é de Estado.

2- Rui Machete - Um ministro dos Negócios Estrangeiros que nem o devia ter sido. Não tem qualquer vocação para a pasta. Como sabem, os MNE são sempre os ministros que têm a maior taxa de popularidade. Este cavalheiro nem isso conseguiu, tem sido um desastre desde que foi empossado. Henrique Luaty Beirão é angolano, mas é também um cidadão português ilegalmente detido no estrangeiro e Machete, que nada tem a ver com personagem do filme de Roberto Rodriguez, está caladinho e dorme porque tem medo de Angola. Não é de Estado.

domingo, 18 de outubro de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"As Jóias de Goa", Fernando Sobral, Parsifal, 207 páginas. Um grande jornalista que é um grande escritor. Já aqui sugeri diversos dos seus livros, agora a sua nova obra passada em 1956, na então nossa colónia indiana. Uma trama de segredos e mistérios, mas acima de tudo mais uma vez relevo a grande qualidade dos diálogos que é o que marca a diferença entre os grades escritores e os escritores.

"Mercado de Inverno", Philip Kerr, Porto Editora, 375 pág. Vejam lá se esta história não atrai logo à partida. Um treinador português numa equipa de futebol de Londres é assassinado. Depois é mais um policial escrito com a habitual mestria de Kerr.

Cinema

Em casa recomendo amanhã a noite de cinema do Arte dedicada a Martin Scorsese. Passa o sublime "A Idade da Inocência" e "Mean Streets", um dos seus primeiros filmes. Como clímax, ainda mais um episódio da sua "Viagem pelo Cinema Americano" que é dos mais belos documentários que já foram realizados sobre o cinema.

Séries

Esta semana assinale-se a estreia da última temporada de Mad Men, na RTP2 a partir de amanhã (estreia sem qualquer marketing o que é ridículo), de Fargo, a 2a temporada no TVSéries, hoje às 22h e ainda tenho alguma curiosidade sobre Quântico, amanhã no AXN às 22.15h

Documentário

Sexta, 22h, no TVC2, "Walesa", de Andrzej Wajda, sobre a vida do sindicalista polaco do Solidariedade. E no Arte, na terça, 21.40h, "Grécia, o dia depois", sobre a crise pela qual passou aquele país.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Houve eleições no dia 4, já se esqueceram?

Relembro aos mais esquecidos que tivemos eleições no dia 4 de Outubro e que tiveram resultados obtidos pelo voto livre dos portugueses que quiseram votar.

Passaram 12 dias e a baderna continua instalada, parece que vivemos numa nova campanha eleitoral com dois blocos a combater de uma maneira ainda mais exacerbada, sobretudo nas redes sociais, o Presidente da República parece que desapareceu para o Possolo mas mandou os seus recados habituais através de conselheiros e amigos, e o impasse instalou-se.

Ou melhor, não é um impasse, é um lamaçal. Estamos atolados nele, sem qualquer visão para o dia de amanhã.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O mais mediático Astérix de sempre

O novo álbum do pequeno gaulês chega às livrarias dia 22, chama-se "O Papiro de César" e será o mais mediático de sempre. Porquê?

Porque nunca nenhuma das suas aventuras se tinha demorado a passar pelos mares da propaganda. «Julian Assange, fundador do Wikileaks, inspirou Doublepolemix, um jornalista gaulês. O papiro de César, é focado na propaganda e na forma como a informação é tratada pelos média», diz a notícia do Público.

«Já o vilão será Bonus Promoplus, “inspirado nos homens que influenciam o poder” e que é um conselheiro muito próximo de César. Visualmente, é parecido com o magnata da publicidade francês Jacques Seguela, mas segundo Ferri é inspirado em conselheiros presidenciais como Henri Guaino ou Patrick Buisson, ambos da equipa de Nicolas Sarkozy», acrescenta a mesma notícia.

Portanto, para a comunicação este será o álbum mais a acompanhar de sempre.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Hillary Clinton contra Peter Florrick

Para os que acompanham a excelente série "The Good Wife" é fácil reconhecerem o segundo nome do título deste post. Na nova temporada, liderada como sempre por Julianna Margulies, os seus criadores vão misturar ficção com realidade.

Peter Florrick vai candidatar-se para a nomeação Democrata contra Hillary Clinton, que não aparecerá na série, mas a trama será marcada pela campanha eleitoral que os Estados Unidos vivem no momento.

Um ex-assessor de Obama já mencionou que esta opção «seria uma conexão quase perversa entre a cultura popular e a política». Em Portugal começamos a ter sinais do mesmo.

domingo, 11 de outubro de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"A Aldeia", William faulkner, Livros do Brasil (Porto Editora), 360 páginas. Mais um livro de eleição para a colecção "Dois Mundos". De um dos grandes escritores americanos é o princípio da trilogia da família Snopes que continuará com "A Cidade". E o retrato de uma aldeia do sul dos EUA.

"A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha - Millenium 4, David Lagercrantz, D. Quixote, 502 pág. Passou muito despercebido em Portugal o quarto volume da saga Millenium, já sem o malogrado Stieg Larsson, mas agora escrito pelo autor da biografia de Zlatan Ibrahimovic. Os dois personagens carismáticos estão lá, Lisbeth Salander e Mikael Blomqvist, a trama é razoável, mas não se sente aquela voracidade para devorar páginas sem parar como nos três primeiros volumes.

Cinema

Toda a homenagem a João Bénard da Costa, homem de cultura e especialmente do cinema é de elogiar. O filme de Manuel Mozos, "Outros Amarão as Coisas que eu Amei", depois o lançamento em cinema, em cópia restaurada, da sua eterna paíxão, "Johnny Guitar", de Nicholas Ray com Joan Crawford no papel da mítica personagem "Viena" e mais 8 filmes que ele amava são edições marcantes para quem gosta de cinema de qualidade

Séries

De assinalar o regresso de duas séries, as quais adorei a sua primeira temporada, ambas no TVSéries, hoje já The Affair, com texto sublime e interpretações magníficas de Dominic West e Ruth Wilson. No sábado que vem, para o lugar da excelente "Show me a Hero", de david Simon, entra às 22h "The Knick", criada e realizada por Steven Soderbergh e com um Clive Owen ao melhor nível.

Documentário

No Arte, na terça, 19.55h "Açucar", como entre as crianças se semeiam doenças como diabetes, obesidade e problemas cardíacos. Como a indústria agroalimentar contribui para estas doenças que vão aumentando.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Jurgen Klopp

Qualquer pessoa que ama o futebol gosta de Jurgen Klopp. Não só por ser um grande treinador, mas pela sua personalidade carismática, divertida, exuberante, típicas de um bom comunicador. Ninguém esquece a sua saída do Borussia de Dortmund, com uma das mais apaixonadas massas adeptas do mundo a renderem-lhe a mais sentida das homenagens.

Assinou agora pelo gigante Liverpool que há tantos anos não ganha um campeonato inglês. Anfield Road já está entusiasmada e a Premier League ganha mais um ícone para a mais espectacular liga do mundo. "Good vibes" vêm dali. E o futebol é isto: paixão, alegria, espectáculo, grandes protagonistas no campo- Klopp é isto tudo, é futebol.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A esquizofrenia nacional

Decorreram eleições, os portugueses que quiserem pronunciaram-se. A coligação PSD/CDS teve inequivocamente mais votos. Outro dos vitoriosos da noite foi, inequivocamente, o Bloco de Esquerda, pela boa campanha e porque as pessoas ganharam empatia por Catarina Martins e Mariana Mortágua, que duplicou o número de deputados. Mas teve apenas perto de dez por cento.

A múmia de Belém, expressão minha que uso há muitos anos, convocou Pedro Passos Coelho que, mesmo sem maioria absoluta, é o que legitimamente deve ser chamado a formar Governo. No entanto, parece que há uma maioria de bloqueio e já conversas para uma aliança à esquerda.

Parece que estamos num colete de forças, mergulhados numa esquizofrenia nacional, em que parece que os votos, afinal, não valem nada. Alertei antes das eleições aqui neste blog, e não no dia seguinte, para o impasse em que podíamos cair. Vamos viver neste drama durante uns tempos.

E, quase ao mesmo tempo, uma arara hipocondríaca é candidata a Presidente da República. Como é que um tipo, falo de Marcelo Rebelo de Sousa, que se diverte a criar cenários e é por natureza um petiz que gosta de pregar partidas, vai agora para Belém dar estabilidade a um clima de esquizofrenia em que vivemos?

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Eu não quero aqui "Gomorra"

É conhecido que muitas cidades se batem por ser o palco de telenovelas, séries e filmes, tentam sensibilizar produtores e, por vezes, chegam a pagar por isso. É uma forma das mesmas chegarem ao público, promoverem as suas mais valias, os seus monumentos e paisagens.

Curiosamente, em Itália, com um caso, sucede o contrário. "Gomorra", inspirada no livro com o mesmo nome de Roberto Saviano, é uma brilhante série de televisão - passou a primeira temporada na RTP2 - mas por ser realisticamente nua e crua, violenta e com assassinatos, com tráfico de droga, retratando a acção de grupos mafiosos na zona de Nápoles, agora, muitas cidades tentam bloquear a rodagem nas suas localidades.

Assim, os presidentes de câmara de Giugliano, Acerra e Alfragola não querem nas suas terras "Gomorra". Ser promovido pelo bem é o objectivo de todos, agora, cidades ganharem a reputação de insegurança ninguém quer. E a reputação é o mais importante numa marca.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A indecisão aumenta à beira das eleições

Não é habitual, aliás, bem pelo contrário. Uma corrida eleitoral serve para fortalecer e dar confiança aos que acreditam numa via e convencer e cativar os indecisos e abstencionistas, mas, nesta última semana de campanha, o que revelam alguns estudos e se sente junto das pessoas é que aumentaram os indecisos.

Esta indefinição tem diversas variáveis. Os líderes que não convencem, uma desconfiança generalizada no discurso e promessas da classe política, uma campanha aborrecida, sem novidades e sem se adaptar aos novos tempos, ou alheamento global dos portugueses.

Sinceramente, julgo que sem maioria clara viveremos um impasse, entraremos num lodo de indecisão política e o País estará muito tempo sem carburar pois demorarão muito tempo negociações para que seja viável um novo Governo. A campanha não foi motivadora, é uma realidade, mas o dia de amanhã será muito confuso e pouco tranquilo. Para todos os portugueses.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A Volkswagen e o "Made in Germany"

Há pouco tempo o grupo alemão Volkswagen tornou-se o maior vendedor de automóveis do mundo, suplantando a Toyota. Emprega directamente 600 mil pessoas e era um dos rostos da fiabilidade da engenharia alemã.

Em poucos dias a sua reputação ficou arrasada por ter enganado as autoridades de ambiente americanas. Depois vieram as demissões do CEO, que nada sabia do assunto mas assumiu a sua responsabilidade "política", e a escolha de um sucessor, oriundo da Porsche.

O caso é traumático para a indústria automóvel, pois agora as pessoas não sabem com absoluta confiança se todas as marcas dão garantias de serem seguras nos diversos testes que apresentam e que servem de garantia para os compradores.

Mas acima de tudo, e como bem escrevia o El Pais no seu suplemento de economia deste domingo, é um trauma maior para o "Made in Germany", um selo de qualidade de toda a sua produção em diversas áreas.

São diversas as fraudes que marcas alemãs cometeram, e que o diário espanhol recorda: para lá da Volkswagen, a Siemens, a MAN, o Deutsche Bank e o Commerzbank tiveram de pagar multas de milhares de milhões por diversas infracções nos seus procedimentos.

A fiabilidade da engenharia alemã e do "Made in Germany" já não é o que era.

domingo, 27 de setembro de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"O Selvagem da Ópera", Rubem Fonseca, Sextante, 285 páginas. Este brasileiro é para mim um dos melhores escritores de língua portuguesa. Estilo desabrido, realista, aqui sobre o compositor António Carlos Gomes, a glória e a tragédia num estilo inconfundível.

"Estação Onze", Emily St. John Mandel, Presença, 334 páginas. Este livro é belíssimo, vencedor do prémio Arthur C. Clarke, um romance pós-apocalíptico onde um pequeno grupo se dedica a representar peças de Shakespeare para os sobreviventes dispersos depois de uma pandemia de gripe.


Cinema

Recomendo a compra de uma caixa com 5 filmes negros das idas décadas de 40 e 50 de Hollywood. Entre eles estão "Gun Crazy" (Mortalmente Perigosa) de Joseph H. Lewis, "Lady in the Lake", de Robert Montgomery e os 3 extraordinários "Night and the City" de Jules Dassin, "Ministry of fear", de fritz Lang e "Pãnico nas Ruas" de Elia Kazan.

Séries

Esta semana os principais regressos são as segundas temporadas de Gotham e Empire, eu gosto especialmente da segunda, uma guerra familiar tendo como fundo um império musical

Documentários

No Arte, hoje às 21.40, "Made in Italy", a história de Itália dos anos 50 até à actualidade tendo como fio condutor a moda. Amanhã, às 21.35 "Orson Welles - Autópsia de uma Lenda", sobre o genial criador americano que era muito mais do que um homem do cinema.

Bar

Assinalo o novo bar do Hernâni Miguel, lenda dos grandes tempos do Bairro Alto (outros tempos), chama-se O Tabernáculo e é na Rua de São Paulo, mesmo ao lado do elevador da Bica. Grande espaço, bem decorado, para conversar, com a sonoridade de soul, jazz, blues e funky como fundo. Lá dentro um espaço exclusivo da Bacalhôa, garantia de grandes vinhos.

Restaurante

Quando quiserem jantar comida caseira, rodeados de antiguidades, podem ir ao restaurante "Arco da Velha". Ambiente acolhedor e serviço simpático. Na rua de São paulo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Dignidade ou a carta final

João figueiredo foi o último presidente da ditadura brasileira. O que passou o poder para Tancredo Neves. Mas o homem de Belo Horizonte morreu e foi o seu vice, José Sarney, que se tornou o primeiro presidente da democracia brasileira.

Por achar Sarney um traidor, ele que sempre alinhou com o Arena (o partido da ditadura), João figueiredo não chegou a ler o discurso simples, digno, que tinha previsto realizar para uma transição tranquila e nem esteve presente na cerimónia. Passados estes 30 anos, a Veja reproduziu essas palavras depois de serem finalmente encontradas.

«Trago a consciência tranquila e o ânimo sereno de quem sabe que cumpriu o seu dever e saldou os compromissos assumidos consigo mesmo e com a Nação.

Senhor Tancredo Neves, é com satisfação que passo às suas mãos a Presidência da República. Está Vossa Excelência altamente credenciado para o cargo, por suas qualidades intelectuais e morais, seu equilíbrio, seu espírito público.

Conta Vossa Excelência com beneplácito popular. A minha simpatia o acompanha, com os votos do maior êxito na missão que o Brasil lhe confiou.

Presidente Tancredo Neves, confio em sua vontade de servir. Que Deus o ajude».

Uma saída simples, digna, pacífica, do último ditador brasileiro. Palavras sinceras para aqueles novos tempos. Por vezes sente-se a falta da "gravitas" na política actual, este é um bom exemplo de quem menos se esperava.  

terça-feira, 22 de setembro de 2015

As sondagens que não valem nada

Já vos escrevi que sou um céptico com as sondagens publicadas antes de eleições. Tenho experiências pessoais, de diversas campanhas onde estive envolvido, em que os resultados são obtidos de maneira pouco fiável e não correspondem à realidade.

Aliás, nesta altura ir atrás, dentro da margem de erro, como acontece com o PS não é nada mau. O que é mau é o PS não estar claramente no topo como os socialistas ansiavam quando aconteceu o golpe palaciano que derrubou António José Seguro.

Mas a nota mais saliente de todas as sondagens: o PS mantém-se à frente no eleitorado com mais de 55 anos. O que habitualmente mais participa em eleições e não fica em casa. De resto, vão por mim, estas sondagens não valem nada, como tem sido provado por cá e em muitos outros países.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ser famoso é uma merda

«As figuras públicas têm de ser especialmente cautelosas. (...) Se revelar um segredo vergonhoso a quem quer que seja corro o risco de exposição, censura, chacota. Toda a gente devia saber isto acerca da fama antes de começar a persegui-la: nunca mais confiarás em ninguém. Serás uma espécie de maldito, não só porque não podes confiar em ninguém mas, pior ainda, porque tens de estar sempre a avaliar até que ponto és importante, mediático, e isso aliena-te de ti próprio e envenena-te a alma. Ser famoso é uma merda. E no entanto todos querem ser famosos, agora todo o mundo é feito disso, desse desejo de ser famoso.»

Jonathan franzen, "Purity" (editora D. Quixote). Recomendo, é um dos melhores livros de 2015.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Uma campanha às costas de Portas

Na última semana, depois da derrota de Passos Coelho no debate, a parte mais engraçada desta campanha eleitoral tem sido o PSD a ser levado às costas por Paulo Portas, que é o melhor "campaigner", que, apesar de errar às vezes, tem a noção clara do soundbyte e do que passa bem na televisão - e é ali que se ganham eleições - que, como os treinadores de clubes pequenos que têm liderança e personalidade para comandar clubes grandes, está no partido errado desde que em jovem abandonou a JSD. Até ao termo da campanha, vai ser assim. Portas será a locomotiva eleitoral da coligação.

domingo, 13 de setembro de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"Purity", Jonathan Franzen, D. Quixote, 694 páginas. O regresso do escritor que fez capa da Time que o considerou o melhor dos romancistas americanos contemporâneos. Depois dos soberbos "Correcções" e "Liberdade" este será um dos livros do ano.

"História de Espanha", Julian Valdeón e outros, Edições 70, 561 pág. Uma edição velhinha de um catálogo que praticamente desapareceu. A história dos nossos vizinhos, dos Visigodos à ditadura, importante conhecer as diferenças.

Cinema

Em casa no próximo sábado a RTP2, às 22.40h, passa o belíssimo "Stromboli" de Roberto Rosselini, aqui numa fase de paixão pela sua mulher Ingrid Bergman que reluz nesta brutal película de sentimentos e emoções.
No mesmo dia, no TVC1, 21.30h, não percam a oportunidade de ver um dos melhores filmes americanos do passado, e por ser muito bom praticamente passou despercebido nos Óscares, "Nightcrawler", de Dan Gilroy, com um magistral Jake Gyllenhaal que se alimenta do nosso "voyeurismo" pelo jornalismo criminal.

Séries

A principal estreia desta semana é "Uma Morte Súbita", no TVSeries, quarta às 22.30h, que se baseia no livro de J. K. Rowling

Documentário

No Arte no "Thema" de terça às 19.50h, "A Dívida, uma Espiral Infernal?", sobre a história da dívida que limita países e povos.

Música 

Recomendo o primeiro disco dos portugueses Fandango. Que são Luis Varatojo e Gabriel Gomes, com anos e anos de música noutros projectos, mas que agora criaram uma electrónica com sonoridade portuguesa, nomeadamente com a guitarra que tem um som inconfundível. Vi-os no Lisb//On ao vivo e o cd é de comprar.

Revista

Uma daquelas revistas para comprar e guardar, a edição de Setembro da "Grands Reportages - Hors Série" é dedicada às "Voyages Extraordinaires en Train". Viagens de comboio pela Austrália, Teerão-Istambul, México, Sri Lanka, entre várias outras. Imagens e histórias belíssimas.

Restaurante

Descobri por mão amiga um restaurante cabo-verdiano, chama-se Tambarina. Os preços são quase dados e é excelente. Ali comi na terça a melhor cachupa dos últimos anos. Perto de Santos e da calçada do Combro.. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Análise do debate Passos vs. Costa

Para uma audiência histórica de 3,4 milhões de telespectadores, o que há a dizer é que o debate soube a pouco. O modelo de muitas interrupções e de pivots a mencionarem o tempo ainda mais contribuiu para que fosse fraco.

Passos Coelho e António Costa não são políticos carismáticos, mas entre os dois, historicamente, o líder do PS sempre teve mais capacidade de criar um golpe de asa do que o primeiro-ministro que é conhecido por ter pouco jogo de cintura e por vezes cair nas suas próprias teimosias. Costa compreende melhor a comunicação, apesar de ter errado múltiplas vezes nesta campanha, do que Passos.

No dia em que uma sondagem dava vantagem à coligação, se o debate tivesse corrido muito bem a Passos Coelho, hoje estaríamos a entrar numa dinâmica clara de vitória. Porém, o debate correu melhor a Costa. Não que tivesse brilhado, mas meteu-o em jogo e deixa esta eleição completamente empatada neste momento.

Nenhum dos blocos é senhor da agenda e ontem o "momentum" passou para o PS. Sobretudo porque encostou várias vezes às cordas o líder do PSD. Um dos melhores momentos do debate - aí está a melhor capacidade de surpreender com um golpe de asa - surgiu quando Costa sacou dos números insofismáveis do programa "Vem". Um fracasso total do Governo.

O debate teve mais passado do que futuro, teve "plafonamentos" (algo que 90 por cento dos portugueses não compreende o que é), teve muitos números e pouca política, centrou-se no Excel e pouco nas pessoas. Temas como a educação, a cultura, a investigação científica, o turismo, estes quatro fundamentais para o nosso futuro e competitividade nem foram mencionados.

Passos e Costa têm um grave problema: não geram empatia com as pessoas e ontem perderam uma oportunidade de namorarem quem pode votar neles. Li no dia antes do debate que ambos se treinaram para serem genuínos. Ninguém aprende a ser genuíno. Ou se é, ou não. Esse é o ponto fraco da grande maioria da classe política actual: são quase todos iguais, ordeiros, politicamente correctos, mais figuras da Madame Tussaud do que gente que sofre e conhece os problemas da gente. O país da política não é o país real.  

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O que deve marcar o debate de hoje

O que irá marcar o debate de 90 minutos, de hoje, entre Pedro Passos Coelho e António Costa, indubitavelmente, será o caso Sócrates. Mas não devia.

É certo que se tem de falar dele porque é marcante. Não só o caso em si mas também a sua anterior governação. Será um contraponto à governação da coligação, mas há outros temas que devem estar em cima da mesa.

Há duas preocupações principais das pessoas: impostos/austeridade e o emprego. Aqui tem de haver clareza nas propostas e não combate de números que não é isso que interessa minimamente.

Depois, há mais duas que me parecem capazes de acentuar clivagens: o futuro do Serviço Nacional de Saúde e se há futuro para o que descontamos para a Segurança Social.

Estes são os temas que verdadeiramente interessam às pessoas. Tudo o resto são questões de retórica política, de momento e agenda. Não o tornem uma conversa de politiquice, pensem no futuro de Portugal e transmitam esperança.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

"Show me a Hero"

Ao ver o primeiro episódio de "Show me a Hero", produção da HBO que passa no TVSéries, senti o regressar da grande televisão. Ou melhor, do grande cinema que passou para televisão já lá vão uns bons anos.

O criador David Simon já tinha escrito uma das melhores séries de sempre: "The Wire", depois andou pela reconstrução de New Orleans na muito musical "Treme" e, juntamente com Paul Haggis (premiado pelo razoável "Crash" quando devia ter sido premiado por "No Vale de Elah") na realização, traz agora uma mini-série de 6 horas retratando um caso real em Yonkers.

Diálogos bem urdidos, personagens bem trabalhadas, como em todas as suas séries em que cada personagem é uma história, teia política bem tecida, realização impecável, actores de luxo. Vejam e guardem na memória estas seis horas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A queda das gravatas

Tsipras e Varoufakis foram as faces maiores da queda das gravatas. Por sinal, e agora que estão prestes a acontecer as eleições gregas, também o líder da Nova Democracia, Evangelos Meimarakis, abdicou delas.

É uma imagem mais informal e de proximidade com as pessoas que procuram, não só eles mas outros líderes no mundo e em Espanha isso já há muito que acontecia. Aliás, na revista de domingo do El Pais, vinha um excelente artigo sobre esta evolução, tal como nos anos 60 do século passado John Kennedy abdicou dos chapéus.

Até porque como dizia Gianni Versace, a gravata «já não é sinal de distinção porque até os bandidos a usam».

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O valor da independência no comentário

Porque será que as pessoas, entre outros, gostam há tantos anos de ler Miguel Sousa Tavares no Expresso ou Vasco Pulido Valente no Público? Porque são independentes, dizem o que pensam, não são mandatados por ninguém.

Num mundo onde grassa a irracionalidade, onde qualquer idiota sem currículo nem conhecimento de nada tem contas nas redes sociais e expressa a sua opinião, onde cada vez mais organizações tentam manietar e manipular a opinião pública através de quem emite opinião, é bom que os media tradicionais continuem a saber valorizar a independência e não cedam a pressões das mesmas.

Ser independente reforça a liberdade de expressão e defende uma sociedade democrática, onde o bom senso e a razão devem imperar. A função de "gate-keeper" dos media não pode desaparecer e os editores devem ter consciência que as audiências não valem tudo. O tempo também ajuda a separar o trigo do joio.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Sobre a trapalhada do Novo Banco

Primeiro os resultados: afinal o BES bom deu prejuízo, apesar de o mau ter sido escorraçado para debaixo do tapete.

Depois a venda: não sei quem vai ficar com ele, mas não serão portugueses. Podem ser chineses, americanos ou fundos sem rosto, mas o seu valor será mitigado e nunca será atingido o que o Governo e Banco de Portugal pretendiam.

Termino com conclusão: a única certeza que tenho é que serão todos os portugueses a pagar o desastre.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Uma história de futebol depois da loucura do fecho do mercado

Terminou ontem em Portugal o mercado de transferências. Outros mercados ainda estão abertos. O inglês que fecha às 18h gastou mais de mil milhões em jogadores, destaco como a loucura chegou ao ponto do Manchester United dar 80 milhões por um projecto de jogador chamado Martial e que vem do Mónaco.

Com esta loucura latente, e que parece não afligir um mundo em crise em que muitos que pagam e fazem as audiências desta indústria vivem no limiar da pobreza, prefiro contar a história de um jogador que já teve grandes palcos e que agora no ocaso da sua carreira volta à sua terra que tem um campeonato a quem ninguém liga.

O Público chamou-lhe, lá para meados de Agosto, «o extremo solidário que joga por amor à camisola». Damien Duff (lembram-se do canhoto que foi campeão pelo Chelsea?) voltou com 36 anos à sua Irlanda natal para jogar pelo Shamrock Rovers. O seu salário reverterá para um hospital pediátrico que apoia crianças com problemas cardíacos congénitos.

Quando regressou disse apenas: «não quero dinheiro, apenas jogar futebol. Cada cêntimo irá para a caridade. Quero fazer o bem». Que o mundo do futebol ponha cada vez mais de lado a irracionalidade e olhe para o que interessa.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

«Ser melhor pai»

O título do meu post está entre aspas porque alguém disse esta frase. Não podia ser eu a dizê-la, porque não tenho filhos. Li-a ontem na entrevista/perfil a Mark Ruffalo que vinha na revista do El Pais.

O actor, que está num grande momento da sua carreira, que superou um tumor cerebral benigno que o tirou dos grandes écrans durante oito anos, apresenta-a como seu objectivo principal, essa é a sua «obsessão» e não prémios de carreira.

Para mim, ao longo dos anos, o fim de Agosto representa um novo ciclo. É quase como se começasse verdadeiramente o novo ano. E no meio de tantas trapalhadas que nos tiram tempo e não interessam nada para a nossa vida e felicidade. Tantas discussões estéreis, tantos assuntos que são apenas espuma dos dias, tantas vírgulas que nos desfocam do essencial.

Cada um tem os seus objectivos, mas há coisas muito mais importantes que o dinheiro ou a carreira. «Ser melhor pai» ou ser feliz, por exemplo.

domingo, 30 de agosto de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"Histórias de Nova Iorque", Enric Gonzalez, Tinta da China, 165 páginas. Já tinha recomendado, desta excelente colecção organizada pelo Carlos Vaz Marques, dois outros títulos do mesmo autor. As suas histórias de Londres e de Roma. Jornalista que se integra na cidade que o acolhe, que conta a sua vida, mas, sobretudo, conta a história da cidade e dos seus movimentos.

"furacão Elis", Regina Echeverria, Globo, 235 páginas. Não é uma edição portuguesa, mas podem adquirir no Centro Cultural Brasileiro ou na livraria do Saldanha Residence. A vida de uma das maiores vozes da música brasileira, Elis Regina, uma história com depoimentos de amigos e amantes, cantores e maridos. Partiu cedo quando tanto teria para dar.

"A Verdade e Outras Mentiras", Sascha Arango, Presença, 222 páginas. Comecei ontem a ler, de rajada foram 170 páginas, excelente história, um thriller muito bem escrito com excelentes diálogos e com humor negro a cada canto da prosa.

Cinema

Na televisão chamo a atenção para "Phoenix", Christian Petzold, um dos melhores de 2015, e que anteriormente tinha realizado o excelente "Barbara", com a mesma protagonista, Nina Hoss. Quarta, TVC2, 17.35h
No sábado, na RTP2, 22,55h, o primeiro da trilogia de Roberto Rosselini, "Roma, Cidade Aberta", uma das suas obras-primas.
Nas salas, para quem nunca viu, descubram no Nimas uma revisitação da obra de Jacques Tati

Séries

As principais estreias da semana surgem no TVSeries, "Show me a hero" e "Ballers"

Revista

Recomendo a edição especial da francesa "L`Express" sobre Hugo Pratt. As suas influências e origens do criador de Corto Maltese

Restaurante

Em Lisboa o sushi que eu mais frequento, esta semana duas vezes, e recomendo, não só pela qualidade mas também pelo ambiente, é o Sushi Café na Barata Salgueiro. Experimentem o tártaro de salmão para entrada. 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Até o mais famoso relógio do mundo perdeu a exactidão

Podia ser uma metáfora do mundo moderno, onde a multiplicidade de palcos proporcionou visibilidade até a loucos, onde se democratizou a opinião, mas se perderam os gate-keepers que a enquadravam, credibilizavam e responsabilizavam e, acima de tudo, o ciclo das notícias é mais curto e menos correcto e exacto.

O mais famoso relógio do mundo, o Big Ben, em Londres, adiantou-se seis segundos. «Durante 15 dias, o Big Ben deu a hora errada, interrompendo as emissões radiofónicas da BBC e BBC World Service, que utilizam o som do seu badalo em directo» (noticia o Público).

Um relógio, para lá da beleza que se pode retirar do seu uso, é um sinal de ordem. São os ponteiros ou os números que nos trazem a cadência da nossa vida, que nos balizam o tempo, algo de cada vez mais precioso. Mas até o Big Ben perdeu a exactidão, tal como o mundo moderno.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A Coca Cola na China

Há pouco tempo estive num almoço com o embaixador da China. Ali, ele dizia que o mercado chinês continuava atractivo para investir porque o mercado interno tem uma tendência natural de crescimento. E há enormes potencialidades em diversos sectores.

Apesar das recentes notícias de crises, ainda hoje mais uma, na bolsa de Xangai, o que é verdade é que o mercado chinês, pelo seu volume, é uma das geografias onde as grandes empresas têm de estar e sem complexos sobre um regime que não é democrático e é controlado por um capitalismo de Estado dominado pelo partido Comunista.

Ontem lia no El Pais que a Coca Cola vai investir 3510 milhões de euros na China nos próximos três anos, sem temor dos mercados bolsistas nem das ameaças de travagem no crescimento da sua economia. A companhia de bebidas mais conhecida do mundo já investiu mais 8 mil milhões desde 1979 e considera um mercado fundamental para o seu crescimento.

Deng Xiaoping foi o arquitecto da revolução da economia de mercado no Império do Meio, construiu as Zonas Económicas Exclusivas, onde paulatinamente experimentou a introdução do capitalismo. Percebendo que o poder da China poderia ser construído na economia e não pela via ideológica ou militar.

Deng dizia, para explicar a sua opção estratégica, que «não interessa se o gato é branco ou preto desde que cace ratos». As grandes multinacionais nos seus negócios e na busca do lucro, que é para isso que existem, nunca olharam também à cor do gato. O mercado e o seu volume são o seu objectivo e o seu futuro. A China está ali à mão.  

domingo, 23 de agosto de 2015

O dinheiro não tem religião

Uma das notícias mais engraçadas que li ontem vinha no Público. Lá rezava que a S&P Dow Jones ia lançar um índice bolsista com "valores católicos" que «respeitem as regras de investimento socialmente responsáveis traçadas pela Conferência Episcopal dos Estados Unidos»

Assim, todas as empresas «que tenham actividades ligadas à produção de armas químicas, a programas eróticos ou pornográficos, ao fabrico de material militar, à pesquisa de células estaminais ou que recorram à mão-de-obra infantil.», serão excluídas deste indicador de valor das empresas.

O problema desta criação é que o dinheiro não tem sexo, cor, cheiro ou religião e apesar da responsabilidade social das empresas ter vindo a crescer ao longo do tempo, superando a mera caridadezinha para lavar a imagem, o objectivo das empresas é o lucro e não alcançar, numa vida posterior, o Reino dos Céus.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O objectivo central das Relações Públicas

Às vezes na comunicação esquece-se o básico:

«O objectivo central das relações públicas é criar e desenvolver palcos (mediáticos ou não), isto é, locais, momentos, conceitos, oportunidades que nos ajudem a transformar a ignorância em conhecimento, a apatia em interesse, o preconceito em aceitação, a hostilidade em compreensão»

Luis Paixão Martins, na introdução de "A Queda da Publicidade e a Ascensão das Relações Públicas", de Laura Ries e Al Ries

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O que têm Hillary e Dilma em comum

Hillary Clinton e Dilma Rousseff têm em comum duas coisas: ambição, muita ambição, e resiliência. Resistem a tudo, até à nova coisa que ambas têm em comum: o povo não gosta delas.

No caso de Hillary, a sua inteligência foi catapultada para conquistar o poder. Primeiro, através do marido, depois para ela. Na primeira tentativa fracassou, agora tinha tudo, até terreno livre, para impor a sua ambição. Mas um apagado  e autodenominado "socialista", Bernie Sanders, já a ultrapassa, e com distância, em alguns estados-chave para ganhar a corrida eleitoral Democrata  O cenário é tão grave, que outros tubarões, que achavam não ter hipóteses, como Joe Biden ou Al Gore pensam entrar na campanha.

Dilma ganhou duas eleições mas nunca foi muito popular. O afecto dos brasileiros era com Lula, ela era apenas a criatura ungida pelo ex-presidente. Mas teve a ambição e a resiliência de ganhar e agora manter-se no poder com meio Brasil a pedir o "impeachment".

Ambas, nunca estiveram no coração do seu povo. E é difícil um político manter-se no poder ou conquistá-lo sem a admiração dos seus.

domingo, 16 de agosto de 2015

Sugestões para a semana

Livros

Trilogia do Cairo ("Entre Dois Palácios", "O Palácio do Desejo", "O Açucareiro"), Naguib Mahfouz, Civilização Editora. Recomendo vivamente as três obras mais marcantes, mas podia recomendar outros do Nobel da literatura egípcio, como por exemplo "O Cairo Novo", que li há poucas semanas. Magistral escrita, o conservadorismo da sua sociedade e o choque com o progresso. Personagens inesquecíveis e a magia daquele Cairo do início do século XX.

"A História Secreta da Gestapo", Jean Dumont, Saída de Emergência, 876 páginas. Obra recentemente lançada, a história da polícia secreta do Terceiro Reich, o seu poder, os seus métodos, a sua evolução. Um livro importante e de rigor histórico sobre um tempo que convém nunca esquecer, para nunca mais voltar.

Cinema

Em casa recomendo hoje no TVC2, às 22h, o considerado nas últimas listas como o melhor filme de sempre, ultrapassando "Citizen Kane", de Orson Welles, "Vertigo - A mulher que viveu duas vezes". Uma obra-prima de Hitchcock com James Stewart e a inesquecível Kim Novak.
Na terça, também ás 22h e no TVC2, "As Asas do Vento", a despedida do mestre japonês Hayao Miyazaki. que com o seu desenho aborda a história do homem que desenhou os caças japoneses da II Guerra Mundial.

Séries

Numa altura de defeso, salientar na terça o último episódio da quarta temporada de Scandal (cada vez mais uma novela) na fox Life, a exibição de uma verdadeira série de acção, na sua última temporada, Strike Back, no TVS e aguardo para a semana a estreia da terceira temporada de uma série muito simpática, "Mr. Selfridge".

Documentário

Na terça recomendo um documentário, que são três episódios de seguida, que já passou no ARTE e agora repete, "China - O Novo Império", sobre a história política contemporânea do Grande Império, da vitória de Mao aos nossos dias e que ajuda a compreender este capitalismo de estado vermelho que ali vigora.

Restaurante

A Camponesa, em Santa Catarina. Ainda ontem lá jantei, boa cozinha, bom ambiente, boa garrafeira e sugiro que deixem o dono do restaurante surpreendê-los.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

As marcas pessoais de Passos e Costa

Ontem o Diário de Notícias publicou uma peça sobre comunicação política, onde pediram a minha opinião, e em que se abordava o momento da campanha eleitoral e a opção do PS por utilizar nos outdoors António Costa, enquanto para já a coligação ainda não usou a imagem de Pedro Passos Coelho.

Essas opções passam exactamente pela envolvência táctica do momento, mas também pelas marcas pessoais dos líderes. Recordo que ainda não entrámos na fase oficial da campanha, mas o PS já colocou quatro outdoors. O primeiro de fundo branco com Costa, um segundo que lembrava uma peça de comunicação de uma igreja evangélica, outra com um storytelling confuso e que deu problemas e o actual, outra vez, com a imagem de António Costa.

O líder do PS já apareceu duas vezes, e esta última, sóbria e clássica, surge como "damage control" do turbilhão das trapalhadas anteriores e visa acalmar a imagem pública do maior partido da oposição, utilizando o seu maior trunfo.

É que, a meu ver, a marca pessoal de Costa é mais forte do que a marca PS. Marca do partido, essa, que a coligação visa colar a Sócrates e a uma governação anterior pouco rigorosa nas contas públicas e que levou às medidas de austeridade extrema que teve de tomar. É esta a narrativa, até final de campanha, que PSD e CDS contarão ao eleitorado.

Por seu lado, até agora, a coligação ainda não jogou com a imagem de Passos Coelho. Por dois motivos. Primeiro, porque, para já, ainda não precisou. Segundo, porque evita o desgaste da imagem do líder na percepção dos portugueses que, na sua maioria, ainda estão aborrecidos e sentiram na pele a dor das medidas muito duras que o Governo tomou. E, por isso, têm optado por mensagens de uma série de medidas que consideraram positivas para os portugueses

No entanto, como disse ao DN, mais para a recta final da campanha Pedro Passos Coelho surgirá em outdoors. Porque, apesar de no subliminar das pessoas a sua imagem estar cansada e não haver uma relação de empatia com os portugueses, a narrativa da coligação tentará mostrar que, apesar de tudo, votar em Passos é o certo, votar PS é o incerto.

Com Passos, apesar de todas as dificuldades, os portugueses já sabem o que a casa gasta e já lhe conhecem o estilo e o rumo, com Costa estarão perante uma opção que poderá representar o incerto e um retrocesso. É contra isso que Costa terá de combater.

E a entrevista que já hoje dá à Visão, com um pedido de desculpas aos portugueses pela fase negativa da campanha e a mostrar que está de regresso ao leme e ao comando da agenda é um bom sinal de recuperação. E Costa é um bom "campaigner", que ninguém tenha dúvidas disso.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

A palavra-chave para ganhar as legislativas em 2015

Ontem terminei o meu post assim: «E ainda não descobriram a palavra-chave para ganhar estas eleições. Isso deixo para amanhã». Referia-me ao PS, mas acrescento também a coligação.

A coligação PSD/CDS tem um candidato a primeiro-ministro que aborreceu os portugueses, em muitos momentos querendo seguir o estilo Cavaco Silva mostrou um rumo inflexível, tem pouco jogo de cintura, às vezes parece um "robot" e afastou-se das pessoas que se sentiram martirizadas pelas directivas da troika e que o Governo implementou a doer. Muitos foram os sacrifícios mas ainda ninguém vê o oásis.

O PS tem de mostrar rigor, mas tem de ganhar confiança dos portugueses que ainda não acreditam em António Costa. Em virtude do que os portugueses passaram nos últimos quatro anos, seria normal que o maior partido da oposição galgasse a onda do descontentamento e surgisse poderoso nas sondagens. Assim não acontece. Não se sente a máquina do PS, Costa está de férias, trapalhadas com outdoors marcaram a campanha. Para se mudar, é preciso que valha a pena.

É nesta equação, para ambos os blocos, que a palavra-chave para esta eleição é Esperança. Uma palavra de quatro sílabas, grande para os cânones da publicidade e do marketing, mas quente de emoção, que cria empatia, uma palavra de futuro e não de presente e passado.

Estas eleições continuam marcadas pelo presente e passado, quando o amanhã é muito mais importante. Os portugueses precisam de, pelo menos subliminarmente, acreditar que os seus sacrifícios serviram para um amanhã melhor, para um modelo alternativo que nos deixe respirar, nos deixe crescer, nos crie condições para sermos mais felizes. Portugal precisa de Esperança. Aprendam a usá-la. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A crise dos outdoors no PS e a perda do "momentum"

Quando o Jornal de Notícias quis saber a minha opinião, na sexta, sobre o que se passava na campanha do PS, comecei assim: «acho estranho o que se passa. António Costa é um político talentoso, o director de campanha, Ascenso Simões, é um homem experiente e inteligente e Edson Athayde já deu outras vitórias ao PS. Mas todo este talento junto tem levado ao desastre».

Há uma regra base de uma campanha política: não cometer erros. Nesta campanha do PS, os sucessivos erros relacionados com outdoors levaram a que as atenções das pessoas fossem desviadas do que deve ser o debate político e criou-se a percepção que o PS estava a passar por dificuldades. Por causa dos disparates com um outdoor que parecia de uma igreja evangélica e depois com outro em que o storytelling estava errado e precisou de justificações, o que o levou a perder eficácia.

Assim, e sabendo que nenhum outdoor vence eleições, os erros acumulados desviaram o foco do que devia ser a campanha socialista. O PS em vez de estar ao ataque contra um Governo que aborreceu os portugueses, está à defesa por causa de peças de comunicação política que são os outdoors.

O PS que precisa de uma onda de entusiasmo para efectuar a mudança, viu-se entorpecido e atolado nas suas debilidades de campanha. Agora, pode dar-se a volta, mas para voltar a ganhar o "momentum" tem de se ultrapassar o "damage control" e entrar numa velocidade "warp" de campanha e a altura não é a ideal.

Mas há outra ilação que se pode tirar. O PS ainda não percebeu o efeito das redes sociais. Há uns anos atrás, se estes erros não surgissem nos media tradicionais, poucos reparariam neles, ainda por cima no mês de Agosto. Mas estamos no século XXI, a comunicação mudou, e a comunicação política tem de se adaptar.

Nesta crise dos outdoors, mais uma vez foram as redes sociais que a exploraram, gozaram, criando um facto político que os media tradicionais tiveram de seguir, enquanto o PS demorava a reagir, perdendo por completo esta batalha no facebook e twitter onde existem poderosos influenciadores independentes (e não só) que chegam a qualquer pessoa com um smartphone ou I-Pad que esteja na praia, em férias, e que apanharam como grande evento político do ano uma sucessão de disparatados outdoors.

O PS já pediu desculpas públicas, o que é bom. Já mudou de director de campanha, não sei se é bom ou se é mau. Já meteu um novo outdoor, tradicional, sóbrio, apoiando-se na imagem de António Costa. Mas falta conquistar a empatia das pessoas, falta rua, faltam ideias, ninguém sente uma onda PS como nos tempos em que Jorge Coelho mobilizava a máquina partidária. E ainda não descobriram a palavra-chave para ganhar estas eleições. Isso deixo para amanhã.  

domingo, 9 de agosto de 2015

Eu gosto da Mariana Mortágua e o sistema eleitoral

Vou deixar a análise ao momento da campanha do PS para amanhã aqui no blog, apesar de já ter dito umas coisas para a edição de ontem do Jornal de Notícias. Hoje quero escrever sobre a falácia do nosso sistema eleitoral que há muito já devia ter sido mudado para aproximar os eleitores dos eleitos e para responsabilizar claramente quem escolhemos com o nosso voto.

Todos sabemos que quando acontecem eleições legislativas a tendência das pessoas é escolher sobre o melhor candidato a Primeiro-Ministro. Normal, mas não devia ser assim. Para melhorar a qualidade da democracia, devíamos saber na plenitude qual a pessoa que estamos a escolher, conhecê-la claramente para, depois, nos representar e exigirmos a sua resposta e responsabilização.

Exemplo: uma pessoa que mora em Braga elege os deputados do seu circulo eleitoral. Mas sabem os bracarenses, entre os escolhidos pelos diretórios partidários dos seus funcionários, quotas e amigos, quem são os seus representantes? Comunicam com eles? Pedem-lhes satisfações? Não. E enquanto esse afastamento perdurar, a qualidade da nossa democracia e a qualidade da nossa classe política não melhorará.

Eu sou de Lisboa, independente, nunca militei em nenhum partido, apesar de já ter trabalhado com vários e não só portugueses. Sou um daqueles eleitores esclarecidos, daqueles que não interessam muito aos partidos porque não sou manipulável, como irei votar?

Nesta altura do campeonato tenho de confessar que ainda não sei. A coligação durante quatro anos violentou e aborreceu os portugueses, massacrou empresários e a classe média, roubou reformados e pensionistas. O PS, que neste momento devia estar a navegar numa onda de optimismo e de esperança na mudança, está atolado no pesadelo do prisioneiro 44, não encanta ninguém e parece que desaprendeu tudo o que deve ser uma campanha de sucesso.

Não tenho nada a ver com o Bloco de Esquerda, nunca gostei do proselitismo de Louçã nem do histrionismo de Catarina Martins, que em termos de voz é a Cristina ferreira da política portuguesa (o que não é nada bom).

Mas gosto muito da Mariana Mortágua, já gostava dela e chamei a atenção para ela, basta ver no meu twitter, muito antes de se ter tornado uma estrela com a CPI do BES, porque tenho anos de comunicação política e alguns anos (já lá vão muitos e às vezes com saudades dessa bela profissão) enquanto jornalista a passar muitos dias no Parlamento. Quem por lá passou sente sempre melhor quem é bom.

Ela é uma política que faz falta. É uma miúda que é uma esperança. Mas é honesta, gosta de Portugal (e o patriotismo não é apenas um valor da direita), está bem preparada, é estudiosa, não tem pudor de cair em cima dos Salgados, Zeinais e outros que tais. O que seria dela se estivesse num partido grande?

Os candidatos que encabeçam a lista por Lisboa são, entre outros: Passos, Costa, Jerónimo, Mariana. Quem é que um cidadão de Lisboa acha que o pode representar melhor? Esse era o dilema que devia nortear as pessoas a escolher e não quem é o melhor candidato a primeiro-ministro. A reforma do sistema eleitoral é uma prioridade absoluta, mas ninguém fala dela. Discutem-se outdoors.

sábado, 8 de agosto de 2015

A saída de Jon Stewart do Daily Show e o seu legado

A pedido do Jornal de Negócios respondi a quatro perguntas sobre a saída do Jon Stewart do Daily Show, aqui as deixo:

1- O Jon Stewart criou um modelo que através do humor resumia e decifrava as notícias do momento, tendo assim também uma vertente jornalística. Este modelo poderá ser replicado pelo seu substitutos ou outros, ou é único?

1- Hoje, muito do jornalismo tem evoluído no caminho que ele lançou. Logo, o seu modelo poderá ser replicado. Porém, o seu carisma e a sua fortíssima marca pessoal levarão tempo a ser igualados por outros. Jon Stewart não era um jornalista, mas actuava sobre os conteúdos jornalísticos. Para ele o que contava era a verdade e o que era falso. Era honesto e por isso a Time o considerou o locutor noticioso em que os americanos mais confiavam.

2- De que forma o programa e o próprio Jon Stewart alteraram o panorama dos media e da política?

2- JS e o Daily Show tornaram a cultura democrática mais mediática e ao alcance de todos e de todos os públicos. As notícias passaram a ser entretenimento e a política teve de se adaptar a este novo ângulo de abordagem noticiosa. Depois, o seu programa chegava a uma audiência/eleitorado jovem que habitualmente não liga a questões políticas. Por isso os políticos também viram ali uma oportunidade de se aproximarem de uma faixa que se alheava da sua mensagem. Os políticos deixaram o seu pedestal e tiveram que vestir umas vestes mais "cool" para saírem bem do seu programa. Assim o Daily Show desmistificou e desarmou a couraça de quem se levava a sério de mais

3- Ao longo dos anos Jon Stewart foi também ganhando uma força de influência política. Porquê? Como se pode explicar esta situação?

3- a sua influência veio pelas audiências e pela credibilidade que granjeou nestes 16 anos de programa. Não alinhava com a mentira e não tinha medo de enfrentar os poderosos. A sorrir e a fazer rir vestiu causas e tornou-as acessíveis a todos. A linguagem do humor inteligente é poderosamente eficaz e navegou pelo entretenimento mudando o estilo de jornalismo. Era honesto e independente e isso robusteceu a sua marca pessoal. Esse é o seu maior legado e influência que deixa

4- Influenciou, de alguma maneira, a política interna norte-americana? Nomeadamente a transição Bush/Obama?

4- É sabido que JS, sem tomar partido, era mais simpático para os Democratas do que para os Republicanos. Atacou Cheney, Rumsfeld e W. Bush na mentira da guerra do Iraque, mas também atacou as insuficiências do Obamacare. Foi um centro de independência sem se misturar com as querelas internas da política americana. Mas a sua capacidade de entrar na linguagem dos mais jovens foi essencial para o triunfo da linguagem de proximidade da geração Obama. Ao fim de 16 anos são muitos no mundo que gostariam de fazer um decreto - como Obama lhe disse a brincar na ultima entrevista - a proibir a saída de Jon Stewart do Daily Show. Para já o jornalismo, o debate e a comunicação política ficarão mais pobres nos próximos tempos. Mas "the show must go on"

quinta-feira, 30 de julho de 2015

5 livros para o Verão

"Gente Independente", Halldor Laxness, Cavalo de ferro. Um dos grandes romances da literatura, um dos seus personagens mais fascinantes, Bjartur, na Islândia do início do século XX.

"Neve", Orhan Pamuk, Presença. Eu sou um grande fã deste turco que já ganhou um Nobel da literatura. Este é o seu romance mais político e importante de ler na época que vivemos.

"Arquipélago", Joel Neto, Marcador. É um dos grandes romances portugueses do ano. Um livro de regressos, de sortilégios, de personagens inesquecíveis. Onde a Atlântida é apenas o mito e os Açores o postal ilustrado onde acontecem as emoções.

"O Livro das Lendas" de Selma Lagerlof, Livros do Brasil. Uma série de histórias para pensarmos. Pequenas pérolas bem escritas.

"Mística fatal", Louise Penny, D. Quixote. Para policial, escolho um dos três melhores editados este ano - os outros são o último da Camilla Lackberg e As Sombras sobre o Cairo, de Parker Bilal -, passado no Canadá, menos violento e mais dedutivo. Uma escritora mais na linha de Agatha Christie.

E até dia 8 de Agosto

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A recuperação da Livros do Brasil pela Porto Editora

Com muito tempo de antecedência, e antes de todos desatarem a escrever os balanços do melhor do ano lá pelo Natal, quero já deixar registado que, para mim, um dos destaques de 2015 é a recuperação sustentada da chancela Livros do Brasil, pela Porto Editora.

Um dos melhores catálogos de lançamentos deste ano, grandes autores e obras-primas, edições cuidadas e um grafismo retro, clássico e bonito, que relembra sem mácula as velhinhas edições - com sotaque brasileiro nesses tempos - de antanho.

Com esse selo estão nas livrarias Steinbeck, Hemingway, Virginia Woolf, Capote, Malraux, Camus, Thomas Mann e ainda James Salter com o magnífico "Tudo o que conta" ou as sublimes histórias de "O Livro das Lendas" de Selma Lagerlof. É uma das melhores coisas do ano e melhor ainda porque possibilita lazer de qualidade e mais cultura. De parabéns a Porto Editora.

terça-feira, 28 de julho de 2015

A Volta a Portugal em bicicleta na RTP

Sou um grande adepto de ciclismo, considero uma extraordinária modalidade que põe à prova os limites dos atletas, que proporciona grandes espectáculos, que mostra a beleza das paisagens e é dos poucos desportos onde os adeptos estão mesmo quase em contacto directo com os desportistas.

No nosso País, a Volta a Portugal é a prova raínha, a que puxa mais espectadores para as estradas e para a frente das televisões. A RTP realiza uma grande transmissão que junta também, para lá do combate nas estradas, a animação das terras por onde passa a caravana.

Por estas alturas, e com transmissão no canal 1, a RTP tem dos melhores resultados de audiências do ano. O ciclismo é uma modalidade que agrada a muita gente, mostra muitos pontos de Portugal que durante quase todo o ano estão esquecidos. Depois, a estação pública mobiliza uma grande equipa que tem na qualidade, conhecimento e simpatia do Marco Chagas e do João Pedro Mendonça as suas faces mais visíveis, mas é uma enorme equipa de informação, conteúdos e produção.

Mas aproveito para dar uma sugestão á RTP: o ciclismo tem uma temporada com mais provas em Portugal, não muitas, porque o calendário vem empobrecendo ao longo dos anos, mas há a Volta ao Algarve (que até traz muitas estrelas do pelotão internacional), Campeonatos nacionais, Grande prémio Joaquim Agostinho, entre outras. Sabendo que tem custos, mas porque não se aposta mais na emissão destas provas que tenho a certeza motivariam grande interesse e audiências, até porque temos hoje bons ciclistas nos diversos escalões - não há crise de qualidade - e porque os patrocinadores estariam mais interessados na modalidade se ela tivesse mais visibilidade.

Mas agora, a partir de amanhã, temos a nossa Volta na estrada. E a sua transmissão é serviço público, logo, só poderia estar na RTP. Este é o serviço público inquestionável, dá gosto que o canal de todos nós dê o melhor de si, faça mais uma vez um excelente trabalho, a mostrar cada canto do nosso belo País.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A Factura da Sorte e a amiga Olga

«O Governo “retirou indevidamente dinheiro às receitas de IVA de 2014” para financiar a Factura da Sorte, o concurso lançado no ano passado como instrumento de combate à economia paralela e evasão fiscal através de incentivos aos contribuintes. (...) é o próprio Tribunal de Contas quem aponta o dedo ao uso indevido de receitas do IVA, no valor de 6,8 milhões de euros, para pagar as despesas do sorteio que atribui um Audi por semana» (notícia do Expresso, citando o CM).

Como qualquer amiga Olga (mas respeitando a Olga Cardoso) o Governo pôs-se a dar chaves de 45 automóveis aos premiados. Houve quem achasse isto uma óptima ideia, estão no seu direito. Eu nunca achei.

Para lá do que nos roubam descaradamente, depois ainda virem armados em popularuchos e atribuírem carros é de uma chica-espertice saloia. Parece que achavam que o povo ia começar a pedir os recibos a torto e a direito para ver se ganhavam um Audi. O Governo queria ser uma Amiga Olga, mas é apenas uma madrasta que não conhece os seus.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O Twitter, a comunicação política e as negociações com a Grécia

Hoje, o Jornal de Negócios publica em primeira página "A Guerra do Twitter". Uma peça sobre a importância dessa rede social na comunicação política e a sua presença nas negociações entre a Europa e Grécia. Pediram a minha opinião e aqui deixo as perguntas e as minhas respostas.

- Na sua opinião, as negociações do acordo da Grécia teriam sido diferentes sem o Twitter?

- Julgo que não seriam diferentes, continuariam era mais no segredo dos deuses, em sala fechada. A política é a arte do compromisso e isso só é possível cara a cara. O Twitter pode ter servido algumas vezes como arma de pressão ou de dissuasão entre os participantes, jogando com o que era passado para a opinião pública, mas as negociações, os acordos, teriam de ser sempre uma decisão de homens e mulheres numa sala sem salas de chat.

- Esta rede social foi utilizadas por vários decisores das negociações incluindo durante reuniões importantes, bem como para esclarecer notícias que iam saindo nos media. O Twitter é mais eficaz do que organizar uma conferência ou enviar comunicados por exemplo?

- O Twitter tem a capacidade de gerir mais proximidade. Ali conversamos para as pessoas que nos querem seguir, sem intermediários. Essa percepção de proximidade com as pessoas é menor em conferências de imprensa ou quando os media são o veículo por onde canalizamos as notícias. Portanto, aqui não é tanto uma questão de eficácia, pois os media tradicionais têm uma capacidade muito maior de atingir um maior número de pessoas e assim continuarão. Aqui a comunicação política tenta criar é essa percepção de proximidade e de ligação às pessoas.

- O Twitter foi a fonte de muitas das notícias das negociações do acordo da Grécia. Na sua opinião, enriquece ou empobrece o espaço público? Ajuda a construir uma opinião pública mais informada e a ter uma noção mais clara dos acontecimentos?

- É verdade que sim que foi uma importante fonte. A internet dá informação, não dá conhecimento. As redes sociais, nomeadamente o Twitter, permitiram a ascensão de micro poderes, de outros líderes de opinião que não estavam nos media tradicionais. Ora, isso em muitos casos enriqueceu o debate e trouxe outros protagonistas, mas as redes sociais, ao contrário do Gate-Keeper dos media tradicionais, ainda não têm maneira de escolher o que é bom e o que é mau. Como dizia há pouco tempo o Umberto Eco: «Os jornais já não têm poder sobre o homem da rua. Não tenho a certeza que a internet melhore o jornalismo. Todos os que habitam o planeta, incluindo loucos, têm hoje direito à palavra pública». Agora, sem dúvida, há um maior acesso à informação, mas continuo a pensar que é fundamental na discussão no espaço público o critério e a independência de um jornalismo livre, são os media tradicionais que devem continuar a dimensionar e balizar o que é mais importante, mas acompanhando o que de bom vem aparecendo das redes sociais e integrando-o.

- O Twitter é actualmente uma das principais ‘armas’ políticas? O recente caso da Grécia veio, ou irá, alterar a importância deste instrumento como meio de comunicação política?

 Exemplos para lá da Grécia: David Cameron, depois de ganhar as eleições na Grâ-Bretanha, anunciou em primeira mão o elenco do seu Governo no seu Twitter pessoal. Hillary Clinton anunciou que se candidatava à Casa Branca via Twitter. Dois exemplos claros de como o Twitter se tornou uma importantíssima arma de comunicação política. Depois, é sabido que vários actores políticos o usaram na sua ascensão e continuam a usá-lo na sua acção política diária. Dou o exemplo de Itália onde Beppe Grillo se tornou um dos políticos mais populares via twitter, e onde o primeiro-ministro Matteo Renzi é um fervoroso utilizador do mesmo. Mas são 4 casos que poderiam ser milhares. Hoje em dia os políticos usam o twitter como maneira de comunicar directamente com as pessoas. As negociações com a Grécia foram relatadas quase em tempo real pelos diversos protagonistas presentes nas reuniões via twitter. Há um caminho ainda a percorrer, mas as redes sociais têm esse lado de garantir uma percepção de proximidade. São canais fortíssimos e irão aumentar a sua presença na comunicação política. mas como em tudo na vida, na base de toda a comunicação está o bom senso. Há que saber ponderar o uso do Twitter e combiná-lo com a comunicação nos media tradicionais.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Obama, Jon Stewart e Jon Snow

Obama é provavelmente o presidente americano que mais se assemelhou a uma estrela pop. Desde a sua campanha até à sua posterior estadia na Casa Branca, a sua acção política sempre se misturou em termos de comunicação política com os principais ícones da cultura americana, integrando-se e integrando-os.

Obama, nos últimos dias, deu a sua última entrevista ao "Daily Show", do Jon Stewart. Um excelente momento de televisão, que passou pela sua postura descontraída, pelo seu humor - por exemplo ao dizer que tinha emitido um decreto: «o Jon Stewart não sai do Daily Show"» -, mas combinando tudo com as mensagens políticas que queria passar, nomeadamente a satisfação com o acordo nuclear obtido com o Irão, carimbado com um soundbyte forte: «não se faz a paz com amigos».

Nesta semana, foi notícia também uma conversa do presidente com David Nutter, realizador de outro fenómeno da cultura americana e não só, "A Guerra dos Tronos, da qual Obama é fã. «Ao site Entertainment Weekly, o realizador David Nutter contou que o presidente dos Estados Unidos lhe colocou "a mão no ombro" e perguntou: "Você não matou o Jon Snow, pois não?". A resposta não tardou. "Jon Snow está mais do que morto", retorquiu Nutter. "Tive medo que ele me enviasse para [a prisão de] Guantánamo, mas felizmente ainda estou aqui", brincou o realizador, acrescentado que, "quanto a Jon Snow, ele está morto". A terminar, e sem ser capaz de esconder a sua deceção, Obama desabafou: "Você mata sempre as minhas personagens favoritas".

Dois exemplos em como a comunicação política terá de se descontrair e saber conviver com a cultura pop. Os políticos ganharão com isso.



 
 
 

 

 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Já se esqueceram do BPN?

«No final de 2014 o saldo acumulado das receitas e despesas orçamentais decorrentes da nacionalização e reprivatização do BPN, bem como da constituição e funcionamento das respectivas sociedades-veículo Parvalorem e Parups ascendia a um défice de 2691,2 milhões de euros”, escreve o tribunal no relatório de acompanhamento de execução orçamental da administração central referente ao ano passado» (a notícia de hoje é do I).

Quase 2,7 mil milhões de euros que fomos nós que tivemos de pagar em impostos e a suportar a austeridade imposta pelo Governo para tapar o regabofe de um banco controlado pela cáfila cavaquista.

Para lá do que tivemos de suportar, a maior parte dessa pandilha, que teve em Cavaco Silva o seu mentor e posteriormente até acionista do BPN foi, continua toda em casa, outros a continuar a fazer negócios, e outros ainda aparecem a dar opinião por aí. Às vezes, com outros temas, as pessoas parece que se esquecem. E isto convém relembrar.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Os investimentos do BES de Miguel Sousa Tavares

Não vou falar de dinheiro. Considero mesquinho e medíocre comentar o dinheiro dos outros. Deve-se comentar o dinheiro de alguns quando há corrupção, quando há aproveitamento de lugares públicos para enriquecimento que alguns nunca teriam se não tivessem passado pela política.

Agora, tendo com certeza muitos defeitos - uns gostam mais, outros gostam menos porque é uma personalidade vincada - Miguel Sousa Tavares é um homem sério, com uma longa carreira e tal como qualquer português tem direito de ter e investir o seu dinheiro onde quiser. Aqui o problema - e depois darei uma sugestão - é outro.

Um jornal publicou que MST era um investidor de papel comercial do GES. O comentador rapidamente desmentiu os investimentos. Na sexta, o mesmo jornal mostra extractos que confirmam milhões de investimento. E MST respondeu que nunca tinha dado ordens à sua gestora para esses montantes saírem da sua conta pessoal.

Ora, aqui temos o problema. O primeiro é que podia estar a mentir, e assim a sua credibilidade estaria posta em causa. Mas face à veemência do desmentido ficamos com a sensação de que alguém mexeu nas suas contas e levou o seu dinheiro para papel que hoje não tem valor nenhum.

Assim sendo, MST é mais um dos milhares de lesados pelo BES, pelos seus administradores e depois pelas suas equipas de retalho que deram ordens para que nos balcões muita gente, menos esclarecida e com muito menos contactos e informação do que MST, fosse enganada - como mostra o movimento de lesados do BES - e perdesse as poupanças de uma vida.

Por isso, sendo Miguel Sousa Tavares um polemista de grande categoria, sugiro - apesar da sua ligação familiar a Ricardo Salgado - que dê voz, que dê força a tanta gente como ele que foi enganada e espoliada pelo BES. Porque esse movimento de lesados tendo como chefe-de-fila Miguel Sousa Tavares ganharia ainda maior credibilidade. Porque razão já a têm.

domingo, 19 de julho de 2015

Sugestões para a semana

Livros

«O Outro Lado do Paraíso», Paul Theroux, Quetzal, 373 páginas. Provavelmente o melhor escritor de viagens da actualidade, julgo que já li todos os seus livros editados em Portugal. Este último é um romance que mostra todo o seu amor por África, mas também a desilusão por um continente que está a perder a sua oportunidade de crescer.

«Objectos Cortantes», Gillian flynn, Bertrand editora, 316 pág. Quem adorou "Em Parte Incerta", tem aqui a oportunidade de perceber que já no seu primeiro livro a autora tem uma qualidade quase única de não conseguirmos largar o livro até o terminar.´

Cinema

Deixo duas sugestões que passam na televisão. Amanhã às 6.55h, no TVC1, podem ver um dos melhores filmes do ano, "Leviatã", de Andrey Zvyagintsev, com corrupção numa cidade da Rússia e uma metáfora dos tempos actuais de Putin.
Na quarta, 1.10h, no ARTE, o meu filme preferido de Bernardo Bertolucci, "O Conformista", com o grande Jean-Louis Trintignant em 1936 nos tempos do fascismo de Mussolini.

Séries

As grandes estreias - séries das quais gosto bastante, especialmente a segunda - para esta semana passam no TVSeries, as duas à mesma hora, 23.30h. Na terça, a terceira temporada de "Masters of Sex" e na quarta a terceira temporada do excelente "Ray Donovan".

Documentários

Na segunda na RTP2, 23.30h, "Portugal e o japão", uma longa relação.
Na terça. 19.55h, no Arte, "Quem controla o mar?", que mostra que foi ali que começaram os grandes movimentos do liberalismo.
Na quarta, 1.50h na TV5, "Populismo no feminino", sobre a extrema direita e as mulheres que lideram esses movimentos.

Restaurante

Já não é o que era, mas também já não se paga o que se pagava, "Ribamar", ali na marginal de Sesimbra.  

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A máxima mais importante para tudo na vida

«Prever muito, improvisar pouco»

Karl Rove

A vergonhosa manobra de promoção de Vieira na SIC

Qualquer pessoa tem o direito de se promover no espaço mediático. Mas nem todos os meios de comunicação social têm de embarcar nessas manobras de promoção pessoal. O que se passou ontem na SIC, e que se prolonga por mais dois dias no Jornal da Noite, é uma vergonha.

Nenhum homem é maior que uma instituição. Assim, ao pintar com as cores de endeusamento Luis filipe Vieira, parece que o Benfica não existia antes dele. Como se alguém pudesse apagar dois grandes senhores e dirigentes respeitados por todos os adeptos do futebol como Borges Coutinho e fernando Martins.

Que há coisas bem feitas? Com certeza que sim e seria pouco honesto não o reconhecer mesmo sendo adepto de outro clube. Porém, sabemos que o Benfica terá eleições em breve e esta é uma manobra de promoção de um homem que viverá nesta época um dos seus maiores desafios, e que não pode perder, e não parte numa situação muito favorável.

O Benfica perdeu o treinador mais ganhador da sua história, perdeu a muleta do BES e perdeu a muleta da arbitragem que controlava a seu belo prazer com a introdução do sorteio em vez das nomeações. É certo que mantém a nebulosa relação com Jorge Mendes e Peter Lim e subsistem negócios que continuam a não ser investigados e deviam. Será que a SIC vai perguntar à CMVM se está a investigar esses negócios? Julgo que não, e isso é obrigação e dever do bom jornalismo, não apenas embarcar no endeusamento de Vieira.

Antes de Vieira o Benfica tinha passivo/dívida de 80 milhões de euros. Hoje tem activos? Sim. Mas também é o eterno campeão nacional da dívida/passivo com mais de 500 milhões de euros. Isso vai constar na reportagem da SIC? Julgo que não.

Ouvi vários funcionários do Benfica, principescamente pagos, a elogiarem a capacidade de trabalho, o talento comercial e de gestão de Vieira. Mas porventura a SIC vai mostrar que este deus dos negócios tem hoje uma dívida pessoal, do seu grupo empresarial, de perto de mil milhões de euros à banca?

Só tenho a dizer que a SIC não exerceu o seu mandato de independência que deve tutelar quem faz jornalismo. Se a reportagem passasse na BTV, nada a dizer e até podia compreender. Agora, na televisão de Pinto Balsemão e que foi de Emídio Rangel, que tem uma redacção de excelentes e sérios jornalistas, é uma vergonha.  

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Insondáveis sondagens

Eu não acredito em sondagens, sobretudo as que não são à boca de urna em dia de eleições. A maior parte das vezes, e em muitas partes do mundo, enganam-se, relembrem-se num exemplo recente do que se passou em Inglaterra, e em Portugal temos muitos casos históricos, nomeadamente as autárquicas de 2001.

Por isso, e com legislativas e presidenciais à porta, recomendo o livro dos meus amigos Diogo Agostinho e Alexandre Guerra, "Insondáveis Sondagens" (edição Aletheia). Até por um motivo: é que as sondagens erram mas a culpa morre sempre solteira. E continuam a errar. O retrato que os autores executam dá uma excelente margem de pensamento sobre elas a quem o lê.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A privatização do Oceanário

Parece que há uma máxima que norteou a acção deste Governo: «dá lucro? Privatize-se». O Oceanário teve no ano passado quase 1 milhão de visitantes, gerou lucro de mais de 1 milhão de euros, é uma referência e um foco de atractividade turística, tem uma importante faceta pedagógica, tudo características somadas que dão interesse público ao mesmo.

O que é curioso é que parece também que o Governo andou com uma lupa em busca do que dava dinheiro para vender. Porque os prejuízos acumulados da sociedade Parque Expo, onde estava integrado o Oceanário, aí já não privatizou.

No meio disto tudo, do pouco que resta, é que pelo menos o Oceanário é dado a portugueses por 30 anos, à Sociedade Francisco Manuel dos Santos. Mais um activo lucrativo que vamos dar a privados. Que ninguém conteste o furor liberal de quatro anos deste Governo.