Terminou ontem em Portugal o mercado de transferências. Outros mercados ainda estão abertos. O inglês que fecha às 18h gastou mais de mil milhões em jogadores, destaco como a loucura chegou ao ponto do Manchester United dar 80 milhões por um projecto de jogador chamado Martial e que vem do Mónaco.
Com esta loucura latente, e que parece não afligir um mundo em crise em que muitos que pagam e fazem as audiências desta indústria vivem no limiar da pobreza, prefiro contar a história de um jogador que já teve grandes palcos e que agora no ocaso da sua carreira volta à sua terra que tem um campeonato a quem ninguém liga.
O Público chamou-lhe, lá para meados de Agosto, «o extremo solidário que joga por amor à camisola». Damien Duff (lembram-se do canhoto que foi campeão pelo Chelsea?) voltou com 36 anos à sua Irlanda natal para jogar pelo Shamrock Rovers. O seu salário reverterá para um hospital pediátrico que apoia crianças com problemas cardíacos congénitos.
Quando regressou disse apenas: «não quero dinheiro, apenas jogar futebol. Cada cêntimo irá para a caridade. Quero fazer o bem». Que o mundo do futebol ponha cada vez mais de lado a irracionalidade e olhe para o que interessa.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
«Ser melhor pai»
O título do meu post está entre aspas porque alguém disse esta frase. Não podia ser eu a dizê-la, porque não tenho filhos. Li-a ontem na entrevista/perfil a Mark Ruffalo que vinha na revista do El Pais.
O actor, que está num grande momento da sua carreira, que superou um tumor cerebral benigno que o tirou dos grandes écrans durante oito anos, apresenta-a como seu objectivo principal, essa é a sua «obsessão» e não prémios de carreira.
Para mim, ao longo dos anos, o fim de Agosto representa um novo ciclo. É quase como se começasse verdadeiramente o novo ano. E no meio de tantas trapalhadas que nos tiram tempo e não interessam nada para a nossa vida e felicidade. Tantas discussões estéreis, tantos assuntos que são apenas espuma dos dias, tantas vírgulas que nos desfocam do essencial.
Cada um tem os seus objectivos, mas há coisas muito mais importantes que o dinheiro ou a carreira. «Ser melhor pai» ou ser feliz, por exemplo.
O actor, que está num grande momento da sua carreira, que superou um tumor cerebral benigno que o tirou dos grandes écrans durante oito anos, apresenta-a como seu objectivo principal, essa é a sua «obsessão» e não prémios de carreira.
Para mim, ao longo dos anos, o fim de Agosto representa um novo ciclo. É quase como se começasse verdadeiramente o novo ano. E no meio de tantas trapalhadas que nos tiram tempo e não interessam nada para a nossa vida e felicidade. Tantas discussões estéreis, tantos assuntos que são apenas espuma dos dias, tantas vírgulas que nos desfocam do essencial.
Cada um tem os seus objectivos, mas há coisas muito mais importantes que o dinheiro ou a carreira. «Ser melhor pai» ou ser feliz, por exemplo.
domingo, 30 de agosto de 2015
Sugestões para a semana
Livros
"Histórias de Nova Iorque", Enric Gonzalez, Tinta da China, 165 páginas. Já tinha recomendado, desta excelente colecção organizada pelo Carlos Vaz Marques, dois outros títulos do mesmo autor. As suas histórias de Londres e de Roma. Jornalista que se integra na cidade que o acolhe, que conta a sua vida, mas, sobretudo, conta a história da cidade e dos seus movimentos.
"furacão Elis", Regina Echeverria, Globo, 235 páginas. Não é uma edição portuguesa, mas podem adquirir no Centro Cultural Brasileiro ou na livraria do Saldanha Residence. A vida de uma das maiores vozes da música brasileira, Elis Regina, uma história com depoimentos de amigos e amantes, cantores e maridos. Partiu cedo quando tanto teria para dar.
"A Verdade e Outras Mentiras", Sascha Arango, Presença, 222 páginas. Comecei ontem a ler, de rajada foram 170 páginas, excelente história, um thriller muito bem escrito com excelentes diálogos e com humor negro a cada canto da prosa.
Cinema
Na televisão chamo a atenção para "Phoenix", Christian Petzold, um dos melhores de 2015, e que anteriormente tinha realizado o excelente "Barbara", com a mesma protagonista, Nina Hoss. Quarta, TVC2, 17.35h
No sábado, na RTP2, 22,55h, o primeiro da trilogia de Roberto Rosselini, "Roma, Cidade Aberta", uma das suas obras-primas.
Nas salas, para quem nunca viu, descubram no Nimas uma revisitação da obra de Jacques Tati
Séries
As principais estreias da semana surgem no TVSeries, "Show me a hero" e "Ballers"
Revista
Recomendo a edição especial da francesa "L`Express" sobre Hugo Pratt. As suas influências e origens do criador de Corto Maltese
Restaurante
Em Lisboa o sushi que eu mais frequento, esta semana duas vezes, e recomendo, não só pela qualidade mas também pelo ambiente, é o Sushi Café na Barata Salgueiro. Experimentem o tártaro de salmão para entrada.
"Histórias de Nova Iorque", Enric Gonzalez, Tinta da China, 165 páginas. Já tinha recomendado, desta excelente colecção organizada pelo Carlos Vaz Marques, dois outros títulos do mesmo autor. As suas histórias de Londres e de Roma. Jornalista que se integra na cidade que o acolhe, que conta a sua vida, mas, sobretudo, conta a história da cidade e dos seus movimentos.
"furacão Elis", Regina Echeverria, Globo, 235 páginas. Não é uma edição portuguesa, mas podem adquirir no Centro Cultural Brasileiro ou na livraria do Saldanha Residence. A vida de uma das maiores vozes da música brasileira, Elis Regina, uma história com depoimentos de amigos e amantes, cantores e maridos. Partiu cedo quando tanto teria para dar.
"A Verdade e Outras Mentiras", Sascha Arango, Presença, 222 páginas. Comecei ontem a ler, de rajada foram 170 páginas, excelente história, um thriller muito bem escrito com excelentes diálogos e com humor negro a cada canto da prosa.
Cinema
Na televisão chamo a atenção para "Phoenix", Christian Petzold, um dos melhores de 2015, e que anteriormente tinha realizado o excelente "Barbara", com a mesma protagonista, Nina Hoss. Quarta, TVC2, 17.35h
No sábado, na RTP2, 22,55h, o primeiro da trilogia de Roberto Rosselini, "Roma, Cidade Aberta", uma das suas obras-primas.
Nas salas, para quem nunca viu, descubram no Nimas uma revisitação da obra de Jacques Tati
Séries
As principais estreias da semana surgem no TVSeries, "Show me a hero" e "Ballers"
Revista
Recomendo a edição especial da francesa "L`Express" sobre Hugo Pratt. As suas influências e origens do criador de Corto Maltese
Restaurante
Em Lisboa o sushi que eu mais frequento, esta semana duas vezes, e recomendo, não só pela qualidade mas também pelo ambiente, é o Sushi Café na Barata Salgueiro. Experimentem o tártaro de salmão para entrada.
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Até o mais famoso relógio do mundo perdeu a exactidão
Podia ser uma metáfora do mundo moderno, onde a multiplicidade de palcos proporcionou visibilidade até a loucos, onde se democratizou a opinião, mas se perderam os gate-keepers que a enquadravam, credibilizavam e responsabilizavam e, acima de tudo, o ciclo das notícias é mais curto e menos correcto e exacto.
O mais famoso relógio do mundo, o Big Ben, em Londres, adiantou-se seis segundos. «Durante 15 dias, o Big Ben deu a hora errada, interrompendo as emissões radiofónicas da BBC e BBC World Service, que utilizam o som do seu badalo em directo» (noticia o Público).
Um relógio, para lá da beleza que se pode retirar do seu uso, é um sinal de ordem. São os ponteiros ou os números que nos trazem a cadência da nossa vida, que nos balizam o tempo, algo de cada vez mais precioso. Mas até o Big Ben perdeu a exactidão, tal como o mundo moderno.
O mais famoso relógio do mundo, o Big Ben, em Londres, adiantou-se seis segundos. «Durante 15 dias, o Big Ben deu a hora errada, interrompendo as emissões radiofónicas da BBC e BBC World Service, que utilizam o som do seu badalo em directo» (noticia o Público).
Um relógio, para lá da beleza que se pode retirar do seu uso, é um sinal de ordem. São os ponteiros ou os números que nos trazem a cadência da nossa vida, que nos balizam o tempo, algo de cada vez mais precioso. Mas até o Big Ben perdeu a exactidão, tal como o mundo moderno.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
A Coca Cola na China
Há pouco tempo estive num almoço com o embaixador da China. Ali, ele dizia que o mercado chinês continuava atractivo para investir porque o mercado interno tem uma tendência natural de crescimento. E há enormes potencialidades em diversos sectores.
Apesar das recentes notícias de crises, ainda hoje mais uma, na bolsa de Xangai, o que é verdade é que o mercado chinês, pelo seu volume, é uma das geografias onde as grandes empresas têm de estar e sem complexos sobre um regime que não é democrático e é controlado por um capitalismo de Estado dominado pelo partido Comunista.
Ontem lia no El Pais que a Coca Cola vai investir 3510 milhões de euros na China nos próximos três anos, sem temor dos mercados bolsistas nem das ameaças de travagem no crescimento da sua economia. A companhia de bebidas mais conhecida do mundo já investiu mais 8 mil milhões desde 1979 e considera um mercado fundamental para o seu crescimento.
Deng Xiaoping foi o arquitecto da revolução da economia de mercado no Império do Meio, construiu as Zonas Económicas Exclusivas, onde paulatinamente experimentou a introdução do capitalismo. Percebendo que o poder da China poderia ser construído na economia e não pela via ideológica ou militar.
Deng dizia, para explicar a sua opção estratégica, que «não interessa se o gato é branco ou preto desde que cace ratos». As grandes multinacionais nos seus negócios e na busca do lucro, que é para isso que existem, nunca olharam também à cor do gato. O mercado e o seu volume são o seu objectivo e o seu futuro. A China está ali à mão.
Apesar das recentes notícias de crises, ainda hoje mais uma, na bolsa de Xangai, o que é verdade é que o mercado chinês, pelo seu volume, é uma das geografias onde as grandes empresas têm de estar e sem complexos sobre um regime que não é democrático e é controlado por um capitalismo de Estado dominado pelo partido Comunista.
Ontem lia no El Pais que a Coca Cola vai investir 3510 milhões de euros na China nos próximos três anos, sem temor dos mercados bolsistas nem das ameaças de travagem no crescimento da sua economia. A companhia de bebidas mais conhecida do mundo já investiu mais 8 mil milhões desde 1979 e considera um mercado fundamental para o seu crescimento.
Deng Xiaoping foi o arquitecto da revolução da economia de mercado no Império do Meio, construiu as Zonas Económicas Exclusivas, onde paulatinamente experimentou a introdução do capitalismo. Percebendo que o poder da China poderia ser construído na economia e não pela via ideológica ou militar.
Deng dizia, para explicar a sua opção estratégica, que «não interessa se o gato é branco ou preto desde que cace ratos». As grandes multinacionais nos seus negócios e na busca do lucro, que é para isso que existem, nunca olharam também à cor do gato. O mercado e o seu volume são o seu objectivo e o seu futuro. A China está ali à mão.
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Rui Calafate
domingo, 23 de agosto de 2015
O dinheiro não tem religião
Uma das notícias mais engraçadas que li ontem vinha no Público. Lá rezava que a S&P Dow Jones ia lançar um índice bolsista com "valores católicos" que «respeitem as regras de investimento socialmente responsáveis traçadas pela Conferência Episcopal dos Estados Unidos»
Assim, todas as empresas «que tenham actividades ligadas à produção de armas químicas, a programas eróticos ou pornográficos, ao fabrico de material militar, à pesquisa de células estaminais ou que recorram à mão-de-obra infantil.», serão excluídas deste indicador de valor das empresas.
O problema desta criação é que o dinheiro não tem sexo, cor, cheiro ou religião e apesar da responsabilidade social das empresas ter vindo a crescer ao longo do tempo, superando a mera caridadezinha para lavar a imagem, o objectivo das empresas é o lucro e não alcançar, numa vida posterior, o Reino dos Céus.
Assim, todas as empresas «que tenham actividades ligadas à produção de armas químicas, a programas eróticos ou pornográficos, ao fabrico de material militar, à pesquisa de células estaminais ou que recorram à mão-de-obra infantil.», serão excluídas deste indicador de valor das empresas.
O problema desta criação é que o dinheiro não tem sexo, cor, cheiro ou religião e apesar da responsabilidade social das empresas ter vindo a crescer ao longo do tempo, superando a mera caridadezinha para lavar a imagem, o objectivo das empresas é o lucro e não alcançar, numa vida posterior, o Reino dos Céus.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
O objectivo central das Relações Públicas
Às vezes na comunicação esquece-se o básico:
«O objectivo central das relações públicas é criar e desenvolver palcos (mediáticos ou não), isto é, locais, momentos, conceitos, oportunidades que nos ajudem a transformar a ignorância em conhecimento, a apatia em interesse, o preconceito em aceitação, a hostilidade em compreensão»
Luis Paixão Martins, na introdução de "A Queda da Publicidade e a Ascensão das Relações Públicas", de Laura Ries e Al Ries
«O objectivo central das relações públicas é criar e desenvolver palcos (mediáticos ou não), isto é, locais, momentos, conceitos, oportunidades que nos ajudem a transformar a ignorância em conhecimento, a apatia em interesse, o preconceito em aceitação, a hostilidade em compreensão»
Luis Paixão Martins, na introdução de "A Queda da Publicidade e a Ascensão das Relações Públicas", de Laura Ries e Al Ries
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