segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Uma campanha às costas de Portas

Na última semana, depois da derrota de Passos Coelho no debate, a parte mais engraçada desta campanha eleitoral tem sido o PSD a ser levado às costas por Paulo Portas, que é o melhor "campaigner", que, apesar de errar às vezes, tem a noção clara do soundbyte e do que passa bem na televisão - e é ali que se ganham eleições - que, como os treinadores de clubes pequenos que têm liderança e personalidade para comandar clubes grandes, está no partido errado desde que em jovem abandonou a JSD. Até ao termo da campanha, vai ser assim. Portas será a locomotiva eleitoral da coligação.

domingo, 13 de setembro de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"Purity", Jonathan Franzen, D. Quixote, 694 páginas. O regresso do escritor que fez capa da Time que o considerou o melhor dos romancistas americanos contemporâneos. Depois dos soberbos "Correcções" e "Liberdade" este será um dos livros do ano.

"História de Espanha", Julian Valdeón e outros, Edições 70, 561 pág. Uma edição velhinha de um catálogo que praticamente desapareceu. A história dos nossos vizinhos, dos Visigodos à ditadura, importante conhecer as diferenças.

Cinema

Em casa no próximo sábado a RTP2, às 22.40h, passa o belíssimo "Stromboli" de Roberto Rosselini, aqui numa fase de paixão pela sua mulher Ingrid Bergman que reluz nesta brutal película de sentimentos e emoções.
No mesmo dia, no TVC1, 21.30h, não percam a oportunidade de ver um dos melhores filmes americanos do passado, e por ser muito bom praticamente passou despercebido nos Óscares, "Nightcrawler", de Dan Gilroy, com um magistral Jake Gyllenhaal que se alimenta do nosso "voyeurismo" pelo jornalismo criminal.

Séries

A principal estreia desta semana é "Uma Morte Súbita", no TVSeries, quarta às 22.30h, que se baseia no livro de J. K. Rowling

Documentário

No Arte no "Thema" de terça às 19.50h, "A Dívida, uma Espiral Infernal?", sobre a história da dívida que limita países e povos.

Música 

Recomendo o primeiro disco dos portugueses Fandango. Que são Luis Varatojo e Gabriel Gomes, com anos e anos de música noutros projectos, mas que agora criaram uma electrónica com sonoridade portuguesa, nomeadamente com a guitarra que tem um som inconfundível. Vi-os no Lisb//On ao vivo e o cd é de comprar.

Revista

Uma daquelas revistas para comprar e guardar, a edição de Setembro da "Grands Reportages - Hors Série" é dedicada às "Voyages Extraordinaires en Train". Viagens de comboio pela Austrália, Teerão-Istambul, México, Sri Lanka, entre várias outras. Imagens e histórias belíssimas.

Restaurante

Descobri por mão amiga um restaurante cabo-verdiano, chama-se Tambarina. Os preços são quase dados e é excelente. Ali comi na terça a melhor cachupa dos últimos anos. Perto de Santos e da calçada do Combro.. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Análise do debate Passos vs. Costa

Para uma audiência histórica de 3,4 milhões de telespectadores, o que há a dizer é que o debate soube a pouco. O modelo de muitas interrupções e de pivots a mencionarem o tempo ainda mais contribuiu para que fosse fraco.

Passos Coelho e António Costa não são políticos carismáticos, mas entre os dois, historicamente, o líder do PS sempre teve mais capacidade de criar um golpe de asa do que o primeiro-ministro que é conhecido por ter pouco jogo de cintura e por vezes cair nas suas próprias teimosias. Costa compreende melhor a comunicação, apesar de ter errado múltiplas vezes nesta campanha, do que Passos.

No dia em que uma sondagem dava vantagem à coligação, se o debate tivesse corrido muito bem a Passos Coelho, hoje estaríamos a entrar numa dinâmica clara de vitória. Porém, o debate correu melhor a Costa. Não que tivesse brilhado, mas meteu-o em jogo e deixa esta eleição completamente empatada neste momento.

Nenhum dos blocos é senhor da agenda e ontem o "momentum" passou para o PS. Sobretudo porque encostou várias vezes às cordas o líder do PSD. Um dos melhores momentos do debate - aí está a melhor capacidade de surpreender com um golpe de asa - surgiu quando Costa sacou dos números insofismáveis do programa "Vem". Um fracasso total do Governo.

O debate teve mais passado do que futuro, teve "plafonamentos" (algo que 90 por cento dos portugueses não compreende o que é), teve muitos números e pouca política, centrou-se no Excel e pouco nas pessoas. Temas como a educação, a cultura, a investigação científica, o turismo, estes quatro fundamentais para o nosso futuro e competitividade nem foram mencionados.

Passos e Costa têm um grave problema: não geram empatia com as pessoas e ontem perderam uma oportunidade de namorarem quem pode votar neles. Li no dia antes do debate que ambos se treinaram para serem genuínos. Ninguém aprende a ser genuíno. Ou se é, ou não. Esse é o ponto fraco da grande maioria da classe política actual: são quase todos iguais, ordeiros, politicamente correctos, mais figuras da Madame Tussaud do que gente que sofre e conhece os problemas da gente. O país da política não é o país real.  

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O que deve marcar o debate de hoje

O que irá marcar o debate de 90 minutos, de hoje, entre Pedro Passos Coelho e António Costa, indubitavelmente, será o caso Sócrates. Mas não devia.

É certo que se tem de falar dele porque é marcante. Não só o caso em si mas também a sua anterior governação. Será um contraponto à governação da coligação, mas há outros temas que devem estar em cima da mesa.

Há duas preocupações principais das pessoas: impostos/austeridade e o emprego. Aqui tem de haver clareza nas propostas e não combate de números que não é isso que interessa minimamente.

Depois, há mais duas que me parecem capazes de acentuar clivagens: o futuro do Serviço Nacional de Saúde e se há futuro para o que descontamos para a Segurança Social.

Estes são os temas que verdadeiramente interessam às pessoas. Tudo o resto são questões de retórica política, de momento e agenda. Não o tornem uma conversa de politiquice, pensem no futuro de Portugal e transmitam esperança.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

"Show me a Hero"

Ao ver o primeiro episódio de "Show me a Hero", produção da HBO que passa no TVSéries, senti o regressar da grande televisão. Ou melhor, do grande cinema que passou para televisão já lá vão uns bons anos.

O criador David Simon já tinha escrito uma das melhores séries de sempre: "The Wire", depois andou pela reconstrução de New Orleans na muito musical "Treme" e, juntamente com Paul Haggis (premiado pelo razoável "Crash" quando devia ter sido premiado por "No Vale de Elah") na realização, traz agora uma mini-série de 6 horas retratando um caso real em Yonkers.

Diálogos bem urdidos, personagens bem trabalhadas, como em todas as suas séries em que cada personagem é uma história, teia política bem tecida, realização impecável, actores de luxo. Vejam e guardem na memória estas seis horas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A queda das gravatas

Tsipras e Varoufakis foram as faces maiores da queda das gravatas. Por sinal, e agora que estão prestes a acontecer as eleições gregas, também o líder da Nova Democracia, Evangelos Meimarakis, abdicou delas.

É uma imagem mais informal e de proximidade com as pessoas que procuram, não só eles mas outros líderes no mundo e em Espanha isso já há muito que acontecia. Aliás, na revista de domingo do El Pais, vinha um excelente artigo sobre esta evolução, tal como nos anos 60 do século passado John Kennedy abdicou dos chapéus.

Até porque como dizia Gianni Versace, a gravata «já não é sinal de distinção porque até os bandidos a usam».

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O valor da independência no comentário

Porque será que as pessoas, entre outros, gostam há tantos anos de ler Miguel Sousa Tavares no Expresso ou Vasco Pulido Valente no Público? Porque são independentes, dizem o que pensam, não são mandatados por ninguém.

Num mundo onde grassa a irracionalidade, onde qualquer idiota sem currículo nem conhecimento de nada tem contas nas redes sociais e expressa a sua opinião, onde cada vez mais organizações tentam manietar e manipular a opinião pública através de quem emite opinião, é bom que os media tradicionais continuem a saber valorizar a independência e não cedam a pressões das mesmas.

Ser independente reforça a liberdade de expressão e defende uma sociedade democrática, onde o bom senso e a razão devem imperar. A função de "gate-keeper" dos media não pode desaparecer e os editores devem ter consciência que as audiências não valem tudo. O tempo também ajuda a separar o trigo do joio.