O Diário de Notícias traz hoje na sua primeira página uma das notícias mais chocantes que tenho lido. A "Casa dos Segredos" teve nos "castings" cerca de 105 mil candidatos. O choque é que o número é mais do dobro dos candidatos ao ensino superior.
Isto é um murro no estômago para quem acha que esta é a geração mais bem preparada de sempre, outro dos mais estúpidos jargões que puseram a circular.
Um País miserável, inculto, com uma produtividade medíocre, onde 105 mil almas querem 15 minutos de fama para depois andarem a circular em discotecas, a fazer capas de revistas com histórias de cama e a não serem nada, apenas um punhado de vazio. É triste e é chocante.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Dilemas da independência da Escócia
Se perguntar às pessoas se têm simpatia por algum país para lá daquele em qual nascemos, todas dirão que, por diversos motivos, têm. Eu tenho simpatia pela Escócia, pela Itália, pela Grécia, entre outros, só mencionando países europeus.
É certo que a Europa é apenas um continente, não havendo ainda uma identidade europeia. A Escócia pertence à Grâ-Bretanha mas tem a sua identidade própria, os seus costumes, a sua cultura, as suas indústrias (muitas de ponta), o seu petróleo.
O seu direito a sonhar com a independência é natural. Não por terem uma má relação com a Raínha, mas porque acham que podem construir o seu amanhã em pista própria.
Quem assiste a esta campanha na Escócia sente uma certa simpatia pelos seus propósitos. Mas, por outro lado, sente também os riscos que dela podem derivar. Não os da própria Escócia com a vitória do "Sim", mas porque esse "Sim" pode desencadear outros combates como o da Catalunha (já no terreno), o do País Basco, o da cisão da Bélgica ou a Baviera ("lander" mais rico da Alemanha) a querer também a independência, entre outros.
O dilema maior não é o da Escócia, é o do crescimento dos nacionalismos numa Europa que perde poder todos os dias e ainda não compreendeu os países que a integram.
É certo que a Europa é apenas um continente, não havendo ainda uma identidade europeia. A Escócia pertence à Grâ-Bretanha mas tem a sua identidade própria, os seus costumes, a sua cultura, as suas indústrias (muitas de ponta), o seu petróleo.
O seu direito a sonhar com a independência é natural. Não por terem uma má relação com a Raínha, mas porque acham que podem construir o seu amanhã em pista própria.
Quem assiste a esta campanha na Escócia sente uma certa simpatia pelos seus propósitos. Mas, por outro lado, sente também os riscos que dela podem derivar. Não os da própria Escócia com a vitória do "Sim", mas porque esse "Sim" pode desencadear outros combates como o da Catalunha (já no terreno), o do País Basco, o da cisão da Bélgica ou a Baviera ("lander" mais rico da Alemanha) a querer também a independência, entre outros.
O dilema maior não é o da Escócia, é o do crescimento dos nacionalismos numa Europa que perde poder todos os dias e ainda não compreendeu os países que a integram.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
35 anos do Serviço Nacional de Saúde
O Serviço Nacional de Saúde celebra hoje 35 anos. Também se deve elogiar o que temos de bom. O SNS deve melhorar todos os dias e não ser desmantelado todos os dias. Não é de esquerda nem de direita, é de todos, ao alcance de todos. Os portuguese agradecem.
domingo, 14 de setembro de 2014
Sugestões para a semana
Livros
A Ilha, Aldous Huxley, Antígona, 458 páginas. Depois do "Admirável Mundo Novo", o seu contraste de uma civilização de paz, livre, ideal que começa a ser cobiçada pelas restantes. Um espelho do homem e do mundo. Um grande livro, com uma edição muito mais cuidada do que a velhinha dos Livros do Brasil.
O Capitalismo Estético na Era da Globalização, Gilles Lipovetsky, Edições 70, 500 pág. O design, a publicidade, o cruzamento entre indústria, cultura e moda. Um livro para pensar.
O Amigo Andaluz, Alexander Soderberg, Porto Editora, 487 pág. Para os amantes de policiais este é o primeiro de um tríptico acabado de publicar por cá. Mais um autor sueco, de traços ríspidos, sobre o tráfico de armas.
Cinema
Na televisão sugiro no TVC2, para quem ainda não viu, "A vida de Adéle", de Abdellatif Kechiche, um dos melhores do ano passado. E procurem o "Morangos Silvestres" também TVC, a obra-prima, para mim, do Ingmar Bergman.
No videoclube do NOS espreitem "Under the Skin", de Jonathan Glazer. O olhar sobre os humanos de uma extraterrestre. Tem planos tão geniais como no "Stalker" do Tarkovsky.
Séries
Os que gostam de séries têm estado em quase jejum de estreias vai para dois meses. A surpresa desta rentrée anda na fox Life, chama-se "Mr. Selfridge" e tem um Jeremy Piven ao nível do seu papel em "Entourage".
Documentários
"Eastwood realiza", sexta às 22h no TVC2. Documentário sobre os 40 filmes já realizados por Clint Eastwood, com vários depoimentos e bastidores.
"Mittal, a face escondida de um império". Terça, 19.50h no Arte. Lakshmi Mittal, indiano, é um dos homens mais ricos do mundo, emprega 250 mil pessoas e o aço é a base da sua riqueza.
Restaurante
Entre Copos, almocei lá duas vezes esta semana, continua a mesma simpatia e os peixes grelhados e as sardinhas estão em grande.
A Ilha, Aldous Huxley, Antígona, 458 páginas. Depois do "Admirável Mundo Novo", o seu contraste de uma civilização de paz, livre, ideal que começa a ser cobiçada pelas restantes. Um espelho do homem e do mundo. Um grande livro, com uma edição muito mais cuidada do que a velhinha dos Livros do Brasil.
O Capitalismo Estético na Era da Globalização, Gilles Lipovetsky, Edições 70, 500 pág. O design, a publicidade, o cruzamento entre indústria, cultura e moda. Um livro para pensar.
O Amigo Andaluz, Alexander Soderberg, Porto Editora, 487 pág. Para os amantes de policiais este é o primeiro de um tríptico acabado de publicar por cá. Mais um autor sueco, de traços ríspidos, sobre o tráfico de armas.
Cinema
Na televisão sugiro no TVC2, para quem ainda não viu, "A vida de Adéle", de Abdellatif Kechiche, um dos melhores do ano passado. E procurem o "Morangos Silvestres" também TVC, a obra-prima, para mim, do Ingmar Bergman.
No videoclube do NOS espreitem "Under the Skin", de Jonathan Glazer. O olhar sobre os humanos de uma extraterrestre. Tem planos tão geniais como no "Stalker" do Tarkovsky.
Séries
Os que gostam de séries têm estado em quase jejum de estreias vai para dois meses. A surpresa desta rentrée anda na fox Life, chama-se "Mr. Selfridge" e tem um Jeremy Piven ao nível do seu papel em "Entourage".
Documentários
"Eastwood realiza", sexta às 22h no TVC2. Documentário sobre os 40 filmes já realizados por Clint Eastwood, com vários depoimentos e bastidores.
"Mittal, a face escondida de um império". Terça, 19.50h no Arte. Lakshmi Mittal, indiano, é um dos homens mais ricos do mundo, emprega 250 mil pessoas e o aço é a base da sua riqueza.
Restaurante
Entre Copos, almocei lá duas vezes esta semana, continua a mesma simpatia e os peixes grelhados e as sardinhas estão em grande.
Usaram a reputação de Vitor Bento
Nesta embrulhada do BES/Novo Banco, que deixa qualquer pessoa atónita, uma nota para Vitor Bento. Todos o retratam como um homem de bem e assim parece ser. Tinha uma reputação à prova de bala, apesar de não ser um banqueiro.
Usaram o maior património de uma pessoa, a sua reputação, para uma manobra de desmantelamento do banco do qual só a médio prazo conheceremos todos os contornos. Vitor Bento podia não ter aceite o convite para liderar esta instituição e até podia não ter dado a entrevista à SIC em Agosto, talvez esses os seus maiores erros.
Porém, julgo que a sua reputação, apesar desta muito curta passagem, está intacta. Agora, os outros que o meteram nesta operação negra é que vão ter sérios problemas de reputação em breve.
Usaram o maior património de uma pessoa, a sua reputação, para uma manobra de desmantelamento do banco do qual só a médio prazo conheceremos todos os contornos. Vitor Bento podia não ter aceite o convite para liderar esta instituição e até podia não ter dado a entrevista à SIC em Agosto, talvez esses os seus maiores erros.
Porém, julgo que a sua reputação, apesar desta muito curta passagem, está intacta. Agora, os outros que o meteram nesta operação negra é que vão ter sérios problemas de reputação em breve.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Marinho Pinto: o Maria vai com as outras
Desde o tempo em que era Bastonário da Ordem dos Advogados, que se adivinhavam as ambições políticas de Marinho Pinto. Depois, usou o trampolim de notoriedade do mercado das domésticas que lhe é proporcionado pelo programa de Manuel Luis Goucha para vender o populismo que é o discurso onde se sente bem.
A seguir colou-se a um partido com pouca expressão para ser eleito deputado europeu. Logo em seguida, anunciou que ia abandonar o cargo para o qual se elegeu, para atacar outros lugares.
E agora marimba-se para o MPT e vai criar um novo partido, do qual desconhecemos a matriz ideológica, mas que por certo seguirá o vento do que seja mais conveniente no momento.
O discurso o mesmo de sempre, a arruaça contra a classe política como se ele fosse o ungido e o salvador do sistema, os temas que agradem ao povo menos esclarecido, mas soluções não tem nenhumas, apenas a sua imagem.
A política deve ser séria, no conteúdo e na acção, não pode ser terreno de uma Maria vai com as outras.
A seguir colou-se a um partido com pouca expressão para ser eleito deputado europeu. Logo em seguida, anunciou que ia abandonar o cargo para o qual se elegeu, para atacar outros lugares.
E agora marimba-se para o MPT e vai criar um novo partido, do qual desconhecemos a matriz ideológica, mas que por certo seguirá o vento do que seja mais conveniente no momento.
O discurso o mesmo de sempre, a arruaça contra a classe política como se ele fosse o ungido e o salvador do sistema, os temas que agradem ao povo menos esclarecido, mas soluções não tem nenhumas, apenas a sua imagem.
A política deve ser séria, no conteúdo e na acção, não pode ser terreno de uma Maria vai com as outras.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Os portugueses gostam de ser enganados
Quem ler este post, por certo irá pensar em muitas coisas em que os portugueses gostam de ser enganados. Mas escrevo-o sobre um fenómeno recente: os blogs de estrelas, ou melhor, estrelinhas da televisão e revistas sociais.
Como negócio é legítimo e legal e têm todo o direito de o criar. Agora, basta ter bom senso para saber que a maior parte deles é quase um "endorsement", pois não são essas personalidades que os escrevem, pois algumas mal sabem dizer mais do que "bué" e "fixe".
Mas com a sua notoriedade atraem os incautos que depois são bombardeados por produtos, sugestões compradas e demais promoções, e tornam esses blogs uma actividade comercial. Quem quer lê e até pode gostar, a liberdade é usada por cada como lhe aprouver. Eu não perco o meu tempo e não gosto de ser enganado.
Como negócio é legítimo e legal e têm todo o direito de o criar. Agora, basta ter bom senso para saber que a maior parte deles é quase um "endorsement", pois não são essas personalidades que os escrevem, pois algumas mal sabem dizer mais do que "bué" e "fixe".
Mas com a sua notoriedade atraem os incautos que depois são bombardeados por produtos, sugestões compradas e demais promoções, e tornam esses blogs uma actividade comercial. Quem quer lê e até pode gostar, a liberdade é usada por cada como lhe aprouver. Eu não perco o meu tempo e não gosto de ser enganado.
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