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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A "chica-espertice" mal disfarçada de Marcelo Rebelo de Sousa

Já há muito tempo que deixei de ver as prédicas da agenda pessoal de Marcelo Rebelo de Sousa aos domingos. Não gosto de comentadores pagos a analisar e a envenenar a realidade consoante os seus interesses.

Por isso, foi no DN que li que Marcelo quer uma remodelação do Governo e «especificou três ministros que no seu entender deveriam ser imediatamente substituídos: Miguel Poiares Maduro (ministro adjunto), Paula Teixeira da Cruz (ministra da Justiça) e Nuno Crato (Educação)».

Ora, onde é que está a "chica-espertice"? Marcelo menciona dois ministros que pediram desculpa por erros (Teixeira da Cruz e Crato) para ir ao pote que lhe interessa, o do terceiro mencionado.

Explico: Poiares Maduro e a sua equipa não tem nos últimos tempos cometido muitos erros. Já os cometeu no passado por inexperiência política e tenho a certeza de duas coisas: 1- Poiares Maduro está muito menos ingénuo da máquina dos interesses do poder do que quando entrou no Executivo e sabe onde andam as sombras a gravitar; 2- Pode ter defeitos, mas é um tipo sério e está imune a corrupção. E eu respeito muito os políticos que aprendem e tentam melhorar todos os dias e os que são sérios e incorruptíveis.

Poiares Maduro vai gerir as muitas centenas de milhões de fundos comunitários que irão ser distribuídos em Portugal por projectos que valham a pena a partir de 2015, nomeadamente autarquias, e dava muito jeito a muita gente que fosse um facilitador de fundos obscuros e de ambições pessoais a dar dinheiros aos amigos. Só cai na conversa de Marcelo quem quer, a mim há muito que não me engana.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A cegueira do Governo e do PSD

Os resultados das últimas autárquicas foram muito claros. O PSD teve o seu pior resultado de sempre e perdeu a força motriz dos grandes centros urbanos nos dois maiores distritos. Não tem Lisboa, Amadora, Loures, Sintra, Oeiras, a sul; e Porto, Gaia, Matosinhos, Gondomar, Valongo, a norte.

É uma grande derrota e que não se desculpem com independentes trânsfugas do partido, pois isso não aconteceu em várias destas cidades, apesar do directório partidário ter culpas no cartório ao apostar em candidatos que não eram os melhores para cada cidade.

Por isso, vejo com legitimidade reforçada o Paulo Cunha, presidente da distrital de Braga que obteve a grande vitória da noite com o Ricardo Rio e ganhando pessoalmente Vila Nova de Famalicão e que é um valor a acompanhar, quando pede que o PSD veja os sinais da noite eleitoral. E ainda não percebi por que é que as distritais de Lisboa e Porto ainda não se demitiram depois de um massacre total nos resultados e pela falta de categoria dos seus dirigentes. E aqui se vê a cegueira do PSD.

Por outro lado, é muito mais difícil o Governo ter força sem o controlo dos grandes centros urbanos, a sua capacidade de reformar é muito mais limitada, o risco de contestação é muito maior. Um Governo que não percebe os sinais evidentes e diz que mantém o seu caminho sem parar para pensar está cego.

Cabe ao PSD e ao Governo regenerar-se. Ver bem que tipo de gente é que integra ambos e precisa de uma revisão programática e no campo das ideias. No último caso, Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, em vez de perderem tempo com "briefings", deviam meter mãos à obra e municiar partido e Governo de outras ideias.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O fim dos "briefings"

O Correio da Manhã noticia hoje que Pedro Passos Coelho decidiu acabar com os "briefings". Contrariando assim o que haviam dito o ministro, Poiares Maduro, e o secretário de Estado, Pedro Lomba, que referiram que eles não acabariam, mas voltariam com outro formato e outro protagonista.

Acaba assim uma boa ideia que se tornou um pesadelo, pois foi deixada a amadores em questões de comunicação. Era bem intencionada a ideia de se tentar promover a agenda positiva do Governo, mas, como fica provado, não basta escrever umas coisas em blogues para se conhecer o universo mediático.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Ali no Governo mora o núcleo do futuro do PSD

Às vezes há mudanças no presente que são sinais para o futuro. Pedro Passos Coelho, involuntariamente, presumo, criou um núcleo no Governo que será o futuro do PSD.

Na equipa de Miguel Poiares Maduro, que nas primeiras impressões caiu no goto da media, ele próprio militante mas ainda distante da máquina do PSD mas com enorme futuro, encontra-se Pedro Rodrigues, ex-líder da JSD e advogado que estava até agora a seguir com sucesso a sua etapa profissional, que tem um conhecimento pleno e boas afinidades com o PSD mais profundo (é chefe de gabinete do ministro).

E como secretários de Estado, Pedro Lomba, que será uma espécie de ideólogo, e António Leitão Amaro, um dos melhores da sua geração, com passagem por Harvard, boa performance na Quatrecasas, valor académico e muito criativo. Nesta equipa falta só o ex-líder da JSD, Duarte Marques, e temos cinco nomes incontornáveis para o futuro do PSD. Às vezes o presente escreve certo para o futuro.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O que faz um dito empreendedor?

Julgo que um empreendedor, empreende. E depois diz que é empreendedor. É uma boa profissão, depois faz umas conferências, usa metáforas imbecis como «bater punho», depois começa a vender pipocas e a seguir é contratado pelo Governo. É uma solução para quem se encontra no desemprego.

Repito a pergunta que nenhum jornalista ainda teve coragem de fazer ao ministro Maduro: o parolo imbecil que «bate punho» ainda está ao serviço do Governo, ou já o dispensou?

segunda-feira, 15 de abril de 2013

CDS e PSD pressionam Governo e vão atacar Maduro

Quando para uma pasta que gere milhões se escolhe um filiado no PSD mas sem grande ligação ao aparelho do partido já se sabe que teremos contestação a ele e à sua equipa. Basta ler esta notícia, de que destaco esta passagem: «António Leitão Amaro, deputado do PSD, foi convidado para secretário de Estado do poder local que aceitou, mas como a sua posse ficou adiada à espera do preenchimento de outra vaga no ministério, a do desenvolvimento regional, há fortes pressões do PSD Lisboa contra Leitão Amaro».

Já sabíamos que Carlos Carreiras e "sus muchachos" queriam entrar neste Governo, já corria isso em bastidores aqui fica a evidência. Maduro vai ser um foco de guerrilha e nos próximos tempos veremos a tentativa de cilindrar o novo ministro.

O CDS também queria mais e é uma evidência diária que o seu silêncio institucional é contrabalançado pela contestação de algumas das suas principais figuras, da qual o ponta-de-lança é António Pires de Lima.

Para lá da crise para a qual não tem solução, do descontentamento dos portugueses, as próprias bases do Governo estão partidas. É muito difícil governar assim.