Se perguntar às pessoas se têm simpatia por algum país para lá daquele em qual nascemos, todas dirão que, por diversos motivos, têm. Eu tenho simpatia pela Escócia, pela Itália, pela Grécia, entre outros, só mencionando países europeus.
É certo que a Europa é apenas um continente, não havendo ainda uma identidade europeia. A Escócia pertence à Grâ-Bretanha mas tem a sua identidade própria, os seus costumes, a sua cultura, as suas indústrias (muitas de ponta), o seu petróleo.
O seu direito a sonhar com a independência é natural. Não por terem uma má relação com a Raínha, mas porque acham que podem construir o seu amanhã em pista própria.
Quem assiste a esta campanha na Escócia sente uma certa simpatia pelos seus propósitos. Mas, por outro lado, sente também os riscos que dela podem derivar. Não os da própria Escócia com a vitória do "Sim", mas porque esse "Sim" pode desencadear outros combates como o da Catalunha (já no terreno), o do País Basco, o da cisão da Bélgica ou a Baviera ("lander" mais rico da Alemanha) a querer também a independência, entre outros.
O dilema maior não é o da Escócia, é o do crescimento dos nacionalismos numa Europa que perde poder todos os dias e ainda não compreendeu os países que a integram.
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terça-feira, 16 de setembro de 2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
A velocidade e a alma da Europa
Qualquer cidadão europeu não se sente ainda europeu. Primeiro, está a sua nacionalidade. O espaço europeu nunca foi encarado como um estado de pertença comum, apesar de todos os esforços de sedimentar essa ideia.
Países pequenos e periféricos como o nosso, olham a Europa como algo distante, controlada pela Alemanha, que nos manda uns dinheiros e pouco mais. Quando há crises ainda não se manifesta uma resposta da UE, uma estratégia comunitária.
A Europa é um continente onde não há europeus, mas apenas cidadãos de cada vez mais países. A mudança de visão deste "statu quo" é uma das ideias de Itália que assume a presidência europeia no próximo semestre.
Ainda há poucos dias, o novo fenómeno da esquerda e líder italiano, Matteo Renzi, dizia que «a Europa de hoje é aborrecimento e não tem alma». Nunca a teve. Ele que se assume um homem da «geração Erasmus» defende que a base da criação e fortalecimento desta alma europeia é este programa que possibilita a estudantes continuarem a vida académica fora dos seus países de origem.
Renzi é um líder dinâmico, talvez o primeiro líder europeu da geração marcada pelas redes sociais. Tem vontade de andar, de construir coisas e a um ritmo acelerado.
Há exactamente duas semanas, o embaixador de Itália foi o orador convidado do International Club of Portugal. Perguntei-lhe se a «Europa estava preparada para o ritmo e dinamismo de Renzi». Ele respondeu: «julgo que nem Itália nem a Europa estão preparadas para o seu ritmo». Essa é a interrogação para o próximo semestre: conseguirá Renzi ser o motor dessa mudança e marcar a liderança europeia?
Países pequenos e periféricos como o nosso, olham a Europa como algo distante, controlada pela Alemanha, que nos manda uns dinheiros e pouco mais. Quando há crises ainda não se manifesta uma resposta da UE, uma estratégia comunitária.
A Europa é um continente onde não há europeus, mas apenas cidadãos de cada vez mais países. A mudança de visão deste "statu quo" é uma das ideias de Itália que assume a presidência europeia no próximo semestre.
Ainda há poucos dias, o novo fenómeno da esquerda e líder italiano, Matteo Renzi, dizia que «a Europa de hoje é aborrecimento e não tem alma». Nunca a teve. Ele que se assume um homem da «geração Erasmus» defende que a base da criação e fortalecimento desta alma europeia é este programa que possibilita a estudantes continuarem a vida académica fora dos seus países de origem.
Renzi é um líder dinâmico, talvez o primeiro líder europeu da geração marcada pelas redes sociais. Tem vontade de andar, de construir coisas e a um ritmo acelerado.
Há exactamente duas semanas, o embaixador de Itália foi o orador convidado do International Club of Portugal. Perguntei-lhe se a «Europa estava preparada para o ritmo e dinamismo de Renzi». Ele respondeu: «julgo que nem Itália nem a Europa estão preparadas para o seu ritmo». Essa é a interrogação para o próximo semestre: conseguirá Renzi ser o motor dessa mudança e marcar a liderança europeia?
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
O futuro da Europa
«Creio que a Europa está em grandes dificuldades, que um Estado europeu é um objectivo muito longínquo, mas creio que é preciso começar a dar pequenos passos concretos que possam conduzir lentamente sem choques para não provocar reacções negativas, a transferir certos aspectos da soberania dos Estados para um Estado europeu. Temos a impressão de que a União Europeia está paralisada pela burocracia»
Claudio Magris, em entrevista à Ler
Claudio Magris, em entrevista à Ler
segunda-feira, 1 de abril de 2013
A decadência de França
A França já se cansou de François Hollande, que apresenta as mais baixas taxas de popularidade de um recém-eleito presidente. Mas mais do que isso, é a quebra da sua força e da sua influência.
Nesta Europa comandada a uma só voz com acento germânico, a Inglaterra está-se marimbando, Espanha está atolada num pântano e Itália entrou no manicómio. Cabia à França fazer um contraponto à Alemanha. Mas isso não aconteceu. Com Hollande a França tem perdido a sua voz e não conta para nada.
Nesta Europa comandada a uma só voz com acento germânico, a Inglaterra está-se marimbando, Espanha está atolada num pântano e Itália entrou no manicómio. Cabia à França fazer um contraponto à Alemanha. Mas isso não aconteceu. Com Hollande a França tem perdido a sua voz e não conta para nada.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
O que é que se ganha em eleger com votos um presidente europeu?
Reza esta notícia que o sucessor de Durão Barroso será escolhido através de voto popular de todos os europeus. O que é que se ganha com isto?
1-O espectáculo de virem a Portugal uns senhores estrangeiros fazerem campanha, mas que ninguém conhece de lado nenhum
2- Por questões de bairrismo, os maiores países, com maior população, estarão mais bem colocados para ganhar a eleição.
3- Vamos ter uma espécie de Festival da Eurovisão da canção. Se se juntar o bloco de Leste. ganha sempre.
4- Vão os europeus sentirem-se mais europeus por escolherem um presidente? Não. Pois não há uma identidade europeia, mas sim nacional.
Logo, pouco se ganha com isto.
1-O espectáculo de virem a Portugal uns senhores estrangeiros fazerem campanha, mas que ninguém conhece de lado nenhum
2- Por questões de bairrismo, os maiores países, com maior população, estarão mais bem colocados para ganhar a eleição.
3- Vamos ter uma espécie de Festival da Eurovisão da canção. Se se juntar o bloco de Leste. ganha sempre.
4- Vão os europeus sentirem-se mais europeus por escolherem um presidente? Não. Pois não há uma identidade europeia, mas sim nacional.
Logo, pouco se ganha com isto.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
O elogio dos PIIGS
«Não é casualidade que os países mais mal tratados pela crise sejam esses onde melhor se vive, onde viver a vida é um elemento fundamental do quotidiano. Espanha, Itália e Grécia são, apesar do oneroso sacrifício imposto pelos economistas, os países onde toda a gente quer viajar. Portugal é também outro objecto de desejo dos europeus economicamente pujantes, e a Irlanda, apesar do seu frio e da sua brum perpétua, um país de alma mediterrânica, onde viver a vida é muito importante».
«(...) Nos úlimos anos, a orientação particular de cada país europeu foi arrasada pelos cânones economicistas, por esse relato que favorece os países tradicionalmente produtivos e que destrói os que estão orientados de outra forma».
«(...) A orientação dos PIIGS não pode nem deve depreciar-se, saber viver a vida é um talento que se deve levar a sério e que não têm a maioria dos países»
Jordi Soler, El Pais
«(...) Nos úlimos anos, a orientação particular de cada país europeu foi arrasada pelos cânones economicistas, por esse relato que favorece os países tradicionalmente produtivos e que destrói os que estão orientados de outra forma».
«(...) A orientação dos PIIGS não pode nem deve depreciar-se, saber viver a vida é um talento que se deve levar a sério e que não têm a maioria dos países»
Jordi Soler, El Pais
domingo, 10 de junho de 2012
Niall Ferguson e Roubini sobre o resgate a Espanha
Agora a Europa está à beira do precipício. Para ler por aqui.
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Espanha,
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Rui Calafate
quarta-feira, 4 de abril de 2012
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