quinta-feira, 12 de março de 2015

A tourada das presidenciais e o circuito fechado dos políticos

A prova de que os políticos vivem em circuito fechado é a autêntica tourada em que se está a tornar a próxima eleição presidencial. A classe política portuguesa ainda não percebeu que as pessoas estão-se a marimbar para as presidenciais e olham para a coisa como se assistissem a um sorteio do euromilhões onde, ainda por cima, não há prémio em jogo.

Os portugueses querem ver os seus direitos reassumidos, querem voltar a ter mais dinheiro no bolso, querem menos aves de rapina nos impostos e querem o seu País e as suas terras bem geridas e bem cuidadas.

Presidenciais é um jogo de políticos, um cargo quase tornado irrelevante por Cavaco Silva e sem poder. Hoje, leio que Carvalho da Silva está disponível e Maria de Belém «alimenta incerteza». Mais dois nomes para engrandecer esta terrível batalha naval entre esquerda e direita, mas onde não há porta-aviões nem submarinos.

Só queria avisar que eu não quero ser candidato presidencial e o sr. Alberto da mercearia também não. E mais uns milhões de portugueses também não.

terça-feira, 10 de março de 2015

Uma lei do poder

«O poder é sempre perigoso. Atrai o pior. E corrompe o melhor»
Vikings 3ª temporada

segunda-feira, 9 de março de 2015

A RTP2, as séries e o "buzz" que conta

A RTP2 nos últimos tempos tem vindo a ganhar espectadores. Não é que seja novidade na sua grelha a aposta em séries, já o fez no passado e até com algumas pérolas (nomeadamente "Mad Men"), mas com menos consistência e com menos marketing.

Tudo virou com a estreia da muito comentada e excepcional série dinamarquesa Borgen. Com publicidade e marketing na imprensa e com o buzz criado por uma série de líderes de opinião nas redes sociais, a RTP2 ganhou público e criou uma fidelização, que tem vindo a crescer, para o horário das 22 horas e que se habituou a deparar com séries de qualidade de produção europeia.

Depois das três temporadas de Borgen, veio a espanhola "El Principe", também de excelente qualidade e com um tema muito actual, o terrorismo, e agora a magnífica série francesa "Os Influentes", de que também já tinha dado nota aqui neste blog.

A RTP2 ganhou assim um posicionamento de qualidade que lhe traz notoriedade e reputação. Sem esquecer que tem tido o apoio e a promoção das redes sociais., hoje em dia fundamentais na criação de um "buzz", um passa-palavra, que continua a ser a melhor arma da boa publicidade.

sábado, 7 de março de 2015

Truques de consultor de comunicação

 Consultor - «Nunca deixe o Matignon (Palácio onde trabalha o Primeiro-Ministro francês) de mãos vazias».
PM- «Tenho uma pasta»
Consultor - «Nunca se sabe o que tem dentro. Saia com uma pilha de dossiers, faça um ar assoberbado de quem não tem tempo para cuidar de si. Quando entrar no carro, diante das câmaras, ponha os óculos e deixe-se absorver pelos dossiers»
PM- «Eu uso lentes de contacto...»
Consultor- «Tirando o senhor, quem o sabe?»

Os Influentes. Todos os dias da semana 22h na RTP2

sexta-feira, 6 de março de 2015

A imagem não é tudo

«O importante é parecer que é uma pessoa melhor. Isso é que os eleitores admiram, a imagem»

Good Wife, 6ª temporada

quarta-feira, 4 de março de 2015

A autodestruição da classe política portuguesa

Pode um comum cidadão ter um atraso num pagamento das suas obrigações fiscais ou da segurança social? Claro que sim. Todos o fazem para enganar essas entidades? Não. Às vezes acontece, há esquecimentos, há desconhecimentos, há confusões. Estas são premissas que podem acontecer a um qualquer cidadão normal e comum.

Mas quando algo de semelhante acontece a um Primeiro-Ministro, todos sabemos que o tribunal popular não perdoa. E não perdoa por dois motivos: 1- Porque já aconteceram outras confusões semelhantes; 2- Porque este PM e este Governo impuseram um regime de austeridade com uma desenfreada caça ao fisco e uma vigilância apertada sobre as contribuições para a segurança social.

Todos os portugueses foram vítimas, todos os portugueses foram amassados nos seus rendimentos, nas suas reformas, nas suas pensões, em muitos direitos que o Estado tem vindo a trabalhar para apagar. Relembro ainda que muitas famílias, por dívidas fiscais e à segurança social, perderam a possibilidade de concessão aos seus filhos de bolsas de estudo.

Logo, é natural que a repercussão sobre o caso de Pedro Passos Coelho é enorme. Não há nenhum "voyeurismo" atroz sobre a sua família, mas sim, por um lado, o trabalho dos jornalistas que têm essa obrigação de controlo e de investigação dos que ocupam cargos públicos, porque a imprensa é uma garantia de liberdade e informação numa sociedade democrática; por outro, todos sabemos, sem ingenuidades, que quem anda à chuva, molha-se. Quem ocupa cargos na esfera do poder, está sujeito a uma marcação cerrada dos media e de uma constante atenção da opinião pública, ainda mais reforçada com o poder das redes sociais.

O Primeiro-Ministro errou. Diz que por desconhecimento. Mas desse juízo de culpa do tribunal popular tem hoje pouca margem de manobra para escapar. Tem direito a todos os mecanismos de defesa e a um trabalho de comunicação que garanta a sua reputação. Porém, partir para uma vitimização ou para uma operação de ligação de ventoinhas em que homens do seu partido e do seu gabinete propagam notícias antigas sobre o adversário - que inclusivamente já tinham sido desmentidas na altura - é levar toda a classe política para um pântano.

E hoje, como sabemos, a reputação da classe política já anda pelas ruas da amargura e uma crescente desconfiança das pessoas vem instalando-se, atingindo pessoas de bem, porque também as há, e muitas, entre quem faz política em Portugal. Esta é uma semana marcante para o exercício autofágico, de autodestruição, da classe política portuguesa. E tudo numa semana em que António Costa meteu um erro comunicacional no seu caminho ao dizer que hoje estamos melhor que há quatro anos. E parece que já ninguém se lembra disso, porque fomos inundados de porcaria.

domingo, 1 de março de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"Hereges", Leonardo Padura, Porto Editora, 545 páginas. Eu adoro este escritor cubano que criou um detective que ama livros, e os compra e vende, para subsistir que se chama Mario Conde. Neste livro que assinala o seu regresso, um drama histórico com judeus que queriam entrar em Cuba durante o nazismo mas que não conseguiram entrar pela corrupção instalada e nem um Rembrandt os salvou. Depois é a investigação mas não é um policial normal, é apenas mais um grande livro de Padura de quem já recomendei uma das maravilhas dos últimos anos "O Homem que gostava de cães" (também da Porto Editora), sobre o assassino de Trostsky que é uma obra genial.

"O fim do poder", Moises Naim, Gradiva, 406 pág. Considerado o livro de 2013 pelo "financial times", uma deambulação bem fundamentada pelos poderes e pelo "establishment", religião, política, negócios, educação e como os micropoderes os podem desestruturar. Naim é venezuelano, um especialista em política internacional e escreve no El Pais, provavelmente, uma das melhores colunas de opinião sobre o que se passa no mundo. Habitualmente é um privilégio para quem o compra ao domingo, como eu.

"Galveston", Nic Pizzolato, Presença, 236 pág. O primeiro livro do criador e argumentista da brilhante série "True Detective". Mais uma vez conseguimos estabelecer empatia com o seu personagem principal, neste caso um criminoso e não um polícia. Para quem gostou da série, garante que não perde o seu tempo ao entrar na magnífica escrita de Pizzolato.

Cinema

Em casa, sábado, TVC2, a partir das 19.40h, dois filmes geniais de Michael Haneke: "O Laço Branco" e "Amor".
A comprar a bom preço, um grande clássico de Carol Reed, mas quem conhece a história do cinema sabe que ele é quase todo de Orson Welles, "O Terceiro Homem", sensacional película de espionagem durante a guerra fria com Welles e Joseph Cotten.

Documentários

No Arte, 3a, 19.50h, "Churchill, um gigante no século", uma biografia sobre um dos grandes líderes da história do mundo.
No TVC2, à mesma hora, "A mentira de Armstrong", sobre o lendário campeão da mentira do ciclismo Lance Armstrong

Série

A RTP2 está em grande momento. Depois de Borgen e de Príncipe, estreia na quinta às 22h, "Os Influentes". Trama política francesa que é uma das preferidas de françois Hollande.

Restaurante

Sushi Café, na Barata Salgueiro, para mim um dos melhores restaurantes, e ambientes, de comida japonesa de Lisboa.