segunda-feira, 2 de junho de 2014

A abdicação do Rei D. Juan Carlos

O momento talvez seja uma surpresa. Mas a abdicação do rei D. Juan Carlos era neste momento necessária. Nunca a Coroa espanhola teve tão baixos índices de popularidade, esteve envolvida em tantos escândalos e teve a sua reputação tão abalada como agora.

Há duas semanas a comunicação da Casa Real, nos maiores jornais espanhois, El Pais, El Mundo e no mais próximo da sua política, o ABC, lançou uma bateria de promoção da princesa Letizia, talvez o ponto fraco mediático do seu sucessor, o príncipe Filipe, que há muito está preparado para o exercício dos seus poderes e tem ainda uma popularidade e um prestígio elevado.

D. Juan Carlos não ficará mal visto pela história, pesem as caçadas e as amantes. Quando está prestes a completar 75 anos e 40 anos de reinado, ele foi o monarca que uniu os espanhois, que durante décadas impediu a secessão das várias nacionalidades do seu território, que liderou com o apoio de Adolfo Suarez o processo de transição para a democracia e liberdade.

O seu reinado, e a sua família real, foram durante muitos anos os alicerces da marca Espanha e muita gente não liga a estas coisas do marketing, mas um País tem vários focos de reforço da sua reputação e a Coroa espanhola foi um dos vértices da sua promoção internacional.

E não esqueço que Juan Carlos era um amigo e gostava de Portugal. País que o acolheu e onde viveu a sua juventude por exílio do seu pai e onde tem muitos amigos. Sai o Rei, venha o novo Rei.

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