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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Dignidade ou a carta final

João figueiredo foi o último presidente da ditadura brasileira. O que passou o poder para Tancredo Neves. Mas o homem de Belo Horizonte morreu e foi o seu vice, José Sarney, que se tornou o primeiro presidente da democracia brasileira.

Por achar Sarney um traidor, ele que sempre alinhou com o Arena (o partido da ditadura), João figueiredo não chegou a ler o discurso simples, digno, que tinha previsto realizar para uma transição tranquila e nem esteve presente na cerimónia. Passados estes 30 anos, a Veja reproduziu essas palavras depois de serem finalmente encontradas.

«Trago a consciência tranquila e o ânimo sereno de quem sabe que cumpriu o seu dever e saldou os compromissos assumidos consigo mesmo e com a Nação.

Senhor Tancredo Neves, é com satisfação que passo às suas mãos a Presidência da República. Está Vossa Excelência altamente credenciado para o cargo, por suas qualidades intelectuais e morais, seu equilíbrio, seu espírito público.

Conta Vossa Excelência com beneplácito popular. A minha simpatia o acompanha, com os votos do maior êxito na missão que o Brasil lhe confiou.

Presidente Tancredo Neves, confio em sua vontade de servir. Que Deus o ajude».

Uma saída simples, digna, pacífica, do último ditador brasileiro. Palavras sinceras para aqueles novos tempos. Por vezes sente-se a falta da "gravitas" na política actual, este é um bom exemplo de quem menos se esperava.  

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

No Brasil ganhou Lula e o medo

Primeiro o PT estava a arrasar Aécio Neves, até ao dia em que caiu o avião que levava Eduardo Campos. Depois, com a ascensão de Marina Silva, pouparam por instantes o candidato do PSDB para tirarem a santa do santuário e passarem o tractor por cima de Marina. Até voltarem com as técnicas sujas e do medo a dizimarem Aécio. Assim, de maneira simples, deixo o que se passou na campanha brasileira em termos tácticos na comunicação política.

Nesta segunda volta, em que Aécio herdaria os 22 milhões de votos de Marina depois do apoio por ela expresso, o que ressalta é a entrada de Lula e da sua popularidade. Jogando o seu prestígio e todos os programas sociais que legou aos brasileiros.

Lula e a campanha do medo do PT. Acusaram Aécio de ir acabar com os programas sociais que mantêm as vidas de milhões de brasileiros. O ex-presidente chegou a chamar ao PSDB, um partido criado por gente de liberdade como fernando Henrique Cardoso e Mário Covas, «nazi». Uma manipulação e desconstrução de Aécio com esta narrativa do medo.

Veja-se o que se passou em Pernanbuco e Minas Gerais, decisivos para a vitória de Dilma. O primeiro estado que citei, de onde era Eduardo Campos, deu a vitória a Marina na primeira volta, agora a candidata do PT ganhou aqui com mais de 70 por cento dos votos. E Minas, terra de Aécio e bem governada por ele, também caiu para Dilma.

Dilma não entusiasmou ninguém, E Aécio trouxe a mudança mas não a soube explicar bem e nunca na sua narrativa a impôs. Lula e os programas sociais ganharam esta eleição. Não sei se isto basta para os próximos anos do Brasil que continua atolado em corrupção.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Eleições no Brasil: tiraram a santa do santuário e a segunda volta

Até um dia, as eleições no Brasil estavam decididas. Haveria segunda volta entre os dois candidatos mais bem posicionados: Dilma Rousseff, e Aécio Neves. Mas, nesse dia, caiu um avião que matou Eduardo Campos. Aí a sua vice, Marina Silva, sobe no palanque e torna-se a candidata mais temida pelo PT de Dilma.

Nessa primeira fase de campanha, a máquina do PT de Dilma estava concentrada em cilindrar Aécio. São conhecidas as campanhas negras contra a sua reputação, chamando-lhe tudo e inventando uma série de cabalas nas redes sociais, a melhor arma para os cobardes.

Mas quando os estrategas do PT entenderam por diversos estudos de opinião que Marina superaria Aécio e podia bater Dilma numa segunda volta, aí as suas armas viraram-se para arrasar a candidata da chapa do PSB. E o que é certo é que a campanha de Dilma, superiormente comandada pelo marqueteiro João Santana, conseguiu tirar a santa do santuário e a imagem de Marina e os seus índices de rejeição caíram todos os dias.

Agora, e contra todas as expectativas, com Aécio a 8 pontos apenas da "presidenta", tenho a certeza que as ventoinhas que espalham a porcaria vão ser montadas outra vez contra o magnífico ex-governador de Minas Gerais. Vai ser uma segunda volta muito dura, uma guerra que será violenta e suja, com duas máquinas partidárias bem oleadas mas onde a aliança PT/PMDB leva vantagem sobre o PSDB.

E no Brasil, como cá, cuidado com os institutos de sondagens. Porque elas influenciam a percepção e decisão dos eleitores. Tanto a nível nacional como estadual (Rio Grande do Sul, por exemplo), houve erros bastante graves. É tempo de haver regras mais severas para quem pretende manipular eleições.
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,nunca-antes,1571915O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,nunca-antes,1571915O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,nunca-antes,1571915
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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Marina Silva: o nada com carisma

Uma tragédia que leva a vida a um candidato promissor, e já um excepcional político, trouxe de novo Marina Silva para a ribalta. Essa mulher, escreve J. R. Guzzo na última edição da Veja, «Marina, como a Rússia descrita por Churchill, é uma charada envolvida em mistério que fica dentro de um enigma».

Marina é mesmo indecifrável. Tem, desde a última eleição presidencial, o apoio dos jovens e do eleitorado urbano como se um elemento de frescura e novidade se tratasse. Mas a sua carreira desenvolve-se dentro do PT com quem depois cortou.

Parece romper com o sistema, mas é apenas um elemento que se desagradou com o sistema onde antes habitava. É vaga, apesar de conhecermos a defesa da ecologia e a sua ligação aos evangélicos, é um nada com uma biografia e história de vida perfeitos para um currículo de qualquer candidato.

Era vice na chapa de Eduardo Campos que contava com ela para lhe dar mais notoriedade e entrada nos centros urbanos onde ainda era pouco conhecido. Mas, nesse papel, Marina não lhe estava a trazer nada. De repente, por uma qualquer decisão dos deuses que comandam o destino, vê-se lançada a combater Dilma e Aécio Neves (um grande candidato e provavelmente o melhor político da actualidade, com tudo para ser um bom presidente).

Além do nada, ela tem algo que mobiliza, que emociona, que a torna empática: o carisma. Essa palavra tão difícil de definir e hoje tão rara e que a pode levar a ser a próxima presidente do Brasil.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Turismo de Lisboa

O meu amigo Luis Paulo Rodrigues, agora radicado no Brasil, chamou hoje a atenção para o facto do nosso País irmão ter registado apenas 6 milhões de turistas. Hoje, de manhã li que Lisboa teve mais de 10 milhões de dormidas e 600 milhões de receitas para os nossos hotéis.

Já o tinha escrito, bom trabalho do Turismo de Lisboa, cada cêntimo que gasta em marketing e comunicação é bem gasto para bem da nossa economia. No caso do Brasil, os brasileiros vão ter de aprender connosco neste sector.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O deslumbramento e o cair no real do Brasil

O Deslumbramento - Dois presidentes que foram grandes e Lula nunca teria sido o que foi sem Fernando Henrique Cardoso; taxas de crescimento a subir devido ao apetite dos mercados asiáticos nas "commodities" e petróleo; classe média com dinheiro e consumo; entrada no clube das grandes potências e economia emergente.

O Cair no Real - Manteve-se a corrupção e a falta de transparência; mantiveram-se os cuidados assistenciais e a educação de terceiro mundo; manteve-se o abismo entre ricos e pobres; manteve-se a violência e insegurança.

O Brasil é grande, tem tudo para ser um grande país, mas falta o salto de uma sociedade moderna, justa e equilibrada. Não sei se Dilma o compreende.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Brasileiros fazem cidadania sem medo

O Brasil elevou os seus patamares de qualidade de vida e consumo. Tudo começou com Fernando Henrique Cardoso, deu um salto ainda maior com Lula e mantém com Dilma.

Para lá dos seus recursos naturais, o Brasil é hoje visto como um país rico e com economia pujante. Não está em crise, não está angustiado, não está sem esperança como muitos outros países europeus.

Apesar disso, foram fortes as manifestações, ontem acontecidas, por todo o Brasil. Foi um manifesto de cidadania pura, contra o aumento dos transportes, contra o aumento do custo de vida, contra os gastos faraónicos em estádios de futebol (e eles amam o futebol), contra a falta de investimento em saúde e educação.

Um manifesto salutar numa sociedade que precisa de ser muito mais democrática, mais transparente, mais equitativa. O dinheiro não é tudo e muita gente ainda não percebeu isso, ontem começaram a perceber.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Oportunidade para as empresas portuguesas

Plano de estímulo do governo brasileiro.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Mudança de paradigma no Carnaval do Brasil

Magrinhas substituem "popozudas", é a tendência deste ano. Para ler divertido aqui.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Temos de cativar os turistas brasileiros

Em Julho, estive em Barcelona e reparei que no hotel onde fiquei mais de metade da sala ao pequeno almoço era de nacionalidade brasileira.

Os brasileiros deram um importante salto na fuga à pobreza e a sua classe média tem hoje uma capacidade financeira que lhe permite viajar muito mais.

Somos um País bonito e simpático, que fala a mesma língua, que gera simpatia, logo, temos de ter capacidade de atrair esta nova vaga e disponibilidade para o consumo do novo turista brasileiro.

O turismo é para Portugal uma das indústrias mais vitais para a economia e para a criação de investimento e emprego, por isso chamo a atenção para este artigo do Estado de S. Paulo que releva o aumento record de gastos no exterior dos brasileiros.