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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Pergunta inocente

Às vezes gosto de recordar os tempos de jornalista e ficam-me dúvidas no ar.

Ontem, no Correio da Manhã, na página 13, na sequência do caso Feteira, foto que retratava os herdeiros a serem acompanhados à porta do escritório de José Miguel Júdice pelo próprio José Miguel Júdice.

Na peça, a descrição do início e termo do encontro e sequência estratégica delineada por este lado do processo. O título era expressivo: «Silêncio imposto a herdeiros». Explicando que a partir de agora quem fala é o advogado José Miguel Júdice. Nada a dizer sobre o atrás mencionado, tudo perfeitamente normal.

Mas a minha dúvida tem a ver com o seguinte: os jornais falam dos honorários de Duarte Lima mas ainda ninguém perguntou outra coisa.

É que a PLMJ é a maior sociedade de advogados portuguesa, e a hora de trabalho de José Miguel Júdice é das mais caras do país. E ele vai dar, pessoalmente, a cara por este processo e ninguém acredita que seja pro-bono.

Juntando ao facto que os herdeiros já tiveram outras equipas de advogados envolvidas (brasileiras e portuguesas) gostava imenso que o Correio da Manhã fizesse um cálculo sobre os custos envolvidos com advogados na herança Feteira.

Notícia que teria muito interesse para quem acompanha esta novela desde o Verão.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Duarte Lima na RTP

Na nossa vida acho que o princípio fundamental é gostar de pessoas. Defendermos as pessoas de quem gostamos e ignorarmos ou não reagirmos às pessoas de que não gostamos ou que nos desiludiram.

Sou amigo de Duarte Lima e já tinha escrito que me chocava o que foi feito com o seu nome durante este Verão. Ele não é nem vigarista nem assassino. É uma pessoa solidária e com inteligência e cultura superior.

Por isso, o que terá passado a sua família a observar o que diariamente é (era) escrito sobre ele.

Manteve o silêncio por sugestão do seu advogado, o Professor Germano Marques da Silva, e pelas imposições inerentes a uma investigação judicial em que, como explicou a polícia brasileira, ele é apenas testemunha e não suspeito.

Duarte Lima, ontem, explicou muito bem que há um tempo mediático e um tempo da justiça e que por vezes são conflituosos. Os especialistas em Direito têm uma visão que se baseia no processo que conduzem. Os especilistas em comunicação baseiam-se na reputação e no universo mediático.

Se os primeiros defendem o silêncio, os segundos preferem um esclarecimento eficaz com uma intervenção pública.

Duarte Lima, provando a sua inocência, optou pelo meio mais difícil, pela prova mais dura. Uma entrevista em televisão, com Judite Sousa (a mais experiente e notável das entrevistadoras) e a possibilidade de, com os resultados de share e a transversalidade de audiências que o seu programa permitem, esclarecer o maior universo de público.

Foi uma notável entrevista. Como me disse um amigo, foi «emoção e credibilidade». Respondeu o que podia responder com seriedade e com a emoção de quem se sente perseguido com injustiça.

A história do contacto com o empresário Lúcio Tomé Feteira foi fantástica, o esclarecimento de que a morte da sua cliente com certeza não lhe interessava a ele, e o recado para reflexão sobre os interesses de «terceiros» foram certos.

E teve dois momentos notáveis de televisão: o seu único momento assassino na vida. Quando Judite lhe pergunta quem está a conduzir esta campanha negra contra ele. Duarte Lima deixou um silêncio que parecia uma eternidade.

E o momento final, de consciência tranquila, que agradece o apoio dos amigos e dos que acreditam na causa nobre que é a sua associação que se transformou no combate da sua vida, e que tem ajudado muita gente, trazendo dadores de medula óssea para os que sofrem leucemia. Pois, como penhor do combate pela vida, tem essa obra feita.

Duarte Lima é e continuará a ser um amigo. Eu já acreditava nele e os que duvidavam, ontem, ficaram bem esclarecidos.