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terça-feira, 23 de setembro de 2014

A comunicação política e as agências de comunicação

Devem as consultoras de comunicação actuar e trabalhar na área da comunicação política? Por seu lado, devem os players da política recorrer às agências de comunicação?

Começando pela segunda pergunta, julgo que sim e temos casos bem evidentes. Dando dois exemplos: desde os primeiros passos do Governo de Passos Coelho, foram evidentes os problemas de comunicação. E ao contrário de outros, este Governo nunca recorreu a agências de comunicação de maneira continuada e estratégica. Outro exemplo são as actuais primárias do PS, que se têm pautado por uma manifesta falta de qualidade,e e onde os dois candidatos se deram ao trabalho de dar uma página inteira de notícia do DN para mostrarem que não trabalhavam com agências de comunicação, recorrendo ambos a "voluntários", segundo a expressão usada na reportagem.

Com estes dois exemplos, fica bem patente que porventura as consultoras de comunicação poderiam dar um contributo mais profissional, com outra visão e de muito maior qualidade como já deram no passado a todos os partidos, com excepção de PCP e BE.

Voltando à primeira pergunta, julgo também que sim, apesar de determinados riscos reputacionais para as consultoras ontem apontados pelo Luis Paixão Martins neste seu post. Recordo também dois exemplos: António Costa atacou reputacionalmente António José Seguro tentando colar o seu adversário ao mesmo consultor de Menezes em Gaia, dando um lado de sombra muito negra às agências de comunicação. Depois, vários trabalhos jornalísticos sobre câmaras municipais destacam quase sempre as ligações por ajuste directo das citadas a consultoras de comunicação.

No caso de ataque de Costa, ele é também fruto do nosso sector ainda não ter conseguido explicar bem o trabalho que faz, a mais valia que é para os nossos clientes, instituições, marcas, na sua projecção e notoriedade e também na condução da gestão da sua reputação de maneira objectiva e profissional.

No segundo caso do ataque às agências de comunicação, onde por vezes por desconhecimento se baralham as coisas e metem agências de publicidade e prestadores de serviços variados que não são especialistas em comunicação e nada têm a ver com consultoras que desenvolvem trabalho apreciado e sério, é bom que se esclareça que os ajustes directos não são ilegais e por terem um valor abaixo do determinado pela lei, as autarquias ou outras instituições podem escolher por livre vontade os profissionais em que mais depositam confiança para atingir os objectivos estrategicamente determinados e que passam pela divulgação do trabalho realizado e por uma relação de transparência com munícipes e "stakeholders".

Na magistral série "Deadwood" dizia-se «se não pedimos preço, perdem-nos o respeito". Mas um facto é que os serviços prestados pelas consultoras de comunicação são ajustáveis aos objectivos e à dimensão do cliente e do trabalho realizado. Não são nenhum bicho de sete cabeças.

Assim sendo, e apesar de alguns riscos inerentes ao nosso trabalho, Portugal tem bons especialistas em comunicação política, não são muitos, mas o mercado e os "players" da política sabem quem são. E as agências de comunicação são parceiros importantes, que trazem outra dimensão, mais foco, mais profissionalismo, mais experiência e uma visão global que não está encerrada nas dinâmicas internas de uma organização partidária. Não podemos estar de costas voltadas, na comunicação política os melhores estão nas agências de comunicação.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

11 maneiras de criar a agência de comunicação do futuro

Via Luis Paixão Martins sugiro a leitura deste post do Holmes Report, sobre como "desenhar" uma agência de comunicação do futuro. Mas acrescento mais um ponto: o posicionamento das agências como verdadeiros centros de networking e criar ligações entre as pessoas. Com isso virá mais negócio para as nossas empresas e para as pessoas que ligamos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pedro Reis na Cunha Vaz & Associados

Era uma notícia que já sabia e até já falámos sobre isso. Por amizade, aguardei que se tornasse pública esta notícia e hoje surge no DE num trabalho sobre as agências de comunicação na corrida às privatizações. Já agora, são elas LPM, Cunha Vaz, JLM, Imago e Ban.

Pela mesma amizade, transmito ao Pedro Reis em público os votos que dei em privado de muitas felicidades e sucesso neste novo desafio.

domingo, 26 de junho de 2011

Duas expectativas mediáticas

1- Hoje leio que vários distritos estão em alerta máximo de incêndio. Não sei se se recordam, mas sempre que o PSD esteve no Governo, especialmente com Durão Barroso, os canais televisivos deram horas de directos e de intensas coberturas noticiosas sobre os fogos que lavravam em Portugal. A ideia era que o País estava a arder, era um campo de ataque mediático que se explorava. Depois, veio José Sócrates e, subtilmente (ou talvez não) as televisões perderam o interesse na cobertura de incêndios um espectáculo que garante audiências fruto das preocupações naturais que motiva. Vamos ver como vai ser agora.

2- Há uns anos atrás a TVI tornou um funeral de um jovem dos Morangos com Açucar, um acontecimento nacional com tranmissão em directo. Hoje, outro jovem ex-Morangos, Anjélico Vieira, faz manchetes de quase todos os jornais com a sua luta pela vida depois de um grave acidente de que foi vítima. Desejando que o jovem se restabeleça rapidamente, aguardo para ver o espectáculo que a TVI já deve ter montado para os seus jornais.

terça-feira, 14 de junho de 2011

BBC escolheu caminho perigoso

A reportagem apresentada pela BBC marca definitivamente a ida de um canal de referência para assuntos sensacionalistas, diriam os críticos.

Para os sensatos, apenas mostra a escolha de morrer. É um caminho difícil de comentar, mas um dia destes, por cá, também teremos uma coisa destas.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Já somos 3 milhões no Facebook

Três milhões de perfis portugueses no Facebook, leio na Meios. E veja as marcas com mais seguidores.

Há quem esteja apenas por estar, há quem use este espaço como um espaço de evasão, há quem trabalhe com o Facebook, mas o que importa é que somos três milhões a tentar comunicar.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Nota importante ao mercado de Comunicação

Conta-se que em todos os manicómios há sempre uma pessoa que se julga Napoleão Bonaparte.

Na minha vida nunca gostei de promover vigaristas e incultos dando-lhes protagonismo. E já há muitos meses que não comento casos do foro psiquiátrico.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O estado pré-caos da sociedade e dos Media

Luís Paixão Martins na conferência da APAN e no blog Lugares Comuns chamou a atenção para o estado de pré-caos das instituições e do universo mediático. Concordo.

Vivemos um tempo de quebra de autoridade e de falta de decoro. As pessoas acreditam na falência dos regimes políticos e não confiam nesses responsáveis. Há um cansaço evidente, não só nacional, para a conversa de políticos.

Hoje, todos falam que já não se fazem líderes como no passado e a política, a justiça, a ordem, a verdade estão mal tratadas como nunca estiveram.

Esse momento pré-caos e de fim de regime passa também para o universo mediático. Como escreviam no Buzzófias, se hoje houvesse uma greve de jornalistas, as pessoas não sentiriam a sua falta. Porque o mundo mudou e qualquer um em diversas plataformas pode produzir conteúdos e dar informação.

No universo mediático o papel dos gatekeepers esbateu-se. A informação hoje é misturada entre informação profissional e credível e informação feita por pessoas que não têm formação para fazer informação.

As agências de comunicação estão a habituar-se a este novo mundo, estão a experimentar e a tactear. Mas delas, acho que serei profético, virão sinais de credibilidade, de responsabilidade, de ética. Excluindo naturalmente os que não têm carácter e geneticamente são vigaristas. Porque por aqui também a boa moeda expulsa a má moeda.

Como diz o LPM, as agências serão agregadoras, de públicos mas também deverão ser de referências e valores. Neste estado pré-caos devemos ser responsáveis, firmes, porque lidamos com a nossa Marca, mas sobretudo com a Marca de outros.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Michael Bublé e o que é um "entertainer"

Ontem fui arrastado para ser uma das 15 mil pessoas que encheram o pavilhão Atlântico para ver o Michael Bublé.

Apesar de ser um bom cantor, ele é sobretudo um "entertainer". Como não sou fâ das suas músicas, provavelmente estive mais atento à sua presença e às suas técnicas em palco para controlo da plateia.

E o que é um "entertainer"? Ao contrário do que pensa um pateta, não é um palhaço. É um comunicador. É um homem que controla a sua audiência. Que sabe a reacção da primeira fila, mas também que sente a respiração de qualquer pessoa em lugar mais afastado.

Confesso que não acredito em metade do que ele disse. Aquela reprodução da conversa telefónica com o seu agente que amou os portugueses e que quer já voltar cá no próximo Verão fica bem.

A ida para o centro do pavilhão, a sua recriação do "Billie Jean" da voz e do "moon walk" do Michael jackson é notável. Os gestos com os dedos, o apontar para uma pessoa na multidão são técnicas de um artista que controla a audiência.

Há pouco tempo escrevi sobre muita gente que se refugia no power point, que se limita a debitar o que está escrito naquela ferramenta de apoio. Esses são maus comunicadres e não são "entertainers".

O grande comunicador é "one man show", usa o humor, cria uma emoção (Bublé criou ontem com um músico da sua banda que é de origem portuguesa), sente uma plateia.

Michael Bublé, para lá de bom cantor, é um grande comunicador, um grande artista e um grande "entertainer". E o entretenimento é o grande segredo da boa comunicação e dos bons conteúdos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Carta a Jovens Consultores (4) - 1a Resposta

Vou responder à primeira pergunta desta secção. Foi feita por Luis Pedro Silva, External Affairs Officer de uma empresa da área farmacêutica que me pediu para não divulgar.

«Como comenta a qualidade da formação em Portugal na sua área de especialidade (comunicação e relações públicas)?»

Caro Leitor

As Universidades portuguesas não estão preparadas para formar bons profissionais na área de Conselho em Comunicação.

Primeiro, muitos docentes são professores de cultura geral, e alguns são medíocres, sem qualquer conhecimento nem experiência nesta área de actividade.

Pela também falta de conhecimento geral do que fazemos (culpa das associações e empresários do sector), a área de Conselho em Comunicação (as agências) é ainda pouco estudada e pouco conhecida. Logo, os próprios alunos desconhecem na maior parte dos casos (há excepções, naturalmente, dou o exemplo do António Marques Mendes que é um bom professor universitário), o que fazemos.

A melhor formação é a tarimba diária e ter a sorte de ter colegas mais velhos que partilhem experiências e tenham gosto em ensinar. Depois, depende efectivamente da personalidade do jovem consultor.

Uma múmia, um burro, uma pessoa com falta de interesses gerais, sem leituras, sem ler pelo menos diariamente um jornal dificilmente será um bom consultor. Poderá ser um mero medíocre assessor, um operário de comunicação que envia uns press releases para os jornais e pouco mais.

Por isso, apesar de já haver mestrados onde se pedem trabalhos específicos (elaboração de campanhas eleitorais, trabalhos de PR, etc), é preciso que as universidades percebam melhor o que fazemos e deixem de falar de clássicos da comunicação, meros exercícios teóricos, que hoje não fazem sentido.

Mais trabalhos práticos e mais informação do lado dos formadores. Aquando da saída das universidades os mais jovens têm de ter sorte (sempre importante), dinamismo e interesses pessoais, empenhamento e estarem bem integrados nas estruturas profissionais e acompanhados por séniores que tenham gosto em ensinar e ajudar a desenvolver talentos.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Pergunta inocente

Às vezes gosto de recordar os tempos de jornalista e ficam-me dúvidas no ar.

Ontem, no Correio da Manhã, na página 13, na sequência do caso Feteira, foto que retratava os herdeiros a serem acompanhados à porta do escritório de José Miguel Júdice pelo próprio José Miguel Júdice.

Na peça, a descrição do início e termo do encontro e sequência estratégica delineada por este lado do processo. O título era expressivo: «Silêncio imposto a herdeiros». Explicando que a partir de agora quem fala é o advogado José Miguel Júdice. Nada a dizer sobre o atrás mencionado, tudo perfeitamente normal.

Mas a minha dúvida tem a ver com o seguinte: os jornais falam dos honorários de Duarte Lima mas ainda ninguém perguntou outra coisa.

É que a PLMJ é a maior sociedade de advogados portuguesa, e a hora de trabalho de José Miguel Júdice é das mais caras do país. E ele vai dar, pessoalmente, a cara por este processo e ninguém acredita que seja pro-bono.

Juntando ao facto que os herdeiros já tiveram outras equipas de advogados envolvidas (brasileiras e portuguesas) gostava imenso que o Correio da Manhã fizesse um cálculo sobre os custos envolvidos com advogados na herança Feteira.

Notícia que teria muito interesse para quem acompanha esta novela desde o Verão.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A «porcaria» de Queiroz

Quem hoje vê a primeira página do SOL sente algo de estranho com o ataque de Carlos Queiroz a Gilberto Madaíl e à Federação.

Faz lembrar o famoso discurso da «porcaria» que um dia proferiu quando falhou uma qualificação.

O mundo da comunicação às vezes tem coisas estranhas. No jornal lê-se que ele atacou os «amadores da federação» e só depois das férias decidirá se mudará a equipa técnica.

Assim sendo, tínhamos de volta o discurso da «porcaria» de volta e o próprio reconhecimento de que Queiroz se achava num pedestal. Pois os amadores eram da Federação e da sua equipa técnica.

Porém, Queiroz já se defendeu dizendo que nunca disse aquilo e atacando violentamente o jornalista que dá estampa ás declarações inexistentes.

Não há duas verdades. A verdade é só uma. Quando se fala em versões da verdade é porque alguém é mentiroso.

O certo é que no campo da comunicação Queiroz é uma desgraça. Nunca percebeu bem a pressão e o mundo mediático que acompanha as coisas da bola.

A outra certeza é que o povo português, no geral, não o suporta. Só alguns comentadores que pouco percebem de futebol, mas que falam nas tribunas televisivas, é que o defendem.

A última certeza é que Queiroz já devia ter posto o lugar à disposição. E não o fez.

sábado, 5 de junho de 2010

Demasiado sensual e a nossa imagem

Como fica uma marca perante uma notícia destas. Neste caso, esta instituição bancária ganhará ou perderá?

A ganhar será muito pouco, talvez apenas em termos de manter uma imagem interna de recato e rigor.

Externamente, para lá de ridícula a notícia, nem homens nem mulheres a vêem com bons olhos. Uns por discriminação outros por falta de gosto.

Costumo dizer que o melhor "dress code" é o bom senso. Consoante os nossos interlocutores e as nossas reuniões devemos saber adaptar-nos, tentando nunca perder a nossa personalidade.

Claro que o despudor tem custos, na hora de escolher a roupa. Em primeiro lugar, em nós próprios, depois na marca que representamos. Mas todos sabemos que, em todas as situações, os olhos comem.

É neste compromisso entre saber manter a reputação e o bom gosto que devemos agir. Mas sugiro ao Citibank que deixe as mulheres terem um toque de sensualidade.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Nota ao mercado de comunicação

Sermões aos peixes...só do Padre António Vieira...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Ninguém investiga o mercado?

Há certas coisas que o mercado tem de trabalhar para melhorar. E falo do mercado de conselho em comunicação em geral, não é nenhuma crítica à APECOM, até porque muitas agências não estão ali associadas.

É muito importante conhecer os verdadeiros accionistas das empresas. Repito, os verdadeiros accionistas das empresas profissionais de conselho em comunicação.

E porquê? Porque se vão percebendo melhor diversas coisas, não só conquistas de clientes mas também certos trabalhos que envolvem esta área de actividade.

Quero deixar uma pista: imagine-se uma empresa que tem um sócio verdadeiro e outro fictício, do verdadeiro não há nada a dizer.

Agora,quando muitos sabem que o fictício representa determinada pessoa A, e essa pessoa A tem um razoável salário para Portugal, mas apenas razoável, e compra uma casa por mais de um milhão de euros não está tudo dito?

Ninguém investiga nada? O mercado não é polícia, nem agente judicial, mas suspeita. E as suspeitas são legítimas. E como é que o mercado reage? Aguarda as migalhas do poder?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Life Emotions

No conselho em comunicação uma vertente a ter sempre em conta, e cada vez mais, é a área das coisas boas da vida.

Não a criação do evento em si, mas o desenvolvimento do conceito e a sua promoção mediática.

Criar movimentos, envolver tribos, conseguindo momentos únicos que servem, naturalmente, para a projecção das marcas envolvidas directamente ou as que surgem como sponsors.

São Life Emotions. É um factor de diferenciação que, quando tem por objectivo ser “Premium” se tornam marcantes para quem os vive.

Em tempos de saturação de micro-eventos ou de eventos de qualidade média duvidosa, criar algo de novo pode ser decisivo.

O mercado diz, hoje, que as empresas têm dificuldades, mas quando a ideia é boa há sempre uma folga no orçamento para quem vê uma boa oportunidade num momento que pode ser inolvidável.

E qual é a pessoa que não gosta de viver momentos inesquecíveis?

PS: há uns tempos atrás, uma senhora costumava-me sempre dizer: «tu nunca dás ponto sem nó»...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A comunicação de Paulo Sérgio

Hoje, estive atento à maneira como Paulo Sérgio, o novo treinador do Sporting, fez as primeiras declarações e o que se escreve sobre ele.

Primeiro ponto: gosto de Paulo Sérgio. Considero-o um discípulo de Jesus, duro e próximo dos seus jogadores, com uma polivalência táctica que lhe permite mexer durante o jogo usando vários sistemas. Joga futebol de ataque e vistoso e isso é que me interessa. E tem a ambição dos jovens lobos.

É muito melhor treinador que Domingos (trabalhinho herdado de Jesus), Villas-Boas (uma incógnita)e Jorge Costa (uma nulidade). Mas se viesse Manuel José, Cajuda (mais pelo personagem), José Peseiro (o melhor treinador do Sporting nos últimos anos), Adriaanse, Spalletti ou Guidolin também ficava satisfeito.

Segundo ponto: o discurso tranquilizador de motivação e vitória é um bom sinal. Com confiança nas suas capacidades em que a frase «nunca precisei de um empresário enquanto jogador e treinador» é muito significativa. Discurso positivo.

Terceiro ponto: a imagem de toureiro/forcado. Solidário, sem medo, confiança, ele que, segundo o "Jogo" é amigo de um dos melhores forcados que vi pegar: Carlos Teles. E que cuidava do físico com os atletas do Vilafranquense, onde conheceu Paulo Sérgio. E uma costela ribatejana, o que é sempre bom (descontando os ribatejanos vigaristas).

Quarto ponto: a minha memória ajuda-me a recordar a primeira entrevista que deu enquanto treinador do Guimarães. Disse: «não é preciso vestir Prada para se ser um bom treinador». Mas reparei que desde que trocou o Paços pela cidade-berço abandonou os bonés, aparou o cabelo, rendeu-se a fatos. Enfim, como Jesus começou a fazer em Braga.

Duas notas finais: eu acredito em Paulo Sérgio e ele não se pode esquecer que o director-desportivo veste Prada.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A imagem do Vaticano

Já escrevi algumas vezes sobre Bento XVI e a desilusão que tem sido a sucessão de João Paulo II.

E a comunicação tem sido terrível. Notícias de encobrimento de casos de pedofilia de Ratzinger antes de ser Papa e declarações erróneas de altos responsáveis do Vaticano minam a imagem de uma instituição milenar.

As declarações de Tarcisio Bertone ligando a homossexualidade à pedofilia são quase de tempos medievais, sem sensibilidade nem conhecimento.

Este Vaticano está a meter água por todo o lado e terá de mudar muito em breve. É necessária gestão de crise rápida e nova injecção de confiança e esperança.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Emídio Rangel

Vi diversas reacções plenamente bem elaboradas sobre a performance de Emídio Rangel no Parlamento. rangel portou-se como uma semente do ódio tentando tornar-se "spin doctor" de Sócrates.

Para desviar as atenções de algo que qualquer formiga já percebeu, desatou a atacar a Justiça (algo que terá de ser acompanhado) e as agências de comunicação.

Como jornalista uma das suas obrigações é tentar falar verdade, por isso se sabe algo devia denunciar as más práticas que falou, se não devia estar caladinho.

Não me esqueço do papel de Rangel na televisão em Portugal. Não me esqueço também que foi ele a lançar Sócrates tanto na SIC como na RTP, juntando-o a paineis de comentadores.

E não me esqueço que na RTP-N e ao sábado no "Correio da Manhã» tem-se revelado mais socratista do que o próprio Sócrates.

Se lançou aleivosias, também me posso dar ao luxo de perguntar a Rangel se esta defesa acirrada que faz de Sócrates é de consciência ou se será a troco de algo.

Rangel quis vestir a pele de D. Quixote de uma causa perdida, virou apenas cavaleiro de triste figura.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Tocha e as derrotas saborosas

Hoje li na Meios&Publicidade uma notícia que já sabia, uma conquista da F5C de João Tocha.

Gosto de explicar uma coisa e parece-me óbvio. João Tocha foi o responsável de várias campanhas políticas, nomeadamente a de Teresa Almeida à Câmara Municipal de Setúbal. Depois da derrota, o PS solidário como sempre colocou-a na presidência da Comissão do Vale do Tejo, a conta ganha por Tocha.

Todos gostamos de ganhar, mas em política há derrotas que se podem tornar saborosas (e eu também sei do que falo pois também tive derrotas saborosas), é o caso desta que envolve com certeza uma avença interessante.

Lembrar que foi esquecido pela Meios que Tocha também fez a campanha de Hermínio Loureiro em Oliveira de Azemeis, apesar de todos sabermos que a sua agência tem uma ligação umbilical ao aparelho do PS.

Tenho respeito pelo profissionalismo de João Tocha, não o conheço, dizem-me que é um homem tímido que nem parece do mundo da comunicação, mas às vezes a timidez também pode esconder outras coisas.

Mas o que é verdade é que o que é importante é trabalhar. Ganhar e perder, mas sobretudo, ir a jogo e Tocha foi. Anunciar o que não se faz, simular o oásis no deserto é um jogo de perdedores e de ressentidos. Não é o meu jogo.

PS: quanto a uma famosa entrevista de Tocha em que disse à Meios que tinha sido convidado pelos 3 candidatos à liderança do PSD na altura: Manuela, Passos e Santana, sobre as pessoas que os rodeavam não sei, mas pelos 3 candidatos hoje posso dizer: era mentira. Manuela era alérgica a agências de comunicação, Passos não o conhecia e Santana também não. Fica o esclarecimento feito. E sei do que falo, como sabem.