«A fama gera o mais perverso dos mal entendidos»
Jorge Luis Borges
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Raptaram a ministra das Finanças?
Mais de um mês - desde que o secretário de Estado escolhido pela miss Swap apresentou a demissão por causa dos mesmos - sem que Portugal tenha ouvido uma palavra de Maria Luis Albuquerque.
Esconderam-na, raptaram-na, o que é verdade é que nunca mais ninguém lhe ouviu a voz, ninguém sabe o que vai fazer, quais as suas ideias (se tem alguma ) para o dito novo ciclo.
É legítimo isso acontecer? É. O Governo deve conhecer os seus calcanhares de Aquiles e deve protegê-los. É bom para o País? Diz muito sobre a política que temos, mas desde que o Governo não governe e não diga asneiras, os portugueses passam melhor.
É o que está a acontecer: esta mistura de prolongamento de Verão com inexistência de Governo e miss Swap está a narcotizar os portugueses que parece que deixaram de sentir a crise. Mas já agora: se raptaram a Miss Swap, pelo menos que avisem a polícia para ver se a senhora está bem.
Esconderam-na, raptaram-na, o que é verdade é que nunca mais ninguém lhe ouviu a voz, ninguém sabe o que vai fazer, quais as suas ideias (se tem alguma ) para o dito novo ciclo.
É legítimo isso acontecer? É. O Governo deve conhecer os seus calcanhares de Aquiles e deve protegê-los. É bom para o País? Diz muito sobre a política que temos, mas desde que o Governo não governe e não diga asneiras, os portugueses passam melhor.
É o que está a acontecer: esta mistura de prolongamento de Verão com inexistência de Governo e miss Swap está a narcotizar os portugueses que parece que deixaram de sentir a crise. Mas já agora: se raptaram a Miss Swap, pelo menos que avisem a polícia para ver se a senhora está bem.
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Rui Calafate
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
O exemplo da Noruega
A direita venceu as eleições legislativas, mas não é o resultado que me interessa. O importante salientar é que os noruegueses não estavam desagrados com o anterior primeiro-ministro, Jens Stoltenberg, que sai de cena com o país bem governado, com um superior nível de vida, a taxa de desemprego é praticamente inexistente e a economia apresenta números de excelência.
A Noruega tem petróleo, é um facto mas tem um bom Governo. E sobretudo, é isso que saliento, uma sociedade que satisfeita com a sua governação entende, com maturidade, que importa renovar o poder para que não se criem maus hábitos e rotinas que levem à corrupção. E se correr mal, mudam. É simples a democracia.
A Noruega tem petróleo, é um facto mas tem um bom Governo. E sobretudo, é isso que saliento, uma sociedade que satisfeita com a sua governação entende, com maturidade, que importa renovar o poder para que não se criem maus hábitos e rotinas que levem à corrupção. E se correr mal, mudam. É simples a democracia.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Obama é um anjo, Putin uma besta. Mas...
A Barack Obama, sem nada ter feito por isso, deram-lhe um Nobel da Paz. Tem sido um fraco presidente, mas todo o mundo se rendeu à sua oratória de teleponto e às técnicas da mesma de qualquer tele-evangelista.
Vladimir Putin é uma besta. Posa de tronco nú, convive com a corrupção dos oligarcas russos, é um ex-urso feroz oriundo do KGB, é odiado pelo mundo.
Mas...neste conflito da Síria, Obama quis a guerra qualquer custo, contra a opinião dos americanos e até dos Republicanos que nunca renegam uma intervenção militar, contra a opinião de toda opinião pública mundial. Há uma semana que anunciava a intervenção e já tinha a cartilha da preparação mediática construída, para avançar contra Assad sem saber muito bem o que ia dar no dia seguinte um novo conflito.
A "besta", aliada tradicional do regime sírio, por essa aliança, sempre recusou uma intervenção militar, mas sugeriu e avançou para uma negociação diplomática que obrigaria a Síria a entregar todo o seu arsenal químico. Até pode ser uma manobra dilatória, mas há dias em que as bestas viram anjos e vice-versa.
Vladimir Putin é uma besta. Posa de tronco nú, convive com a corrupção dos oligarcas russos, é um ex-urso feroz oriundo do KGB, é odiado pelo mundo.
Mas...neste conflito da Síria, Obama quis a guerra qualquer custo, contra a opinião dos americanos e até dos Republicanos que nunca renegam uma intervenção militar, contra a opinião de toda opinião pública mundial. Há uma semana que anunciava a intervenção e já tinha a cartilha da preparação mediática construída, para avançar contra Assad sem saber muito bem o que ia dar no dia seguinte um novo conflito.
A "besta", aliada tradicional do regime sírio, por essa aliança, sempre recusou uma intervenção militar, mas sugeriu e avançou para uma negociação diplomática que obrigaria a Síria a entregar todo o seu arsenal químico. Até pode ser uma manobra dilatória, mas há dias em que as bestas viram anjos e vice-versa.
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Umas autárquicas nacionais e sem interesse local
A imprensa nunca ligou muito e leio por aqui que as televisões não vão fazer cobertura da campanha autárquica, acompanhando apenas os líderes partidários.
Para lá das limitações da própria lei eleitoral, que é demasiado restritiva, o que se sente é que a leitura e os resultados vão resultar de factores nacionais e pouco do trabalho de campanha local, algo que sempre o disse desde o início.
Tudo resultará dos factores de contestação, ou não, ao Governo. Em 2001, o PSD virou o País com uma vitória autárquica que afastou Guterres. Mas nessa altura, a crise portuguesa não era a que vivemos e a contestação não era tão elevada.
Se assim é, o PS tem obrigação de obter um mesmo resultado como o que o PSD alcançou em 2001. Se assim não for, é porque afinal os portugueses não estavam tão descontentes com o Governo como se pensava. E não podemos esquecer a abstenção, que será o verdadeiro sinal de contestação, neste caso, mais aos políticos do que ao Governo.
Para lá das limitações da própria lei eleitoral, que é demasiado restritiva, o que se sente é que a leitura e os resultados vão resultar de factores nacionais e pouco do trabalho de campanha local, algo que sempre o disse desde o início.
Tudo resultará dos factores de contestação, ou não, ao Governo. Em 2001, o PSD virou o País com uma vitória autárquica que afastou Guterres. Mas nessa altura, a crise portuguesa não era a que vivemos e a contestação não era tão elevada.
Se assim é, o PS tem obrigação de obter um mesmo resultado como o que o PSD alcançou em 2001. Se assim não for, é porque afinal os portugueses não estavam tão descontentes com o Governo como se pensava. E não podemos esquecer a abstenção, que será o verdadeiro sinal de contestação, neste caso, mais aos políticos do que ao Governo.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
A cada um a sua "Moby Dick"
Há pouco tempo li sobre a crescente revisitação de um grande clássico da literatura: "Moby Dick", de Herman Melville.
A baleia branca que motivava a perseguição do capitão Ahab em páginas de uma escrita tenaz e avassaladora, não era mais do que uma metáfora sobre as nossas pulsões internas, os nossos dilemas existenciais, os nossos pesadelos, as nossas zonas negras.
Cada um tem direito à sua "Moby Dick" por isso é um livro eterno, uma metáfora que se prolongará pelos tempos, a nossa necessidade de apaziguar e serenar o nosso ser, a nossa consciência.
A baleia branca que motivava a perseguição do capitão Ahab em páginas de uma escrita tenaz e avassaladora, não era mais do que uma metáfora sobre as nossas pulsões internas, os nossos dilemas existenciais, os nossos pesadelos, as nossas zonas negras.
Cada um tem direito à sua "Moby Dick" por isso é um livro eterno, uma metáfora que se prolongará pelos tempos, a nossa necessidade de apaziguar e serenar o nosso ser, a nossa consciência.
As deformações do jornalismo
«O jornalismo, que para mim foi muito útil, sofre agora uma deformação monstruosa: o "amarelismo". A obsessão pelo escândalo converteu-se numa forma mais de entreter que de informar. De entreter através do espectacular, do chamativo, do escandaloso e, muitas vezes, se não têm informações com essas características, fabricam-se. Há gente que vive disso e que goza com isso, mas eu creio que isso é uma depravação do jornalismo do nosso tempo».
Mario Vargas Llosa, ontem em entrevista à revista do El Mundo
Mario Vargas Llosa, ontem em entrevista à revista do El Mundo
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