domingo, 5 de abril de 2015

Sugestões para a semana

Livros

"A culpa no cinema de Hitchcock", Renato Barroso, Letras Encantadas, 510 páginas. Um livro que me está a surpreender de um autor português que se deu ao trabalho de analisar quase todos os planos de todas as fitas do grande realizador. Recomendo vivamente.

"Sombras sobre o Cairo", Parker Bilal, Porto Editora, 376 pág. Grande policial que inicia uma nova saga de um detective privado de origem sudanesa, Makana. Um estilo diverso, uma construção interessante até para cortar com a escola nórdica que se tem imposto em termos mundiais.

Cinema

Recomendo que se desloquem ao Nimas onde estão em novas cópias várias grandes películas do mestre do neorrealismo italiano, Roberto Rosselini. Já os vi todos noutros tempos, alguns na Cinemateca, mas as grandes obras cinematográficas merecem muito mais do que uma visão.
A comprar seis filmes do maior realizador indiano, Satyajit Ray: O Santo, O Cobarde, Charulata, O Deus Elefante, O Herói e A Grande Cidade.

Séries

Para lá das que já mencionei noutros posts, chamo a atenção para a segunda temporada da dinamarquesa/sueca Bron, no AXN, e a nova American Crime, no TVSeries que é um autêntico murro no estômago de emoções.

Documentário

No Arte, na quarta, 2.25h, "Depressão: uma epidemia mundial". Sobre algo que ataca milhões de pessoas em todo o mundo e as suas causas.

Restaurante

Sushic, provavelmente o melhor restaurante japonês de Portugal. Almocei lá há pouco tempo e deixou-me deslumbrado com a qualidade e serviço.

terça-feira, 31 de março de 2015

A Primeira Dama de Marcelo Rebelo de Sousa

Primeira nota: a mim nada me interessam as preferências sexuais de um candidato, no momento em que faço conscientemente a minha escolha na altura de votar. Cada um é livre de gostar de quem quiser e não é isso que minimiza ninguém.

Segunda nota: há uma enorme hipocrisia na imprensa portuguesa. Para uns, para se ser candidato presidencial, tem de se ter uma Primeira Dama, uma família sólida e mais uma série de predicados da mulher que está ao seu lado. Para outros, isso não interessa e a imprensa faz de conta que não vê nada.

Lembro uma história recente: há uns dois meses, quando Pedro Santana Lopes deu apenas sinais que poderia ser candidato presidencial pela sua carreira e currículo, teve uma viagem a Itália com a sua companheira. Companheira, essa, com quem mantém relação sólida desde 2009. De imediato, surgiram rumores, interesse jornalístico e algumas notas que pretendiam ter humor sobre um alegado casamento à pressa para poder ter uma Primeira Dama e assim se candidatar a Belém.

Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa, que tal como Nicolas Sarkozy disse em tempos pensa muito mais de 5 vezes por dia em ser candidato presidencial, e, ele sim, é candidato a Presidente da República, nunca a imprensa se preocupou com a sua companheira, com o facto de não ser casado, com o desconhecimento geral sobre a sua vida pessoal, se frequenta festas ou não, e se o protocolo vai ter um problema por não haver uma Primeira Dama.

Eu não voto em Marcelo por ele não ter Primeira Dama. Julgo que é muito mais perigoso um desequilibrado sem currículo de decisão em Belém do que um casado, solteiro, homossexual ou divorciado. Porque para os estados civis ou gostos sexuais estou-me marimbando.

segunda-feira, 30 de março de 2015

As cozinhas dos políticos

Políticos darem entrevistas na cozinha das suas casas é algo que gera proximidade com os cidadãos, que faz passar a imagem de pessoas normais. É uma concessão deles aos seus consultores de comunicação e de imagem, que vêem desta maneira um momento para se poder gerar empatia com as pessoas que podem votar neles.

É um risco calculado e ensaiado, mas nunca deixa de ser, como já escrevi, uma concessão, uma grosseira invasão da privacidade. Em Inglaterra criou-se este momento comunicacional e, por acaso, a um mês das eleições gerais correu mal a coisa aos líderes dos dois partidos tradicionais.

Ed Miliband, líder do "Labour", figura excêntrica, que podia ter sido um personagem criado por Tim Burton, abriu as portas da sua cozinha humilde, pequena, e tomou um chá com a BBC. Uma divisão austera, sem luxos, comum a muitos britânicos. O problema é que se veio a saber que era a segunda cozinha da casa, era uma de apoio, e tinha outra muito mais ampla e com outras condições. Durante uma semana, comentou-se esta manobra.

David Cameron, ocupante do 10 de Downing Street, líder dos "Tories", decidiu também dar uma entrevista informal na sua cozinha da casa de campo, em Costwolds. Ali cometeu o erro político de lançar já três nomes para seus possíveis sucessores, pondo um assunto na mesa que só desvia o foco da sua agenda.

Quando os políticos são os próprios a abrir as portas da sua intimidade e privacidade, depois não se queixem que os media se preocupam com o que não interessa. Gerar empatia e criar a vaga ideia de proximidade não deve ser construída na cozinha. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

A lista VIP do fisco

«A lista de contribuintes considerados VIP, cuja consulta de dados fiscais faria disparar automaticamente uma notificação para os serviços de auditoria, só tinha quatro nomes: o Presidente da República, o primeiro-ministro, o vice-primeiro-ministro e o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. É esta a convicção do presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), Paulo Ralha», retiro esta notícia do DN.

É lamentável a lista VIP e é ainda mais lamentável que o secretário de Estado, Paulo Núncio, nela esteja incluído. A protecção contra o voyeurismo até podia ter boas intenções, agora quando se percebe que o envolvido pode ser o próprio Núncio e mais uns eleitos é inacreditável para a maior parte dos portugueses que tem sido vítima duma rapina total da máquina dos impostos.

Todos os dias esta dita lista VIP debilita o Governo e o responsável político tem um rosto. Há que tomar medidas duras.

segunda-feira, 23 de março de 2015

As histórias bem contadas

«O apetite por ler histórias bem contadas é maior que nunca»
Jill Abramson, ex-directora do "New York Times", ontem em entrevista à revista do "El Pais"

quarta-feira, 18 de março de 2015

Os cabelos brancos de Julio Isidro

As sociedades não se fazem só de gerontes, mas muito menos apenas se constroem com juventude. Em tudo na vida, o meio termo, o equilíbrio, é a razão do sucesso, da saúde e da vitalidade das mesmas.

Os cabelos brancos não são sintoma de velhice unicamente. São sinal de experiência, de maturidade, de capacidade de passar ensinamentos aos mais novos. Uma geração não deve arrasar nem afastar outra de maior idade. Nem vice-versa.

O caminho é para ser trilhado com inovação, experiência e, sobretudo, vontade de aprender. Ontem, Julio Isidro, aos 70 anos, deu uma prova de profissionalismo - e também de amor pela sua camisola da RTP - ao ser chamado em cima da hora para substituir os apresentadores da manhã da estação. Sem rede, de improviso, com a maturidade que tantas horas de palco e de câmaras lhe deram.

Como ele contou em directo, estava de pijama em casa quando lhe ligaram a pedir para tomar conta do programa. Como ele, há muito boa gente de cabelos brancos em casa, de pijama, que podia ser útil com a sua presença e o seu saber. É disto que uma sociedade não se pode esquecer. O meu tributo a um grande homem da televisão, um comunicador e profissional de excelência: Julio Isidro.

domingo, 15 de março de 2015

A mentira da política

- «É curioso, queria uma presidência honesta, totalmente transparente, e, um ano depois, começam os compromissos»
- «É o exercício do poder, Presidente»
- «Não, é a mentira, sempre. Procuramos proteger os nossos e mentimos. Depois mentimos porque já mentimos».

Os Influentes, brilhante série na RTP2