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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

As novas séries da RTP

Eu mantenho que Portugal, e sobretudo a RTP, deve na indústria do audiovisual ter uma aposta consistente na produção de séries, como alternativas de qualidade às telenovelas.

Como aqui escrevi, os hábitos de consumo em televisão são conservadores, e os programadores, por comodismo e por os resultados serem mais visíveis, mantêm as velhas fórmulas das novelas no prime-time. Mas, como vemos todos os dias, há cada vez mais público a  fugir para o cabo e outras plataformas, por exemplo, o Netflix.

Há um consumidor mais esclarecido, também jovem e urbano, que já não tem pachorra nem perde tempo com novelas e reality-shows que inundam os nossos canais generalistas. Por isso, saudei a coragem da RTP em apostar em séries contra o monopólio das novelas. Sabendo bem, como escrevi na altura, que as audiências não iam ser relevantes e podiam ser más face aos hábitos instituídos. Assim sendo, e passadas três semanas, o meu balanço e depois umas palavras de optimismo na conclusão:

Na terça, "Mulheres Assim". É tão má, tão ridícula, que nem vale a pena comentar. E há uma coisa que não podem esquecer e que entendo ser uma das maiores pechas nesta fase embrionária da construção de uma indústria de séries portuguesas: a direcção de actores para série de televisão não pode ser a mesma coisa para novelas nem para teatro, onde continuam visíveis os mesmos tiques. Depois, estejam atentos um bocadinho ao pormenor, levem alguns actores ao dentista e invistam num branqueamento, isto é de um amadorismo sofrível.

Na quarta, "Os Boys". É conhecido que, por esse mundo fora, a aposta em séries que abordem o tema da política e do poder resultam bem. Não falo das de registo dramático que todos conhecem como "House of Cards" (e a primeira versão inglesa já está disponível no Netflix e sugiro), "West Wing", "Borgen", "Os Influentes" (as duas últimas transmitidas na RTP2) e a menos conhecida, mas sensacional, "Boss" (apenas com duas temporadas), também no humor e na sátira temos a premiadíssima "Veep" e a mais antiga "Spin City" por exemplo. Por cá apostou-se no humor. Uma das coisas que mais gosto é o seu genérico, depois o primeiro episódio não gostei muito e senti os actores muito presos e desconfortáveis, sobretudo a personagem principal do filipe Duarte que, para mim, juntamente com o Ivo Canelas, é o grande actor português. Tem melhorado, não sei se o público português compreende tudo o que ali está escrito, como exercício de humor não atinge todos os objectivos, mas mais uma vez é um primeiro passo.

Na quinta, "Dentro". Trama prisional que para mim é a melhor das quatro proposta da RTP. Tem um elenco homogéneo, tem falhas naturalmente, mas parece-me a série mais consistente e com mais pernas para andar. Depois, tem a melhor personagem e a actriz, Vera Kolodzig, vai excelente nesse papel, das quatro séries. Não é nenhuma "Orange is the New Black", até porque o registo, aqui, é dramático, mas até pode dar mais temporadas.

Na sexta, "Miúdo Graúdo". A ideia é engraçada, o tema é o mais universal, é uma série de família, mas peca por um erro crasso. O horário e o dia em que é emitido, Na sexta, o mind-set das pessoas é outro e o horário ideal seria ao sábado ou domingo de manhã.

Concluindo, houve um tempo em que uns tipos meio loucos decidiram ir morder os calcanhares da máquina de produção de novelas da Globo, que dominava a RTP no tempo do preto e branco, e decidiram produzir a "Vila faia". Um passo decisivo e marcante para o que hoje é a nossa poderosa máquina de produção de novelas. A RTP, com estas séries, dá o primeiro passo consistente na construção de séries portuguesas, com actores, técnicos e guionistas portugueses. Um dia diremos que esta aventura embrionária da RTP, se calhar com audiências baixas, com muitas fraquezas, terá sido decisiva para um futuro que se deseja auspicioso e de melhor qualidade.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Serviço Público da RTP

Eu gosto da RTP, acredito na sua responsabilidade de serviço público de televisão e desejo que o canal seja um farol ao nível da inovação, ao nível da ruptura com o politicamente correcto, que não se conforme com o "statu quo" de fazer fácil e não seja preguiçoso e se deixe levar pelo hábito e pelos preconceitos adquiridos.

Dito isto, e não particularizando todos os canais, arranca hoje uma nova fase da programação em que há uma aposta clara na produção nacional, nomeadamente, a consolidação de uma produção portuguesa de séries de ficção na RTP1. Elogiei aquando do lançamento de "Terapia" essa aposta, porque é rumar contra a maré e contra quase o direito consuetudinário de os portugueses, em canais generalistas, serem obrigados a aturar novelas atrás de novelas do "prime-time" até ao "late-night".

Claro que eu, como qualquer pessoa minimamente informada, sei que é muito difícil a RTP obter com esta aposta logo uma audiência considerável. Os consumos televisivos do grande público são conservadores e não é apenas porque surgem estas quatro séries portuguesas que eles carregam no comando e viram para o canal 1. São muitos anos, desde a influência da Globo, em que os portugueses querem ver telenovelas, estão no seu direito e as audiências assim o dizem.

Mas a RTP deve estar ao lado dos produtores nacionais, deve apoiar tanto séries como o cinema, não deve ter medo da ruptura e deve ter guiões e histórias que possam ser exportadas como outros países europeus conseguiram, por isso irei espreitar todas estas novas séries para aferir da sua qualidade e interesse. Porque há públicos que, a cada dia que passa, fogem para o Cabo e para a Netflix e não se pode perder a esperança de os tentar reconquistar.

Sem esquecer que Portugal não são os 15 mil leitores do Público, sem esquecer que a RTP não é o canal Q e não deve estar refém de humoristas, sem esquecer, e só escrevo hoje sobre a RTP1 (escreverei noutro dia sobre a 2 - e gosto da 2 - e o desastre que tem sido a RTP3 onde os critérios dos amiguinhos, os "especialistas" da tanga e sem currículo predominam, onde o politicamente correcto domina, onde ninguém percebeu o peso dos líderes de opinião das redes sociais que valem mais do que todos os comentadores que lá têm juntos, dá 7 mil espectadores por dia), que Portugal é o mesmo que vê a Volta a Portugal em Bicicleta, que vê o Jorge Gabriel e a Sónia Araújo e continua a gostar do Preço Certo.

Por isso, qualidade sim, sem qualquer dúvida, mas agregando, criando empatia com os portugueses - e bem que a RTP precisa de voltar a ter essa empatia como já teve -, fazendo uma televisão agradável e sem preconceitos. Mas a RTP - e todos os seus canais - não pode perder relevância. Esse é um desafio que não pode ser esquecido. As audiências até podem não ser grandes, mas se a RTP se tornar irrelevante isso será a morte do artista.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A "Terapia" da RTP

Tive ontem o privilégio de assistir no Teatro Tivoli à ante-estreia da nova grande aposta da RTP. Chama-se "Terapia" Mas sobretudo, para lá da qualidade da mesma, tenho de enaltecer a verdadeira grande aposta do canal público que é a virtude da criação, sem tabus, de um núcleo consistente de séries.

Escrevi assim aqui no meu blog em 21 de Abril de 2015: « Virgilio Castelo foi o homem escolhido pela nova administração da RTP para liderar o departamento de ficção e pensar o que se deve produzir. Continuo pessoalmente a entender que a RTP deve ser muito mais do que uma cópia dos privados e deve inovar, exactamente, na ficção.
Não só com séries históricas, mas imprimindo um dinamismo na produção nacional que a leve a uma consistente qualidade e conseguindo-a exportar. Por isso é no filão das séries, que hoje agarram muito mais um público esclarecido e jovem, que a RTP deve entrar». (deixo aqui o texto então escrito até porque contém uma sugestão para produção).

Enquanto espectador vejo com muita simpatia esta opção. Enquanto agente do mercado mediático que temos, e numa altura que a imprensa portuguesa vê cortes e situações dramáticas no I, Sol, Público, Diário Económico e onde as televisões também não fogem a reduções impostas pela míngua do mercado publicitário, é um farol de esperança esta aposta.

Mais uma vez a RTP pode ser a mola da indústria televisiva portuguesa, assim se mantenha esta opção pela qualidade. Um dia, há muitos anos atrás mas na nossa galáxia, ninguém acreditaria que os portugueses pudessem criar novelas de qualidade, ao nível das brasileiras. E surgiu a Vila Faia.

Algumas décadas depois, hoje temos a certeza que os portugueses fazem telenovelas de qualidade, com excelentes produções e que já as exportam. Desejo sinceramente que possamos em breve exportar as nossas séries. E estas, como ontem salientaram bem o Gonçalo Reis, o Daniel Deusdado e o Nuno Artur Silva, têm como base de sucesso o guião e os actores.

E nesta "Terapia", para lá da qualidade da produção da SP de António Parente que é cinema puro em televisão, vão ter uma grande história e grandes actores. O primeiro episódio tem Virgilio Castelo, a âncora da série, com nuances extraordinárias e a proporcionar à sua colega de cena, Soraia Chaves, um excepcional desempenho. E ainda lá anda a classe de muitos anos da Ana Zanatti. Mas todo o restante elenco que descobrirão nos episódios seguintes é do melhor que Portugal tem.

Desejo boa sorte á RTP, que não se assustem com audiências, que não se assustem com comentários de redes sociais que não interessam a ninguém. Que sigam este rumo consistente, a qualidade trará o sucesso,

terça-feira, 28 de julho de 2015

A Volta a Portugal em bicicleta na RTP

Sou um grande adepto de ciclismo, considero uma extraordinária modalidade que põe à prova os limites dos atletas, que proporciona grandes espectáculos, que mostra a beleza das paisagens e é dos poucos desportos onde os adeptos estão mesmo quase em contacto directo com os desportistas.

No nosso País, a Volta a Portugal é a prova raínha, a que puxa mais espectadores para as estradas e para a frente das televisões. A RTP realiza uma grande transmissão que junta também, para lá do combate nas estradas, a animação das terras por onde passa a caravana.

Por estas alturas, e com transmissão no canal 1, a RTP tem dos melhores resultados de audiências do ano. O ciclismo é uma modalidade que agrada a muita gente, mostra muitos pontos de Portugal que durante quase todo o ano estão esquecidos. Depois, a estação pública mobiliza uma grande equipa que tem na qualidade, conhecimento e simpatia do Marco Chagas e do João Pedro Mendonça as suas faces mais visíveis, mas é uma enorme equipa de informação, conteúdos e produção.

Mas aproveito para dar uma sugestão á RTP: o ciclismo tem uma temporada com mais provas em Portugal, não muitas, porque o calendário vem empobrecendo ao longo dos anos, mas há a Volta ao Algarve (que até traz muitas estrelas do pelotão internacional), Campeonatos nacionais, Grande prémio Joaquim Agostinho, entre outras. Sabendo que tem custos, mas porque não se aposta mais na emissão destas provas que tenho a certeza motivariam grande interesse e audiências, até porque temos hoje bons ciclistas nos diversos escalões - não há crise de qualidade - e porque os patrocinadores estariam mais interessados na modalidade se ela tivesse mais visibilidade.

Mas agora, a partir de amanhã, temos a nossa Volta na estrada. E a sua transmissão é serviço público, logo, só poderia estar na RTP. Este é o serviço público inquestionável, dá gosto que o canal de todos nós dê o melhor de si, faça mais uma vez um excelente trabalho, a mostrar cada canto do nosso belo País.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Uma sugestão para a RTP e como eu a vejo

Virgilio Castelo foi o homem escolhido pela nova administração da RTP para liderar o departamento de ficção e pensar o que se deve produzir. Continuo pessoalmente a entender que a RTP deve ser muito mais do que uma cópia dos privados e deve inovar, exactamente, na ficção.

Não só com séries históricas, mas imprimindo um dinamismo na produção nacional que a leve a uma consistente qualidade e conseguindo-a exportar. Por isso é no filão das séries, que hoje agarram muito mais um público esclarecido e jovem, que a RTP deve entrar.

Li o administrador Nuno Artur Silva dizer isto ao DN: «A ambição do serviço público tem de ser fazer mais. Temos de saber pensar de uma forma diferente. Hoje, sem ferir ninguém, temos o Bem--Vindos a Beirais, que faz sentido na RTP1. Mas daqui a uns anos podemos ter séries como o Borgen».

Está a ver bem e por isso dou uma sugestão aos responsáveis da ficção da RTP. Agarrem no excelente livro do Fernando Sobral, "Ela Cantava Fados", um policial bem escrito, com diálogos geniais e que tem duas marcas que podem projectar uma série a ser produzida nos mercados internacionais: o Fado e Lisboa. Isto é serviço público e projecção de Portugal, dois objectivos indissociáveis da RTP.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Os cabelos brancos de Julio Isidro

As sociedades não se fazem só de gerontes, mas muito menos apenas se constroem com juventude. Em tudo na vida, o meio termo, o equilíbrio, é a razão do sucesso, da saúde e da vitalidade das mesmas.

Os cabelos brancos não são sintoma de velhice unicamente. São sinal de experiência, de maturidade, de capacidade de passar ensinamentos aos mais novos. Uma geração não deve arrasar nem afastar outra de maior idade. Nem vice-versa.

O caminho é para ser trilhado com inovação, experiência e, sobretudo, vontade de aprender. Ontem, Julio Isidro, aos 70 anos, deu uma prova de profissionalismo - e também de amor pela sua camisola da RTP - ao ser chamado em cima da hora para substituir os apresentadores da manhã da estação. Sem rede, de improviso, com a maturidade que tantas horas de palco e de câmaras lhe deram.

Como ele contou em directo, estava de pijama em casa quando lhe ligaram a pedir para tomar conta do programa. Como ele, há muito boa gente de cabelos brancos em casa, de pijama, que podia ser útil com a sua presença e o seu saber. É disto que uma sociedade não se pode esquecer. O meu tributo a um grande homem da televisão, um comunicador e profissional de excelência: Julio Isidro.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Sousa Veloso

Só um grande comunicador conseguia transformar a agricultura numa coisa interessante para os filhos da cidade como eu. Éramos miúdos naquela altura em que o TV Rural da RTP era um programa bandeira da estação.

Sempre com uma cara alegre, explicando as vivências das pessoas que trabalhavam a terra, explicando como chegava à nossa mesa aquilo que comíamos. Um grande senhor da televisão que parte. Como ele diria, dizendo adeus aos telespectadores, «despeço-me com amizade» e que descanse em paz.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Verdade do Vinho

Eu gosto particularmente, enquanto espectador e contribuinte, que a RTP tenha bons projectos e programas. Na RTP2, especialmente, ainda se encontram ideias que nos fazem fugir ao primado actual do cabo.

Chama-se A Verdade do Vinho, apresentado por Luis Baila e Sónia Araújo, um despretensioso programa sobre o vinho, uma das nossas maiores riquezas e ao qual os nossos solos e clima transmitem uma enorme qualidade que depois podemos apreciar.

Aqui aprendemos sobre tudo o que se relaciona com o vinho. Ainda no programa de ontem aprendi sobre a diferença das barricas de carvalho português e francês, por exemplo. Os apresentadores fazem um jogo de conversa entre eles que cativa o espectador. Ele, muito sabedor, ela, curiosa, mas ambos muito simpáticos e a terem paixão no que estão a mostrar e a transmitir.

Ao mesmo tempo que desenvolvem a modernidade do que se passa, vão mostrando os lugares da história, como ontem com os lagares de azeite no granito criados pelos romanos em Trás-os-Montes, deambulando por um Portugal que é lindo e que é um espaço de grandes castas.

Mas o vinho é também as pessoas. As que o produzem, as que o bebem, as que se juntam numa mesa em convívio, como aquela boa gente transmontana. Novos e velhos, ricos e pobres, numa transversalidade rara em muitos produtos.

Como dizia ontem um enólogo, «os vinhos não são feitos para os entendidos, são feitos para os consumidores» Exactamente como este programa, simples, com gosto, bem produzido, promovendo Portugal e as suas gentes, para todos e ao alcance todos, um verdadeiro serviço público e é para isso que serve a RTP.

PS: que pena a RTP2 não estar em HD, seria sublime para algumas imagens que são apresentadas, fica a sugestão construtiva.

terça-feira, 17 de junho de 2014

O paradoxo dos comentadores

O Carlos Daniel, um bom jornalista da RTP e no campo do futebol o melhor comentador televisivo, deu uma interessante entrevista publicada na Notícias TV do DN. Ali, disse o seguinte: «é um risco muito grande para o País a fase em que estamos e em que só comenta política quem é da política».

Concordo,. Mas saliento um paradoxo que as televisões, tanto as generalistas como no cabo ainda não perceberam. Reflictam: a classe política está mal vista, os portugueses estão cansados dos políticos, dos que fazem política e das mesmas caras que comentam política há anos, no entanto, é um batalhão de políticos de primeira linha e de segunda linha que invadem todos os espaços no espaço mediático nacional. Ora, se as pessoas estão cansados deles, acham que têm paciência para os ver?

Quando é que vão perceber que são outros que trarão maiores audiências e darão muito mais espectáculo, sem agendas pessoais e com muito maior independência? Vejam a CNN, só por exemplo, e vejam quem são os comentadores. São políticos encartados, governadores, deputados, senadores? Não. Então aprendam e procurem por cá.

sábado, 19 de outubro de 2013

O milagre de Fátima

O título deste post é da revista Notícias TV - que é a melhor do mercado sobre televisão - do DN. A Fátima deste milagre é Fátima Campos Ferreira.

A reportagem vem a propósito dos 11 anos de existência  do programa Prós e Contras da RTP e como diz a jornalista, «este programa é uma marca forte, uma âncora do serviço público». E é.

Nenhum canal generalista tem este formato de debate aberto, com múltiplas personalidades, com ilustres ou menos ilustres, mas que no momento certo debatem os temas que afligem a Nação. Isso é serviço público, é a missão da RTP e rompe com o "cliché" das novelas e programas de imbecis em canal aberto.

Mérito da Fátima Campos Ferreira que com o tempo se tornou uma das caras de proa da RTP. Alguns a criticam por excesso de teatralização ou até na escolha dos convidados ou das assistências, mas hoje vivemos numa sociedade aberta em que as opiniões são publicadas por qualquer um nas redes sociais.

Posso dizer o que eu acho sobre ela, mas não a conheço bem e analiso pelos meus "feelings" que vêm da experiência de muitos anos de jornalismo e comunicação. Se calhar, como dizem os americanos, não é uma "natural". Mas mais importante do que ter um dom e desperdiça-lo, é construir uma carreira a pulso, com trabalho, com esforço e abnegação.

A Fátima Campos Ferreira é uma "self made woman" da televisão, merece o reconhecimento pelo seu trabalho e é uma figura incontornável da televisão portuguesa. Que ela e o "Prós e Contras" continuem por muitos anos.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Uma pergunta com sentido à RTP

A RTP1 tem The Following (uma das melhores séries do ano passado nos EUA) e, nem anunciou, no "late-night". A RTP2 tem a 5ª temporada do Mentalista, apresentou a última de Fringe e à terça-feira passa a 6ª temporada de Mad Men. Sem marketing do que é bom, como é que querem ter audiências?

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Manuela Moura Guedes de volta à RTP

Eu gosto da Manuela Moura Guedes e era um crime de lesa pátria ela não estar nas televisões dos portugueses. Felizmente, a RTP lembrou-se dela, pelo que leio aqui.

Vai ser a apresentadora do "Quem Quer Ser Milionário", um formato de entretenimento que sempre deu audiências ao canal público. Mas uma mágoa: preferia que ela estivesse num formato de informação. O seu estilo combativo seria muito útil nos dias de hoje. 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Director da RTP com Aston Martin

Li aqui a notícia e apenas quero dizer o seguinte: não ligo nada a carros, aliás, o meu carro são os táxis. Cada um que compre o que lhe aprouver. Mas acho um bocado falta de senso andarem a exibir-se Aston Martins numa altura destas, numa empresa pública.

sábado, 6 de abril de 2013

Morreu um grande senhor da televisão portuguesa

Luis Andrade foi realizador de alguns dos grandes ícones da programação da televisão portuguesa (como a Visita da Cornélia), foi director de programas e sobretudo um homem da RTP. Da saudosa RTP que foi inovadora no seu tempo, criando novas estrelas, dando oportunidades ao talento. Paz à sua alma.

quinta-feira, 21 de março de 2013

José Sócrates na RTP - umas breves notas

Umas breves notas sobre a "cacha" do DN que dá José Sócrates como comentador da RTP nos próximos tempos e que já foi confirmada por responsáveis da estação pública:

1- Parabéns ao Paulo Ferreira pelo risco da aposta mas que já tornou a notícia provavelmente a mais partilhada e comentada nas redes sociais. E a RTP bem que precisa de vez em quando de agitar as àguas, pois é sempre bom que falem de nós, mesmo que seja por maus motivos.

2- Um painel Sócrates/Morais Sarmento seria sempre um painel com uma boa audiência, pois os que odeiam Sócrates que são muitos vão acompanhar para depois criticar.

3- É um sinal de independência a RTP convidar o ex-primeiro-ministro e tantas vezes a RTP tem sido criticada por governamentalização.

4- José Sócrates não tem boa imagem nos dias de hoje. Muito do que estamos a pagar até ao tutano advém das suas políticas e dos buracos que deixou, Para muitos portugueses é uma ofensa que um canal lhe dê abertura fácil para ele limpar a imagem. Sócrates devia estar discreto e calado e não voltar já à ribalta. Não cai bem o seu regresso.

sábado, 26 de janeiro de 2013

RTP adiada para não fazer inimigos

O Expresso conta tudo para a decisão final de atirar para as calendas a solução sobre a RTP. Temos de ter a prudência de nos poupar à proliferação de inimigos», disse Portas, como uma das razões para não mexer no canal público, ficando tudo por uma reestruturação.

Na política, quem tenta mexer com interesses instalados é atacado. O melhor mesmo é não fazer nada. É assim a política.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Paulo Ferreira novo director de informação da RTP

Aos amigos deseja-se o melhor, uma amizade que vem desde a nossa viagem em trabalho, para os jornais em que estávamos na altura, a acompanhar António Guterres a Paris, acho que foi lá para 1996. O Paulo Ferreira é um bom jornalista, sério, honesto e independente. Terá uma difícil tarefa na RTP, mas desejo-lhe as maiores felicidades

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Portugal deixa de ir ao Festival Eurovisão da canção

O festival da canção revelou muitos novos talentos da música portuguesa e consagrou outros grandes nomes. Nos seus tempos áureos, anos 70 e 80, fazia parar o País, havia forte luta entre as canções e os que as apoiavam, tinha enorme sucesso de audiências e era um fenómeno, também, de comunicação.

Com o tempo foi perdendo fulgor, banalizou-se e mostrou apenas o pior e o nacional-pirosismo. Em termos de Eurovisão, Portugal nunca ganhou e com a nova decisão por voto telefónico, na maior parte das vezes, ganharam países de leste.

Por esta notícia, leio que Portugal vai deixar de estar presente. Os últimos certames têm sido medíocres, nada temos a ganhar com isso. A RTP dá razões financeiras como justificação. Poupam umas coroas, mas era mais honesto se dissessem que deixavam de ir lá porque aquilo não presta para nada.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A demissão de Nuno Santos da RTP

Não o conheço pessoalmente, mas sempre o tive em conta de pessoa competente e séria. A sua saída da RTP é fruto de desconfiança por causa de imagens da última manifestação e respectiva carga policial. É um motivo estranho, mas parece ser o único. Julgo que estava a fazer bom trabalho no canal público, nomeadamente, na modernização e dinamização da RTP-Informação, por isso, é uma perda. E mais uma vez a RTP é notícia negativa, o que não é bom.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O problema de comunicação da RTP

O Governo tem falhado na comunicação já o disse e é um facto indesmentível. Mas há dossiers em que, por culpa própria, tem errado.

Um deles é a RTP. Já vi diversas opinões e proto-decisões divergentes. Agora o novo presidente da RTP, Alberto da Ponte, volta a ser notícia por dizer que o serviço público só pode ser plenamente realizado com os dois canais de televisão, como se pode ler por aqui.

É caso para dizer, organizem-se. Porque esta coisa de fazer constar um horizonte de extinção da 2 e passagem a privados da 1, desmentido ontem pelo homem que o Governo nomeou é inacreditável. Se o Governo é medíocre na comunicação, tem de se dizer, honestamente, que tem tratado com os pés os media e particularmente a RTP.