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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Marcelo tornou-se o maior inimigo de si próprio

Se perguntarem a qualquer português se gosta de ver Marcelo em Belém, tenho a certeza que a generalidade daria uma resposta positiva, inclusivamente muitos que não votaram nele. Só que a sua excessiva exposição, a incontinência mediática, levam a uma série de intervenções que minam o seu próprio caminho.
Marcelo Rebelo de Sousa mantém uma popularidade inabalável, mas perdeu o estado de graça pois está a «ficar mal com todas as forças políticas», como esta semana disse Pedro Santana Lopes, que tem elogiado vastíssimas vezes o Presidente da República (PR), no seu comentário na SIC. Quais são então as razões para o sortilégio de ter começado o tiro a Marcelo?
Por um lado, muitos eleitores do PSD entendiam que ele não demoraria muito tempo a desfazer a geringonça, criando a oportunidade para que Passos Coelho voltasse ao poder. E não convivem bem com o facto de um seu militante e ex-líder seja o maior apoiante da solução governativa congeminada por António Costa, um apoio que funciona quase como um salvo-conduto para a legitimidade que não obteve directamente com uma vitória nas urnas.
Por outro lado, entre PS-PCP-BE, que sempre elogiaram a maré de paz e uma coabitação quase perfeita com Belém, caiu mal a intervenção de Marcelo no caso Centeno, sentindo que um Presidente não deve interferir na acção governativa. Sejamos claros: um PR não existe para deitar Governos abaixo, mas sim para ser um vigilante activo das instituições democráticas, criar um ambiente saudável dos portugueses relativamente aos poderes públicos e gerar consensos para que tudo corra bem a Portugal.
«Um filme só com clímaxes é como um colar sem fio, desfaz-se. É preciso ir construindo até nos grandes momentos. E às vezes devagar». Estas palavras são de “The Bad and the Beautiful” (Cativos do Mal, em português), um filme de Vincente Minnelli. É que a presidência de Marcelo é diariamente uma construção de clímaxes, simpáticos, afectivos, até ao dia em que surge o verdadeiro momento de confronto institucional e, aqui, nem a sua enorme popularidade lhe traz qualquer almofada de conforto numa querela com todos os interlocutores partidários.
Ao contrário dos ultramontanos sociais-democratas, eu não tenho quaisquer saudades de Cavaco Silva e muito menos da sua rede clientelar do cavaquismo que ungiu uma série de medíocres e os transformou em milionários. Mas cumpre a Marcelo entender que já não é comentador, é o Chefe de Estado. Que um abraço a quem precisa é tão significativo como dar uma palavra mais dura, mas sem interferir no normal trabalho diário das instituições.
Porque Marcelo não demite ministros, isso cabe ao Primeiro-Ministro, a ele compete apenas aceitar a sua designação ou demissão sob proposta de António Costa. E é tempo de perceber que tem de vestir as vestes franciscanas do recato mediático mais vezes.
No “Sacrifício”, de Andrei Tarkovsky, perguntava-se: «É difícil viver no silêncio?». Claro que é. E nestes tempos de turbilhão de novidades ao segundo das redes sociais ainda mais. Mas o silêncio é uma das melhores armas em comunicação. Porque é muito difícil combatê-lo e arranjar argumentos contra ele. Chegou o momento de Marcelo fugir aos microfones, sob pena de se tornar o maior inimigo de si próprio.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Marcelo matou Cavaco

Todos já viram “O Padrinho” e por isso facilmente se recordam que o “consiglieri”, Tom Hagen, costumava avisar que «Mr. Corleone é um homem que insiste em saber logo as más notícias». Nós, portugueses, sem o querermos nem desejarmos saber, tínhamos quase todos os dias más notícias durante os tempos do Governo PSD/CDS e de Cavaco Silva.

Não cabe neste artigo analisar a bondade dessa governação ou os estados de alma que eram ciciados de Belém, o que registo é que, na sua generalidade, os portugueses estavam fartos de más notícias e do clima telúrico que se instalou no nosso País. E um dos principais factores de desalento com os políticos e o ambiente confrangedoramente triste que se vivia, passava pelos penosos últimos anos e dias de Cavaco Silva em Belém.

Eu não sou nem de esquerda nem de direita, não tenho partido, não sou fanático de Marcelo Rebelo de Sousa, nem votei nele, por isso ainda mais à vontade estou para escrever livremente sobre a maneira como tenho gostado da sua actuação. O seu magistério não é o de influência é o dos afectos. Em cada gesto de Marcelo há vida, há esperança, há sentimentos positivos, contrastando com uma figura de cera que diariamente ia perdendo o seu brilho e credibilidade.

Marcelo é gente, gosta das pessoas, dá beijinhos e abraços, semeia uma alegria contagiante, enquanto Cavaco se ia perdendo no labirinto da sua solidão, da sua misantropia. Marcelo percebeu que os portugueses precisavam do seu abraço e do seu optimismo, depois de vários anos fustigados pelo chicote da austeridade e dos números sem alma. Sim, a política são as pessoas, a política é lutar todos os dias por melhorar a vida das pessoas. E é tempo da política se impor aos balancetes e às contas de merceeiro.

Quem conhece Marcelo sabe do seu gosto por partidas e algumas traquinices. Todos sabemos que foi o palco da TVI que lhe granjeou a estima e a simpatia dos portugueses, a sua imagem de “professor” impôs-se na percepção das pessoas ao seu lado instável e hipocondríaco.

Do melhor romance editado em 2015, “Assim Começa o Mal”, de Javier Marias, retiro a seguinte passagem: «Há aqueles que desfrutam com o engano, a astúcia e a simulação, e têm uma enorme paciência para tecer as suas redes. São capazes de viver o longo presente com um olho posto num futuro impreciso que não se sabe quando vai chegar». Porque também há todo este lado num político hábil como Marcelo. Demorou 15 anos a cumprir o seu sonho, mas ele ali está, com toda a naturalidade, em Belém com índices de popularidade que agregam todos os segmentos sociais e todas as facções partidárias.

No início do seu mandato, Marcelo foi convidado para fazer a apresentação de uma iniciativa muito válida da estação pública de televisão, o regresso dos Livros RTP. Aconteceu na livraria Bucholz, eu estava presente, e no final comentei para o seu assessor de imprensa, o Paulo Magalhães, que era toda uma diferença para o seu antecessor estar a falar de improviso, com humor e sabedoria, a reviver as suas memórias dos tempos que ali passou em animadas tertúlias com outros grandes nomes da língua portuguesa e com carinho evidente pela literatura, pelas artes, enfim, pela promoção e divulgação da nossa cultura que deve ser matriz essencial dos inquilinos de Belém.

Marcelo dá confiança e sente-a retribuída pelos portugueses. É certo que ainda não se deparou com fortes tempestades institucionais, mas tem contribuído para uma estabilidade que acalma e tranquiliza as pessoas e os mercados. Não sabemos o dia de amanhã, apenas tenho a certeza que Marcelo já empurrou Cavaco, de quem ninguém tem saudades, para um triste rodapé da nossa História. Mais que não seja, neste ano de mandato o mais positivo de tudo é que Marcelo matou Cavaco.

(Meu artigo no ECO)

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Amar Portugal

Com as presidenciais de domingo acaba um ciclo de actos eleitorais. Em Belém e São Bento estão dois novos protagonistas. Agora é tempo de trabalhar, de tentar tornar Portugal melhor, puxar o máximo por nós, credibilizar a vida política, tornar o nosso País mais optimista, dar-lhe outro rumo.

O que lhes peço, a Marcelo Rebelo de Sousa e a António Costa, é quase o mesmo que o grande realizador Ettore Scola, que partiu há uma semana, disse numa das suas últimas entrevistas, como conselho aos jovens realizadores italianos:

«Esqueçam a autobiografia, que é um bicho feio; amem a Itália, não poderão fazer bons filmes se não amarem a Itália». Eles não poderão ser bons políticos se não amarem Portugal. É o que lhes peço: amem Portugal.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A marmita de Marcelo

A três dias das presidenciais, só há um resultado possível: a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa logo na primeira volta. Qualquer outro resultado é uma derrota colossal de um homem que não precisou de  fazer campanha e nada disse de importante ou essencial.

Marcelo, que dispara análises e comentários mais rápido do que a própria sombra, vestiu o papel de morto um mês e nem precisava de mais. É que teve uma campanha montada durante 15 anos em comentário no "prime-time" das televisões. Não há nenhum "case-study" da sua campanha, se o houver é apenas a prova que a televisão pode vender um sabonete e eleger um presidente como em tempos disse Emídio Rangel. Só que no caso, em vez da SIC foi a TVI onde passou mais de uma década a elogiar a manicure Clotilde e a fazer referências simpáticas a pessoas e a livros que nunca leu.

Marcelo é um homem inteligente, ninguém duvida, e a melhor prova é como enganou os portugueses construindo a imagem de tipo porreiro que tanto jeito lhe dava. Tal como encenou aos 50 anos que era do Braga, para não ter de dizer, que era do Sporting ou do Benfica para não hostilizar as massas do futebol, agora o seu grande facto é o mito de que almoça de uma marmita.

Os que foram alunos dele - é o meu caso - sabem que, para lá de ele ser um bom professor, ele conseguia chegar com uma hora de atraso às aulas a assobiar ou a cantarolar mas nunca o viram de marmita na mão, A marmita é apenas o seu dom de imbecilizar as pessoas que acreditam nesta tanga perversamente simpática. É um dom que ele tem. Tem a capacidade de ciciar como as serpentes para dar a mordida final.

Como escrevi uma vez, ele não é a simpática rã que dá boleia ao escorpião para atravessar o rio. Ele é o escorpião. Vestiu-se apenas de rã há 15 anos nas televisões e o povo comeu. Pobre povo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A mulher de Sampaio da Nóvoa

Não conheço Sampaio da Nóvoa nem a mulher dele de lado nenhum. Não sou seu apoiante, nem de nenhum candidato, e estou-me marimbando para esta medíocre campanha eleitoral (deixo o meu "statement").

Mas há coisas que tenho pena que os portugueses engulam sem pensar. Que sejam manipulados sem perceber e odeio hipocrisias. Hoje, um dos temas do dia é se Sampaio da Nóvoa ainda está casado ou não. Como se isso interessasse ao país real, ao país que trabalha, ao país que estuda, ao país que lê. No entanto, nas redes sociais vai viva a partilha sobre este disparate que não interessa a ninguém e discute-se.

Ninguém percebe, enquanto contribui para o barulho, que ao mencionar o caso da mulher de Sampaio da Nóvoa passa mais uma semana e não aparece a primeira-dama de Marcelo Rebelo de Sousa. Por causa desta hipocrisia sou obrigado a perguntar:

1. Marcelo tem a mesma namorada, Rita, ou não?

2. Se sim, e a resposta deve ser sim, por que é que ainda a senhora não apareceu na campanha?

3. Não apareceu porque não o apoia?

4. Não apareceu porque está em casa a preparar-lhe a marmita?

5. Não apareceu porque está ainda a tratar de resolver o assunto dos espoliados do BES onde ela era cargo de topo?

6. Onde anda então a namorada de Marcelo, vive com ele?

Estas seis perguntas também não têm interesse nenhum, eu sei. mas acabem lá com a hipocrisia.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

A miséria das presidenciais

É penoso o que está a acontecer nestas eleições presidenciais. É uma miséria, é uma vergonha, é uma imbecilidade, diria eu. Vasco Pulido Valente chamou-lhe ontem, no Público, «a galeria dos horrores».

Portugal tem mais de 40 anos de maturidade democrática, promoveu políticos e suas carreiras, gente com talento e outra com menos talento, e chegamos a 2016 com estas criaturas candidatas a Belém. Ainda mais, para quem tem memória, quando é escolhido um Presidente da República para um primeiro mandato, a carga de energia é maior e a capacidade de mobilização e empenho mexia com os portugueses.

Desta vez nada acontece. Os portugueses estão-se marimbando para estas presidenciais, as campanhas são medíocres, os debates são, para lá de uma chatice, absolutamente ridículos. E logo no dia 1 tivemos um espectáculo deprimente que deverá constar na história da política portuguesa: um debate entre Marcelo, Tino, um "orador motivacional" de óculos roxos e um candidato que se levantou e saiu do estúdio, uma anedota triste que corou de vergonha quem o viu.

Portugal é muito mais que esta pornochachada. Merecia muito mais, merecia melhor gente, merecia pelo menos uma ideia. Estas presidenciais são o grau zero da política, um convite à abstenção, um concurso de mister e miss nulidades. É um nada. Quarenta anos depois de Abril é triste.

PS: este é o meu primeiro texto de 2016 no meu blog. Desejo a todos os leitores um excelente 2016 e deixo o compromisso que tentarei escrever pelo menos um texto por dia por esta via, com a mesma liberdade que já vos habituei.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A esquizofrenia nacional

Decorreram eleições, os portugueses que quiserem pronunciaram-se. A coligação PSD/CDS teve inequivocamente mais votos. Outro dos vitoriosos da noite foi, inequivocamente, o Bloco de Esquerda, pela boa campanha e porque as pessoas ganharam empatia por Catarina Martins e Mariana Mortágua, que duplicou o número de deputados. Mas teve apenas perto de dez por cento.

A múmia de Belém, expressão minha que uso há muitos anos, convocou Pedro Passos Coelho que, mesmo sem maioria absoluta, é o que legitimamente deve ser chamado a formar Governo. No entanto, parece que há uma maioria de bloqueio e já conversas para uma aliança à esquerda.

Parece que estamos num colete de forças, mergulhados numa esquizofrenia nacional, em que parece que os votos, afinal, não valem nada. Alertei antes das eleições aqui neste blog, e não no dia seguinte, para o impasse em que podíamos cair. Vamos viver neste drama durante uns tempos.

E, quase ao mesmo tempo, uma arara hipocondríaca é candidata a Presidente da República. Como é que um tipo, falo de Marcelo Rebelo de Sousa, que se diverte a criar cenários e é por natureza um petiz que gosta de pregar partidas, vai agora para Belém dar estabilidade a um clima de esquizofrenia em que vivemos?

terça-feira, 31 de março de 2015

A Primeira Dama de Marcelo Rebelo de Sousa

Primeira nota: a mim nada me interessam as preferências sexuais de um candidato, no momento em que faço conscientemente a minha escolha na altura de votar. Cada um é livre de gostar de quem quiser e não é isso que minimiza ninguém.

Segunda nota: há uma enorme hipocrisia na imprensa portuguesa. Para uns, para se ser candidato presidencial, tem de se ter uma Primeira Dama, uma família sólida e mais uma série de predicados da mulher que está ao seu lado. Para outros, isso não interessa e a imprensa faz de conta que não vê nada.

Lembro uma história recente: há uns dois meses, quando Pedro Santana Lopes deu apenas sinais que poderia ser candidato presidencial pela sua carreira e currículo, teve uma viagem a Itália com a sua companheira. Companheira, essa, com quem mantém relação sólida desde 2009. De imediato, surgiram rumores, interesse jornalístico e algumas notas que pretendiam ter humor sobre um alegado casamento à pressa para poder ter uma Primeira Dama e assim se candidatar a Belém.

Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa, que tal como Nicolas Sarkozy disse em tempos pensa muito mais de 5 vezes por dia em ser candidato presidencial, e, ele sim, é candidato a Presidente da República, nunca a imprensa se preocupou com a sua companheira, com o facto de não ser casado, com o desconhecimento geral sobre a sua vida pessoal, se frequenta festas ou não, e se o protocolo vai ter um problema por não haver uma Primeira Dama.

Eu não voto em Marcelo por ele não ter Primeira Dama. Julgo que é muito mais perigoso um desequilibrado sem currículo de decisão em Belém do que um casado, solteiro, homossexual ou divorciado. Porque para os estados civis ou gostos sexuais estou-me marimbando.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Presidenciais: a memória selectiva de Marcelo e a má memória do jornalismo

Uma das coisas que me tem divertido nos últimos tempos é a questão das presidenciais. Gosto do jogo do gato e do rato, gosto da marcação cerrada entre homens, gosto de ver o nervosismo a aumentar.

Santana miou condicionando os outros, Marcelo uivou nervoso e dormindo mal à noite com os nervos, Rio também ladrou, mas é um ladrar ainda sem objectivo. E Guterres também vai realizando ruídos, estes mais certos, pois a sua pretensa candidatura a secretário-geral da ONU é apenas uma daquelas conversas, bem conhecidas dos que têm memória, de mais tarde fazer constar que recusou um alto cargo internacional por um imperativo de consciência nacional. Para quem não percebeu, mas bastou na semana passada o desmentido da manchete do Sol - que o retirava da corrida - com uma declaração ao Expresso, Guterres é o candidato da esquerda e é um bom candidato.

À direita há algo que me faz rir na memória selectiva de Marcelo e na má memória de alguns jornalistas que publicam a sua tese. E qual é a tese dele? É que muitos candidatos à direita pulverizam a hipótese da mesma vencer as presidências.

Mas Marcelo tem memória só para o que lhe interessa, que é que tudo se una em torno da sua candidatura porque a sua cobardia habitual só lhe permite avançar pela certa e sem adversários. E não tem vergonha de se esquecer que, em 1985/86, a direita era unânime no apoio a freitas do Amaral. E a esquerda estava ultra-pulverizada com três pesos-pesados: Salgado Zenha, Maria de Lurdes Pintasilgo e Mário Soares. E, por sinal, a tal esquerda com muitos candidatos ganhou. E até ganhou o candidato que partia atrás nas sondagens.

Marcelo tem de compreender que uma eleição presidencial resulta da vontade de um homem. Do seu afã em se candidatar e não de unanimismos ou escolhas partidárias. É uma prova de coragem e mentalmente dura. Marcelo é medroso e frágil psicologicamente, sempre assim foi para seu mal. E ele até tem medo que o talhante do meu bairro tenha vontade de ser candidato presidencial. É que ele ainda não decidiu, mas pode. Basta recolher assinaturas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Marcelo, Guterres, Lula e a ONU

Marcelo de semana para semana mantém os seus transtornos, sente-se que está mais nervoso por poder perder uma vez mais uma etapa da vida, a sua grande ambição de chegar a Belém pela qual manipula há anos a cabeça de muitos portugueses aos domingos nas suas prédicas.

Treme todo com António Guterres e pelo que me contaram esse tremor leva-o a dizer disparates que ele próprio devia ter vergonha depois de os dizer. Ontem, parece que inventou que Dilma quer enviar Lula para secretário-geral (SG) da ONU.

Devia saber que o Brasil é na América do Sul e que por um sistema que existe há muitos anos na ONU, o próximo SG será europeu e numa primeira opção poderia vir da Europa de Leste mas que por causa do cargo de Donald Tusk (polaco) na Europa, poderá ser um candidato da Europa Ocidental e aí se encaixa e está e bem encaminhado o nome de António Guterres se ele assim o desejar.

Espero que Marcelo na próxima semana se penitencie por mais um erro. Erros que se agravarão até tomar a sua última decisão e Marcelo nunca teve como característica marcante tomar decisões.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A "chica-espertice" mal disfarçada de Marcelo Rebelo de Sousa

Já há muito tempo que deixei de ver as prédicas da agenda pessoal de Marcelo Rebelo de Sousa aos domingos. Não gosto de comentadores pagos a analisar e a envenenar a realidade consoante os seus interesses.

Por isso, foi no DN que li que Marcelo quer uma remodelação do Governo e «especificou três ministros que no seu entender deveriam ser imediatamente substituídos: Miguel Poiares Maduro (ministro adjunto), Paula Teixeira da Cruz (ministra da Justiça) e Nuno Crato (Educação)».

Ora, onde é que está a "chica-espertice"? Marcelo menciona dois ministros que pediram desculpa por erros (Teixeira da Cruz e Crato) para ir ao pote que lhe interessa, o do terceiro mencionado.

Explico: Poiares Maduro e a sua equipa não tem nos últimos tempos cometido muitos erros. Já os cometeu no passado por inexperiência política e tenho a certeza de duas coisas: 1- Poiares Maduro está muito menos ingénuo da máquina dos interesses do poder do que quando entrou no Executivo e sabe onde andam as sombras a gravitar; 2- Pode ter defeitos, mas é um tipo sério e está imune a corrupção. E eu respeito muito os políticos que aprendem e tentam melhorar todos os dias e os que são sérios e incorruptíveis.

Poiares Maduro vai gerir as muitas centenas de milhões de fundos comunitários que irão ser distribuídos em Portugal por projectos que valham a pena a partir de 2015, nomeadamente autarquias, e dava muito jeito a muita gente que fosse um facilitador de fundos obscuros e de ambições pessoais a dar dinheiros aos amigos. Só cai na conversa de Marcelo quem quer, a mim há muito que não me engana.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O candidato de Cavaco e 3 factos sobre o desejo de Barroso

O candidato a Belém preferido de ´Cavaco Silva é Durão Barroso. Sempre assim foi. A carreira do actual presidente da Comissão Europeia tem o selo da esfinge de Belém.

Começo como seu secretário de Estado da Cooperação, passou a ministro dos Negócios Estrangeiros, sempre sob os elogios do cavaquismo e da sua máquina de propaganda, era o seu delfim predilecto como se viu no congresso do Coliseu e não fernando Nogueira, a quem Cavaco "matou" em plena campanha eleitoral.

Cavaco ungiu Durão Barroso e agora pretende fazer o mesmo com as declarações que proferiu na semana passada, dando nota de que «Portugal muito deve a Durão Barroso». Além do mais, Cavaco nunca gostou nem confia em Marcelo Rebelo de Sousa nem Pedro Santana Lopes. Por isso, os sinais serão mais do que evidentes nos próximos tempos.

E também saltam à vista os sinais de que Durão Barroso quer ser candidato. Natural num político extremamente ambicioso, que construiu a sua vida com os princípios maoístas de conquista do poder. São eles:

1- Entrevista de relançamento da sua imagem no jornal mais influente do País, pretensamente afastando a ideia de que quer ser candidato, mas em que apenas se viu a ideia de que «agarrem-me, senão avanço». E ainda deixou um soundbyte que marcou a agenda política durante uma semana, numa suposta conversa de mentirosos sobre o BPN tida com Vitor Constâncio.

2- Cavaco lança-o e faz manchetes com a declaração de que «Portugal muito deve a Durão Barroso» e ainda se põem a circular os números do montante financeiro que a União Europeia deu a Portugal durante a sua miserável presidência da Europa.

3- E vai ter um jornal lançado com pompa e circunstância, em que os criadores são um seu ex-conselheiro e um conselheiro de Cavaco. Algo que sempre acontece quando há eleições presidenciais.

Na intenção de Cavaco e, sobretudo, na de Durão Barroso, há apenas dois erros de construção e que são o seu pecado original: 1- Nenhum português inteligente deseja a candidatura de Durão Barroso; 2- Roma não paga a traidores.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Congresso do PSD e as suas personagens

Este congresso do PSD, no Coliseu, antevia-se sem grande história. E não teve. Tornou-se a coroação de Pedro Passos Coelho, marcada pela presença de diversas personalidades que lhe deram essa bênção. Desde que as reuniões magnas perderam o seu carácter electivo, perderam também a sua dose dramática e florentina. No entanto, caracterizou-se por alguma diversão e bons discursos.

Pedro Passos Coelho - O Primeiro-Ministro apresentou resultados, proferiu longos discursos, mas não consegue chegar ao coração das pessoas. Louva-se a sua coerência e racionalidade no caminho que traçou, porém, ausente ainda está a palavra do último dia do congresso: esperança. É com ela que se conquista o eleitorado, cansado de tanta penúria. Mas deixou uma grande máxima: "Não somos nós que escolhemos o tempo, é o tempo que nos escolhe a nós".

Pedro Santana Lopes - os grandes tribunos sabem sempre as leis da oratória. Deu o seu lado social, do conhecimento que advém da Santa Casa, deu a dica sobre a saúde e a Justiça, bens que não têm preço, deu também as suas dúvidas no nosso relacionamento com a União Europeia. Gozou com os proto-rivais presidenciais que apareceram a correr no congresso, humanizou a Pedro Passos Coelho ao referir que ele tem consciência social. Saiu aclamado e ovacionado de pé, optando por um discurso de homem de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa - fez um grande discurso. Explorou a faceta em que é especialista nos dias de hoje: um "entertainer", um bobo da côrte. Por isso, divertiu. É um comunicador nato e com isso destroçou António José Seguro. Caiu na ratoeira de falar antes de Santana, depois de ter dito nesse dia que não ia ao congresso e depois falou uma hora, fez política, chamou «irritante» a Passos e saiu também aclamado. foi um elemento chave no folclore deste conclave.

Paulo Rangel - az bons discursos, tem energia e luz próprias, tornou-se personagem fulcral para a comunicação política deste congresso, ao ser apresentado como cabeça-de-lista nas europeias. Terá os holofotes em si nos próximos meses num combate que será diícil.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A obsessão de Marcelo

Há uns anos atrás, Nicolas Sarkozy dizia que pensava muito mais do que 5 vezes por dia na possibilidade de ser candidato presidencial em França. E foi.

Marcelo Rebelo de Sousa tem a mesma obsessão há anos, só não sei é se chega lá. A sua vida política é um misto da sua personalidade: hipocondríaco, jogos florentinos e instabilidade psicológica diária, que o levaram, ao fim e ao cabo, a ser um mito com pés de barro.

Pela sua obsessão, Marcelo que é um snob, é obrigado a vestir o fato de "popularucho" nas suas prédicas dominicais. É um catavento, um Rasputine sem barba, que muitas vezes diz o que não sabe e engana-se.

Ao contrário do que disse ontem, Marcelo fará tudo para ser candidato e só não o será pelas suas fragilidades psicológicas habituais. Na história do sapo e do escorpião, ele é o escorpião. De si próprio.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Candidatos do PSD têm vergonha do PSD e é uma vergonha

A maior parte dos observadores julga que o PSD sofrerá uma hecatombe nas eleições autárquicas. Como tal, muitos candidatos e figuras do PSD começam a dizer mal do Governo e no caso de várias campanhas escondem até o símbolo partidário.

Um movimento que começou na campanha dos Açores com Berta Cabral a pretender descolar-se do Governo do seu partido e que teve o resultado que sabemos.

Em Odivelas vejo o outdoor da candidata do PSD (?). Sim, reparo que é do PSD tem o símbolo do partido quase invisível no topo direito do mesmo, no sítio onde ninguém repara e só com uma lupa se vê. Mas é assim em muitos mais locais do País.

Em Cascais, Carlos Carreiras deu-se ao ridículo de fomentar um chamado movimento independente Viva Cascais que não é mais do que a sua coligação PSD/CDS e com pessoas de diversas instituições apoiadas financeiramente pela câmara. Tenho pena que também tenham escondido o apoio que os promotores imobiliários do concelho que abateram os hoteis Estoril-Sol e Atlântico, Godinho Lopes e Manuel Damásio, lhe dão. É que assim ficava junto o pior da política, o pior do Sporting e um dos piores do Benfica.

E todas as semanas, ontem outra vez, Marcelo Rebelo de Sousa o picareta falante do "entertainment", e que apoiará Carreiras, a demolir o Governo. É triste que um partido histórico e relevante se deixe manietar pelo tacticismo de figuras que não o respeitam. Os candidatos do PSD têm vergonha do PSD e é uma vergonha. 

domingo, 14 de abril de 2013

A diferença entre os comentários de Sócrates e Marcelo

Quem faz comentário em televisão pode ser um sábio, mas acima de tudo tem de ser um "entertainer" e estabelecer laços com quem o acompanha. Enquanto Marcelo é uma vedeta do "entertainment", Sócrates começou ainda apenas no registo de político profissional. Tem de mudar a postura.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Acredito em pesquisas qualitativas, mas não em sondagens nem audiências televisivas

Acredito em pesquisas qualitativas e estudos de mercado bem feitos, por profissionais competentes, baseados em "focus groups" e que ajudam a seguir a linha de rumo para marcas, instituições e pessoas.

Mas não confio muito, sem menosprezar os profissionais aí envolvidos, em sondagens (tantos erros nos últimos anos e tantas histórias que podia contar) e nas audiências televisivas. Um bom exemplo disso é esta notícia que diz que «Marcelo esmaga Sócrates» nos comentários de ontem.

Ontem e hoje várias pessoas me falaram de Sócrates, nas redes sociais só se falou de Sócrates e depois aparece este resultado. É um facto que há uma habituação de anos às prédicas dominicais de Marcelo, mas o factor novidade de Sócrates e os temas envolvidos devem dar à RTP uma boa audiência que não se reflecte nos resultados.

domingo, 7 de abril de 2013

As missas de Marcelo e Sócrates

Para o primeiro duelo entre um professor universitário e um estudioso em Paris, auguro que a RTP vai crescer nas audiências e conseguir abafar os resultados da TVI.

É que as prédicas dominicais de Marcelo já cansavam pelo seu maquiavelismo e interesse pessoal em alguns comentários que fazia, fora várias previsões erradas que foi fazendo ao longo do tempo. Marcelo já cansa e satura.

Sócrates estreia-se hoje, pelo menos tem o factor novidade do seu lado mas ainda tem a sua imagem muito danificada e também comentará segundo os seus interesses. Mas neste caso as pessoas vão querer ouvi-lo. É um duelo interessante.

sábado, 24 de novembro de 2012

Marcelo Rebelo de Sousa e os amúos dos políticos

«O homem português amua, o que é uma coisa rara. Os políticos amuam imenso. As pequenas coisas passam à frente das grandes coisas. Perde-se um tempo infindo a gerir pessoas e pequenas questões»

Marcelo Rebelo de Sousa

sábado, 10 de novembro de 2012

O video do prof. Marcelo

Leio esta notícia e, sinceramente, estou-me marimbando para mais esta enorme e gravíssima crise nacional e nefasta para o orgulho patrioteiro de um bando de marialvas nas redes sociais.

O filme do prof. Marcelo é mais um episódio ridículo de quem se tornou um bobo da corte e é pena. Como candidato a Lisboa foi uma nódoa, como líder do PSD foi uma desgraça. Marcelo faz as suas mariolices de politiquinha na tv para gáudio de um País inculto e que lê pouco.

O que desejo ao prof. Marcelo é que vá entreter apenas a família e que não me chateie.