terça-feira, 29 de novembro de 2011

"A Pele em que vivo" de Almodovar

Pedro Almodovar é um realizador genial, já vi todos os seus filmes e vários são aqueles que considero obras de arte: "Matador", "Volver", "A Má Educação", "Fala com Ela", "Tudo Sobre a minha Mãe". E mesmo os razoáveis são bons.

Este é para mim um dos piores filmes da sua carreira. Almodovar está sem graça, está triste, tem o lado do mal mais acentuado do que nunca. As perversões dele estão presentes, mas o lado granítico de Toledo impera na fita.

Não há conflitos interiores a fluir, parece que Almodovar se fica mesmo pela pele, sem nunca chegar à alma, ele que é mestre nessas coisas, noutros filmes que mencionei.

A mulher que é a sua, de Antonio Banderas, obsessão (e era o homem que violentou a sua filha) é uma personagem genial, mas completamente falhada. «Se que me miras», diz ela, sabendo que é observada a todo o instante pelo médico em tela gigante.

E Almodovar é apenas um "voyeur" (e faz de nós apenas "voyeurs"), que não consegue passar a densidade psicológica das personagens. Almodovar é Almodovar, mas este está fraco e negro.

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