quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ser "Jota" em Portugal

Eu nunca fui militante de nenhum partido político nem de nenhuma "Jota". Sou duma geração muito mais politizada do que a actual, em que se discutiam ideias e personagens com gosto. Fazia parte da nossa evolução de estudante e de cidadão. Mas nunca senti esse apelo de militância, apesar de adorar a política.

Não critico quem queira fazer parte de uma organização política de juventude. Acredito que a maior parte o faz por causas, por gostar de política. Julgo que só uma minoria se junta a elas por carreirismo, apesar desses serem os que mais pontificam, porque aquele é o sítio onde acham que vai estar o seu ganha-pão no futuro.

A classe política degradou-se, tal como as "Jotas", apesar de haver honrosas excepções. Mas hoje fazem menos sentido essas militâncias, a sociedade civil desconfia dos políticos e dos juniores da política. É difícil fazer política em Portugal e no mundo, o escrutínio é acentuado e as redes sociais não perdoam em termos de imagem pública.

Não conheço nenhum líder actual das "Jotas" pessoalmente. Na maior parte dos casos nem sei quem são, mas nos últimos dias o líder da JSD sucedeu-se numa série de declarações que o desprestigiam a ele, à JSD e à classe política. É tempo de se repensar a sua actividade e de se evitar o caciquismo que é um dos seus terrenos mais férteis.

Mas também sei que foram os disparates que ele disse que o projectaram. Vai ter o seu tempo de exposição, mas a sua reputação fica marcada e o seu futuro também. Noutros tempos, os políticos jovens ouviam os mais velhos, aconselhavam-se. Essa é uma prática, das poucas, que se deve manter.

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