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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Estrela Serrano e as presidenciais

Estrela Serrano é uma figura muito respeitável e uma referência para quem trabalha no mercado de Conselho em Comunicação. Com reflexões sobre o papel da imprensa e dos assessores publicadas e com a sua experiência enquanto responsável pela comunicação das Presidências de Mário Soares.

Leio um magnífico artigo dela na Briefing (edição em papel deste mês), com o título "As campanhas ainda são o que eram", sobre estas cinzentas eleições presidenciais. Deixo algumas passagens.

«A organização das campanhas e as mensagens dos candidatos continuam a ser adaptadas às rotinas, formatos e lógicas dos media tradicionais e, por outro lado, estes funcionam como legitimadores das mensagens divulgadas nas redes sociais».

«Trata-se em geral de uma cobertura que valoriza sobretudo o negativo e o sensacional».

«As sondagens são matéria noticiosa por excelência porque correspondem aos aspectos mais dramáticos e controversos da política. Contribuem também para uma visão cínica e superficial das eleições».

«Pode pois concluir-se que pouca coisa mudou na maneira como candidatos e jornalistas concebem uma campanha eleitoral e a sua cobertura jornalística».

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O assessor não morreu

Ângela Guedes teve o condão de despertar um interessante debate sobre o actual papel do assessor de imprensa, tudo começou no seu blog (ponho aqui a 2ª parte) e posteriormente houve contributos vários, de que destaco Luís Paixão Martins e Estrela Serrano.

E em especial deixo uma palavra a Fernando Moreira de Sá que, no PiaR, fez um magnífico tríptico com as suas ideias sobre o assunto. Apesar de não concordar com a última ideia, a que já chegarei e dá título ao meu post.

Em primeiro lugar, um comentário à ideia da Ângela sobre os consultores de comunicação estarem à vista ou se, pelo contrário, devem permanecer discretos.

Tenho por mim que um consultor/assessor deve ser discreto no seu trabalho com o cliente. Quando trabalhamos com empresas, marcas, instituições ou pessoas, estamos a comunicar os clientes, logo, o nosso papel é de mero parceiro, coadjuvante.

A vedeta é o cliente. Quem queremos que apareça é o cliente. O nosso papel é o de mera consultoria estratégica e de acção, assessoria, táctica ao cliente. O bom é para o cliente e só se houver algo de negativo ou de crise aí devemos aparecer mais em defesa do nosso cliente. Este é o nosso trabalho.

Agora, o outro lado, é a promoção da nossa actividade e da nossa própria marca. O Luís Paixão Martins deu bem o exemplo da Ângela. Hoje, eu escrevo isto, porque começou no blog da Ângela Guedes e assim tenho a minha percepção sobre ela. E nós somos o que somos, o que fazemos e o que escrevemos.

É a partir da nossa reputação que podemos promover o nosso trabalho e, naturalmente, com o nosso poder no universo mediático, quanto maior ele for melhor protegemos os nossos clientes. Por isso a nossa exposição mediática, a título pessoal ou empresarial, quando for positiva é boa para as nossas marcas próprias e para os que trabalham connosco e confiam em nós.

Segundo ponto da minha argumentação: o assessor não morreu. O que são hoje os assessores? Com quem lidamos?

Em empresas e instituições, o Conselho em Comunicação, lida com directores de comunicação e de marketing de empresas; com pessoas, dou exemplo da política, lidamos com assessores próximos do decisor.

O Fernando explica muito bem como o universo mediático mudou, de como se multiplicaram as ferramentas de comunicação.

Hoje em dia o assessor/director de comunicação ou marketing, por muito bom que seja, não chega para tudo e não é especialista em tudo. Hoje, o seu papel é o de fazer briefings, dar jogo e pôr uma equipa com diversas valências a trabalhar num objectivo comum.

Mas o assessor/director de comunicação ou marketing continua a ser o elemento mais próximo e de maior confiança junto dos políticos, empresas ou instituições. O assessor não morreu, deixou foi de ser plenipotenciário, passando a ser um coordenador de vários profissionais nomeadamente de consultores de comunicação.