quarta-feira, 7 de abril de 2010

Sporting e o novo assessor de imprensa

Não é erro o título deste post. O Sporting anunciou um novo director de comunicação, mas para mim é apenas um assessor de imprensa.

Não conheço o profissional em causa e nada me move contra ele e até me dizem que é um excelente comentador da Sport TV mas não é disto que o Sporting precisa.

Havia dois modelos possíveis. O do Porto, com uma agência de comunicação, a LPM, e um director de comunicação, o Rui Cerqueira. E o do Benfica, sem agência, mas com dois profissionais muito competentes o João Gabriel (que até nem gosto muito, confesso) e o Ricardo Maia (este já gosto bastante).

Nos dois casos há uma preocupação importante não só com a gestão desportiva mas com a instituição e as marcas que representam.

Para o Sporting, nem especialistas em conselho de comunicação nem especialistas em comunicação institucional. O Sporting acaba de contratar, apenas, um assessor de imprensa e esse é o problema.

É que o Sporting não teve apenas a pior temporada dos últimos anos, mas, mais grave, perdeu peso institucional e valor da sua marca. E em comunicação o Sporting anda na Liga dos Últimos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Tocha e as derrotas saborosas

Hoje li na Meios&Publicidade uma notícia que já sabia, uma conquista da F5C de João Tocha.

Gosto de explicar uma coisa e parece-me óbvio. João Tocha foi o responsável de várias campanhas políticas, nomeadamente a de Teresa Almeida à Câmara Municipal de Setúbal. Depois da derrota, o PS solidário como sempre colocou-a na presidência da Comissão do Vale do Tejo, a conta ganha por Tocha.

Todos gostamos de ganhar, mas em política há derrotas que se podem tornar saborosas (e eu também sei do que falo pois também tive derrotas saborosas), é o caso desta que envolve com certeza uma avença interessante.

Lembrar que foi esquecido pela Meios que Tocha também fez a campanha de Hermínio Loureiro em Oliveira de Azemeis, apesar de todos sabermos que a sua agência tem uma ligação umbilical ao aparelho do PS.

Tenho respeito pelo profissionalismo de João Tocha, não o conheço, dizem-me que é um homem tímido que nem parece do mundo da comunicação, mas às vezes a timidez também pode esconder outras coisas.

Mas o que é verdade é que o que é importante é trabalhar. Ganhar e perder, mas sobretudo, ir a jogo e Tocha foi. Anunciar o que não se faz, simular o oásis no deserto é um jogo de perdedores e de ressentidos. Não é o meu jogo.

PS: quanto a uma famosa entrevista de Tocha em que disse à Meios que tinha sido convidado pelos 3 candidatos à liderança do PSD na altura: Manuela, Passos e Santana, sobre as pessoas que os rodeavam não sei, mas pelos 3 candidatos hoje posso dizer: era mentira. Manuela era alérgica a agências de comunicação, Passos não o conhecia e Santana também não. Fica o esclarecimento feito. E sei do que falo, como sabem.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Oráculo (24)

"Escrever é um divinizador do ser humano".
Clarice Lispector

Morante

Para quem me acompanha por aqui, sabe que sou aficionado da festa brava. O grande triunfador do ano passado foi Sebastian Castella, mas continuo a ter na linha da frente Jose Tomás, Miguel Angel Perera e Morante de La Puebla.

Dos últimos 20 anos, os que gostam disto, sabem que a faena de Jose António Morante de La Puebla, com o capote, em Las Ventas, há um ano, vai ficar para a história.

Morante tem a loucura dos génios, agora chamam-lhe o "duende". O resquício da arte dos grandes na tauromaquia moderna está em cada um dos seus lances. Mas o "puro" que o inspira entre faenas, enquanto espera o sinal dos deuses, já é tão mítico como as suas visões e os tratamentos psicológicos.

Esta semana o "El pais" dedica-lhe seis páginas e a "Aplausos" revista de tauromaquia espanhola a sua capa. Aqui fica a entrevista do El País como homenagem a um génio. E como a comunicação é importante para se criarem os mitos.

Mercado

Agora que já passaram as notícias do 1º de Abril e foram bastante interessantes, nomeadamente a fusão PiaR/Buzzofias volta a normalidade.

Espero, gostava que fosse hoje, de dar a notícia de uma agência nova que acabou de contratar um grande talento em quem deposito muita confiança.

E via PiaR também aproveito para saudar o blog do Pedro Rodrigues, da Desafio Global, um dos nomes mais importantes na criação de eventos em Portugal. E que sabe mais de comunicação do que diz.

E do que eu já espreitei também mostra que é um homem de muito bom gosto e que sabe viver a vida. Trabalhar muito e bem e saber usufruir do lazer e dos gostos mais requintados é uma das condições para obter melhores resultados.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Comunicação do PSD

Ontem o Salvador analisou bem. Eu vou acrescentar mais umas coisas quanto á comunicação que o PSD e o seu novo líder precisam.

Mal vão os políticos que ainda não confiam no conselho em comunicação profissional. aqueles que fazem disto sua profissão estão mais atentos ao mercado, às tendências, à sociedade civil. Sobretudo, porque não vivem em cicuito fechado e o nosso mundo não é só o da política.

Manuela Ferreira Leite estava fora do tempo. Não confiava na comunicação ou, no mínimo, achava que a comunicação esfíngica dos tempos do cavaquismo ainda podia ultrapassar os novos tempos.

Pedro Passos Coelho pelo que lhe conheço dele gosta de ouvir (e também decidir) e confia em quem lhe merece confiança. Assim, ele terá dois desafios:

Comunicação endógena, para dentro do partido: e começou bem. Ao falar num conselho dos ex-líderes e ao integrar Aguiar Branco já percebeu que a mensagem é de união. Sabendo que o mais difícil é pacificar o PSD e juntá-lo, colando as diferentes tribos e agradando aos diversos egos que por ali habitam.

Comunicação exógena, para a sociedade: o discurso é de mudança. Mudança Tranquila, acrescentaria eu. Conquistar a classe média, seduzir elites, passar bem junto dos líderes de opinião. E vai consegui-lo.

Sabendo que os tempos são difíceis e Portugal atravessa momentos difíceis. Acrescentaria que será necessária RAZÂO. Calma e pouca paixão.

O regresso de Blair

Lia ontem à noite o regresso fortíssimo de Tony Blair à liça. Num momento em que o Labour está pertíssimo dos Tories nas sondagens.

Vantagem óbvia, Blair é muito melhor cabo eleitoral do que Gordon Brown. Desvantagem, o recolocar na agenda política a Guerra do Iraque e a sua imagem danificada com esse envolvimento com George W. Bush.

O ataque é fortíssimo a Cameron: «Parece que ainda não se decidiram sobre aquilo que defendem. Ou continuam a ser o velho partido Tory e querem escondê-lo, ou não sabem para onde querem ir». Acusando o slogan conservador «Tempo de mudança» de ser «o mais vazio de sempre».

David Cameron, perito em comunicação, ele que que trabalhou como PR, não foi menos matador: «foi a primeira vez em vários anos que Blair fez um discurso que ninguém pagou». Isto é muito bom, agressividade em comunicação eu gosto muito.