quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Pedro J. Ramirez: ou a imprensa sem hipocrisias

Em Espanha, os leitores de jornais sabem que o EL Pais está próximo do PSOE, o EL Mundo do PP e o ABC da Casa Real espanhola. É uma imprensa que faz o seu dever, o jornalismo, mas que não engana os leitores com alinhamentos ocultos.

Hoje é notícia que Pedro J. Ramirez será afastado da direcção do jornal que fundou e liderou desde 1989, o El Mundo. O André Macedo, director do Dinheiro Vivo, chamou-lhe no seu mural no facebook de «melhor director de jornais ibéricos». Se não o é, está lá próximo.

Dizem que o afastamento é motivado por pressões do poder, como pode ler aqui, poder, esse, que seria Mariano Rajoy e a Casa Real. PJR é uma personagem polémica, fez várias vezes notícia. Abateu muito do PSOE, esteve por trás da queda do mítico Mario Conde e foi um polo de agregação do centro-direita espanhola.

O El Mundo afirmou-se no tempo de queda de Felipe Gonzalez e marcou a sucessão de Fraga Iribarne, ajudando na ascensão de José Maria Aznar. Neste processo sugiro o livro de um delfim de Fraga, Jorge Verstrynge, "Memorias de un maldito", que foi banido do PP.

O que consta é que a ligação de PJR com Aznar seguiu firme e todo o caso Barcenas que o El Mundo espoletou e que criou fortes embaraços ao Governo de Rajoy, foi fruto dessa aliança que marcou duas legislaturas. A sua queda vai marcar a imprensa em Espanha e se for por essas pressões do poder fará correr rios de tinta. A tinta que faz preencher os jornais de notícias.

Os consumidores mentem, o marketing não

«Os profissionais de marketing não mentem. Apenas contam histórias. São os consumidores que mentem. Na qualidade de consumidores, mentimos a nós mesmos acerca daquilo que usamos, do sítio que vivemos, do nosso sentido de voto e daquilo que fazemos na vida. Os profissionais de marketing bem sucedidos são apenas fornecedores de histórias nas quais os consumidores optam por acreditar»

Seth Godin, «As mentiras do marketing»

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ser "Jota" em Portugal

Eu nunca fui militante de nenhum partido político nem de nenhuma "Jota". Sou duma geração muito mais politizada do que a actual, em que se discutiam ideias e personagens com gosto. Fazia parte da nossa evolução de estudante e de cidadão. Mas nunca senti esse apelo de militância, apesar de adorar a política.

Não critico quem queira fazer parte de uma organização política de juventude. Acredito que a maior parte o faz por causas, por gostar de política. Julgo que só uma minoria se junta a elas por carreirismo, apesar desses serem os que mais pontificam, porque aquele é o sítio onde acham que vai estar o seu ganha-pão no futuro.

A classe política degradou-se, tal como as "Jotas", apesar de haver honrosas excepções. Mas hoje fazem menos sentido essas militâncias, a sociedade civil desconfia dos políticos e dos juniores da política. É difícil fazer política em Portugal e no mundo, o escrutínio é acentuado e as redes sociais não perdoam em termos de imagem pública.

Não conheço nenhum líder actual das "Jotas" pessoalmente. Na maior parte dos casos nem sei quem são, mas nos últimos dias o líder da JSD sucedeu-se numa série de declarações que o desprestigiam a ele, à JSD e à classe política. É tempo de se repensar a sua actividade e de se evitar o caciquismo que é um dos seus terrenos mais férteis.

Mas também sei que foram os disparates que ele disse que o projectaram. Vai ter o seu tempo de exposição, mas a sua reputação fica marcada e o seu futuro também. Noutros tempos, os políticos jovens ouviam os mais velhos, aconselhavam-se. Essa é uma prática, das poucas, que se deve manter.

A Calúnia e as verdades da imprensa

No início dos anos 80, Sydney Pollack realizou um filme, A Calúnia ("Absence of Malice"), com Paul Newman e Sally Field, que retratava os dilemas de uma jornalista depois de esta ter publicado uma história baseando-se num dossier convenientemente deixado à vista por uma fonte da investigação policial.

Para lá da sua manipulação pela investigação, a jornalista não contactou o visado, acreditando apenas num lado da possível notícia. Com isso, e com a manchete publicada, a vida do visado muda.

Primeiro, surge o advogado do jornal que esclarece a jornalista: «Senhora, se os jornais só publicassem a verdade, não dariam emprego a advogados». E acrescenta: «Não estou interessado em factos, mas na lei. A questão não é se a história é verdadeira ou não. A questão é que protecção temos, se se provar que é falsa».

Mas ainda mais interessante o diálogo entre a jornalista, Sally Field, e o personagem de reputação manchada pela notícia, interpretado por Paul Newman:

SF- «Se o ilibarem escreverei sobre isso»
PN- «Em que página? Se dizem que alguém é culpado, todos acreditam. Se dizem que é inocente, ninguém quer saber»
SF- «Não é culpa dos jornais, é das pessoas. Acreditam no que querem acreditar»
PN- «Quem põe os jornais nas ruas? Ninguém?»

Este magnífico filme, nestes diálogos mostra a responsabilidade da imprensa, o que pode publicar e o que não pode publicar sem comprovação. A verdade é só uma mas também é o que fazem dela. E a reputação é um dos valores mais sagrados das pessoas, isso é que não pode ser esquecido.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O nosso ego aguenta a manipulação

«Quando descobrimos que um mágico está a fazer um truque, não ficamos zangados. Também sabemos que a maquilhagem não faz realmente com que as mulheres pareçam vinte anos mais novas e que a cozinha do nosso restaurante preferido não é tão limpa como a que temos em casa. Isso não faz mal. Embarcamos nestas mentiras porque tanto você como quem conta a história beneficiam dela enquanto acreditarem nela».

Seth Godin, «As mentiras do marketing»

MEO, nova marca da ZON/Optimus e uma ideia polémica

Ontem quando escrevi sobre a morte da marca TMN e o renascimento de uma marca, houve quem entendesse - e eu expliquei-me mal e peço desculpa aos leitores - que isso seria tudo relacionado com a TMN e não é assim.

O MEO é a OUTRA VIDA da TMN. O MEO, que foi a marca mais recordada o ano passado pelos portugueses, fruto também das reconhecidas campanhas publicitárias criadas pela Partners, passa assim a ser a marca em que convergem todos os serviços de telecomunicações e entretenimento do grupo. Morre a TMN que ganha outra vida.

Quanto ao renascimento de uma marca isso passa pela nova identidade da ZON/Optimus. «Para isso, a operadora liderada por Miguel Almeida já entregou a criação da identidade da nova empresa resultante da fusão da Zon e da Optimus à agência britânica Wolff Olins», escreveu a Ana Marcela no Dinheiro Vivo,

Aqui, como ontem escrevi, «o que o mercado e os seus possíveis consumidores vão necessitar é de um reforço de empatia, é isso que leva ao robustecimento da ligação emocional dos clientes às marcas. Vamos ver como será o novo nome».

Sobre a ideia polémica que falo no título do post é a seguinte e agarrando neste exemplo do recurso a uma agência de branding inglesa. Muitas empresas portuguesas queixam-se que nos seus esforços de internacionalização, quando se focam em potenciais mercados, encontram diversas barreiras protecionistas.

As nossas empresas enfrentam concorrentes maiores e países que protegem em primeiro lugar as empresas locais - podia citar vários casos, vários países, vários sectores de actividade. Só em Portugal ainda sobrevive o nacional-parolismo de que o que tem marca estrangeira é que é bom. Aqui tudo entra sem restrições.

Naturalmente, vivemos numa economia globalizada e há imposições jurídicas em concursos que pelo seu valor têm de ser abertos a multinacionais e empresas não portuguesas. Mas é tempo de, em determinados casos, haver uma "cartelização das decisões" em prol de empresas nacionais, não só por serem nossas mas também porque em Portugal há valor e talento. Se não defendermos no nosso território as nossas empresas, ninguém o fará lá fora. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A morte da TMN e o renascimento de uma marca

Já tivemos enterradas a Telecel, a TVCabo e agora a TMN. No último ano a marca que os portugueses mais têm na memória é o MEO, e até nem é líder do seu mercado.

No caso da TMN houve um apagamento devido a diversas movimentações na sua estrutura acionista e um desinvestimento na marca e na sua variante, também, de relações públicas.

A morte da marca TMN vai dar origem a uma nova marca, tarefa a cargo de uma agência de "branding" inglesa. O que o mercado e os seus possíveis consumidores vão necessitar é de um reforço de empatia, é isso que leva ao robustecimento da ligação emocional dos clientes às marcas. Vamos ver como será o novo nome.