terça-feira, 18 de maio de 2010

Cavaco e a comunicação: O sossego e a ameaça

Nunca fui fã de Cavaco Silva, mas há anos que é dos políticos que melhor lida com a comunicação e melhor controla a sua agenda dentro da sua estratégia esfíngica e insondável.

Ontem, foi menos insondável. Cavaco Silva, ontem, apenas realçou uma coisa: será candidato à Presidência da República, o que muitos esperavam, naturalmente, mas alguns duvidavam por via de certas histórias ligadas à sua saúde que circulam nos mentideros.

Ontem, para lá de ter sossegado as consciências dos seus apoiantes mais conservadores, pois a aprovação do casamento dos homossexuais não é pacífica nessa esfera, ainda acrescentou outra coisa.

Cavaco avisou o Governo: até à sua reeleição, Sócrates não encontrará hostilidade de Belém. Apesar das barulhentas chamadas de atenção de Cavaco para a crise em que vivemos e da péssima situação da nossa economia, o PS terá tranquilidade para enfrentar os problemas.

Depois da sua reeleição, Cavaco deixou tudo explícito: Sócrates tem a cabeça a prémio.

Foi fantástica a mensagem: o sossego dos seus apoiantes conservadores e a tranquilização dos portugueses de que Belém está atento; e a ameaça velada que Sócrates tem um tempo determinado para debelar a crise.

PS: se não sou fâ de Cavaco, ainda menos sou de Manuel Alegre. Em Portugal não estamos em tempo de poetas.

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