Hoje é o último programa de Marcelo Rebelo de Sousa na RTP, mas nem me vou pronunciar sobre silenciamento de possíveis vozes dissonantes.
Prefiro escrever sobre ele. Marcelo foi meu professor de ciência política na Católica(por sinal a minha melhor nota quando estive em Direito)e ainda bem me lembro a naturalidade com que chegava meia-hora atrasado às aulas, divertidíssimo enquanto assobiava ou cantarolava.
Foi com essa mesma naturalidade que com análise política conquistou os portugueses, entrando pelas nossas casas aos domingos. Não esquecer que depois da derrota em Lisboa, com o famoso mergulho no Tejo, e da saída da liderança do PSD, Marcelo perdeu ilusões.
Foi na TSF e depois na TVI que o professor atingiu níveis de reconhecimento ímpares, tornando-se uma das pessoas com um maior grau de notoriedade pública e taxas de popularidade estratosféricas.
Para mim, nunca abandonou o seu perfil florentino. Porque era muitas vezes analista em causa própria. Mas que vertia inteligência e sagacidade muito mais rápido do que a sua própria sombra.
Marcelo é um homem ambicioso, que se fixou no objectivo Belém. Por isso, para já, neste momento do PSD, Cristo não vai descer à Terra.
Qualquer dia também estará de regresso numa televisão perto de si. E com metade do país político no sábado já à espera do que «é que vai dizer o Marcelo». Tornou-se um hábito.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Ambiente no PSD
Ontem, quando me ia dedicar ao meu momento ecológico na rua, a separação do lixo consoante as cores, uma pessoa que faz grandes entrevistas pergunta-me: «olá! então o que é que se passa no PSD?».
«Estive fora uns dias, mas está tudo calmo», ainda acrescentou.
Eu respondi-lhe: quando há um combate a dois é um duelo, um combate a três é uma zaragata. Por isso, o ambiente é estranho. Muito estranho. Porque o silêncio antes do combate só me diz que será brutal.
«Estive fora uns dias, mas está tudo calmo», ainda acrescentou.
Eu respondi-lhe: quando há um combate a dois é um duelo, um combate a três é uma zaragata. Por isso, o ambiente é estranho. Muito estranho. Porque o silêncio antes do combate só me diz que será brutal.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Tejo
Hoje, almocei à portuguesa (duas horas e meia de almoço, mas fantástico) com um novo cliente, na margem sul.
Tinha outra opção, mas decidi vir de barco. Desde 2004 que não passeava pelo Tejo e isso infelizmente é um privilégio que não é generalizado.
Chegar a Lisboa e vê-la do nosso rio é uma sensação única, mas a crescente construção de edifícios inexplicáveis e o estaleiro em frente ao Terreiro do Paço que já lá está há 15 anos estragam a delícia de vista.
Lisboa tem de tratar melhor este postal como não há muitos no mundo.
Tinha outra opção, mas decidi vir de barco. Desde 2004 que não passeava pelo Tejo e isso infelizmente é um privilégio que não é generalizado.
Chegar a Lisboa e vê-la do nosso rio é uma sensação única, mas a crescente construção de edifícios inexplicáveis e o estaleiro em frente ao Terreiro do Paço que já lá está há 15 anos estragam a delícia de vista.
Lisboa tem de tratar melhor este postal como não há muitos no mundo.
Costinha no Sporting
Fico satisfeito com a entrada pela porta grande de Alvalade de Costinha. Provavelmente, um dos jogadores que mais cuidado tem com a imagem e que, nos tempos do Mónaco, os seus colegas chamavam "Le Ministre".
Porque ia sempre para os treinos de fato e, muitas, se calhar seguindo o conselho de alguma agência de comunicação, também de gravata. Fico satisfeito por alguns motivos.
1- Costinha é um ferrenho sportinguista (tal como Maniche, diga-se de passagem, que fez o meio-campo de Mourinho de um Porto conquistador).
2- Costinha por onde passou sempre teve um perfil de líder, e no balneário muito respeitado pelos colegas.
3- Tem diversas experiências desportivas com mentalidade de vitória e conhece bem diversas organizações que funcionam com profissionalismo.
4 - o motivo mais divertido: estão de regresso os fatos Prada ao futebol português.
Porque ia sempre para os treinos de fato e, muitas, se calhar seguindo o conselho de alguma agência de comunicação, também de gravata. Fico satisfeito por alguns motivos.
1- Costinha é um ferrenho sportinguista (tal como Maniche, diga-se de passagem, que fez o meio-campo de Mourinho de um Porto conquistador).
2- Costinha por onde passou sempre teve um perfil de líder, e no balneário muito respeitado pelos colegas.
3- Tem diversas experiências desportivas com mentalidade de vitória e conhece bem diversas organizações que funcionam com profissionalismo.
4 - o motivo mais divertido: estão de regresso os fatos Prada ao futebol português.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Marinho Pinto
António Marinho Pinto anunciou hoje a sua recandidatura a bastonário da Ordem dos Advogados, li no Público.
É uma decisão que só encontra paralelo na recandidatura de Júlio Castro Caldas, em 1995 (então contra o malogrado Carlos Olavo). Pois não há a tradição dos Bastonários prolongarem o seu mandato.
E é uma péssima decisão. Marinho Pinto tem sido um Bastonário medíocre, trauliteiro, acintoso. É um líder sindical e não é disso que os advogados precisam.
Esta classe que já conta com mais de 27 mil profissionais exige discrição, tranquilidade e influência. Marinho Pinto de tudo isto tem ZERO.
Depois, ninguém esquece que todos os líderes dos conselhos distritais da Ordem estão contra ele, não é que tenham um candidato melhor, mas é um sinal.
E ninguém esquece que este é o primeiro Bastonário a atribuir um salário a si próprio e que, com certeza, lhe dará muito jeito. Aliás, face á modéstia do seu escritório não tenho dúvidas em que lhe dá mesmo muito jeito.
Marinho tem deixado a reputação e a influência dos advogados de rastos porque ele é apenas um justiceiro dos descamisados, uma Evita Péron made in Coimbra que decidiu ganhar projecção por este lado.
É uma decisão que só encontra paralelo na recandidatura de Júlio Castro Caldas, em 1995 (então contra o malogrado Carlos Olavo). Pois não há a tradição dos Bastonários prolongarem o seu mandato.
E é uma péssima decisão. Marinho Pinto tem sido um Bastonário medíocre, trauliteiro, acintoso. É um líder sindical e não é disso que os advogados precisam.
Esta classe que já conta com mais de 27 mil profissionais exige discrição, tranquilidade e influência. Marinho Pinto de tudo isto tem ZERO.
Depois, ninguém esquece que todos os líderes dos conselhos distritais da Ordem estão contra ele, não é que tenham um candidato melhor, mas é um sinal.
E ninguém esquece que este é o primeiro Bastonário a atribuir um salário a si próprio e que, com certeza, lhe dará muito jeito. Aliás, face á modéstia do seu escritório não tenho dúvidas em que lhe dá mesmo muito jeito.
Marinho tem deixado a reputação e a influência dos advogados de rastos porque ele é apenas um justiceiro dos descamisados, uma Evita Péron made in Coimbra que decidiu ganhar projecção por este lado.
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Rui Calafate
A importância das palavras
Sempre liguei à importância das palavras. Quem trabalha em comunicação deve estar atento às audiências, às tendências.
Para isso, logicamente, é preciso ter algum talento e ler o que se passa. Quando me refiro a ler, não toco apenas na leitura de jornais e de livros. Toco na leitura dos movimentos da sociedade.
Por isso, se estiverem atentos, vão ver que, em breve, o CDS, vai trocar a palavra videogilância (e foram eles que mais se bateram por isso em Portugal, nomeadamente o meu amigo Nuno Magalhães, o deputado mais conhecedor da área de segurança da Assembleia da República) por outra.
Vão começar a falar em videoprotecção. Porquê?
Porque todas as pessoas querem ser protegidas, mas odeiam ser vigiadas.
Autor da mudança: Paulo Portas; Fazedor: Nuno Mgalhães; Inspirador: Nicolas Sarkozy.
E assim se compreende a importância das palavras.
Para isso, logicamente, é preciso ter algum talento e ler o que se passa. Quando me refiro a ler, não toco apenas na leitura de jornais e de livros. Toco na leitura dos movimentos da sociedade.
Por isso, se estiverem atentos, vão ver que, em breve, o CDS, vai trocar a palavra videogilância (e foram eles que mais se bateram por isso em Portugal, nomeadamente o meu amigo Nuno Magalhães, o deputado mais conhecedor da área de segurança da Assembleia da República) por outra.
Vão começar a falar em videoprotecção. Porquê?
Porque todas as pessoas querem ser protegidas, mas odeiam ser vigiadas.
Autor da mudança: Paulo Portas; Fazedor: Nuno Mgalhães; Inspirador: Nicolas Sarkozy.
E assim se compreende a importância das palavras.
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Videoprotecção
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
O cinismo do Polvo
Para quem viu as 10 temporadas do Polvo, série italiana da RAI em co-produção com várias outras televisões, sabe que é um autêntico tratado sobre o poder, nomeadamente o oculto, a corrupção, a mafia e o combate da justiça.
É um compêndio extraordinário de personagens fascinantes e de diálogos bem construídos. Na temporada 4, uma das melhores para mim, com o assalto ao poder financeiro de uma das mais carismáticas personagens em televisão, Tano Cariddi (o actor Remo Girone) assistem-se a diversas pérolas para quem gosta de determinados movimentos.
Numa conversa numa sauna, Spinoza - o detentor do poder oculto - fala com Salimbeni o senador que representa o poder corrompido: «para quê servir-se de um soldado gasto quando se tem um jovem Napoleão?»; «o ataque serve para surpreender o adversário, surpreendê-lo, desorientá-lo. Mas depois, para ganhar realmente, é preciso ter o controlo do céu e do mar».
Já no final da série, o mesmo Spinoza (o actor Bruno Cremer) destila todo o cinismo que vigora nesta série: «para a democracia, a corrupção é exactamente o óleo para um motor. Tem um cheiro nauseabundo e suja, mas não se pode passar sem isso».
PS: os mesmos cretinos de sempre, que só me fazem rir, pois para quem não sabe eu adoro que me venham chatear, lá voltaram ontem por via anónima - como sempre - a mandar dois comentários para o meu blog. O ressentido e o que vive à conta do Estado, pois já lhes conheço o estilo, ainda não perceberam que neste blog eu publico o que eu quero e me apetece porque é meu. Há uma regra muito simples na vida - e ontem até era um post bem tranquilo e mais existencialista - quem não gosta não compra. Quem não gosta para que é que se vem aqui martirizar com as minhas palavras? Falta do que fazer, pobreza de espírito e pouca inteligência, diria eu.
É um compêndio extraordinário de personagens fascinantes e de diálogos bem construídos. Na temporada 4, uma das melhores para mim, com o assalto ao poder financeiro de uma das mais carismáticas personagens em televisão, Tano Cariddi (o actor Remo Girone) assistem-se a diversas pérolas para quem gosta de determinados movimentos.
Numa conversa numa sauna, Spinoza - o detentor do poder oculto - fala com Salimbeni o senador que representa o poder corrompido: «para quê servir-se de um soldado gasto quando se tem um jovem Napoleão?»; «o ataque serve para surpreender o adversário, surpreendê-lo, desorientá-lo. Mas depois, para ganhar realmente, é preciso ter o controlo do céu e do mar».
Já no final da série, o mesmo Spinoza (o actor Bruno Cremer) destila todo o cinismo que vigora nesta série: «para a democracia, a corrupção é exactamente o óleo para um motor. Tem um cheiro nauseabundo e suja, mas não se pode passar sem isso».
PS: os mesmos cretinos de sempre, que só me fazem rir, pois para quem não sabe eu adoro que me venham chatear, lá voltaram ontem por via anónima - como sempre - a mandar dois comentários para o meu blog. O ressentido e o que vive à conta do Estado, pois já lhes conheço o estilo, ainda não perceberam que neste blog eu publico o que eu quero e me apetece porque é meu. Há uma regra muito simples na vida - e ontem até era um post bem tranquilo e mais existencialista - quem não gosta não compra. Quem não gosta para que é que se vem aqui martirizar com as minhas palavras? Falta do que fazer, pobreza de espírito e pouca inteligência, diria eu.
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