quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O cinismo do Polvo

Para quem viu as 10 temporadas do Polvo, série italiana da RAI em co-produção com várias outras televisões, sabe que é um autêntico tratado sobre o poder, nomeadamente o oculto, a corrupção, a mafia e o combate da justiça.

É um compêndio extraordinário de personagens fascinantes e de diálogos bem construídos. Na temporada 4, uma das melhores para mim, com o assalto ao poder financeiro de uma das mais carismáticas personagens em televisão, Tano Cariddi (o actor Remo Girone) assistem-se a diversas pérolas para quem gosta de determinados movimentos.

Numa conversa numa sauna, Spinoza - o detentor do poder oculto - fala com Salimbeni o senador que representa o poder corrompido: «para quê servir-se de um soldado gasto quando se tem um jovem Napoleão?»; «o ataque serve para surpreender o adversário, surpreendê-lo, desorientá-lo. Mas depois, para ganhar realmente, é preciso ter o controlo do céu e do mar».

Já no final da série, o mesmo Spinoza (o actor Bruno Cremer) destila todo o cinismo que vigora nesta série: «para a democracia, a corrupção é exactamente o óleo para um motor. Tem um cheiro nauseabundo e suja, mas não se pode passar sem isso».

PS: os mesmos cretinos de sempre, que só me fazem rir, pois para quem não sabe eu adoro que me venham chatear, lá voltaram ontem por via anónima - como sempre - a mandar dois comentários para o meu blog. O ressentido e o que vive à conta do Estado, pois já lhes conheço o estilo, ainda não perceberam que neste blog eu publico o que eu quero e me apetece porque é meu. Há uma regra muito simples na vida - e ontem até era um post bem tranquilo e mais existencialista - quem não gosta não compra. Quem não gosta para que é que se vem aqui martirizar com as minhas palavras? Falta do que fazer, pobreza de espírito e pouca inteligência, diria eu.

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