quarta-feira, 14 de abril de 2010

A banalização da mediocridade *

Há pouco tempo, um director de uma empresa dizia-me o que achava ideal para Portugal. Mais trabalho, maior produtividade, reconhecimento do mérito, mudança de sistema político e revisão do sistema e do nosso aparelho na Justiça.
Registo para quem tem memória que o melhor Procurador Geral da República que tivemos, apesar de muito polémico, foi Cunha Rodrigues. O que dá de imediato a ideia da péssima figura que Souto Moura e Pinto Monteiro têm dado das nossas instâncias judiciais.
No capítulo da política e do nosso sistema, registo uma frase de Adelino Maltez que dizia que em Portugal «se assiste à banalização do mal». O que releva que os tempos são de cansaço, descrédito e perplexidade com tudo o que envolve o nosso sistema de poder.
Em Itália houve uma operação “Mãos Limpas”, por cá já ouvi alguns falar nisso. Mas esse é mais um sintoma do radicalismo com que a populaça observa a salivar cada uma das histórias sinistras que envolvem políticos e outras personalidades que se envolvem com eles, como é o triste caso de Luís Figo que se deixou enredar numa trama de que as conversas entre Paulo Penedos e Marcos Perestrelo dão conta.
Portugal começa a habituar-se, de facto, ao mau, por cá não é o triunfo dos porcos é o triunfo dos medíocres, dos carreiristas, dos que nada fazem para chegar a um poder que lhes é dado por serem os serventuários das personalidades mais famosas.
Continuo a adorar o nosso país, a nossa cultura, a nossa maneira de ser, mas continuo a achar Portugal um país medíocre. Sem brilho, com memória passada mas preso no fado. Triste e pejado de carpideiras.
Há verdadeiramente muito pouco de novo em Portugal. O mérito é de quem é vigarista, chico-esperto, sabujo. Sempre foi assim. Deixámos de produzir “reis” fortes – já não existe um D. João II – e só nos sai Sebastiões ou D. Afonso VI ou D. Sancho II. Os nossos “reis” são fracos e medíocres.
Não existe uma estratégia portuguesa, não há visão global, vivemos carregados de contabilistas e produzimos muito poucos gestores com rasgo e génio.
Portugal não pode continuar assim. Precisamos de gente mais qualificada, que leia mais, que conheça mais o mundo. Pois continuamos provincianos e nada cosmopolitas.
Portugal perde todos os anos para os últimos países a aderirem à União Europeia. É uma vergonha.
Seguimos resignados a dizer: «é o que temos». Está errado não podemos pactuar com o mau nem tergiversar face ao medíocre.
Portugal precisa de uma nova esperança e de uma nova alma. Vamos ver os próximos capítulos.

*Artigo Publicado na Frontline

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