Porque será que as pessoas, entre outros, gostam há tantos anos de ler Miguel Sousa Tavares no Expresso ou Vasco Pulido Valente no Público? Porque são independentes, dizem o que pensam, não são mandatados por ninguém.
Num mundo onde grassa a irracionalidade, onde qualquer idiota sem currículo nem conhecimento de nada tem contas nas redes sociais e expressa a sua opinião, onde cada vez mais organizações tentam manietar e manipular a opinião pública através de quem emite opinião, é bom que os media tradicionais continuem a saber valorizar a independência e não cedam a pressões das mesmas.
Ser independente reforça a liberdade de expressão e defende uma sociedade democrática, onde o bom senso e a razão devem imperar. A função de "gate-keeper" dos media não pode desaparecer e os editores devem ter consciência que as audiências não valem tudo. O tempo também ajuda a separar o trigo do joio.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2015
sexta-feira, 24 de julho de 2015
O Twitter, a comunicação política e as negociações com a Grécia
Hoje, o Jornal de Negócios publica em primeira página "A Guerra do Twitter". Uma peça sobre a importância dessa rede social na comunicação política e a sua presença nas negociações entre a Europa e Grécia. Pediram a minha opinião e aqui deixo as perguntas e as minhas respostas.
- Na sua opinião, as negociações do acordo da Grécia teriam sido diferentes sem o Twitter?
- Julgo que não seriam diferentes, continuariam era mais no segredo dos deuses, em sala fechada. A política é a arte do compromisso e isso só é possível cara a cara. O Twitter pode ter servido algumas vezes como arma de pressão ou de dissuasão entre os participantes, jogando com o que era passado para a opinião pública, mas as negociações, os acordos, teriam de ser sempre uma decisão de homens e mulheres numa sala sem salas de chat.
- Esta rede social foi utilizadas por vários decisores das negociações incluindo durante reuniões importantes, bem como para esclarecer notícias que iam saindo nos media. O Twitter é mais eficaz do que organizar uma conferência ou enviar comunicados por exemplo?
- O Twitter tem a capacidade de gerir mais proximidade. Ali conversamos para as pessoas que nos querem seguir, sem intermediários. Essa percepção de proximidade com as pessoas é menor em conferências de imprensa ou quando os media são o veículo por onde canalizamos as notícias. Portanto, aqui não é tanto uma questão de eficácia, pois os media tradicionais têm uma capacidade muito maior de atingir um maior número de pessoas e assim continuarão. Aqui a comunicação política tenta criar é essa percepção de proximidade e de ligação às pessoas.
- O Twitter foi a fonte de muitas das notícias das negociações do acordo da Grécia. Na sua opinião, enriquece ou empobrece o espaço público? Ajuda a construir uma opinião pública mais informada e a ter uma noção mais clara dos acontecimentos?
- É verdade que sim que foi uma importante fonte. A internet dá informação, não dá conhecimento. As redes sociais, nomeadamente o Twitter, permitiram a ascensão de micro poderes, de outros líderes de opinião que não estavam nos media tradicionais. Ora, isso em muitos casos enriqueceu o debate e trouxe outros protagonistas, mas as redes sociais, ao contrário do Gate-Keeper dos media tradicionais, ainda não têm maneira de escolher o que é bom e o que é mau. Como dizia há pouco tempo o Umberto Eco: «Os jornais já não têm poder sobre o homem da rua. Não tenho a certeza que a internet melhore o jornalismo. Todos os que habitam o planeta, incluindo loucos, têm hoje direito à palavra pública». Agora, sem dúvida, há um maior acesso à informação, mas continuo a pensar que é fundamental na discussão no espaço público o critério e a independência de um jornalismo livre, são os media tradicionais que devem continuar a dimensionar e balizar o que é mais importante, mas acompanhando o que de bom vem aparecendo das redes sociais e integrando-o.
- O Twitter é actualmente uma das principais ‘armas’ políticas? O recente caso da Grécia veio, ou irá, alterar a importância deste instrumento como meio de comunicação política?
Exemplos para lá da Grécia: David Cameron, depois de ganhar as eleições na Grâ-Bretanha, anunciou em primeira mão o elenco do seu Governo no seu Twitter pessoal. Hillary Clinton anunciou que se candidatava à Casa Branca via Twitter. Dois exemplos claros de como o Twitter se tornou uma importantíssima arma de comunicação política. Depois, é sabido que vários actores políticos o usaram na sua ascensão e continuam a usá-lo na sua acção política diária. Dou o exemplo de Itália onde Beppe Grillo se tornou um dos políticos mais populares via twitter, e onde o primeiro-ministro Matteo Renzi é um fervoroso utilizador do mesmo. Mas são 4 casos que poderiam ser milhares. Hoje em dia os políticos usam o twitter como maneira de comunicar directamente com as pessoas. As negociações com a Grécia foram relatadas quase em tempo real pelos diversos protagonistas presentes nas reuniões via twitter. Há um caminho ainda a percorrer, mas as redes sociais têm esse lado de garantir uma percepção de proximidade. São canais fortíssimos e irão aumentar a sua presença na comunicação política. mas como em tudo na vida, na base de toda a comunicação está o bom senso. Há que saber ponderar o uso do Twitter e combiná-lo com a comunicação nos media tradicionais.
- Na sua opinião, as negociações do acordo da Grécia teriam sido diferentes sem o Twitter?
- Julgo que não seriam diferentes, continuariam era mais no segredo dos deuses, em sala fechada. A política é a arte do compromisso e isso só é possível cara a cara. O Twitter pode ter servido algumas vezes como arma de pressão ou de dissuasão entre os participantes, jogando com o que era passado para a opinião pública, mas as negociações, os acordos, teriam de ser sempre uma decisão de homens e mulheres numa sala sem salas de chat.
- Esta rede social foi utilizadas por vários decisores das negociações incluindo durante reuniões importantes, bem como para esclarecer notícias que iam saindo nos media. O Twitter é mais eficaz do que organizar uma conferência ou enviar comunicados por exemplo?
- O Twitter tem a capacidade de gerir mais proximidade. Ali conversamos para as pessoas que nos querem seguir, sem intermediários. Essa percepção de proximidade com as pessoas é menor em conferências de imprensa ou quando os media são o veículo por onde canalizamos as notícias. Portanto, aqui não é tanto uma questão de eficácia, pois os media tradicionais têm uma capacidade muito maior de atingir um maior número de pessoas e assim continuarão. Aqui a comunicação política tenta criar é essa percepção de proximidade e de ligação às pessoas.
- O Twitter foi a fonte de muitas das notícias das negociações do acordo da Grécia. Na sua opinião, enriquece ou empobrece o espaço público? Ajuda a construir uma opinião pública mais informada e a ter uma noção mais clara dos acontecimentos?
- É verdade que sim que foi uma importante fonte. A internet dá informação, não dá conhecimento. As redes sociais, nomeadamente o Twitter, permitiram a ascensão de micro poderes, de outros líderes de opinião que não estavam nos media tradicionais. Ora, isso em muitos casos enriqueceu o debate e trouxe outros protagonistas, mas as redes sociais, ao contrário do Gate-Keeper dos media tradicionais, ainda não têm maneira de escolher o que é bom e o que é mau. Como dizia há pouco tempo o Umberto Eco: «Os jornais já não têm poder sobre o homem da rua. Não tenho a certeza que a internet melhore o jornalismo. Todos os que habitam o planeta, incluindo loucos, têm hoje direito à palavra pública». Agora, sem dúvida, há um maior acesso à informação, mas continuo a pensar que é fundamental na discussão no espaço público o critério e a independência de um jornalismo livre, são os media tradicionais que devem continuar a dimensionar e balizar o que é mais importante, mas acompanhando o que de bom vem aparecendo das redes sociais e integrando-o.
- O Twitter é actualmente uma das principais ‘armas’ políticas? O recente caso da Grécia veio, ou irá, alterar a importância deste instrumento como meio de comunicação política?
Exemplos para lá da Grécia: David Cameron, depois de ganhar as eleições na Grâ-Bretanha, anunciou em primeira mão o elenco do seu Governo no seu Twitter pessoal. Hillary Clinton anunciou que se candidatava à Casa Branca via Twitter. Dois exemplos claros de como o Twitter se tornou uma importantíssima arma de comunicação política. Depois, é sabido que vários actores políticos o usaram na sua ascensão e continuam a usá-lo na sua acção política diária. Dou o exemplo de Itália onde Beppe Grillo se tornou um dos políticos mais populares via twitter, e onde o primeiro-ministro Matteo Renzi é um fervoroso utilizador do mesmo. Mas são 4 casos que poderiam ser milhares. Hoje em dia os políticos usam o twitter como maneira de comunicar directamente com as pessoas. As negociações com a Grécia foram relatadas quase em tempo real pelos diversos protagonistas presentes nas reuniões via twitter. Há um caminho ainda a percorrer, mas as redes sociais têm esse lado de garantir uma percepção de proximidade. São canais fortíssimos e irão aumentar a sua presença na comunicação política. mas como em tudo na vida, na base de toda a comunicação está o bom senso. Há que saber ponderar o uso do Twitter e combiná-lo com a comunicação nos media tradicionais.
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quarta-feira, 20 de maio de 2015
Uma curiosidade sobre a imprensa em Portugal
Este post não é sobre o grave momento das vendas da imprensa portuguesa, nem sobre o desinteresse generalizado das pessoas na leitura de jornais e revistas.
É apenas uma curiosidade que mostra, mesmo, que o mercado editorial português de títulos que saem para as bancas cada vez diminui mais. Portugal deve ser o único país da Europa onde já não existe nenhuma revista masculina. Todas encerraram.
É apenas uma curiosidade que mostra, mesmo, que o mercado editorial português de títulos que saem para as bancas cada vez diminui mais. Portugal deve ser o único país da Europa onde já não existe nenhuma revista masculina. Todas encerraram.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
"New York Times" começa a publicar directamente no Facebook
«Tras el emblemático diario estadounidense irán la web Buzzfeed —centrada en contenido social—, la cadena de televisión y radio NBC News, National Geographic, el diario británico The Guardian, la cadena de radio y televisión pública de Reino Unido BBC y las publicaciones alemanas Bild y Spiegel Online, que se sumarán en una segunda oleada. En ninguno de los casos se conoce por el momento la cantidad de artículos por día, ni cómo compartirán ingresos, pero sí que han creado una fórmula para compartir una publicidad que pretende ser personalizada al detalle según cada perfil de usuario y, en consecuencia, más valiosa.» (tirei do El Pais).
Ontem mencionei como a política deve aproximar-se das pessoas através das redes sociais. Hoje, um exemplo de como os media podem ligar-se aonde andam verdadeiramente as pessoas e os novos caminhos que terão de dar para combater a perda de leitores e de audiências.
David Carr um analista de comunicação comentou sobre a relação do Facebook com os media: «Para os meios é como um cão que vem a correr para ti num parque. Muitas vezes não sabes se quer morder-te ou brincar contigo»
Ontem mencionei como a política deve aproximar-se das pessoas através das redes sociais. Hoje, um exemplo de como os media podem ligar-se aonde andam verdadeiramente as pessoas e os novos caminhos que terão de dar para combater a perda de leitores e de audiências.
David Carr um analista de comunicação comentou sobre a relação do Facebook com os media: «Para os meios é como um cão que vem a correr para ti num parque. Muitas vezes não sabes se quer morder-te ou brincar contigo»
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Um jornal e não um telejornal
Comprem pelo menos um jornal de informação geral, ele ajuda a enquadrar a vossa visão do mundo e dá-vos conhecimento. Agora, abdiquem de ver um jornal televisivo de prime-time. Não aprendem nada, apenas histórias da carochinha, desgraças, bola, restaurantes. São deprimentes os telejornais portugueses.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Emídio Rangel
O que tenho a dizer sobre Emídio Rangel que hoje partiu é simples:
Criou a SIC e a TSF e bastava isso para ficar na história dos media em Portugal.
Era um homem polémico que gostava do combate e ninguém lhe era indiferente. Tinha admiradores e ódios de estimação, e as grandes personagens são assim. Marcam.
Não esqueço que nos últimos anos se tornou um maldito. Diabolizaram-no. E hoje há com certeza muitos hipócritas a homenageá-lo mas que há pouco tempo lhe viravam a cara. Como é que ele esteve tanto tempo numa qualquer prateleira sem lhe darem a atenção e o palco que merecia? É assim Portugal, um pobre País que não respeita o mérito e o valor de quem o tem. Paz à sua alma.
Criou a SIC e a TSF e bastava isso para ficar na história dos media em Portugal.
Era um homem polémico que gostava do combate e ninguém lhe era indiferente. Tinha admiradores e ódios de estimação, e as grandes personagens são assim. Marcam.
Não esqueço que nos últimos anos se tornou um maldito. Diabolizaram-no. E hoje há com certeza muitos hipócritas a homenageá-lo mas que há pouco tempo lhe viravam a cara. Como é que ele esteve tanto tempo numa qualquer prateleira sem lhe darem a atenção e o palco que merecia? É assim Portugal, um pobre País que não respeita o mérito e o valor de quem o tem. Paz à sua alma.
terça-feira, 15 de julho de 2014
O caloteiro que os media promoveram
Lorenzo Carvalho o ano passado surgiu em Portugal tipo paraquedista. Ninguém sabia quem era a criatura, no entanto, entrevistas, reportagens em toda a media, entre as quais a famosa do seu aniversário em que teve como convidada Pamela Anderson.
Surgiu tatuado, a pagar champanhes de 5 litros, contratou mulheres, seguranças, deu despesa, organizou mega festas e deu calotes. Vendeu que era milionário e o miserável povo português andou atrás e mais grave nenhum jornalista investigou de onde vinha o dinheiro ou se era apenas fogo-de-vista. São centenas de milhares de euros de dívidas, deixadas por um palerma que enganou outros tolos.
Num ano, dois casos risíveis: este e Baptista da Silva que aparecia em todo o lado como analista e convidado e, segundo a imprensa, era um burlão. Portugal é um País onde as suas gentes parece que gostam de ser enganadas e os media, em muitos casos, são coniventes. Este Lorenzo era uma fraude e tantas que andam por aí.
Surgiu tatuado, a pagar champanhes de 5 litros, contratou mulheres, seguranças, deu despesa, organizou mega festas e deu calotes. Vendeu que era milionário e o miserável povo português andou atrás e mais grave nenhum jornalista investigou de onde vinha o dinheiro ou se era apenas fogo-de-vista. São centenas de milhares de euros de dívidas, deixadas por um palerma que enganou outros tolos.
Num ano, dois casos risíveis: este e Baptista da Silva que aparecia em todo o lado como analista e convidado e, segundo a imprensa, era um burlão. Portugal é um País onde as suas gentes parece que gostam de ser enganadas e os media, em muitos casos, são coniventes. Este Lorenzo era uma fraude e tantas que andam por aí.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
A mini-saia da nossa pequenez
Uma assessora de Cavaco Silva, bonita, decide ir de mini-saia (nem tão mini assim) para o evento da condecoração de Cristiano Ronaldo. Fez notícia e apareceram uns cavalheiros a botar opinião na imprensa. Um assunto de lana.caprina que pôs um pobre País a mostrar a sua pequenez, o seu conservadorismo bacoco. É ridículo como se perde tempo com assuntos que não servem para nada.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
A hipocrisia da imprensa francesa
Era conhecido da imprensa francesa que Valéry Giscard d`Estaing fugia à noite do Eliseu para ir ter com os seus casos, nomeadamente, hospedeiras da Air France.
Era conhecido da imprensa francesa que François Mitterrand tinha uma outra família secreta, uma filha, Mazarine, que só foi dada a conhecer após a morte do presidente.
Podiam dizer que era um tempo de respeito pela vida privada e houve apenas uma evolução dos media e mais apetite das audiências pelas histórias de alcova. Mas a imprensa sempre tem uma agenda que é sua, tem os seus preferidos. Revelarem que Hollande tem uma amante é apenas uma hipocrisia quando noutros tempos estiveram calados.
Era conhecido da imprensa francesa que François Mitterrand tinha uma outra família secreta, uma filha, Mazarine, que só foi dada a conhecer após a morte do presidente.
Podiam dizer que era um tempo de respeito pela vida privada e houve apenas uma evolução dos media e mais apetite das audiências pelas histórias de alcova. Mas a imprensa sempre tem uma agenda que é sua, tem os seus preferidos. Revelarem que Hollande tem uma amante é apenas uma hipocrisia quando noutros tempos estiveram calados.
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
As boas notícias vendem
No meu primeiro post de 2014, espero que este ano seja mais positivo a nível mediático. Isto é, que haja mais boas notícias, mais jornalismo e menos "jornalice". Menos intriga e mais substância. As catástrofes chamam a atenção, mas as boas notícias vendem. A agenda mediática tem de estar mais esperançosa.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
O exercício do jornalismo e as redes sociais
Ser jornalista é uma profissão nobre. O jornalismo é um exercício fundamental para a sanidade e transparência das sociedades democráticas.
Vive hoje um problema na imprensa. Menos leitores, menos receitas publicitárias, redacções mais curtas e mais jovens porque são mais baratas. Faltam cabelos brancos no jornalismo actual.
Por outro lado, as telecomunicações, a internet e as redes sociais possibilitaram que todos possam expressar livremente as suas opiniões, cada pessoa pode fazer notícia, mas não é um jornalista.
É no jornalismo que deve ser feita a triagem entre o que é importante para a comunidade, apresentando todos os lados da notícia de forma racional, coerente e profissional.
Agora, cabe à comunicação social perceber que muitas das tendências são construídas por líderes de opinião que têm mais leitura nas redes sociais do que muitos "opinion makers" que escrevem no papel ou falam nas televisões.
O jornalismo tem de conviver com as redes sociais e até aproveitar e promover-se com o melhor delas, falta ainda essa visão a quem comanda os media.
Vive hoje um problema na imprensa. Menos leitores, menos receitas publicitárias, redacções mais curtas e mais jovens porque são mais baratas. Faltam cabelos brancos no jornalismo actual.
Por outro lado, as telecomunicações, a internet e as redes sociais possibilitaram que todos possam expressar livremente as suas opiniões, cada pessoa pode fazer notícia, mas não é um jornalista.
É no jornalismo que deve ser feita a triagem entre o que é importante para a comunidade, apresentando todos os lados da notícia de forma racional, coerente e profissional.
Agora, cabe à comunicação social perceber que muitas das tendências são construídas por líderes de opinião que têm mais leitura nas redes sociais do que muitos "opinion makers" que escrevem no papel ou falam nas televisões.
O jornalismo tem de conviver com as redes sociais e até aproveitar e promover-se com o melhor delas, falta ainda essa visão a quem comanda os media.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Reabertura do caso Maddie
É um processo que se arrasta há demasiado tempo, é um bom instrumento de "spin" para abafar outros assuntos da agenda mediática e é um dos grandes embustes do qual ouvimos há muito.
Há tantas crianças desaparecidas no mundo, tantas crianças que são traficadas e escravizadas, mas parece que só esta criança, especificamente, mobiliza a atenção de alguns poderes.
Considero uma vergonha estes avanços e recuos - agora o Ministério Público vai reabrir este processo - lançam-se uns retratos-robot para capas de jornais sensacionalistas e aqueles pais que me parecem pessoas extremamente frias voltam à ribalta.
Todos viram este espectáculo que se tornou um circo, todos têm na sua opinião uma visão do caso e todos têm também a suspeita do que aconteceu. A minha é idêntica à da maioria dos portugueses, mas não a quero dizer.
O Governo inglês e a Scotland Yard envolveram-se fortemente, se calhar, como nunca o fizeram antes com outra criança, porque um assessor dos pais fez parte da equipa de comunicação de Downing Street.
Este caso é cansativo, tem barbas, engana quem quer, mas mantém-se à tona da água. É a todos os títulos vergonhoso o tempo que com ele os media perdem, mas vende. É esse o segredo do renovado interesse.
Há tantas crianças desaparecidas no mundo, tantas crianças que são traficadas e escravizadas, mas parece que só esta criança, especificamente, mobiliza a atenção de alguns poderes.
Considero uma vergonha estes avanços e recuos - agora o Ministério Público vai reabrir este processo - lançam-se uns retratos-robot para capas de jornais sensacionalistas e aqueles pais que me parecem pessoas extremamente frias voltam à ribalta.
Todos viram este espectáculo que se tornou um circo, todos têm na sua opinião uma visão do caso e todos têm também a suspeita do que aconteceu. A minha é idêntica à da maioria dos portugueses, mas não a quero dizer.
O Governo inglês e a Scotland Yard envolveram-se fortemente, se calhar, como nunca o fizeram antes com outra criança, porque um assessor dos pais fez parte da equipa de comunicação de Downing Street.
Este caso é cansativo, tem barbas, engana quem quer, mas mantém-se à tona da água. É a todos os títulos vergonhoso o tempo que com ele os media perdem, mas vende. É esse o segredo do renovado interesse.
sábado, 14 de setembro de 2013
7 títulos que fazem falta no universo mediático
Deixo sete títulos que fazem falta à imprensa e a tornariam nos dias de hoje muito melhor. Seis já existiram, o último podia aparecer.
- "O Independente", marcou uma época e deixou muitas saudades.
- "Os Donos da Bola", grande programa desportivo da SIC criado pelo Jorge Schnitzer.
- «Tal & Qual", jornal por onde passaram grandes jornalistas e fazia grande reportagem
- «Grande Reportagem», grande revista de Barata Feyo e depois de Miguel Sousa Tavares
- Uma revista de política, algo que não existe hoje em dia, e faz falta. Lembro duas: a "Política Moderna", da qual eu fui criador e director, e a "Atlântico" do Paulo Pinto de Mascarenhas.
- "K", revista fabulosa, com textos e entrevistas de qualidade, e de muito bom gosto.
~E para quando o "Huffington Post" português?
- "O Independente", marcou uma época e deixou muitas saudades.
- "Os Donos da Bola", grande programa desportivo da SIC criado pelo Jorge Schnitzer.
- «Tal & Qual", jornal por onde passaram grandes jornalistas e fazia grande reportagem
- «Grande Reportagem», grande revista de Barata Feyo e depois de Miguel Sousa Tavares
- Uma revista de política, algo que não existe hoje em dia, e faz falta. Lembro duas: a "Política Moderna", da qual eu fui criador e director, e a "Atlântico" do Paulo Pinto de Mascarenhas.
- "K", revista fabulosa, com textos e entrevistas de qualidade, e de muito bom gosto.
~E para quando o "Huffington Post" português?
terça-feira, 9 de abril de 2013
Três regras para exclusivos na comunicação
Uma notícia exclusiva, desde que relevante e tenha interesse, é algo de muito importante para os media. Assim sendo, quais são as regras fundamentais quando se negoceia e dá um exclusivo. Deixo estas notas porque os profissionais já o sabem, os amadores não.
1- Escolher o meio que tenha a maior audiência se queremos um trabalho de notoriedade. Ou escolher por nicho ou como factor de reputação a mensagem que queremos veicular.
2- Só se dão exclusivos a quem nos trata bem e onde sabemos que o conteúdo será bem tratado.
3- Outra opção é dar o exclusivo a um meio onde estejamos a recuperar a nossa relação de simpatia e confiança.
Se damos um exclusivo a um meio que três dias depois nos dizima é de amador.
1- Escolher o meio que tenha a maior audiência se queremos um trabalho de notoriedade. Ou escolher por nicho ou como factor de reputação a mensagem que queremos veicular.
2- Só se dão exclusivos a quem nos trata bem e onde sabemos que o conteúdo será bem tratado.
3- Outra opção é dar o exclusivo a um meio onde estejamos a recuperar a nossa relação de simpatia e confiança.
Se damos um exclusivo a um meio que três dias depois nos dizima é de amador.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
A queda da Time
Via Luis Paixão Martins, sugiro a leitura deste artigo em que se mostra que foi pior a liderança na Time do que as habituais razões de queda da indústria dos media.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
O problema de comunicação da RTP
O Governo tem falhado na comunicação já o disse e é um facto indesmentível. Mas há dossiers em que, por culpa própria, tem errado.
Um deles é a RTP. Já vi diversas opinões e proto-decisões divergentes. Agora o novo presidente da RTP, Alberto da Ponte, volta a ser notícia por dizer que o serviço público só pode ser plenamente realizado com os dois canais de televisão, como se pode ler por aqui.
É caso para dizer, organizem-se. Porque esta coisa de fazer constar um horizonte de extinção da 2 e passagem a privados da 1, desmentido ontem pelo homem que o Governo nomeou é inacreditável. Se o Governo é medíocre na comunicação, tem de se dizer, honestamente, que tem tratado com os pés os media e particularmente a RTP.
Um deles é a RTP. Já vi diversas opinões e proto-decisões divergentes. Agora o novo presidente da RTP, Alberto da Ponte, volta a ser notícia por dizer que o serviço público só pode ser plenamente realizado com os dois canais de televisão, como se pode ler por aqui.
É caso para dizer, organizem-se. Porque esta coisa de fazer constar um horizonte de extinção da 2 e passagem a privados da 1, desmentido ontem pelo homem que o Governo nomeou é inacreditável. Se o Governo é medíocre na comunicação, tem de se dizer, honestamente, que tem tratado com os pés os media e particularmente a RTP.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Duas notas sobre a venda do grupo editorial de Joaquim Oliveira
Qualquer empresário tem o direito de fazer os negócios que bem entende. Joaquim Oliveira decidiu vender o seu grupo editorial que passava por DN, JN, TSF, Jogo, Açoriano Oriental, DN Madeira e Jornal do Fundão. Os media são uma área de negócio muito sensível, pois a informação e a sua investigação são áreas sensíveis, e são fundamentais numa sociedade democrática. Deixo duas notas:
1- Mais um grupo vendido a angolanos e neste caso ainda desconhecidos. Um dia destes temos um monopólio angolano dos media portugueses, pois já angolanos entraram no capital da Impresa e da Cofina. Não é nenhuma xenofobia é apenas alguma aflição por não saber quem os controla, que interesses estão por trás destes investimentos. Que garantias temos de plena liberdade de informação?
2- Joaquim Oliveira fica apenas com a Sport Tv e com os direitos do futebol, que foram ao longo de décadas a sua jóia da coroa. Liberto das preocupações com o negócio dos media, Oliveira vai voltar a ser um player forte no mundo do futebol. Vamos ver que novidades este novo posicionamento trará.
1- Mais um grupo vendido a angolanos e neste caso ainda desconhecidos. Um dia destes temos um monopólio angolano dos media portugueses, pois já angolanos entraram no capital da Impresa e da Cofina. Não é nenhuma xenofobia é apenas alguma aflição por não saber quem os controla, que interesses estão por trás destes investimentos. Que garantias temos de plena liberdade de informação?
2- Joaquim Oliveira fica apenas com a Sport Tv e com os direitos do futebol, que foram ao longo de décadas a sua jóia da coroa. Liberto das preocupações com o negócio dos media, Oliveira vai voltar a ser um player forte no mundo do futebol. Vamos ver que novidades este novo posicionamento trará.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Público despede 36 jornalistas
É com mágoa que leio esta notícia do Expresso. Não sei quem são os jornalistas que passarão por esta situação horrível, mas lamento. A Comunicação Social tem uma enorme importância numa democracia. Bom jornalismo e livre imprensa, ajudam a sociedade a reflectir e a conhecer a verdade.
O Público é um bom jornal de referência. Mas não se fazem bons jornais sem meios e apenas com estagiários. Desinvestir na informação é rude golpe numa sociedade democrática. Isto associado à compra de meios de comunicação por empresários estrangeiros não é um bom sinal.
O Público é um bom jornal de referência. Mas não se fazem bons jornais sem meios e apenas com estagiários. Desinvestir na informação é rude golpe numa sociedade democrática. Isto associado à compra de meios de comunicação por empresários estrangeiros não é um bom sinal.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Quando os media criam o mártir errado
Sorri com esta notícia, mas no sábado estivemos à beira, por culpa dos media, de ter um mártir da manifestação que seria o grande símbolo do protesto, por erro dos mesmos media. Confesso que preferi a foto da jovem agarrada ao elemento da PSP. Era uma "revolução" de amor e não pelo fogo, logo, mais simpática.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Media: as coisas já não são como dantes
«As coisas já não são como dantes. Agora, a juntar à rádio e aos noticiários cinematográficos, ainda temos isto da televisão, e até mesmo no interior mais profundo se lêem revistas! Já não é como quando só liam um jornal, o nosso jornal».
Este desabafo de um político de ficção está em "Washington D.C." de Gore Vidal. Agora acrescentem a modernidade das redes sociais e vêem como é muito difícil a vida de um político, a explicação das medidas que toma e o escrutínio a que está submetido. O problema é que a maior parte da classe política ainda não percebeu isto.
Este desabafo de um político de ficção está em "Washington D.C." de Gore Vidal. Agora acrescentem a modernidade das redes sociais e vêem como é muito difícil a vida de um político, a explicação das medidas que toma e o escrutínio a que está submetido. O problema é que a maior parte da classe política ainda não percebeu isto.
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