quarta-feira, 9 de julho de 2014

Os homens do futebol e a comunicação

Muitos ex-jogadores de futebol costumam criticar que sejam outros intervenientes a fazer comentário e análise sobre o mesmo. Dizem que são eles os que mais sabem do fenómeno porque o praticaram, os outros são teóricos. Vamos agarrar nesta sua óptica de observação, apesar de eu entender que tal como o marketing é demasiado importante para ser deixados nas mãos dos marqueteiros, o futebol também não deve ser apenas entregue aos "futeboleiros".

Pois bem, ontem no rescaldo do Brasil-Alemanha, na Sport Tv, vi e ouvi dois homens do futebol que respeito, o Carlos Manuel e o Pedro Henriques, e ainda outro homem que não é do futebol mas acha que é poeta dele, Luis freitas Lobo, a comentarem e a analisarem a comunicação de Scolari.

Exacto, não analisavam só o plano de jogo e as tácticas, mas sim a conferência de imprensa do seleccionador brasileiro, a sua comunicação. Posto isto e na sequência do que os homens do futebol dizem sobre os outros no seu campo de actuação, cabe-me a mim agora perguntar: onde é que estes senhores trabalharam em comunicação para analisarem esta ciência que muitos amadores acham fácil e onde todos têm opinião que entendem certa? Onde é que trabalharam antes na área da comunicação para debitarem sobre a mesma? Pois é. A incongruência é como a mentira: é coxa.

terça-feira, 8 de julho de 2014

António Costa: a unanimidade é burra

Já dizia o Nelson Rodrigues que «toda a unanimidade é burra». António Costa tem os seus méritos, é um político astuto e tem o "killer instinct" dos líderes. Mas que obra tem para apresentar?

No Governo não me lembro de nada, na câmara de Loures imaginou a corrida de um burro com um carro de luxo, em Lisboa (tem algumas coisas positivas), mas há sete anos a comandar a cidade e nota-se uma ausência de visão estratégica da cidade, nunca a cidade esteve tão suja e mal cuidada, prostitui-se Lisboa a qualquer marca que pague uns tostões, o Marquês e Avenida da Liberdade são marcas de água de um disparate colossal, reabilitação urbana é zero, crateras por todo o lado.

No entanto, conseguiu ser ungido pela imprensa. Pessoa, na "Mensagem", escreveria que ele é o «nada que é tudo», como o fez a D. Sebastião. Ontem, 600 personalidades da Cultura decidiram apoiá-lo. os mesmos que já estiveram em todos os lados da barricada desde que cheirasse a poder, comendas e alvíssaras.

Esta unanimidade em torno de Costa é perniciosa e a sua responsabilidade torna-se maior. E o problema é que até agora nada disse de novo e duvido que tenha alguma receita de sucesso para o País. Porque primeiro gostava que Lisboa não continuasse à deriva.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O Portugal que faz rir

Dois exemplos do miserabilismo português, por certo os leitores terão dezenas de outros mais:

1- Li que dezenas de pessoas, hoje, em Belém, esperavam para ver os reis de Espanha. Tenho a certeza que nenhum espanhol teria interesse em ver um Rei português e muito menos um Presidente como Cavaco Silva.

2- De manhã uma reunião numa empresa. Demora na recepção que me estava a atrasar a reunião e eu gosto de chegar a horas. Ligo para com quem me ia encontrar e explico que estava lá em baixo mas a recepcionista nunca mais acabava os formalismos. Ao que a senhora, jovem, me interrompe e diz: «não sou recepcionista, sou assistente de marketing». Ao que respondo, «mas isto não é uma recepção e a senhora não trabalha aqui?». Ela: «sim, mas não sou recepcionista sou assistente de marketing».

Dois casos em que não é preciso humoristas para me fazerem rir e sintomáticos da pobreza de espírito e do Portugal das aparências.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A velocidade e a alma da Europa

Qualquer cidadão europeu não se sente ainda europeu. Primeiro, está a sua nacionalidade. O espaço europeu nunca foi encarado como um estado de pertença comum, apesar de todos os esforços de sedimentar essa ideia.

Países pequenos e periféricos como o nosso, olham a Europa como algo distante, controlada pela Alemanha, que nos manda uns dinheiros e pouco mais. Quando há crises ainda não se manifesta uma  resposta da UE, uma estratégia comunitária.

A Europa é um continente onde não há europeus, mas apenas cidadãos de cada vez mais países. A mudança de visão deste "statu quo" é uma das ideias de Itália que assume a presidência europeia no próximo semestre.

Ainda há poucos dias, o novo fenómeno da esquerda e líder italiano, Matteo Renzi, dizia que «a Europa de hoje é aborrecimento e não tem alma». Nunca a teve. Ele que se assume um homem da «geração Erasmus» defende que a base da criação e fortalecimento desta alma europeia é este programa que possibilita a estudantes continuarem a vida académica fora dos seus países de origem.

Renzi é um líder dinâmico, talvez o primeiro líder europeu da geração marcada pelas redes sociais. Tem vontade de andar, de construir coisas e a um ritmo acelerado.

Há exactamente duas semanas, o embaixador de Itália foi o orador convidado do International Club of Portugal. Perguntei-lhe se a «Europa estava preparada para o ritmo e dinamismo de Renzi». Ele respondeu: «julgo que nem Itália nem a Europa estão preparadas para o seu ritmo». Essa é a interrogação para o próximo semestre: conseguirá Renzi ser o motor dessa mudança e marcar a liderança europeia?

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sophia no Panteão

O Panteão Nacional deve ser para quem marca a sociedade portuguesa em diversas áreas. Os critérios, por vezes, são pouco compreensíveis, mas o que importa é que lá estejam quem dignifique a Pátria e a nossa língua que é o maior património da nossa cultura.

Sophia de Mello Breyner Andresen estar no Panteão é daquelas escolhas que não levanta ondas, porque é marcante. Porque como ela disse: "A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda".

José Rodrigues dos Santos e Luis Freitas Lobo

José Rodrigues dos Santos é um bom pivot de informação, mas depois tem o lado de escritor. Vende imenso, o que é óptimo para o mercado editorial português. Constrói tramas com bom ritmo, mas quando quer ser poeta e entra em descrições de ambientes e quer fazer poesia é uma catástrofe e cai no ridículo.

Luis Freitas Lobo é um advogado que começou a escrever sobre futebol. Na minha opinião, ele conhece bem os jogadores e lê bem os jogos e as movimentações tácticas, mas tem a mania que quer ser poeta do futebol, uma espécie de Armando Nogueira português e estampa-se em lugares comuns e numa idiotice atroz que incomoda qualquer assinante da Sport Tv e estraga o grande espectáculo que tem sido este Mundial, e no jornal o Jogo (como no passado em A Bola) tem uma escrita gongórica e esdrúxula.

Esta gente ainda não percebeu o óbvio. A melhor escrita ou comentário é de granito, é simples, sem invenções. Poesias deixem-nas para os poetas.

terça-feira, 1 de julho de 2014

"Casa dos Segredos" e a ambição de ser visto

Mais um casting para milhares de pessoas, para uma nova edição da Casa dos Segredos. Um programa que expõe a boçalidade, o pior da sociedade, o parasitismo, o "voyeurismo", gente sem talento para nada que deseja apenas ser visto, ter 15 minutos de fama para ganhar um cachet de presença numa discoteca qualquer dos arrabaldes,

Um programa de pobres de espírito, mais grave, para muitos milhares de pobres de espírito. Parece que ser visto é a coisa mais importante das sociedades modernas. Num livro da Lisa Marklund, grande autora nórdica de policiais, "Lobo Vermelho" (edição Porto Editora), escreve-se assim:

- «Estar num reality show é como ser visto por Deus a toda a hora»
- «Quem é Deus então, a lente da câmara?»
- «Não, o público que assiste»

O problema é que estes "deuses" se divertem e ajudam a promover o que não interessa. Esta não é uma característica das sociedades modernas, é a sua doença.