sexta-feira, 15 de julho de 2011

Ainda a vergonha dos exames de português: crise de vocações

Ver que mais de 37 mil alunos tiveram negativa no teste de português é preocupante. Então de quem é a culpa? Perguntam alguns amigos no Facebook.

É sempre fácil dizer que a culpa é do sistema, falo do sistema de avaliação. Com o passar do tempo, é um facto indesmentível que temos assitido a um crescente facilitismo nos programas e na avaliação dos alunos.

Perdeu-se rigor, exigência, para depois apresentar aos papalvos médias nacionais boas e que revelavam que o sector da educação estava bem. Sem exigência, sem rigor, sem testes e exames constantes perde-se qualidade no ensino e os alunos não ficam preparados. Por isso, quem está na 5 de Outubro tem muitas culpas.

Depois, os pais e os alunos têm o mesmo quinhão nas culpas. A família perdeu centralidade na educação, há menos tempo para os filhos e mais tempo dedicado à frente do televisor.

Os miúdos perdem-se em morangos com açucar, em jogos de computador e telemóveis e respectivas mensagens sms rápidas em que os K`, substituem os Q`s, por exemplo, e se deforma cada vez mais a língua portuguesa. Muitos pais não têm cultura, não sabem escrever, não lêem um livro e os filhos afinam, assim, pelo mesmo diapasão pois não apreendem hábitos de cultura.

Mas chamo a atenção para outro pormenor que me é caro; a degradação na qualidade da classe dos professores.

Tive a sorte de andar em escolas privadas, só dois anos passei pelo ensino público, mais propriamente pelo Passos Manuel, que sempre foi um bom liceu.

No meu tempo os professores adoravam ser professores. Na primária, as professoras nasceram para ser professoras, no secundário também. Os professores gostavam do que faziam, pois todos os dias celebravam a sua vocação. Trabalhavam diariamente para melhorar as suas aptidões, para as colocar ao serviço de quem ensinavam. Tinham gosto em dar boas notas a quem trabalhava e tentavam motivar quem apresentava resultados mais fracos.

Hoje em dia pergunto: quantos professores nasceram para ser professores e gostam verdadeiramente do que fazem? Todos sabemos que há pessoas que vão para professores apenas porque não encontraram outra colocação profissional. É raro hoje em dia encontrar quem diga claramente que aspira a ser professor. Por variados motivos que não analiso agora.

Por isso, Ministério, pais, alunos e professores têm muita culpa no cartório. É preciso conquistar o regresso à vocação de ser professor. Um bom professor vale tudo e mais tarde ou mais cedo damos-lhe o valor de termos sido ensinados por ele.

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