domingo, 9 de novembro de 2014

A "legionella" e o ébola

Quando há possíveis epidemias instala-se o pânico. Até surgir o primeiro caso, tudo parece que não é nada connosco. Depois, é que vêm os problemas e os cuidados, naquela máxima bem portuguesa «depois de casa roubada, trancas na porta». Por isso deixo duas interrogações:

1- Ontem, hoje e nos próximos dias, Portugal terá no centro da sua agenda mediática a "legionella". Se com este problema já é o espectáculo que é, o que seria se houvesse um caso de ébola em Portugal? Estaríamos preparados? Julgo que não.

2- Para lá do problema em si, salta à vista que em termos de comunicação nem as pessoas estão bem alertadas, nem os responsáveis máximos têm qualquer tipo de preparação para enfrentar a arena mediática nem explicar bem os riscos que ocorrem. Custa muito saberem comunicar? Custa muito terem preparação específica para nestes momentos não parecerem que estão no Paleolítico?

sábado, 8 de novembro de 2014

A t-shirt cinzenta de Mark Zuckerberg

Um tipo milionário que usa sempre uma t-shirt cinzenta nas suas aparições públicas é estranho? É. Mas perguntaram isso ao homem que a usa, Mark Zuckerberg, e ele respondeu da melhor maneira possível para a sua reputação:

«Vestir sempre uma t-shirt da mesma cor garante-lhe que tem de tomar o menor número de decisões possível, deixando-lhe margem para se preocupar apenas com as decisões que se relacionam com "a melhor maneira de servir a comunidade"».

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Rui Rio tem razão

Rui Rio diz que a crise do país «não é económica, mas política». E tem razão. Há muito que se assumiu no cerne do debate político o primado das finanças. Todos os dias somos brindados com a presença de amanuenses e contabilistas a analisar Portugal.

Assim, fala-se muito mais de números do que dos verdadeiros problemas das pessoas. Perdeu-se a alma e ganhou o excel. Portugal precisa de uma ruptura para que possam surgir as reformas que continuam por fazer. E tem de se falar mais de política. 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

José Gomes Ferreira: jornalista ou político?

José Gomes Ferreira admite entrar na vida política, numa entrevista concedida ao I. Não com estes partidos, mas num cenário de pessoas com competência técnica que criassem um novo.

José Gomes Ferreira é um jornalista competente e com conhecimentos técnicos nas áreas da economia e finanças. E ganhou relevância porque hoje se discute mais contabilidade e números do que política e pessoas. Há quem aprecie o estilo, outros não gostam.

Um jornalista tem a liberdade como qualquer outro ser humano de emitir opiniões. Agora, ao admitir uma carreira política, perde um pouco a sua credibilidade. Porque, quando o ouvirmos, deixaremos de ter a certeza que tem a isenção que todo um jornalista deve ter e passamos a pensar se ele já está noutra via, com outras ideias.

Não é caso novo, já tivemos outros. Mas há uma barreira que não deve ser separada entre um decisor e um jornalista/comentador. Até para evitar promiscuidades. E se querem a minha opinião, ele dará sempre melhor jornalista que político.

A Verdade do Vinho

Eu gosto particularmente, enquanto espectador e contribuinte, que a RTP tenha bons projectos e programas. Na RTP2, especialmente, ainda se encontram ideias que nos fazem fugir ao primado actual do cabo.

Chama-se A Verdade do Vinho, apresentado por Luis Baila e Sónia Araújo, um despretensioso programa sobre o vinho, uma das nossas maiores riquezas e ao qual os nossos solos e clima transmitem uma enorme qualidade que depois podemos apreciar.

Aqui aprendemos sobre tudo o que se relaciona com o vinho. Ainda no programa de ontem aprendi sobre a diferença das barricas de carvalho português e francês, por exemplo. Os apresentadores fazem um jogo de conversa entre eles que cativa o espectador. Ele, muito sabedor, ela, curiosa, mas ambos muito simpáticos e a terem paixão no que estão a mostrar e a transmitir.

Ao mesmo tempo que desenvolvem a modernidade do que se passa, vão mostrando os lugares da história, como ontem com os lagares de azeite no granito criados pelos romanos em Trás-os-Montes, deambulando por um Portugal que é lindo e que é um espaço de grandes castas.

Mas o vinho é também as pessoas. As que o produzem, as que o bebem, as que se juntam numa mesa em convívio, como aquela boa gente transmontana. Novos e velhos, ricos e pobres, numa transversalidade rara em muitos produtos.

Como dizia ontem um enólogo, «os vinhos não são feitos para os entendidos, são feitos para os consumidores» Exactamente como este programa, simples, com gosto, bem produzido, promovendo Portugal e as suas gentes, para todos e ao alcance todos, um verdadeiro serviço público e é para isso que serve a RTP.

PS: que pena a RTP2 não estar em HD, seria sublime para algumas imagens que são apresentadas, fica a sugestão construtiva.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A beleza das rugas

A sociedade moderna perde demasiado tempo com a imagem. A sua volatilidade parece que combina com os dias de hoje onde se é uma celebridade por 15 minutos e onde o longo prazo é uma semana.

Ainda na semana passada, Renee Zellwegger foi tema de debate por se ter submetido aos ditames do bisturi e até perdeu o papel de Bridget Jones por causa disso. Mas no meio da espuma dos dias, há sinais de que a classe, o charme, a intemporalidade da beleza e o carisma se impõem.

Helen Mirren aos 69 anos tornou-se embaixadora da L'Oréal. Ela que nunca foi uma beleza de outro mundo, mas nunca deixou de ser interessante. Uma ruga é uma experiência de vida, é uma marca na história. E as pessoas identificam-se com quem tem uma história para contar. As belezas perfeitas demais até podem no momento chamar a atenção, mas amanhã já nem nos lembramos delas.

domingo, 2 de novembro de 2014

Sugestões para a semana

Livros

"O Pintassilgo", Donna Tartt, Editorial Presença, 893 páginas. Venceu o Prémio Pulitzer, considerado o melhor livro de 2013 e para mim do melhor que estou a ler em 2014. Minha companhia desde domingo passado, completamente entusiasmado com a entrada de Theo no mundo do crime. Recomendo totalmente.

"Os Salteadores do Nilo", Steven Saylor, Bertrand Editora, 375 pág. Eu sou um grande admirador, tenho todos os livros, de Gordiano, o Descobridor. O investigador criado por Saylor bem no meio da Roma Antiga. Desta vez a sua capacidade de observação andará por Alexandria. Mas os pormenores históricos continuam soberbos como desde o primeiro livro "Sangue Romano" ou depois o excelente "Enigma de Catilina".

"Amálgama", Rubem Fonseca, Sextante editora, 142 pág. O grande escritor brasileiro é um dos meus "xodós". Esta não é de perto nem de longe uma das suas melhores obras. Mas no meio do seu bizarro e burlesco, há sempre algo de genial.

"Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto", Manuel Pintão e Carlos Cabral, Porto Editora, 571 páginas. Obra sumptuosa e quase definitiva sobre uma das nossas marcas mais conhecidas no mundo. Para enólogos e para o cada vez maior número de curiosos sobre o vinho, uma obra indispensável.

Cinema

Na televisão o filme da semana dá na RTP2 no sábado às 22.30: "A verdade do medo". O último filme realizado na América por fritz lang. Daquelas obras que marcam a colheita dos anos 50, com Joan Fontaine e Dana Andrews.
Para comprar, aproveitem o preço baixo de "As Noites de Cabíria", um dos grandes filmes, e um dos meus preferidos, de federico Fellini.

Séries

Na televisão continuo a sugerir a crueza e a genialidade de "The Knick", realizada por Steven Soderbergh e no topo do elenco Clive Owen. A surpreender-me pela qualidade dos protagonistas e com uma história e diálogos fantásticos "The Affair", ambas no TVSéries.
Para comprar, aproveitem a preço de pechincha a compra das 5 temporadas de uma das melhores séries jamais criadas: The Wire.

Documentários

Na terça, no ARTE, às 22.50h, "China; Entre fracturas e mudanças". Sobre os movimentos democráticos na China, 25 anos depois do massacre de Tiananmen.

Revista

É quase um livro, de capa dura, a edição especial da "História" (francesa), "Tintin et la mer". Todas as explorações, tesouros, barcos que povoam todas as aventuras do repórter mais conhecido do mundo.

Restaurante

Colina, numa perpendicular da 5 de outubro, a mesma simpatia de sempre, boa cozinha, peixe e carne de categoria.