quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Turismo de Lisboa

O meu amigo Luis Paulo Rodrigues, agora radicado no Brasil, chamou hoje a atenção para o facto do nosso País irmão ter registado apenas 6 milhões de turistas. Hoje, de manhã li que Lisboa teve mais de 10 milhões de dormidas e 600 milhões de receitas para os nossos hotéis.

Já o tinha escrito, bom trabalho do Turismo de Lisboa, cada cêntimo que gasta em marketing e comunicação é bem gasto para bem da nossa economia. No caso do Brasil, os brasileiros vão ter de aprender connosco neste sector.

Rui Moreira a desiludir e será um case-study do vazio

Rui Moreira ganhou o Porto à conta de quatro factores: 1- Ser independente; 2- Notoriedade obtida em programas e com artigos em jornais sobre futebol; 3- Congregar a elite económica e notáveis do Porto; 4- Ser um amigo, e em contraste com Rui Rio, das artes e da cultura. Então vamos à análise:

1- Independente. Rui Moreira andou durante anos a querer ser candidato a qualquer coisa. foi hipótese para CDS e PSD, mas como nunca ninguém o convidou, agora, avançou como independente, aproveitando a onda negativa contra políticos profissionais oriundos de partidos.

2- Ligação ao futebol. Representou o Porto em vários programas televisivos, escrevia na Bola às sextas. Deixou de o fazer e bem. Mas a ligação emocional com os adeptos do clube da cidade estava estabelecida.

3. Os notáveis do Porto. Criou a imagem que reunia a elite e os decisores. Em muito pouco tempo, Daniel Bessa, ex-ministro do PS e seu número 1 na Assembleia Municipal, um trunfo de peso, bateu a porta com estrondo e sem explicar porque o abandonou ainda quando aquecia o lugar.

4. O amigo das artes e da cultura. Vendeu essa imagem, contrastando com Rui Rio que tem orgasmos com números e contabilidade. No Prós e Contras dedicado, há pouco tempo, a ele, em que tinha a única cadeira ao lado de Fátima Campos ferreira, voltou a esboçar que a cultura era uma das suas prioridades. Pois bem, hoje soubemos que não vai haver outra vez feira do livro no Porto. Algo que lamento.

Podem organizar artiguinhos na Sábado para dizer que ele ouve as pessoas, o tempo escreverá com letras certas o que se tornará um case-study de vazio. Vale a aposta?

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Congresso do PSD e as suas personagens

Este congresso do PSD, no Coliseu, antevia-se sem grande história. E não teve. Tornou-se a coroação de Pedro Passos Coelho, marcada pela presença de diversas personalidades que lhe deram essa bênção. Desde que as reuniões magnas perderam o seu carácter electivo, perderam também a sua dose dramática e florentina. No entanto, caracterizou-se por alguma diversão e bons discursos.

Pedro Passos Coelho - O Primeiro-Ministro apresentou resultados, proferiu longos discursos, mas não consegue chegar ao coração das pessoas. Louva-se a sua coerência e racionalidade no caminho que traçou, porém, ausente ainda está a palavra do último dia do congresso: esperança. É com ela que se conquista o eleitorado, cansado de tanta penúria. Mas deixou uma grande máxima: "Não somos nós que escolhemos o tempo, é o tempo que nos escolhe a nós".

Pedro Santana Lopes - os grandes tribunos sabem sempre as leis da oratória. Deu o seu lado social, do conhecimento que advém da Santa Casa, deu a dica sobre a saúde e a Justiça, bens que não têm preço, deu também as suas dúvidas no nosso relacionamento com a União Europeia. Gozou com os proto-rivais presidenciais que apareceram a correr no congresso, humanizou a Pedro Passos Coelho ao referir que ele tem consciência social. Saiu aclamado e ovacionado de pé, optando por um discurso de homem de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa - fez um grande discurso. Explorou a faceta em que é especialista nos dias de hoje: um "entertainer", um bobo da côrte. Por isso, divertiu. É um comunicador nato e com isso destroçou António José Seguro. Caiu na ratoeira de falar antes de Santana, depois de ter dito nesse dia que não ia ao congresso e depois falou uma hora, fez política, chamou «irritante» a Passos e saiu também aclamado. foi um elemento chave no folclore deste conclave.

Paulo Rangel - az bons discursos, tem energia e luz próprias, tornou-se personagem fulcral para a comunicação política deste congresso, ao ser apresentado como cabeça-de-lista nas europeias. Terá os holofotes em si nos próximos meses num combate que será diícil.

Sugestões para a semana (2/2014)

Livros

O Assassino do Aqueduto, Anabela Natário, Esfera dos Livros, 295 pág. Uma ex-jornalista com um livro crú e seco, sobre Diogo Alves, o homem que aterrorizou Lisboa no século XIX.

A Guerra de Mourinho, Diego Torres, Lua de Papel, 259 pág. Li-o de uma penada. Escrita acutilante, mas dando sempre carga negativa ao melhor treinador do mundo. Torres oi um dos jornalistas que mais o odiou. Mas o livro é muito interessante de ler.

A Maldição de Dain, Dashiell Hammett, Porto Editora, 256 pág. Literatura policial teve em Hammett um dos seus maiores criadores e inovadores. O livro é de 1929, mas tem todos os ingredientes que os que gostam de policiais apreciam no género.

Cinema

As Voltas da Vida (Trouble with the curve), Robert Lorenz. Uma bela película com Clint Eastwood e Amy Adams. Gira à volta de um descobridor de talentos do baseball, mas é tudo sobre as curvas da vida.

A Vida em Tempo de Guerra, Todd Solondz. A bom preço pode adquirir a continuação de "felicidade", um dos melhores de Hollywood das últimas décadas. Passou despercebido nas salas, agora pode vê-lo em casa.

Séries

Na terça, às 21.35h, estreia no AXN Black, a última temporada de "The Killing", a série dinamarquesa que é uma das melhores europeias de sempre.

Restaurante

Andaluz, ali em Santa Marta, um restaurante de boa comida portuguesa, sempre cheio, com muita qualidade e preços acessíveis.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Passos perguntou: «estamos melhor ou estamos pior?»

Na sua primeira intervenção no Congresso do PSD, Pedro Passos Coelho apresentou uma longa lista de resultados económicos e perguntou em termos de balanço da acção realizada: «estamos melhor ou estamos pior?».

Ricardo Costa com a inteligência e astúcia que se lhe reconhece, no comentário na SIC-Notícias, viu que era uma pergunta que queimava. Pois os resultados são bons, mas se perguntarem o mesmo aos portugueses que ainda não sentiram esses resultados no bolso, a pergunta era capaz de ter resposta negativa.

No início da semana, quando vários desses resultados positivos se tornaram conhecidos e muita gente se alegrou nos media e nas redes sociais, tive a ocasião de perguntar no meu mural o seguinte: «as pessoas que estão alegres com os dados económicos já perguntaram aos vossos pais se também estão alegres?».

Uma coisa é a realidade contabilística dos números, outra é a percepção das pessoas. No Lisbon Summit da revista Economist, Passos Coelho airmou que «a percepção sobre Portugal mudou em termos internacionais». É verdade, mas ainda não chegou ao coração das pessoas.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O Congresso do PSD

A política portuguesa já teve o seu epicentro em congressos do PSD. Também, noutros tempos, as audiências televisivas eram boas. Desde Sá Carneiro, o partido tem uma vertente trágica, de dramas, de maquinações, de personagens marcadas, que acentuam o seu lado espectacular e de entretenimento.

Mas este vai ser um congresso vazio de emoção. Terá uma série de discursos tecnocratas, será importante na revitalização de Pedro Passos Coelho enquanto líder do PSD. Vão ouvir-se milhares de minutos com os bons indicadores económicos, mas também que é necessário criar mais esperança nas pessoas.

Este é um congresso sem vocação dramática. Servirá apenas para marcar ponto, não terá história como outros tiveram.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Coca-Cola em cápsulas

Numa das suas últimas edições, a revista brasileira Veja trazia duas páginas sobre como a Coca Cola, uma das marcas mais reconhecidas no mundo, se continua a conseguir reinventar.

Criada em 1886 pelo americano John Pemberton, era vendida em copo e criada numa "drugstore" de Atlanta. Só depois de invadir outras cidades americanas, começou a ser produzida em massa e passou para o vidro.

Nos tempos modernos evoluiu, apostou na sua comunicação e marketing, e cresceu mundialmente. Há pouco tempo a companhia comprou 10% da Green Mountain. O objectivo é que a Coca Cola tenha novo know-how e entre no negócio das cápsulas para que em casa o consumidor possa ter a sua bebida à sua maneira.

Essa ainda maior proximidade com o consumidor semeia toda a mudança nos hábitos actuais. E torna a experiência ainda mais pessoal. Marcas modernas para tempos modernos.