quarta-feira, 20 de abril de 2011

«Não posso negar, eu gosto de guerra»...

...coronel Nascimento. É raro um filme que é uma sequela ser melhor do que o primeiro, ainda por cima quando este já era muito bom.

Tropa de Elite 2 é um filme fenomenal, ainda não tinha tido tempo de o escrever aqui. Quando o crime passa da favela para o Governo, quando a Polícia Militar controla o "sistema" de corrupção que elege governadores, deputados federais e estaduais é esse o testemunho de José Padilha, o realizador, num filme de cortar a respiração.

Wagner Moura que é um dos grandes actores do momento. Vejam a mudança de imagem do primeiro filme para agora. Passaram poucos anos, mas o envelhecimento do protagonista é o envelhecimento provocado pela angústia da descoberta do mal, que se teve numa profissão honrada mas que é quem comanda o sistema.

«Eu passei uma vida julgando que a polícia fazia coisa certa», diz lá para o final. O seu apartamento é mixuruca, vazio de coisas e de emoções, de quem perdeu a família para a profissão, a sua missão. Nascimento vive a solidão tão própria dos heróis.

Agora que ele passa por um braço armado da política, descobre que «eleição é negócio. Favela tem muito voto e quem a controla ganha eleição». E «quem quer rir, tem de fazer rir».

Nascimento é um herói trágico, porque descobre que a guerra de que gosta, não mata corrupto nem ladrão nem bandido, apenas mantém esse sistema corrupto onde o verdadeiro bandido não vive na favela. Está no poder. O plano final de Brasília com a bandeira da Ordem e Progresso quase morta sem esvoaçar ao vento é fenomenal.

Esperemos uma Tropa de Elite 3, auguro que se assim acontecer, vamos ter um Nascimento nos corredores do poder de Brasília.

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