quinta-feira, 17 de junho de 2010

O ódio de Cavaco e a “patetice” das presidenciais

Ouvi nos últimos tempos várias pessoas responsáveis a falarem de que seria uma “patetice” aparecerem mais candidatos presidenciais.

Esquecem-se de uma coisa, as presidenciais são eleições unipessoais. Dependem do afã, da vontade de uma pessoa e não de directórios partidários. Se dependessem destes directórios, então meus amigos sugiro que alterem o sistema de eleição e se escolha o Presidente no Parlamento.

Em Portugal, a memória é muito curta. Alguém se lembra do arranque de Mário Soares contra a vontade do PS e ainda tendo nessa área de influência Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintasilgo?

As candidaturas são decisão de uma só pessoa e, como já escrevi, as presidenciais devem ser utilizadas para se discutir o regime, o sistema político, questões externas e da nossa língua.

O país não pode ficar refém de um poeta nem de um contabilista. Pode ter mais gente na luta, saúde-se, aliás, o passo de Fernando Nobre, tal como saudarei qualquer outro candidato que surja.

E compreendo a decisão legítima de PS e PSD já terem anunciado os candidatos que apoiam. Alegre e Cavaco.

Mas acho estranho o povo do PSD. Cavaco odeia a política e ainda mais odeia o PSD. Deu duas maiorias absolutas, mas já prejudicou – em prol dos seus interesses pessoais – muito mais vezes o PSD.

Para Cavaco o PSD sempre foi uma barriga de aluguer. Onde pôs e dispôs o que quis. E é certo que muito PSD e muita gente o odeia como ele odeia o partido que é seu (?).
E confesso que adorava que a esfinge de Belém falasse. Não se limitasse a uma pose de soldadinho de chumbo e a frases curtas e graníticas.

Cavaco acorda de manhã a pensar que a Pátria – como Salazar – não existe sem os seus monólogos inócuos. Eu olho para a cara dele e vejo o vazio de um inculto que não sabe a diferença entre Thomas Mann e Thomas Moore.

«Patetice» haver mais candidatos? A verdadeira “patetice” é esticar a passadeira vermelha para algumas vacas sagradas. Eu não vivo na Índia, estou em Portugal.

O Governo que governe, mas vamos discutir o País.

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