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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Hillary e Trump no Planeta dos Macacos

O meu artigo no ECO desta semana é sobre a América. Pode ler aqui.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Trump e a Lady Macbeth

Há muitos anos, durante a crise do vestido azul de Monica Lewinsky, numa coluna de opinião sobre política internacional que mantinha no Semanário, chamei Hillary de "Lady Macbeth", a mulher que encarnou a perfídia pelo poder escrita pelo autor que ao longo dos tempos melhor percebeu a natureza humana: William Shakespeare.

Hillary é uma mulher preparada, inteligente, mas gosta muito mais do poder do que o marido Bill, um grande presidente americano. Hillary tem características de liderança, tem o "killer-instinct" de um candidato, mas, apenas e só, as pessoas não gostam dela, melhor, não confiam nela. Hillary é a candidata que tem tudo para ganhar, mas é fria, não transpira emoção, não tem paixão nem apaixona.

Por isso, qualquer pessoa que esteja a acompanhar regularmente a campanha americana, e não tenha apenas despertado para o assunto no debate desta noite, tenha reparado que ela, sempre que entrava num palco, abria muito a cara para a plateia, sorria muito, dizia muito adeus para as pessoas, tentando criar uma ligação, uma empatia, que, naturalmente, não consegue transmitir porque os americanos não gostam dela e, em 2008, nem um tipo genial como o Mark Penn, seu estratega de campanha, e maior especialista em «micro trends» do mundo, conseguiu dar a volta a isso. E, em 2016, nada mudou.

Donald Trump apenas é a voz dos americanos que nunca puderam dizer nada na cara da classe política e, isso, nos dias de hoje tem mais valor do que se pensa, num mundo onde todos, inclusive idiotas, têm tribunas nas redes sociais onde podem dizer todos os disparates do mundo.

Trump tem mais apoio do que se pensa, há muita gente que diz que vota nele em surdina mas que não o assume em público porque parece mal e é politicamente incorrecto. E nestas eleições os europeus não votam e os americanos nada têm a ver com os cidadãos do nosso continente. E as sondagens assim o dizem, quando demonstram quase, neste momento, um empate técnico entre eles.

Trump não tem preparação, verdade. É um monte de ideias ao molhe, sem estarem sistematizadas. Mente, é politicamente incorrecto, mas os americanos percebem o que diz porque tem duas ou três ideias fortes que caem no goto duma sociedade quase analfabeta. Porque Nova Iorque, Boston, são ilhas na realidade de um território díspar.

Ambos são os candidatos menos populares da história das campanhas eleitorais americanas. O mundo assustado por uma série de disparates globais tem medo de Trump, mas vê apenas Hillary como um mal menor. Em qualquer dos casos o mundo será completamente diferente, em qualquer dos casos o mundo não será mais tranquilo. 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A revolução de Bernie Sanders e a Lady Macbeth

Em 2008, a juventude estava com Barack Obama. Em 2016 a juventude está com Bernie Sanders. Ele não é um candidato, é uma moda. É "cool" votar nele.

Bernie é o candidato mais improvável de todos. Antes das primárias, as pessoas já se esqueceram, ele aparecia com menos 60 por cento de apoio do que Hillary Clinton. Tem 74 anos, tem muitos anos de política, mas parece um tornado contra os grandes poderes americanos: Washington, Wall Street e os 1% dos milionários americanos.

Bernie fala em «socialismo» sem pudores - palavra diabolizada nos EUA há décadas -, menciona «revolução» sem medos - palavra assustadora na América - mas promete pôr os bancos e os ricos a pagar e a ajudar a classe média, como já foram ajudados por ela. Promete educação e saúde quase de borla para todos e não tem problemas em admitir mais impostos.

Quando o vejo, lembro-me do antigo ex-líder trabalhista inglês, Michael foot, que já me parecia fora de tempo naquela época. Mas ambos são genuínos, valor esse que os eleitores prezam na actualidade. Não sei se Bernie aguenta uma campanha longa, mas sei que já superou em doadores a campanha de Obama. E doadores de 20 e 50 dólares, isso dá um balanço e energia contagiantes, dá onda, dá como dizem os americanos o "momentum".

Sobre Hillary, há muitos anos atrás chamei-a de "Lady Macbeth". a mulher que encarnou a perfídia pelo poder escrita pelo autor que ao longo dos tempos melhor percebeu a natureza humana: Shakespeare. Hillary é uma mulher preparada, inteligente, mas gosta muito mais do poder do que o marido Bill, um grande presidente americano.

Hillary tem grandes características de liderança mas, apenas e só, as pessoas não gostam dela, melhor, não confiam nela. Hillary é a candidata que tem tudo para ganhar mas que nas estrelas está escrito que nunca será líder dos Estados Unidos. A derrota no New Hampshire é colossal, um estado onde tinha ganho a Obama em 2008.

Hillary, mesmo assim, tem estrutura, tem partido, tem Hollywood e notáveis com ela, mas Bernie tem paixão, está em ascensão e tem menor índice de rejeição. Será uma grande campanha até à Convenção Democrata.

PS: Sobre os Republicanos escrevo amanhã. Mas como "teaser" posso já dizer que considero muito mais temível para o mundo um fanatizado Ted Cruz que um especialista em "reality shows" como Donald Trump. Mas também será uma corrida sensacional de analisar.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

As cirurgias plásticas na política

Leio no DN: «Jeb Bush perdeu vários quilos com dieta do paleolítico e o também republicano Chris Christie colocou banda gástrica. Há boatos de que a democrata Hillary Clinton terá feito um lifting».

A imagem é extremamente importante como todos sabemos, mais ainda quando é a televisão o veículo essencial de uma campanha política e na América uma corrida presidencial dura mais de um ano.

Em novembro de 2014, a revista Vanity Fair dizia das presidenciais americanas: «É um concurso de beleza». Não é. Mas sem imagem é mais complicado, com gordura a mais é mais complicado porque a televisão engorda, e um candidato deve trazer em si um elixir da juventude, que numa candidata como Hillary que tem quase 70 anos tem de rejuvenescer.

Uma campanha política é, sem dúvida, na globalidade, uma operação de cosmética. Onde se apresenta o melhor de um candidato, onde se aparam os seus defeitos e se acentuam os defeitos dos outros. As cirurgias plásticas do marketing político são normais, as cirurgias plásticas e outros tratamentos de beleza dos candidatos ainda são notícia.

terça-feira, 30 de abril de 2013

O dilema de Obama na Síria

Há decisões que marcam a imagem dos presidentes americanos. Habitualmente, são as intervenções militares. Foi assim com Reagan, Bush, Clinton, W. Bush e pode ser com Obama.

Neste fim-de-semana, Timothy Garton Ash chamava a atenção para o facto de que é muito mais grave o que se passa hoje na Síria do que há dez anos atrás na Bósnia, no entanto, naquela altura, o mundo estava fixo no que acontecia na Bósnia.

Barack Obama está hesitante numa intervenção militar na Síria. Lembra-se que no Iraque disseram que havia armas nucleares e tal não era verdade, afundando milhares de jovens americanos naquele pântano. Obama estabeleceu uma linha vermelha: o uso de armas químicas. Mas já tem relatórios de agências americanas confirmando que tais armas foram usadas.

O seu dilema será o seu legado. Com que imagem ficará para a História?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Rescaldo das eleições americanas

Seria histórico se Mitt Romney ganhasse, pois são poucos os presidentes que não conseguem a reeleição. Obama tinha as eleições ganhas até ao momento do primeiro debate. Aí, num dia mau, abriu a porta a um ressurgimento de um candidato que estava a marcar a campanha com diversas "gaffes!.

Depois, o furacão Sandy ajudou, pois num momento de crise ressalta a imagem presidencial e Romney ficou sem campanha durante três dias. Nenhum dos dois candidatos me encheu as medidas, considero fracos.

Mas a vitória de Obama prova, mais uma vez, que os americanos preferem a simpatia à eficácia, pois Romney nunca conseguiu passar a imagem de ser um tipo com quem jogamos basquetebol ou bebemos uma cerveja. Karl Rove tentou "recentrar" o discurso de Romney, mas como vimos nos "swing states" não conseguiu dar a volta.

Não sei como serão os próximos quatro anos de Obama, mas no debate sobre política internacional nunca se falou da NATO e muito menos de política europeia. Sendo assim, a América fica centrada em si e não ajudará a reerguer uma Europa em crise. Isso é mau para Portugal.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O cinema e os presidentes da América

Um texto e galeria interessante, do El Pais, sobre alguns dos presidentes americanos no cinema.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Máscaras de Halloween são sondagem na América

Na América leva-se a sério a popularidade de venda de máscaras com os candidatos presidenciais, como se pode ler aqui. Só na América,

sábado, 30 de abril de 2011

Super-Homem quer ser cidadão do mundo

A direita americana em estado de choque, o Super-Homem, portador dos valores americanos ameaça renegar a sua cidadania. Até nos Comics se pode centrar uma querela política e comunicacional. Para espreitar aqui.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A força da América, a força da lenda

Pois é, mais uma grande prosa do Alexandre Guerra no PiaR. Seguiu os meus conselhos e foi ver um dos meus filmes preferidos, de John Ford, «O Homem que matou Liberty Valance».

O papel da imprensa, o nascimento dos lobbies, o combate entre a América armada e a América civilizada. Um filme prodigioso, com momentos inolvidáveis, diálogos fantásticos, actores fenomenais, uma obra-prima. E um dos filmes que me faz gostar, apesar de todos os defeitos, da América.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Era uma vez na América com comunicação

Já me referi muitas vezes ao excelente trabalho do Nuno Gouveia no acompanhamento da política americana no seu blog Era Uma Vez na América.

Em tempos, em boa hora, a LPM chegou a patrocinar a sua ida à Convenção Republicana e vários foram as pessoas a acompanhar a boa informação que ele ali agrega.

Desta vez o Nuno chama a atenção para três textos da área da comunicação sobre os Estados Unidos. Um meu já aqui escrito, outro do Alexandre Guerra e outro do Luís Paixão Martins. Pode espreitar por aqui.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Oráculo (137)

«Detesto o que acontece com este país. Detesto o que a OPEP tem feito, sugando o sangue da gente. Detesto o que a China tem feito. Nós fazíamos produtos, agora não fabricamos mais nada»

Donald Trump

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A crise de Obama

para quem me acompanhou por outras bandas, sabe que nunca fui adepto e nunca acreditei em Barack Obama.

Adorei os seus discursos, acompanhei a sua campanha e as novas potencialidades das redes sociais ao seu dispor, mas sempre achei que nunca me iria surpreender pela positiva com ele enquanto Presidente.

Nessa altura, apesar de a considerar a Lady MacBeth dos tempos modernos, achava o candidato mais bem preparado para a função, Hillary Clinton.

Hoje em dia temos um partido republicano sem liderança e sem alternativa a Obama, um Tea Party que representa uma sociedade ultra-conservadora, ortodoxa e tudo aquilo que não sonhamos quando pensamos na América (penso que poderá ser um fenómeno passageiro até os Republicanos encontrarem uma figura forte que apague estes disparates) e um inquilino da Casa Branca que tem desiludido muitos que o apoiaram.

Provavelmente com uma popularidade mais alta na Europa do que na América, mantendo apenas os eleitorados jovens e mais progressistas. A sua presidência tem sido fraca. Interna e externamente, Obama tem sido um líder sem capacidade de afirmação.

Hillary Clinton tem sido a grande estrela e tem corrido o cenário da sua subida a vice-presidente no próximo acto eleitoral para restabelecer e fortalecer o eleitorado hoje perdido.

Eu gosto da América, prefiro a sua liderança a um mundo de poderes e relações multilaterais que vê ascender novas potências, que se estão a tornar poderosas em termos militares e económicos.

Para isso deixo nota do último livro do Robert Kagan, um guru neoconservador, «O Regresso da História e o fim dos sonhos», sempre a ler, sobre a ascensão do Brasil, China, Índia. E deixo este artigo do Público para reflexão sobre a perda de influência americana desde a ascensão de Obama.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Alexander Haig

Vejo pelo blog do Nuno Gouveia, o Era uma vez na América, que recomendo, que morreu o Alexander Haig.

Disse-se dele que podia ter sido o "garganta funda" pois era um homem conspirativo e ambicioso.

Para quem já leu os diários de Ronald Reagan vê-se como no seu primeiro mandato ele era um dos mais instáveis e que mais trabalho deu a um dos melhores presidente americanos.

Vaidoso, sempre com imagem cuidada, era tido como um dos falcões conservadores oriundos das Forças Armadas, foi muitas vezes falado para a Casa Branca mas nunca teve aliados porque jogava apenas para si próprio. Juntamente com Kissinger e james Baker é um dos homens de poder americanos que recordava muitas vezes.